Sesc São Paulo assume o edifício do TBC – Teatro Brasileiro de Comédia

20/12/2022

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A sede da companhia de teatro que marcou a história das artes cênicas nos anos 50 e 60, tombada nos anos 80, será revitalizada e abrigará nova unidade do Sesc, no bairro do Bixiga, centro de São Paulo. Inicialmente, o contrato de cessão especial do imóvel prevê a ocupação por 35 anos, renováveis por igual período. O Sesc se compromete a entregar um projeto arquitetônico em dois anos e a concluir as obras para dar início à operação do espaço em mais seis anos.

O TBC, além de representar um marco dentro da trajetória do teatro brasileiro, ao trazer diferentes encenadores para o seu palco, inovou ao propor um modelo de gestão inspirado nos teatros europeus, com um diretor artístico à frente de um pensamento curatorial e compondo um quadro artístico que reunia diferentes encenadores.

O presidente do Sesc, Abram Szajman, após firmar acordo com Tamoio Athayde Marcondes, presidente da Funarte, gestora do TBC desde 2008, afirmou que “oferecer a ocupação de um espaço histórico para tornar-se mais uma unidade do Sesc na capital, mostra-se como um dos mais importantes momentos para a instituição, pela ampliação da capacidade de atendimento, pelo oferecimento à população de São Paulo de mais opções para o lazer e o aprendizado permanente, em um espaço propício para o desenvolvimento humano e a prática da cidadania”.

Para o presidente da Funarte, “resgatar o TBC é trazer para a sociedade o direito de frequentar esse teatro histórico e devolver aos artistas esse palco iluminado. O Sesc tem papel fundamental nessa retomada, sendo o parceiro ideal para resgatar o teatro e sua história”.

A ideia é estabelecer no local uma unidade do Sesc com ampla oferta de serviços e programas oferecidos pela instituição em todo o estado”, afirma Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo, e ressalta o elemento revitalizador que um equipamento de lazer socioeducativo traz para a região central. “O Sesc se apresenta mais uma vez como protagonista na utilização e conservação de um espaço histórico ao assumir um equipamento com a importância para a cidade de São Paulo como este espaço do TBC. Ali, o Sesc vai promover um renovado fluxo de pessoas, atraídos ao local para uma programação dinâmica e diversificada, cujos benefícios logo se apresentarão também para todo o bairro e região, pelo reordenamento de utilização de espaços, públicos e privados, que a cidade frequentemente proporciona para seus moradores.”

O TBC e o Sesc foram criados na década de 1940, no período pós-guerra. O Sesc – Serviço Social do Comércio foi criado em 1946, uma iniciativa do empresariado do setor com o compromisso de realizar ações que beneficiassem os empregados e seus familiares, considerando o cenário na ocasião. Com o tempo, a ação do Sesc se transformou e o trabalho foi estendido para toda a população. O TBC – Teatro Brasileiro de Comédia foi fundado em 1948 por Franco Zampari, um engenheiro das Indústrias Matarazzo com apoio financeiro da burguesia paulistana. A história das instituições se cruza em um momento importante para o País e criou marcos na construção das artes cênicas na capital paulista.

SOBRE O TEATRO BRASILEIRO DE COMÉDIA (TBC)

Em 1948, o edifício do Teatro Brasileiro de Comédia passou a abrigar a companhia de teatro homônima, fundada pelo empresário de origem italiana Franco Zampari (1898-1966) no mesmo ano. A estreia se deu com a montagem, em francês, de “La Voix Humaine” (A Voz Humana), monólogo de Jean Cocteau, estrelado pela atriz franco-brasileira Henriette Morineau (1908-1990).

Durante os 16 anos de existência da companhia, mais de uma centena de obras foram encenadas e passaram pelo TBC grandes nomes das artes cênicas nacionais e internacionais, entre atrizes e atores, cenógrafos e diretores.

Os anos de ouro do TBC marcaram profundamente o teatro nacional e sua modernização. Os profissionais que passaram por lá acabaram estabelecendo outras companhias importantes, como o Teatro de Arena e o Teatro dos Sete. Antunes Filho, que estreara como assistente de direção no TBC no início dos anos 1950, fundou seu grupo teatral no final dos anos 1970 e, em 1982, foi convidado pelo Sesc para coordenar o Centro de Pesquisa Teatral (CPT), na unidade Consolação, onde atuou até falecer, em 2019. Desde então, passou a dar nome ao teatro do Sesc Vila Mariana, assim como Paulo Autran nomeia o teatro da unidade de Pinheiros.

Muitos dos artistas que construíram a história do TBC também se apresentaram em produções no Sesc São Paulo, em especial no histórico Teatro Anchieta (Sesc Consolação), e ajudaram a consolidar a atuação do Sesc no campo das artes cênicas em São Paulo. Além da programação regular de espetáculos nas unidades da capital, Grande São Paulo, interior e litoral do estado, a instituição realiza também ações educativas e reflexivas sobre a linguagem e festivais, como o MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, em Santos e o FIT – Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto, em parceria com a Prefeitura Municipal.

O BAIRRO

O bairro do Bixiga sempre esteve associado com a identidade paulistana. Localizado no distrito da Bela Vista, na região central do município, o Bixiga é entendido como um dos mais tradicionais bairros da capital, embora na divisão administrativa da cidade ele não exista oficialmente.

Formada predominantemente por imigrantes italianos – em particular, os calabreses, na época da extensa imigração na capital a região lembrava as pequenas aldeias da Itália. No entanto, os primeiros registros referentes ao Bixiga são de 1559 e tratava-se de uma grande fazenda chamada Sítio do Capão, cujo dono era o português Antonio Pinto.

No século 19, a região era conhecida como Pequena África, onde se localizava o Quilombo Saracura. Durante as atividades de monitoramento arqueológico das obras da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, um sítio histórico foi encontrado na área da futura estação 14 Bis no Bixiga, local que abrigou os quilombolas em seu entorno.

A partir do século 20, o bairro ganhou o status de reduto da boemia paulistana ao receber diversos teatros (Oficina – de José Celso Martinez Corrêa, Maria Della Costa e Sérgio Cardoso), os amantes do samba, que tiveram como ícone local, Adoniran Barbosa e inúmeros bares e restaurantes – com destaque para as cantinas italianas.

O Bixiga é palco de diversos símbolos que demonstram a importância das artes cênicas para o Brasil. Entre eles, a atriz Laura Cardoso, que nasceu no bairro em 13 de setembro de 1927 e o ator Sérgio Mamberti, morador do local por grande parte de sua vida e, inclusive, integrou a Fundação Pró-Bixiga – organização em defesa da conservação do bairro.

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