Sesc SP

postado em 18/11/2020

A luta continua

Protesto nas ruas São Paulo no primeiro ato público organizado pelo MNU, em 20/11/79 | Jesus Carlos©
Protesto nas ruas São Paulo no primeiro ato público organizado pelo MNU, em 20/11/79 | Jesus Carlos©

      


Por meio de um farto acervo iconográfico e documental, Movimento Negro Unificado: a resistência nas ruas registra a militância de organizações que atuaram (e ainda atuam) no combate ao racismo

Atividades de lançamento acontecem de 25 a 27/11*

 

Desde a década de 1970, são inúmeras as iniciativas de caráter sociocultural que serviram para fortalecer e empoderar os indivíduos que mais sofrem com a discriminação racial na sociedade brasileira: os negros. Relembrar essa história e refletir sobre ela é um modo de esclarecer a motivação daqueles que atuam na defesa dos direitos fundamentais e uma forma de projetar um futuro livre do racismo no Brasil. Por este motivo, as Edições Sesc São Paulo e a Fundação Perseu Abramo se uniram para publicar Movimento Negro Unificado: a resistência nas ruas, livro organizado por Ennio Brauns, Gevanilda Santos e José Adão de Oliveira.

O Movimento Negro Unificado representa a militância de um conjunto de grupos e organizações que se mobilizaram para fazer frente ao racismo na cidade de São Paulo a partir de 1978, mesmo ano em que o MNU foi fundado. São homens e mulheres que integraram o cenário político em plena ditadura civil-militar, em meio aos movimentos estudantil, popular e sindical. Este livro busca traçar uma narrativa inédita a partir dos testemunhos dos protagonistas que politizaram a ação desses grupos. Várias gerações de lutadores fazem parte dessa história composta por registros fotográficos, testemunhos, manifestos e ensaios históricos.

Valorizar as diferentes identidades como forma de promover a igualdade e contribuir para a reafirmação dos direitos sociais e individuais dos oprimidos representa um ato de resistência. Há mais de quatro décadas, o Movimento Negro Unificado vem denunciando em alto e bom som que a democracia racial é um mito. Seja divulgando e enaltecendo sua cultura, seja pautando e reivindicando políticas públicas para reparar as marcas da injustiça que perduram após mais de 130 anos do fim da escravidão, esses grupos e organizações permanecem firmes em seu propósito: combater o racismo. A luta continua!

 


Trecho do livro

 

Sobre os organizadores:

Ennio Brauns, natural do Rio de Janeiro, é jornalista e fotógrafo autodidata. Deixou a Escola de Teatro da UniRio em 1977 para trabalhar como repórter no jornal O Globo. No ano seguinte, transferiu-se para São Paulo para trabalhar como fotojornalista. Como fotógrafo documentarista, nos últimos 20 anos vem desenvolvendo projetos nas áreas da sociologia, antropologia, arquitetura e urbanismo.

Gevanilda Santos graduou-se em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) na década de 1980. Em 1991, defendeu mestrado em Sociologia Política na mesma instituição. É professora universitária aposentada, atualmente dedicando-se a pesquisas sobre as desigualdades sociorraciais brasileiras. Com diversos livros publicados, é membro da diretoria da Soweto Organização Negra, entidade paulista filiada à Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen).

José Adão de Oliveira fez parte de grupos de resistência católica nos anos 1970, dentre eles Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz, coordenada por Dom Paulo Evaristo Arns. Foi integrante da organização política Liga Operária (LO) desde sua fundação em 1974. Participou do grupo de estudantes secundaristas Alicerce, que se articulava com o movimento estudantil universitário, participando de atividades políticas na PUC e na USP, e de lá se transferiu para o Núcleo Negro Socialista. Em 1978 participou da constituição do Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial. Em 2008, foi indicado pelo MNU como representante da entidade na Comissão Organizadora do Processo de Construção do Plano Municipal de Educação de São Paulo. Em 2013, em nome do MNU, foi membro cofundador do Fórum Municipal de Educação de São Paulo, onde atua até o presente momento.

 

*Serviços:

Live de lançamento do livro Movimento Negro Unificado: a resistência nas ruas
25/11, quarta, às 16h.
Bate-papo com Ennio Brauns, Gevanilda Santos e José Adão de Oliveira. Mediação de José Evaristo Silvério Netto. A transmissão acontece direto do Sesc 24 de maio. Assista em youtube.com/sesc24demaiovideos

Live A memória do Movimento Negro Unificado
Dia 26/11, quinta, às 16h.
Autores de textos publicados no livro "Movimento Negro Unificado: a resistência nas ruas" e militantes do MNU falarão sobre sua participação no projeto que gerou o livro. A partir de algumas fotos publicadas, Ennio Brauns, Gevanilda Santos e José Adão de Oliveira, organizadores do livro, falarão sobre memórias de luta do movimento. Assista em fpabramo.org.br

Live A atualidade da luta do Movimento Negro Unificado
Dia 27/11, sexta, às 16h.
Debate sobre a atualidade das agenda do MNU e sua relação com organizações e movimentos contemporâneos. Com Ieda Leal, presidenta do MNU; Milton Barbosa, presidente de honra do MNU; Kiusam de Oliveira produtora cultural, artista multimídia, bailarina e coreógrafa; Marcos Antônio Cardoso, autor do livro "O movimento negro em Belo Horizonte: 1978-1998". Mediação de Elen Coutinho, economista e diretora da Fundação Perseu Abramo.. Assista em fpabramo.org.br

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