Vampyr | MIRADA 2026

06/09/2026

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Foto: Fernanda Luz


Entrevista com Manuela Infante | Diretora


Os vampiros da obra nascem de uma referência europeia, mas você os chama de “sudacas”. Como foi adaptar o mito à realidade da obra? 

Mais do que adaptar o mito europeu a uma realidade sul-americana, nos interessava recuperá-lo. O que me atrai no vampiro é que ele nunca é uma coisa só: não está vivo nem morto, não é humano nem animal. Ele resiste a categorias fixas. Nosso vampiro “sudaca” não é um aristocrata europeu trancado em sua biblioteca. Ele pode ser um morcego desorientado, uma trabalhadora do turno noturno, um corpo esgotado ou alguém que continua se levantando para trabalhar mesmo morrendo por dentro. É uma criatura híbrida, precária e teimosa.  

Como se manter humano no mundo em que vivemos?  

Não tenho certeza de que se manter humano deva ser o objetivo. Pelo menos não se entendermos o humano como um indivíduo autônomo, racional e separado do resto do mundo. Somos atravessados por outros corpos, bactérias, animais. Dependemos profundamente daquilo que aprendemos a chamar de exterior. Talvez manter-se humano hoje signifique abandonar a fantasia da autossuficiência, reconhecer nossa vulnerabilidade.  


Foto: Fernanda Luz

Vampyr encerra uma trilogia não humana. Além do não humano e do humano corrompido, quais são os outros pontos de intersecção que existem entre as obras?  

Elas compartilham uma pergunta sobre as separações: entre o humano e o não humano, entre um corpo e outro, entre o vivo e o morto, entre um indivíduo e seu entorno. Em todas está a suspeita de que essas divisões não são tão claras nem tão naturais quanto aprendemos a pensar. 

Manuela Infante é diretora do espetáculo Vampyr.


Sinopse

Vampyr

Ao se apropriar do clássico mito do vampiro, o espetáculo propõe uma mitologia inventada, a de um vampiro sul-americano, estabelecendo uma relação crítica e irônica entre a lenda europeia e a realidade do morcego hematófago chileno, espécie que morre em grandes quantidades, vítima das turbinas dos aerogeradores eólicos.  

A trama apresenta um falso documentário sobre criaturas teimosas, ao mesmo tempo mortos-vivos, animais, terra e humanos, que resistem a obedecer ao mandato da divisão entre natureza e cultura. Esses seres obstinadamente indeterminados perambulam desorientados, ora como morcegos, ora como trabalhadores noturnos, circulando pelos parques de turbinas eólicas erguidos sem regulamentação. 

O espetáculo Vampyr foi apresentado nos dias 5 e 6/09 às 17h no Teatro Municipal Braz Cubas, em Santos.

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