8ª edição do MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas

13/08/2026

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Papakuna | Foto: Matias Canales

De 3 a 13 de setembro de 2026, o Mirada – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas chega à sua 8ª edição bienal, tem o Equador como país homenageado e acontece em diferentes cidades da Baixada Santista. A programação apresenta montagens de teatro, dança, performance em palcos, praças e espaços históricos de Santos, Cubatão, Guarujá, Praia Grande e São Vicente, reunindo artistas de diversas origens e linguagens.

Esta edição foi organizada em quatro eixos que se complementam (Mostra Equatoriana, Mostra Internacional, Mostra Nacional e Ações Formativas), e aborda temas como os deslocamentos territoriais, a festa como rito e ato político, questões ambientais e as relações entre trabalho, ócio e tempo. Ao todo, são 41 espetáculos de 15 países e 16 ações formativas.

“A programação desta edição reflete o compromisso do Sesc com a diversidade, a acessibilidade e a cooperação cultural. Ao ocupar teatros, ruas, praças e espaços históricos da Baixada Santista, o Mirada amplia o acesso à produção cênica contemporânea e promove encontros entre diferentes públicos e perspectivas. Neste ano, em que celebramos os 80 anos do Sesc, esse diálogo se fortalece com a presença de artistas de 15 países, incluindo a Guatemala pela primeira vez, ampliando as possibilidades de intercâmbio e construção de novos repertórios”, afirma Luiz Galina, diretor do Sesc São Paulo.

O Equador no centro da cena

Nesta edição, o Mirada coloca o Equador como país homenageado, direcionando o olhar para a produção das artes cênicas da América do Sul. Com sete espetáculos, a mostra Equatoriana apresenta a pluralidade da produção desse país, marcado pela presença dos Andes, da Amazônia, do litoral e uma cena cultural que evoca ritos comunitários e tensiona feridas coloniais.

O espetáculo de abertura do festival é o Me·de·as, do Colectivo Mitómana. A obra revisita o mito de Medeia para discutir maternidade, luto coletivo e a subversão dos papéis atribuídos às mulheres, em uma releitura que une canto, dança e coralidade para abordar diferentes formas de resistência às imposições patriarcais.

O recorte equatoriano traz nomes e estéticas diversas. Entre os destaques estão o espetáculo Papakuna – Agroteatro Cómico Musical (do Colectiva Yama), que celebra as tradições milenares andinas e o cultivo de batatas nativas como ato de resistência cultural e comunitária, e La Trocha (da Runga Arte Experimental, em parceria com a artista argentina Melina Seldes), que investiga a travessia de migrantes na fronteira entre Colômbia e Equador.

Me·de·as | Foto: Florencia Luna

Diálogos internacionais

A Mostra Internacional registra a participação inédita da Guatemala e a expansão de presenças caribenhas, ao lado de produções da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Espanha, México, Peru, Portugal, Uruguai e Venezuela. Os espetáculos abordam temas importantes do nosso tempo — como migração, ancestralidade, justiça climática, repressão política e igualdade de gênero.

Os destaques são o espanhol Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir (da encenadora Angélica Liddell), baseado no código espiritual dos samurais, que combina erotismo, ritualística e o teatro nô japonês; o chileno Vampyr (direção de Manuela Infante), um falso documentário sobre criaturas que resistem à divisão entre natureza e cultura para tratar de sustentabilidade; o argentino Ayoub – El amor me enseña a no amar (Marina Otero), que critica o colonialismo afetivo a partir do relacionamento entre um casal no Marrocos; e o mexicano Mi madre y el dinero (Anacarsis Ramos), no qual o diretor e sua mãe, Josefina Orlaineta, sobem ao palco após uma década de distanciamento para mostrar a história de uma mulher que manteve mais de 40 negócios ao longo da vida em busca da sobrevivência em uma das áreas de maior índice de pobreza no México.

Seppuku – El funeral de Mishima o El placer de morir | Foto: Ximena y Sergio

A efervescência da cena nacional

A Mostra Nacional apresenta um panorama dedicado à diversidade das artes cênicas brasileiras, incluindo estreias nacionais, como …ao mesmo tempo…, que reúne o Lume Teatro e a Cia. Clowns de Shakespeare; uma versão contemporânea de Macbeth (Cia. Extemporânea), interpretada por um elenco de drag queens; e Casa do Norte, no qual o Grupo Clariô de Teatro comemora duas décadas de história e afirmação cultural em Taboão da Serra.

Casa do Norte | Foto: Laio Rocha

Formação de novos públicos

A 8ª edição do Mirada reúne espetáculos voltados a públicos de diferentes idades, com obras que convidam crianças, jovens e adultos a se aproximarem das artes cênicas. Entre elas está Vovó surrealista, da Cia. de Feitos — baseado no livro de Carlos Canhameiro, o espetáculo acompanha uma avó analfabeta, que finge ler livros aos netos, mas inventa histórias e personagens. Já o áudio percurso TESORO, Santos (da chilena Paula Aros Gho) convida o público a uma viagem lúdica pela cidade de Santos, guiada por vozes de crianças e jovens entre 7 e 15 anos.

Vovó surrealista | Foto: Isaque Alves

Além dos espetáculos, o festival promove 16 ações formativas, com residências, vivências, oficinas, bate-papos e sessões de autógrafos de livros que privilegiam a escuta e a troca entre criadores e público, com o intuito de fomentar o pensamento crítico e a reflexão.

Durante o período do festival, o Sesc TV exibe filmes, documentários e séries relacionados ao universo do teatro, que também estão disponíveis no Sesc Digital.


Acesse a programação completa em sescsp.org.br/mirada
A venda de ingressos tem início na sexta-feira, 14 de agosto a partir das 15h, pelo app Credencial Sesc SP, pelo site e nas bilheterias das unidades.

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