Vermelho Melodrama | MIRADA 2026

09/09/2026

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Foto: Patricia Almeida


Entrevista com Jorge Alencar | Diretor


Como surgiu a ideia de usar o “crime do ketchup”, de 2011, como ponto de partida para a trama? 

O texto do dramaturgo baiano Gildon Oliveira é fruto de um estudo sobre a arquitetura do melodrama e as estratégias de acesso à sentimentalidade. O “crime do ketchup”, com DNA baiano, espanta pelo seu caráter farsesco: motivado por traições e ciúmes, um assassinato é encomendado e forjado de forma precária e absurda com carradas de ketchup. Um crime real cheio de reviravoltas que mais parecem ficção melodramática.  

De que forma o espetáculo subverte os clichês de gênero do melodrama tradicional para propor uma leitura sob a ótica feminista e LGBTQIAPN+?  

Invertemos os gêneros das personagens do texto original. Isso nos ajudou a perceber o quanto os marcadores de supostas feminilidades e masculinidades são carregados nas narrativas melodramáticas. Na peça, é um homem que desmaia de emoção e vibra com a realização de um casamento. Por outro lado, é uma mulher que decide viajar, deixar o porto seguro familiar, aventurando-se por outras paisagens.  


Foto: Patricia Almeida

Como a direção equilibra o jogo cênico entre viver a história e, ao mesmo tempo, fazer comentários críticos sobre a experiência do teatro? 

“Melodramar” é não ter medo da emocionalidade. Contudo, isso não significa anular a possibilidade de um exercício crítico/reflexivo. A peça tem uma dinâmica de vivenciar a trama e dialogar sobre a experiência cênica. O elenco ora corporifica as personagens, ora as comenta, numa espécie de “metamelodrama” no qual debatemos a estrutura da narrativa e suas curvas rocambolescas. 

Jorge Alencar é diretor de Vermelho Melodrama.


Sinopse

Vermelho Melodrama

O espetáculo parte do texto do dramaturgo Gildon Oliveira para contar a história dos órfãos Lúcio Mauro, Carlos Manuel e Lurdes Maria, criados como irmãos e atravessados por amores inconfessos, segredos do passado e uma carta nunca entregue que pode mudar destinos. Inspirada no “crime do ketchup”, ocorrido no interior da Bahia em 2011, a montagem da companhia baiana Dimenti, dirigida por Jorge Alencar, reposiciona sob uma ótica feminista e LGBTQIAPN+ os papéis clássicos do melodrama: aqui, é o homem quem desmaia de emoção, e é a mulher quem decide a quem quer amar. Estreada em 2019, retornou aos palcos em 2026, conectando a tradição melodramática a uma pesquisa poética contemporânea.  

Ficha técnica 

Direção e adaptação: Jorge Alencar. Peça teatral baseada no texto original de Gildon Oliveira, Vermelho rubro amoroso… profundo insistente definitivo!
Criação e elenco: Diogo Lopes Filho, Jorge Alencar, Lia Lordelo, Neto Machado e Véu Pessoa
Criada em colaboração com: Eduardo Gomes, Fábio Osório Monteiro e Vinicius Bustani
Canções: Leo Fressato
Trilha sonora original e direção musical: Luciano Salvador Bahia
Direção de arte e identidade visual: TANTO CRIA (Patricia Almeida, Fábio Steque e Daniel Sabóia)
Programação visual: Luíza Senna
Coordenação técnica: Larissa Lacerda
Figurino e adereços: Luiz Santana
Assistência de direção: Larissa Lacerda e Marina Martinelli
Colaboração artística: Ellen Mello e Jacyan Castilho
Supervisão vocal: Manuela Rodrigues
Desenho de luz: Larissa Lacerda
Operação de som: Felipe Viguini e Larissa Lacerda
Operação de luz: Marina Porto
Coordenação geral: Ellen Mello
Produção: Tais Bichara e Cândida Monte
Financeiro: Marília Pereira
Administrativo: Julia Coelho
Comunicação: Paula Berbert
Fotografia: Patricia Almeida 

O espetáculo Vermelho Melodrama foi apresentado no dia 8/09 às 18h, e no dia 9/09 às 21h, nos Arcos do Valongo em Santos.

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