Común Vacío | MIRADA 2026

05/09/2026

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Foto: Ricardo Centeno


Entrevista com Lorena Delgado | Diretora e Coreógrafa


Como foi o processo de traduzir as memórias e relatos íntimos em linguagem corporal abstrata e coletiva?  

Partimos de histórias entre realidade e ficção num espaço de confiança. Fizemos explorações somáticas com gatilhos físicos, como ossos e fluidos, e então unimos memória narrativa e corporal. Individualmente, transformamos a sensação em movimento abstrato que fazia emergir novas lembranças. Coletivamente, exploramos cheiros, sons e cores para criar cenário, som e figurino, estruturando cenas sobre medo, maternidade e migração a partir da abstração de sensações.  

Como a plataforma inclinada desafia o movimento e dialoga com o “vazio”? 

A plataforma permite habitar mundos projetados com nova perspectiva espacial. O desafio foi dançar sob gravidade alterada sem cair em efeitos fáceis, priorizando a experiência sensível. O “vazio” não reside na inclinação, mas no ponto de partida: universos que nascem de um vazio compartilhado em que cada intérprete insere suas cores e memórias, assumindo o risco de deslocar-se num espaço que se reconfigura como um organismo vivo.  


Foto: Ricardo Centeno

Como a residência em Quito influenciou a identidade da encenação? 

 Sempre busquei respeitar a diversidade, entendendo que cada corpo é um território. Essas vivências encontram-se para construir um universo compartilhado. A identidade nasce dessa multiplicidade: da forma como diferentes trajetórias e culturas convivem, gerando um espaço de real. 

Lorena Delgado é diretora e coreógrafa de Común Vacío.


Sinopse

Común Vacío

Estruturada a partir de lembranças geradas a partir de relatos dos artistas da companhia IN VITRO Danza Contemporánea, a obra investiga as fronteiras da memória individual e coletiva, propondo um território poético no qual o movimento corporal atua como a única constante capaz de deslocar e transformar a percepção do espaço. 

O aspecto performático desenvolve-se sobre uma imponente plataforma inclinada. Nesse cenário, o desenho de luz na escuridão absoluta dialoga com projeções multimídia mapeadas que alteram a superfície em tempo real, gerando uma atmosfera imersiva e um intenso impacto visual que ajudou a consolidar a trajetória da obra cênica dentro e fora do Equador.  

O espetáculo Común Vacío foi apresentado nos dias 4 e 5/09 às 21h nos Arcos do Valongo, em Santos.

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