
Há encontros que transformam os lugares por onde passam. E há também aqueles que transformam as pessoas. A chegada da Itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, que tem como tema Nem Todo Viandante Anda Estradas: Da Humanidade como Prática, inspirado em texto da escritora Conceição Evaristo, ao Sesc Rio Preto, carrega um pouco dessas duas dimensões. Ao apresentar obras de arte, a mostra nos convida a desacelerar, observar o mundo com mais atenção e refletir sobre a forma como construímos nossas relações, preservamos nossas memórias e compartilhamos modos de viver em comunidade.





A 36ª Bienal de São Paulo parte de uma ideia simples e, ao mesmo tempo, necessária: a humanidade não é um conceito abstrato, mas algo que praticamos todos os dias, nos encontros, nas escutas, nos gestos de cuidado e na convivência com as diferenças. Em um tempo marcado por tantas mudanças e desafios, a arte surge aqui como espaço de diálogo, questionamento e imaginação de futuros possíveis.
“Por meio de uma rica parceria de longa duração, São José do Rio Preto é uma das cidades que melhor expressam o sentido do programa de mostras itinerantes”, afirma Andrea Pinheiro, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. “Cada retorno também acompanha a renovação de um vínculo com o Sesc, com o público local e com a convicção de que levar a Bienal para além do parque Ibirapuera é parte constitutiva da nossa missão. A Bienal ganha novos significados quando encontra territórios diferentes”, reflete.




Receber novamente a Bienal em Rio Preto é motivo de celebração. Única cidade do interior paulista a receber uma itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, Rio Preto reafirma uma trajetória cultural construída por artistas, instituições e públicos que fazem da cultura uma experiência viva e cotidiana. As obras passam a dialogar com os espaços da unidade, com as histórias que circulam por ela e, principalmente, com as experiências de quem a visita.
É importante reconhecer que o acesso à arte só se realiza plenamente quando todas as pessoas podem participar dessa experiência. Por isso, a itinerância reafirma o compromisso com a acessibilidade, promovendo recursos e ações que contribuem para que diferentes públicos possam fruir, interpretar e construir suas próprias relações com as obras. Os trabalhos apresentados ampliam reflexões sobre memória, deslocamento, identidade, ancestralidade e representação. São obras que não oferecem respostas prontas, mas abrem espaço para perguntas. Quem somos? Como nos relacionamos com aqueles que são diferentes de nós? Que histórias escolhemos lembrar, compartilhar ou transformar? São questões que atravessam e que talvez encontrem respostas distintas em cada viandante.





Até novembro, o público rio-pretense e visitantes de diferentes cidades da região terão a oportunidade de percorrer esses caminhos. E talvez a principal contribuição desta Bienal seja justamente lembrar que nem todo caminho está desenhado de antemão. Alguns se revelam durante a caminhada, no encontro com o outro, na escuta atenta e na disposição de compartilhar experiências. Em tempos que tantas vezes nos empurram para o isolamento, a arte nos convida a fazer o movimento contrário: aproximar, dialogar e imaginar, juntos, formas mais humanas e inclusivas de existir em comum.
Confira, abaixo, o vídeo da abertura da Itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, que tem como tema Nem Todo Viandante Anda Estradas: Da Humanidade como Prática, realizada no dia 18/8, no Sesc Rio Preto.
Serviço:
Exposição
ITINERÂNCIA 36ª BIENAL DE SÃO PAULO – NEM TODO VIANDANTE ANDA ESTRADAS DA HUMANIDADE COMO PRÁTICA
Conceito curatorial por Bonaventure Soh Bejeng Ndikung – Curadoria da itinerância por Thiago de Paula Souza
De 19/8 a 13/11. Terças a sextas, 13h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, 10h às 18h30. Convivência. Grátis. Audiodescrição. Braille. Libras
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