ROBOT: ecos neurodivergentes | MIRADA 2026

06/09/2026

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Foto: Fernanda Luz


Entrevista com David Atencio | Diretor e Dramaturgo


Como a neurodivergência pode ser um instrumento de invenção teatral e de investigação artística?  

Ela não entra em nosso trabalho como um tema a ser ilustrado nem como condição que exige “adaptação”: é a matriz da composição cênica. Criar a partir da potência neurodivergente desafia a hegemonia do olhar neurotípico no teatro, aquele que exige narrativas lineares e força o artista e o público ao masking (camuflagem social).  

Como se deu a construção da obra e a reunião desse elenco?  

Convidamos Víctor Romero, do Centro UC Síndrome de Down (em Santiago, no Chile), que utiliza o teatro para o desenvolvimento pessoal, e juntos estruturamos um elenco genuinamente diverso: Tito Medina, dançarino com deficiência motora; Sergio Mejía, ator com síndrome de Down; e Claudia Vicuña, bailarina e coreógrafa neurodivergente.  


Foto: Fernanda Luz

O que é essencial ao pensar a acessibilidade no teatro atualmente? 

É importante demonstrar que outras lógicas de criação e recepção são possíveis. O desafio é não tratar a diferença apenas como temática, mas integrá-la aos processos criativos. Trata-se de deixar-se contaminar por outras formas de perceber e interagir, adaptando estruturas às necessidades reais de corpos e mentes.  

David Atencio é diretor e dramaturgo de ROBOT: ecos neurodivergentes.


Sinopse

ROBOT: ecos neurodivergentes

Artistas neurodivergentes e com deficiência interpretam personagens que, durante uma mudança de casa, reorganizam o espaço cênico como um laboratório vivo, tensionando noções de presença corporal e normalidade. Nessa experiência sensorial, a neurodiversidade não é tema externo, mas princípio estruturante da montagem, sendo o teatro entendido como um espaço de investigação compartilhada entre diferentes modos de existir, perceber e agir no mundo. ROBOT também é concebida como uma peça distendida, ou seja, ela é desenvolvida desde a origem para públicos neurodivergentes. A vivência inclui guia antecipatória, recurso de acessibilidade que explica os estímulos do local com o objetivo de reduzir a ansiedade de pessoas neurodivergentes e o controle de estímulos sonoros e luminosos, além de um espaço de regulação com recursos de apoio sensorial.

Ficha técnica 

Direção: David Atencio
Codireção: Víctor Romero
Dramaturgia: David Atencio e Mateus Fávero
Dramaturgismo: Mateus Fávero
Elenco: Claudia Vicuña, Héctor Medina e Sergio Mejía
Contrarregragem: Sanm Espinoza e Eduardo Maturana
Sonoplastia: Ignacio Herrera
Iluminação e cenografia: Nicolás Russi
Figurino: Andrea Soto
Produção: Viviana Flores
Vozes: Belén Blanco, Fernando Díaz e Ignacio Herrera
Teatrologia: Andrés Grumann
Assistência de som: Monserrat Oteiza
Assistência de iluminação: Antonia Flores
Assistência de produção: Estefanía Alderete
Tour Manager: Mateus Fávero (Tercer Abstracto)
Equipe Brasil
Direção de produção: Aura Cunha
Produção executiva: Giovanna Monteiro
Assistência de produção: Lheo Shiroma
Cenotécnico: Cezar Renzi
Coordenação técnica: Giovanna Gonçalves
Técnica de áudio: Rebeca Montanha
Técnica de vídeo: Júlia Fávero
Produção: Elephante Produções

O espetáculo ROBOT: ecos neurodivergentes foi apresentado no dia 4/09 às 18h no Ginásio do Sesc Santos, e no dia 6/09 às 18h Teatro Procópio Ferreira, no Guarujá.

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