ME·DE·AS | MIRADA 2026

04/09/2026

Compartilhe:

Foto: Fernanda Luz


Entrevista com Gabriela Ponce | Diretora


Por que a divisão silábica no título?  

No início, foi para tomar distância da história original. Inspiradas na tragédia de Medeia, a atualizamos, situando-a no contexto contemporâneo. Depois, encontramos outros sentidos. Chamamos ME·DE·AS no plural porque são muitas atrizes e vozes dando corpo a histórias de maternidade, fazendo desse material mítico uma versão que inverte a ideia hegemônica de maternidade.  

Como surgiu a ideia de usar o texto grego para criar uma obra com temática feminista? 

Ressignificar o mito implica explorar seu potencial de significados. Medeia é a inspiração para problematizar o afeto materno e o pretexto para pensar a precariedade que atravessa nossos vínculos familiares mais íntimos. A obra também propõe revisitar a complexidade da relação entre mães e filhas e refletir sobre as muitas formas de maternidade presentes na sociedade contemporânea.  


Foto: Fernanda Luz

Como foi trabalhar com a transgressão da maternidade e dos vínculos familiares por meio da morte e da superação do luto? 

O luto não se supera, mas a arte serve de laboratório para reimaginar relações e transgredir prescrições sociais. Atualizamos o clássico para confrontar os discursos patriarcais que atravessam os corpos e a maternidade. Ao lado de migrantes venezuelanas e colombianas no Equador, tecemos uma comunidade poética sobre o desenraizamento – uma travessia que lança luz sobre os afetos, os riscos e as histórias de mulheres que precisam ser ouvidas. 

Gabriela Ponce é diretora de ME·DE·AS e integra o Colectivo Mitómana.  


Sinopse

ME·DE·AS

É possível compreender as decisões de uma mulher que, ao se apaixonar, abandona seu clã; mata o próprio irmão, despedaçando seu corpo; trai o pai; e, posteriormente, vinga o abandono do marido, assassinando os filhos que teve com ele? Ao refletir sobre as razões que pautam as ações da personagem trágica de Eurípides, a peça instiga o público a pensar questões relacionadas à maternidade e explora o caráter disruptivo da heroína frente ao patriarcado. Por meio de uma escrita cênica, que choca e tensiona passado e presente, nasce um exercício coral, de narrativa fragmentada e coletiva. O corpo e a palavra constroem, junto à materialidade visual e sonora, um mosaico que renova, a cada cena, uma Medeia, para que ela volte, sempre, a se desintegrar na multidão de corpos que a encarnam. 

O espetáculo ME·DE·AS foi apresentado nos dias 3 e 4/09 às 20h no Teatro do Sesc Santos.

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.