MORRER PELOS PASSARINHOS | MIRADA 2026

10/09/2026

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Foto: Alipio Padilha


Entrevista com Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares | Criadores e Intérpretes


O que motivou a criação da obra e como o contexto político global a influenciou? 

Se no século XX a informação era vista como salvação possível, hoje assistimos à destruição do planeta de forma consciente e passiva. Este projeto performativo reconhece esse paradoxo e responde a ele através da criação coletiva e da ação partilhada. Buscamos inspiração em movimentos artísticos surgidos em períodos de crise – como Dadaísmo, dança expressionista, teatro do absurdo e butô – para enfrentar a crise ambiental e o sentimento de impotência. Envolvendo a comunidade no processo, a arte não apenas representa o mundo, mas intervém nele para imaginar futuros possíveis.  

Como foi o processo de criação das performances? 

É um projeto em curso contínuo, construído desde o final de 2023 a partir de residências de criação. A coleção funciona como um acervo de performances prontas para serem ativadas e adequadas aos diferentes espaços e contextos de circulação. Godôs explora a temática da espera e consiste em tentar convencer pessoas a subirem a um palco. Bocas é uma performance imersiva na qual caminhamos com telefones com imagens filmadas de nossas próprias bocas. Apóstrof’Apocalipse é um acontecimento sonoro e textual participativo, uma espécie de karaokê poético. Butôdadá convida o público a fazer solos coreográficos e vocais inspirados na dança butô e no dadaísmo. Ode Triunfal é orientado por um imigrante bengali, que ensina o público a lançar para o céu brinquedos luminosos. E A Piscina transforma a ação política de atirar tinta na cara de alguém num objeto de arte. 


Foto: Alipio Padilha

Qual é o papel do público neste processo? 

O diferencial é o foco na participação ativa do público. O projeto cria um espaço em que a arte não apenas critica a realidade, mas participa ativamente da modelagem de futuros possíveis, engajando as pessoas de maneira significativa. 

Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares são os criadores e intérpretes de MORRER PELOS PASSARINHOS.


Sinopse

MORRER PELOS PASSARINHOS

Diante do colapso ambiental, social e político contemporâneo, Henrique Furtado Vieira e Lígia Soares buscam novas formas de partilhar com o público o luto coletivo, diante do modo de vida que conhecemos. O espetáculo é composto de performances que investigam a conexão histórica entre crises e vanguardas artísticas, como o dadaísmo, a dança expressionista e o teatro do absurdo, explorando relações entre espaço, corpo, linguagem e contexto social. Construído durante residências artísticas realizadas em diferentes cidades portuguesas, o projeto coloca em discussão o papel da arte na reconfiguração dos sonhos comunitários, com a participação ativa do público como eixo central. 

O espetáculo MORRER PELOS PASSARINHOS foi apresentado nos dias 9 e 10/09 às 17h, no Sesc Santos.

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