
O ano era 1941 e Abdias do Nascimento assistia com amigos a peça O Imperador Jones de Eugene O’Neil, em Lima, no Peru. Durante a peça, um ator branco com maquiagem no rosto interpretava um homem negro, em prática conhecida como blackface. Neste momento, surgia a ideia que culminou na fundação do TEN – Teatro Experimental do Negro.
Fundado em 1944 e atuando até 1961, o TEN se caracterizou pelo combate à discriminação racial e a afirmação do negro através da arte e da cidadania. Sua atuação extrapolou os palcos e entrou na esfera política, servindo como base para a organização de entidades como a Associação das Empregadas Domésticas e o Conselho Nacional de Mulheres Negras. Sua existência influencia até hoje atores, dramaturgos e cineastas que continuam o legado de luta contra o racismo e abrem espaço para que mais pessoas negras estejam em todas as esferas do teatro e da teledramaturgia.
Daniel Solá Santiago, na direção do documentário Ecos do Teatro Experimental do Negro, mergulha na história do grupo que teve entre seus fundadores e colaboradores o próprio Abdias, as lendas Léa Garcia, Ruth de Souza, Haroldo Costa e Milton Gonçalves e resgata trechos das peças com a atuação política e social e as apresentações do TEN pelo Brasil. O filme traz ainda depoimentos de atores e atrizes negros que participaram do grupo ou foram influenciados por sua filosofia, como Taís Araújo, Lázaro Ramos e Ailton Graça, e revela a existência, desde a década de 1940, de numerosos grupos de teatro negro no Brasil que debatem as formas de representação racial na dramaturgia. O CineSesc realizará a sessão de estreia do documentário no dia 27/7, segunda-feira às 20h, com apresentação da pesquisadora, roteirista, curadora e crítica de cinema Viviane Pistache.
Estreia
ECOS DO TEATRO EXPERIMENTAL DO NEGRO
Dir.: Daniel Solá Santiago. Brasil, 2026, 1h59 (119’), documentário – 12 anos
O documentário Ecos do Teatro Experimental do Negro lança um olhar contemporâneo sobre a presença negra nas artes brasileiras. O roteiro utiliza a encenação de peças históricas do TEN, fundado por Abdias Nascimento, como fio condutor narrativo e e une performances clássicas a depoimentos de artistas influenciados pelo movimento. A obra revela a resistência contra o blackface e a evolução do teatro negro, conectando o legado de 1944 aos coletivos atuais.
SEGUNDA, DIA 27/07, DAS 20H ÀS 21H30
Sessão apresentada pela pesquisadora, roteirista, curadora e crítica de cinema Viviane Pistache.
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