
Terra, sim! Barragem, não! Meio Ambiente com Gente!
No dia 14 de março, data que marca o Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, o MOAB – Movimento dos Ameaçados por Barragens do Vale do Ribeira, em parceria com a EAACONE e o SESC Registro, realizará o Seminário – O Vale do Ribeira e a luta contra as barragens com o objetivo de fortalecer a memória, refletir sobre a trajetória de resistência no território e debater as novas ameaças que seguem incidindo sobre os rios e as comunidades do Vale do Ribeira. No dia em que movimentos populares, organizações e comunidades de diversas partes do mundo se mobilizam para reafirmar a importância de manter os rios livres, correndo sem barragens. No Vale do Ribeira, essa luta também é parte viva da história.
O Rio Ribeira de Iguape é formado pelos rios Açungui e Ribeirinha, que nascem na cidade de Cerro Azul, no estado do Paraná. Ao atravessar a cidade Ribeira (SP), o rio entra no Estado de São Paulo, atravessando logo depois dos municípios de Apiaí, Iporanga, Eldorado, até chegar em Registro (SP) e, por fim, desaguar suas águas no Oceano Atlântico, no município de Iguape (SP), totalizando um percurso de 520 km de extensão.
O MOAB teve início em 1989, nascido da resistência popular diante da ameaça de implantação de um complexo de quatro barragens — a Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, planejada pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do Grupo Votorantim, no Rio Ribeira de Iguape. A construção dessa usina teria provocado graves impactos socioambientais, como o desalojamento de milhares de pessoas, a inundação de áreas agrícolas e de preservação ambiental, além de profundas alterações na dinâmica do rio, afetando diretamente as comunidades quilombolas e demais populações tradicionais da região. O projeto ficou conhecido nacional e internacionalmente como Tijuco Alto, tornando-se símbolo da luta em defesa dos rios livres.
Há mais de 35 anos, o MOAB constrói uma história de mobilização, organização e resistência em defesa do Rio Ribeira de Iguape — desde suas nascentes, no Paraná, até sua foz, em Iguape (SP). O objetivo do MOAB foi de conscientizar, mobilizar, organizar e informar a população do Vale do Ribeira sobre os projetos de barragens e outros empreendimentos que violam os direitos e modos de vida das comunidades tradicionais e da população do Vale do Ribeira como um todo. Essa luta ganhou projeção nacional e internacional na resistência ao projeto da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, cuja concessão foi cancelada em 2016 após décadas de enfrentamento popular. Mesmo diante dessa importante vitória, novas ameaças
persistem, especialmente com o avanço de projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e da mineração na bacia do Ribeira.
Neste dia nos propomos a refletir sobre essa trajetória de resistência, revisitar os aprendizados e desafios enfrentados, e debater as novas ameaças e perspectivas que se colocam para o futuro do Vale do Ribeira.
Mesa 01 – Mulheres e Água: Histórico do MOAB
Convidadas: Leticia (Quilombo São Pedro), Sueli Berlanga (EAACONE/MOAB), Maria da Guia (Quilombo Ivaporunduva) e Bernadete (Bairro Batatal)
Mediação: Tânia – Quilombo Sapatu – EAACONE/MOAB
A mesa reunirá mulheres fundadoras do MOAB e representantes da nova geração de lideranças do Alto, Médio e Baixo Vale. Será um momento de partilha de experiências, reconhecimento e fortalecimento do papel fundamental das mulheres quilombolas, ribeirinhas, caboclas, caiçaras e indígenas na defesa das águas, dos territórios e da vida.
As comunidades quilombolas e a maior parte dos municípios do Vale do Ribeira, estão situadas às margens do Rio Ribeira de Iguape, que historicamente representa meio de vida, sustento e identidade cultural para a população em geral. Para as mulheres quilombolas, ribeirinhas, caboclas, caiçaras e indígenas, o rio é espaço de convivência, alimento, espiritualidade e resistência. Esta mesa reúne mulheres fundadoras do MOAB e representantes da nova geração, que seguem mobilizando comunidades do Alto, Médio e Baixo Vale, partilhando suas experiências e estratégias de luta. É um momento de memória, reconhecimento e continuidade, destacando o papel fundamental das mulheres na defesa das águas, dos territórios e da vida.
11h20 – Mesa 02 – PCHs e Mineração no Vale do Ribeira: Ameaças e Resistências Lideradas por Mulheres
Convidados: Maíra Silva (UNICAMP/MOAB), Dalva Grupo Formigas (Adrianópolis), Professor Lélis (Eldorado) e Débora (Quilombo São Pedro) / MAB
Mediação: André Luiz de Moraes – Quilombo André Lopes – EAACONE/MOAB
Mesmo após décadas de mobilização e conquistas históricas protagonizadas por mulheres, o Vale do Ribeira volta a enfrentar novas e severas pressões sobre seus rios e territórios. Atualmente, multiplicam-se os interesses de mineradoras e os projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) – mais de 30 planejadas apenas na bacia do Rio Ribeira, especialmente em sua região de nascentes, o Alto Vale. Esses empreendimentos ameaçam inundar áreas de floresta, destruir habitats e comprometer modos de vida tradicionais, em um contexto já marcado pela falta de regularização fundiária na região. A mineração, por sua vez, provoca contaminação do solo e das águas, enquanto as PCHs podem causar remoções forçadas e perda de territórios. São impactos que recaem com especial violência sobre as mulheres, guardiãs da água, das sementes, da cultura e da organização comunitária.
Esta mesa será um espaço de fala e análise liderado por mulheres que estão na linha de frente destes conflitos e que transformam a realidade diariamente. Elas dão continuidade à luta brava das mulheres que fundaram o MOAB, enfrentando as ameaças do presente com a força do legado que herdaram. Aqui, refletiremos sobre este cenário de injustiça e racismo ambiental a partir da perspectiva de quem defende os territórios com seu corpo, seu saber e sua história.
Olhando esse cenário fica evidente, que contribuir para diminuição da crise climática é repensar nossas matrizes energéticas, mas sobretudo diminuir o as fontes de emissão de CO2, cuidar das águas, das florestas e salvaguardar a existência, territórios e modos de vida dos povos e comunidades tradicionais, assim como combater as injustiças ambientais e o racismo ambiental que assola os povos dos campos, das águas, das florestas e da população negra das periferias nas cidades.
Acreditamos que este é o momento crucial para idealizarmos uma transição energética verdadeiramente democrática e justa, onde a produção de “energia limpa” não signifique a opressão dos povos que cuidam e convivem com a natureza. Estes povos, e especialmente as mulheres que os lideram, devem ser protegidos e fortalecidos, jamais atingidos ou removidos de seus territórios. Esta mesa é, portanto, um ato de reafirmação: a luta continua, e ela tem nome, rosto e voz de mulher.
Contatos: Camila Mello (13) 998070783 ou Leticia Esther (13) 99703-9883 Email: eaaconevr@gmail.com
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