Sesc SP

postado em 01/11/2017

Múltipla arte

Rubens Matuck em seu primeiro quarto/ateliê, em 1970. Foto: Rosely Nakagawa
Rubens Matuck em seu primeiro quarto/ateliê, em 1970. Foto: Rosely Nakagawa

Rubens Matuck: tudo é semente, de Rosely Nakagawa, retrata a trajetória de um artista cuja obra é marcada pela pluralidade de materiais e técnicas e pelas relações com a natureza

 

Na ocasião da mostra Tudo é semente, que esteve em cartaz no Sesc Interlagos em 2015, o professor Norval Baitello Junior enumerou as muitas facetas do multiartista brasileiro Rubens Matuck, segundo ele, um “pensador plural e não apenas artista, mas artesão, pintor, calígrafo, escultor, gravurista, aquarelista, marceneiro e marcheteiro, ilustrador, quadrinista, editor, artista gráfico, antropólogo, ceramista, viajante naturalista, desenhista, colecionador de sementes e ferramentas, entalhador, retratista, botânico, conhecedor profundo da flora brasileira (sobretudo das árvores e madeiras), ficcionista de planetas imaginários, autor e ilustrador de livros infantis e adultos e tantas outras coisas de uma lista sem fim, mas que jamais se esquece de seus mestres e parceiros em todas essas artes e saberes.” A longa enumeração faz jus ao acervo exibido naquela exposição, cujo conteúdo o livro agora publicado pelas Edições Sesc São Paulo busca registrar em textos e imagens.

A obra Rubens Matuck: tudo é semente, de Rosely Nakagawa, que também foi curadora da mostra, é estruturada de modo a proporcionar ao leitor a sensação de adentrar no ateliê do artista, um ambiente onde estão presentes tanto suas obras como seus processos de criação e experimentação. Dividido em três partes, o livro mescla a biografia e os diferentes contextos de formação do artista, em que o trabalho com diversas técnicas e materiais e a influência do contato com outras obras, culturas e artistas contribuíram para estabelecer a pluralidade observada na produção de Matuck. Além disso, textos publicados em jornais, revistas, catálogos e arquivos particulares e assinados por nomes como Aldemir Martins, Jacob Klintowitz, Gilberto Dimenstein e Luiz Tatit, entre outros, ajudam a aprofundar a reflexão sobre a tão multifacetada obra do artista.

As articulações entre observação da natureza e história da arte a partir do conceito de origem são as fontes de inspiração de Matuck. De modo geral, sua arte trata das primeiras manifestações culturais, de suas relações com o meio ambiente e os processos de observação e criação adotados por artistas tanto do Ocidente quanto do Oriente. Para Matuck, não existe natureza separada do homem e, desse modo, sua produção é permeada por desenhos, pinturas, gravuras, esculturas e ilustrações cujo eixo temático são a natureza, a fauna, a flora.

Assim, o livro Rubens Matuck: tudo é semente tem como fio condutor um olhar apurado sobre a biografia do artista e, principalmente, sobre sua arte. As camadas processuais de criação, a constante busca pela pluralidade de materiais e técnicas, as experimentações a partir do estado bruto da natureza e as diversas influências que recebeu ao longo de sua trajetória saltam às vistas do leitor que se depara com a qualidade do vasto acervo exposto no volume. Para dar conta da múltipla arte produzida por este artista brasileiro, nada menos do que 392 páginas, em edição bilíngue, aguardam para serem folheadas.

 

Veja também:

:: vídeo

:: trecho do livro

 

 

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