
Com direção de Marco Antonio Rodrigues e trilha sonora original de Zeca Baleiro, peça homenageia os profissionais que atuam nos bastidores do teatro. Temporada acontece de 22 de outubro a 15 de novembro, no Teatro Raul Cortez.
O que acontece quando as vozes que sustentam uma peça deixam de ser ouvidas? Em Sopro, do dramaturgo e encenador português Tiago Rodrigues, uma profissional que passou a vida nos bastidores assume o centro da cena para compartilhar suas memórias e histórias do teatro. A montagem brasileira, dirigida por Marco Antonio Rodrigues, estreia em 22 de outubro com temporada até 15 de novembro, no Teatro Raul Cortez.
A peça tem como protagonista uma mulher que trabalha como ponto, função responsável por soprar as falas aos atores quando eles esquecem o texto durante uma apresentação. Guardiã de um ofício em vias de extinção, ela ocupa o palco para reconstituir fragmentos de sua trajetória e da história do teatro, entre lembranças reais e ficcionais, histórias de bastidores e referências a autores como Tchékhov, Racine e Molière.
A obra propõe um deslocamento do olhar do público para quem, embora essencial à cena, costuma permanecer invisível. Ao trazer para o centro a figura que tradicionalmente atua à sombra dos artistas, Sopro presta homenagem aos profissionais que fazem o teatro acontecer longe dos holofotes e reflete sobre as relações de trabalho, memória, existência e pertencimento.
A inspiração para Sopro surgiu quando Tiago Rodrigues, ao assumir a direção artística do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, em 2015, conheceu os dois últimos profissionais que exerciam a função de ponto em Portugal. Entre eles estava Cristina Vidal, que trabalhou durante quase três décadas nessa atividade.
A presença de Cristina nos ensaios chamou a atenção do dramaturgo pela experiência e pelo conhecimento acumulados ao longo dos anos, em contato com atores de diferentes estilos, idades e temperamentos. A partir desse encontro, Rodrigues construiu uma peça que parte da trajetória dessa profissional para abordar a memória do teatro e a importância de quem sustenta o trabalho artístico nos bastidores.
Em uma reflexão sobre a obra, o autor propõe imaginar uma voz que acompanha e conduz as falas e ações de outra pessoa, numa relação de repetição, escuta e transmissão. O sopro, nesse contexto, torna-se uma imagem daquilo que não se vê, mas que permite à cena existir.
A montagem original estreou no Festival de Avignon, na França, e passou pelo Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa. A produção europeia estava prevista para a 7ª edição da Mostra Internacional de Teatro de São Paulo (MITsp), em 2020, mas sua apresentação no Brasil foi inviabilizada pela pandemia de Covid-19. Agora, a obra chega ao país em uma montagem inédita, com elenco brasileiro.
A direção é de Marco Antonio Rodrigues, que mantém uma trajetória de intercâmbio artístico com Portugal, onde realizou mais de 30 encenações. A montagem reúne Noemi Marinho, Amanda Acosta, Dagoberto Feliz, Nicolas Trevijano, Biah Ramos e Mada Rocco no elenco, com trilha sonora original assinada por Zeca Baleiro e direção de produção de Luís Henrique Luque Daltrozo.
Para a equipe criativa, levar Sopro ao palco brasileiro é também uma oportunidade de reconhecer o trabalho de quem atua sem ser visto pelo público. Ao dar protagonismo a uma profissional dos bastidores, a peça amplia a reflexão sobre as pessoas que, em diferentes espaços da sociedade, dedicam seu trabalho a tornar possível a atuação de outras.
Com 105 minutos de duração e classificação indicativa de 14 anos, o espetáculo convida o público a olhar para o teatro a partir de outra perspectiva: a de quem, mesmo fora do foco das luzes, tem papel fundamental na construção da cena.
Serviço
Sopro
Teatro Raul Cortez | Sesc 14 Bis
Rua Dr. Plínio Barreto, 285
Bela Vista
São Paulo – SP
Estreia: 22 de outubro de 2026, Quinta, às 20h. Teatro Raul Cortez
Temporada: De 22 de outubro a 15 de novembro.
Quinta a sábado, 20h. Domingo e feriado, 18h. Não haverá sessão em 25/10.
Sessões com tradução em libras: 5 e 7/11, às 20h; 6/11, às 15h; 8/11, às 18h.
Sessões com audiodescrição: 7/11, às 20h; 8/11, às 18h.
Ingressos: R$ 60 / R$ 30 / R$ 18
Vendas online em centralrelacionamento.sescsp.org.br ou pelo aplicativo Credencial Sesc a partir de 13/10, 17h
Vendas presenciais nas bilheterias das unidades do Sesc São Paulo, a partir de 14/10, às 17h.
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama
Duração: 105 minutos
Capacidade: 523 lugares
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