
Foto: Nella Stücker
Como a sua identidade e a transição entre mundos distintos se manifestam nesta performance? Quais foram as suas referências?
Minha identidade está presente em tudo o que faço. Tenho criado meu próprio folclore dentro do meu trabalho. Para mim, os pontos em comum entre Jocotenango (Guatemala) e Jura (Suíça), as regiões onde vivem as minhas famílias, são a natureza bruta, os aspectos ritualísticos e o fato de ambas serem regiões periféricas. Tudo isso transparece na minha relação com o movimento, o som e a poesia. Intensa, vulnerável, visceral.
Qual é a sua relação com o brainrot e por que discuti-lo no palco?
Para mim, o brainrot é uma resposta à sobrecarga de informações com que a internet e as redes sociais nos bombardeiam atualmente. Sinto urgência em compartilhar as contradições que habitam em nós. Acredito profundamente que a vulnerabilidade nos conecta uns aos outros.

“Dar tudo de si” no palco é uma tentativa de transformar essa angústia em uma ferramenta de cura – para que a Terra possa voltar a respirar?
É uma forma de digerir aquilo que vivenciamos como humanidade. E escolho entregar todo o meu corpo a esse exercício, com a maior humildade possível. Não tenho as respostas. O que posso fazer como artista é propor espaços onde possamos compartilhar experiências poderosas, intensas e poéticas e onde isso nos conecte.
Lorena Stadelmann ou Baby Volcano é responsável pela direção artística, coreografia, performance, música original, figurino e textos do espetáculo.
Em um formato híbrido entre o concerto e a performance, Baby Volcano, persona da artista Lorena Stadelmann, funde rap industrial e dança contemporânea em um dispositivo cênico imersivo. A obra investiga conflitos globais e íntimos a partir de uma urgência: a decisão de parar de ter medo e transformar a angústia em manifesto coletivo. A apresentação inicia em uma atmosfera de show clandestino, com batidas eletrônicas e subgraves que fazem o corpo vibrar diante de projeções de vida selvagem. A performance irrompe em uma crítica ao brainrot – a saturação mental pelo bombardeio digital –, subverte alarmes e sirenes com músicas tradicionais e culmina em um retorno poético à matéria.
O espetáculo Si me ves ir con todo, es porque a la noche lloro foi apresentado nos dias 4 e 5/09 às 22h na Casa da Frontaria Azulejada, em Santos.
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