Velocidade | MIRADA 2026

10/09/2026

Compartilhe:

Foto: Fernanda Luz


Entrevista com Marcos Coletta | Dramaturgo


De que forma o ensaio “Notas sobre os Doentes de Velocidade”, de Vivian Abenshushan, inspirou o grupo a diagnosticar a nossa “doença da velocidade” e transformar esse sintoma em matéria poética no palco? 

Nas primeiras pesquisas para a criação do projeto, trouxe a obra da Vivian para leitura coletiva, e a identificação foi imediata. Estamos todos adoecidos por ritmo acelerado, excesso de informação, performance e produtividade. O sistema econômico-político-social em que vivemos alimenta e é nutrido por essa patologia.  

Como o grupo traduziu essa provocação na prática da cena?  

Tanto a dramaturgia quanto a encenação buscam subverter o tempo, a duração dos acontecimentos e da própria contemplação da peça. A cena inicial é um áudio de seis minutos que o público ouve no escuro, o que gera outra dinâmica de experiência. A cadência força o espectador a desacelerar a expectativa.  


Foto: Fernanda Luz

Neste mundo obcecado pela produtividade, como o uso do sonho, das pausas e do inacabado serve como manifesto contra a pressa?  

A arte existe para provocar experiências distintas do cotidiano. A ficção é fundamental para o ser humano, mas vem sendo negligenciada. A obsessão pelo real na comunicação e nas artes empobrece as possibilidades de uma vivência mais criativa, logo, menos política. Da mesma forma, o onírico perdeu espaço no imaginário. Esquecemos que sonhar é um lugar de enorme potência, que nos retira do controle racional.  

Marcos Coletta é dramaturgo do grupo Quatroloscinco – Teatro do Comum. 


Sinopse

Velocidade

Como subverter o tempo e a duração das coisas a partir da arte? O espetáculo do Grupo Quatroloscinco convida o espectador a repensar o ritmo da vida contemporânea. A peça se estrutura como as partes de um livro: capa, prefácio, dedicatória, sete capítulos e verso da capa. Situações sobrepostas abordam a percepção humana do tempo, segundo relações familiares e de trabalho, rotina de vida, memórias de infância, sonhos recuperados e a incerteza do futuro. A encenação abre espaço para o onírico e para o coral dos corpos em cena, que se movem em variações de ritmo, pausa e aceleração. Dramaturgia e encenação constroem uma peça-livro-sonho, afirmando o teatro como espaço de desaceleração. 

O espetáculo Velocidade foi apresentado nos dias 9 e 10/09 às 21h, no Centro Cultural Português, em Santos.

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.