
Inspirado no pensamento de Paulo Freire e no texto Confissão de Caboclo, de Zé da Luz, Ledores no Breu, da Cia do Tijolo, acompanha histórias de pessoas que vivem à margem da leitura e da escrita no Brasil. Com poesia, música e narrativa popular, o espetáculo reflete sobre os diferentes sentidos do analfabetismo e sobre como a ausência de acesso à palavra impacta afetos, oportunidades e cidadania. As apresentações acontecem nos dias 17, 18 e 19 de junho, no Sesc Avenida Paulista.
Ao entrelaçar trajetórias distintas, a montagem questiona quem realmente consegue “ler o mundo” em uma sociedade marcada pela desigualdade. Há o homem que não lê e, mergulhado no breu, destrói aquilo que tem de mais precioso. Há também quem leia as palavras, mas não consiga compreender seus sentidos, perdido em um mar de informações desconectadas. E há ainda aqueles que dominam a leitura das letras, mas permanecem incapazes de interpretar a realidade ao redor. São muitos os ledores no breu.
O espetáculo propõe uma reflexão sobre o significado do analfabetismo nas grandes cidades brasileiras e sobre o valor da palavra em um mundo atravessado por exclusões sociais e preconceitos linguísticos. Entre a leitura das letras e a leitura do mundo, circulam personagens cujas histórias revelam as consequências da negação do acesso ao conhecimento.
Construído a partir de textos de Paulo Freire, Lêdo Ivo, Zé da Luz, Patativa do Assaré, Luiz Fernando Veríssimo e Frei Betto, além de canções de Cartola, Jackson do Pandeiro e Chico César, Ledores no Breu costura vozes, memórias e experiências para lançar luz sobre aqueles historicamente privados do direito à leitura.
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