
O lançamento Outros navios: Eustáquio Neves, livro organizado pelo curador Eder Chiodetto apresenta um panorama da produção do artista visual mineiro Eustáquio Neves. Com 240 páginas ricamente ilustradas, a publicação é fruto da exposição Outros navios: fotografias de Eustáquio Neves, realizada em 2022 no Sesc Ipiranga, como parte das comemorações do bicentenário da Independência do Brasil.
Nascido em Juatuba (MG) em 1955, descendente de escravizados, Eustáquio Neves construiu uma trajetória singular na fotografia brasileira contemporânea. Químico industrial de formação, encontrou nos laboratórios fotográficos seu espaço de experimentação radical. Desde o início da década de 1990, desenvolve uma linguagem que amalgama fotografia, pintura, colagem e intervenções químicas para criar narrativas visuais potentes sobre a diáspora africana, o racismo estrutural e a ancestralidade afro-brasileira.

Onze séries emblemáticas
O livro reúne 11 séries fotográficas fundamentais da obra do artista: Caos urbano (1991), marco da transição para o experimentalismo; Arturos (1993-1995), registro da comunidade quilombola em Contagem (MG) que exalta tradições ancestrais como o congado; Objetificação do corpo (1994-1995), crítica à mercantilização do corpo feminino negro; Futebol (1995-2004), metáfora sobre exclusão social e disputa territorial urbana; Boa aparência (2000), denúncia do racismo estrutural nos anúncios de emprego; Máscara de punição (2004), reflexão sobre o silenciamento histórico da população negra; Encomendador de almas (2007), registro de rituais afro-brasileiros no Quilombo Ausente (MG); Cartas ao mar (2015), homenagem às vítimas do Cais do Valongo; Mãe (2019), ressignificação do retrato de sua mãe, Tereza Catarina Ribeiro; Retrato falado (2019-2020), reconstrução da memória de seu avô através da ausência fotográfica; e Sete (2023), questionamento dos processos de catequização e dominação cultural.

Técnica e conceito
Eustáquio Neves ficou conhecido por sua metodologia única de reprocessamento de imagens, justapondo até 15 fotogramas, intervenções químicas, papéis queimados, fragmentos de documentos históricos e grafias sobre a superfície fotográfica. Essa técnica cria camadas de significado que funcionam como metáforas visuais para verdades históricas eclipsadas pelos discursos oficiais.
Com 4 décadas de carreira, Eustáquio Neves expôs em instituições como o MASP, MAR, Pinacoteca de São Paulo, Museu Afro Brasil, FotoFest (Houston), Bienal de La Habana, PHotoESPAÑA e Art Institute of Chicago. Recebeu prêmios importantes como o Funarte Marc Ferrez (1995), Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger (2011) e Bolsa ZUM/IMS (2019 e 2022). Em 2023, participou da 35ª Bienal de São Paulo.

Veja também:
:: trecho do livro
—
Produtos relacionados
Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.