Viva Donato: a singela sofisticação de João Donato

28/08/2026

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A obra de um dos maiores compositores da música brasileira, João Donato, ganha em Viva Donato, álbum lançado pelo Selo Sesc, uma homenagem que celebra seu legado através de outros grandes nomes da música brasileira. Este tributo está disponível nas principais plataformas de áudio e também em versão física nas Lojas Sesc. Em setembro, dois shows de lançamento no Sesc Vila Mariana para celebrar essa chegada.

Viva Donato reúne intérpretes fundamentais da MPB, como Gilberto Gil, Djavan e Bebel Gilberto, sob a batuta de arranjadores como Dori Caymmi e Marcos Valle. O projeto é um encontro de afetos: cada artista traz consigo a influência da obra de Donato ou a memória de parcerias compartilhadas. É, acima de tudo, uma celebração de todos aqueles que foram tocados por sua poesia. O disco abre com A Paz, parceria entre Gil e Donato em 1986. Nesta nova versão são Gil e Mônica Salmaso que revivem a canção, com arranjo de Dori Caymmi.

“Esse modo facilitador que ele tinha, de promover o escorrimento do afeto. Com que o afeto escorresse de forma muito suave, como se fosse um riacho. Era a cara dele. Foi assim incrível o conjunto de canções que a gente acabou fazendo. Muitas das canções, das melodias, eram reminiscências que ele tinha dos lugares no Acre, das ruas, dos rios, das florestas, dos lugares onde ele ia passear quando ele era pequeno, das lavadeiras. Muita coisa vinha no ouvido dele”, compartilha Gilberto Gil

Dori Caymmi e Gilberto Gil | Foto: Isabela Espindola

Em Nua Ideia, a composição de Donato surge em uma nova leitura que preserva a sensibilidade da letra. Lançada na voz de Gal Costa em 1980 no disco Plural, já ganhou diversas versões ao longo dos anos por nomes como Edu Lobo e Emílio Santiago. Agora, é Bebel Gilberto que com suavidade dá vida novamente à canção. “Eu fui criada ouvindo, aprendendo e tendo que lembrar de todos os detalhes de todas as músicas do Donato. Das letras, das melodias… Lugar Comum, A Bruxa de Mentira, Emoriô, A Rã… Quando veio a ideia de gravar o Donato, eu tive o prazer de poder escolher a música. Nua Ideia, sem dúvida nenhuma, é uma das músicas mais bonitas do Donato”, conta Bebel Gilberto.

Silva interpreta as bem pensadas aliterações presentes na inédita Aquela delícia singela, que dão toda a cadência e harmonia da canção. Flor de Maracujá, composta em 1974 em homenagem a Gal Costa, carinhosamente apelidada por Donato com o nome da flor, ganha a voz de Roberta Sá acompanhada de Roberto Barreto na guitarra baiana.

A beleza melancólica e apaixonada de Até quem sabe, canção de 1973, é interpretada por Joyce Moreno, enquanto Falta de ar, que igualmente traz o amor triste e nostálgico nos seus versos é entoada por Djavan. Em Cadê Jodel?, que traz a saudade de Donato por sua filha, tem nas sobrepostas vozes da mãe e filha Paula Morelenbaum e Dora Morelenbaum o seu acalanto.

Dora e Paula Morelenbaum | Foto: Isabela Espindola

Vamos Combinar, faixa inédita, é uma parceria entre João Donato e Marcos Valle na qual Valle e Patrícia Alví concretizam essa primeira gravação em dueto. “O Donato sempre teve uma simplicidade aliada a uma certa coisa sofisticada. Poucas notas. Isso eu aprendi muito com o João”, conta Marcos Valle sobre a conversa entre os instrumentos na composição, maneira de observar e entender a música que aprendeu com Donato.

O álbum segue com Ivan Lins cantando o leve samba sobre os planos da vida a dois E vamos lá, enquanto Antonio Adolfo e seu piano interpretam o bolero Simples carinho, lançado em 1982. A declaração de amor de De um jeito diferente, popularizada na voz de Emílio Santiago, chega em Viva Donato por meio da intensidade de Fafá de Belém. Já A Rã, uma das mais famosas de sua carreira, lançada em 1960, conta com João Bosco para honrar a cadência da letra.

“As harmonias dele são muito delicadas, são muito precisas, inquietas. Essa música entrou na minha alma, mas ela é muito sutil e como muito sutil, ela precisa de isolamento e tranquilidade. E a letra, né? Esses dois irmãos fizeram coisas inacreditáveis, eu sou apaixonada por pelos dois. Fiquei muito feliz de ser uma música, uma letra dos irmãos Os Donatos, The Boys (risos). Viva Donato!”, conta Fafá de Belém com descontração

Donatinho | Foto: Isabela Espindola

Seu filho Donatinho dá o tom leve e solar que pede Lua Dourada, bolero lançado em 1986. Já Emoriô, outro grande sucesso de Donato em parceria com Gil, de 1975, traz Margareth Menezes no vocal. Fechando as homenagens de Viva Donato, Fernanda Abreu entoa Nasci para bailar.

Nascido no Acre e projetado nacionalmente a partir do Rio de Janeiro, João Donato foi um multiartista: pianista, compositor e arranjador fundamental para a consolidação da música popular brasileira. Além de um dos principais nomes da Bossa Nova, não se limitou a ela e incorporou influências do jazz e da música afro-latina de maneira autêntica em sua obra, o que ajudou a ampliar os horizontes da música brasileira e é tido como referência para diferentes gerações de músicos. Além de Viva Donato, o Selo Sesc também já lançou álbuns como Donato Elétrico (2016) e o Sessões Selo Sesc #7: João Donato + Projeto Coisa Fina (2020).

“Espero que esse disco passe para as novas gerações e para as pessoas que não conhecem a música dele. O Donato é um cara que é o pai da música, pai do ritmo, pai da música latina brasileira… termo que não é usado aqui no Brasil porque o brasileiro é muito brasileiro, mas esquece que a gente está cercado pela América Latina. Então, se você nasce no Acre, como o Donato nasceu, você vai ter um quê de alguém especial”, completa Bebel.


FAIXAS

  1. A Paz | Gilberto e Mônica Salmaso
  2. Nua ideia | Bebel Gilberto
  3. Aquela delícia singela | Silva
  4. Flor de maracujá | Roberta Sá e Roberto Barreto
  5. Até quem sabe | Joyce Moreno
  6. Falta de ar | Djavan
  7. Cadê Jodel? | Dora Morelenbaum e Paula Morelenbaum
  8. Vamos Combinar | Marcos Valle e Patrícia Alvi
  9. E vamos lá | Ivan Lins
  10. Simples Carinho | Antônio Adolfo
  11. De um jeito diferente | Fafá de Belém
  12. A rã | João Bosco
  13. Lua Dourada | Donatinho
  14. Emoriô | Margareth Menezes
  15. Nasci para bailar | Fernanda Abreu

FICHA TÉCNICA

Antonio Adolfo (piano) | Bebel Gilberto (voz) | Bernardo Bosisio (guitarra, violão) | Caio Oliveira (teclados, percussão eletrônica) | Daniel Alcoforado (complementos) | Danilo Sinna (flauta, clarinete) | David Rangel (contrabaixo) | Diogo Gomes (trompete, flugelhorn) | Djavan (voz) | Donatinho (voz, fender rhodes, complementos, sintetizadores, contrabaixo synth) | Dora Morelenbaum (voz) | Dori Caymmi (violão) | Fafá de Belém (voz) | Felipe Alves (bateria) | Felipe Pinaud (flauta) | Fernanda Abreu (voz) | Gilberto Gil (voz) | Guilherme Lirio (guitarra, contrabaixo, drum machine) | Itamar Assieri (piano, teclados) | Ivan Lins (voz) | Jaques Morelenbaum (violoncelo) | Jefferson Lescowich (contrabaixo, baixo) | Jefferson Rodrigues (saxofone) | Jessé Sadoc (trompete) | João Bosco (voz, violão) | Jorge Continentino (saxofone) | Jorge Helder (contrabaixo) | Jorge Neto (trombone) | José Arimatéa (trompete, flugelhorn) | Joyce Moreno (voz) | Jurim Moreira (bateria) | Kainã do Jejê (percussão) | Karyne Rosselle (vocal) | Kassin (baixo, complementos) | Kiko Horta (acordeon) | Lucca Noacco (guitarra) | Luiz Alves (contrabaixo) | Marcelo Martins (flauta, saxofone) | Marcelus Leone (saxofone, flauta, trompete) | Marcos Valle (piano, fender rhodes, voz) | Margareth Menezes (voz) | Marlon Sette (trombone) | Mônica Salmaso (voz) | Moreno Veloso (pandeiro) | Patrícia Alví (voz) | Paula Morelenbaum (voz) | Paulo Guimarães (flauta) | Paulo Jordão (trompete) | Pepe Cisneros (piano) | Rafael Amarante (violão, guitarra, contrabaixo) | Rafael Rocha (trombone) | Renato Massa (bateria) | Ricardo Pontes (saxofone) | Ricardo Silveira (guitarra) | Roberta Sá (voz) | Robertinho Silva (percussão) | Roberto Barreto (guitarra baiana) | Rodrigo Pacato (percussão) | Rodrigo Tavares (sintetizadores) | Silva (voz) | Tito Bahiense (vocal) | Tito Oliveira (bateria, percussão) | Tom Silva “Pacatinho” (percussão) | Tuto Ferraz (bateria, percussão)

Gravado entre junho e julho de 2025 nos estúdios Visom Digital, Em Casa, Estúdio Marini, Estúdio do Tuto e Studio Oliveira.
Técnicos de Gravação: Guido Pera, Marcelo Saboia, Lucca Noacco, Tuto Ferraz e Caio Oliveira.
Mixagem: Marcelo Saboia
Masterização: André Dias
Idealização do projeto: Regina Oreiro

Direção artística: Regina Oreiro e Ivone Belém
Produção executiva: Acre Musical e Oreiro Produções
Assistente de produção: Dulce Lobo
Afinação de piano: Guthemberg Padilha
Fotos e vídeos: Isabela Espíndola
Apoio: Instituto João Donato

Viva Donato está disponível nas principais plataformas de áudio e também em versão física nas Lojas Sesc.

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