Sesc SP

postado em 12/09/2019

Mercados e feiras livres em São Paulo (1867-1933)

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Obra analisa o trabalho, as identidades e o cotidiano dos pequenos produtores e comerciantes de gêneros alimentícios num período de vertiginoso crescimento da cidade

 


Entrevista com Francis Manzoni

Os tradicionais mercados e feiras livres que preenchem ruas e ocupam estabelecimentos em São Paulo foram constituídos a partir da efervescência de grupos que, entre a segunda metade do século 19 e o início do 20, fomentaram uma verdadeira revolução na produção e no comércio de alimentos na cidade. Imigrantes, negros, tropeiros, lavradores e vendedores ambulantes foram os protagonistas desse processo, trazendo para o ambiente urbano uma mistura de vozes, produtos, identidades e formas de trabalho.

Marcada por tensões entre o campo e a cidade, por sérios embates com o poder público e pela disputa de espaços de comércio, a mudança apresentada no livro Mercados e feiras livres em São Paulo (1867-1933), escrito pelo historiador Francis Manzoni, teve por base, sobretudo, a força de trabalho envolvida no suprimento das demandas alimentares de uma população que crescia vertiginosamente.

Abrangendo o comércio de rua paulistano desde o final do século 19 até a inauguração do grandioso Mercado Municipal, em 1933, Francis esmiúça em sua obra o panorama da transformação do centro da capital paulista em um grande polo comercial.

 


Mercado Municipal c. 1933

 

No primeiro capítulo, “O campo e a cidade: trabalho, práticas populares e políticas públicas”, temos o mapeamento das rotas e dos espaços de produção de alimentos, identificando alguns dos caminhos que ligavam a cidade às regiões produtoras na época. A remodelação dos espaços urbanos, resultando em um progressivo afastamento das áreas de cultivo, também está entre os temas discutidos nessa parte do livro.

O segundo capítulo, intitulado “O comércio popular de alimentos na cidade: ruas, mercados e feiras de São Paulo”, trata da organização dos espaços de comercialização de alimentos e de sua relação com a formação de territórios diferenciados no espaço urbano, com destaque para as formas de resistência e as transformações que decorrem dessa estruturação.

 


Rua João Alfredo (atual General Carneiro), 1901 | Trabalhadores no pátio interno do Mercado Novo ou 25 de Março.

 

No terceiro e último capítulo, “Entre normas e exceções: o cotidiano dos comerciantes no abastecimento alimentício de São Paulo”, Manzoni volta-se para a crescente intervenção do poder público sobre a produção e o comércio de alimentos, refletindo sobre as tentativas de regulamentação da prática e os problemas que se desenvolveram entre os trabalhadores e a administração municipal no período.

Destacam-se ainda os textos introdutórios e uma conclusão que permitem refletir sobre a relevância do espaço público hoje como uma importante via de acesso a uma alimentação mais digna e saudável, fruto de uma força de trabalho que merece ser valorizada e respeitada. Afinal, sem os trabalhadores do campo, as cidades perecem.

 


Trecho do livro

 

Sobre o autor
Francis Manzoni é mestre em história pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e doutor na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com passagem pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris, na França. Atuou na área de literatura e bibliotecas do Sesc São Paulo e, atualmente, é coordenador editorial nas Edições Sesc.

 

* Serviços:

o que:

Lançamento do livro Mercados e feiras livres em São Paulo (1867-1933)

Bate-papo com o autor Francis Manzoni, seguido de sessão de autógrafos.

onde:

Biblioteca Pública Municipal Profª Iracema Casemiro de Amorim | Av. Victor Maida, 585, Ibitinga - SP

quando:

14 de novembro de 2019 – quinta-feira, às 20h

quanto:

Grátis

 

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