Ciclo de Encontros: O Estado da Arte [naif] [popular]

04/03/2026

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Em março de 2026, o Sesc Piracicaba propõe um encontro onde artistas, curadores e pesquisadores trarão suas visões, leituras e percepções em conversas compartilhadas com o público sobre o panorama atual das chamadas artes populares, naïfs, primitivas, folclóricas, ingênuas – expressões e implicações que, longe de pacificadas, estão sempre abertas à revisão, à contradição e ao questionamento.  
Revisitando a trajetória da Bienal Naïfs do Brasil, esse ciclo de encontros também objetiva apontar novos rumos para o projeto, em uma necessária revisão contemporânea de seus termos, modos e conceitos.  

Nos intervalos entre as mesas, grupos populares tradicionais de Piracicaba farão apresentações de música e dança convidando o público presencial do seminário a um momento de festa e confraternização.  

  

QUINTA FEIRA,  19 DE MARÇO DE 2026  

 
MESA 1 – 16h às 18h - Bienal Naïfs do Brasil: o que já trilhamos até aqui  

A mesa propõe uma reflexão sobre os 40 anos da Bienal Naïfs do Brasil, examinando seus legados curatoriais, institucionais e críticos. A partir desse percurso, discute-se quais revisões conceituais e operacionais se fazem necessárias para que o projeto siga relevante diante das transformações contemporâneas do campo artístico.  

Convidados (as):  

  • Margarete R. Chiarella​ (Meg) (Piracicaba/ SP) - Agente Cultural, produtora executiva e curadora de exposições, após 35 anos de dedicação ao Sesc, em especial à Bienal Naïfs do Brasil, consolidou carreira nas Artes Visuais.​  
  • Claudinei Roberto (São Paulo/SP) - Curador da exposição Sidney Amaral, 1º prêmio Funarte para artistas e curadores negros – Museu Afro Brasil, 13ª Bienal Naïfs do Brasil, série Pretatitude, curador convidado para o Pesquisa MAC USP Processos Curatoriais.  
  • Oscar​ D’Ambrósio (São Paulo/ SP) - Autor da tese de doutorado, publicada em livro, “Um mergulho no Brasil Naif: a Bienal Naifs do Brasil do SESC Piracicaba 1992 a 2010“, com análises de textos, dos júris e comentários sobre os principais artistas.​  

Mediação: Nilva Luz 

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INTERVALO – 18h às 19h - Batuque de Umbigada (Piracicaba/SP) – Manifestação da cultura afro-paulista, tem no município de Piracicaba e região comunidades que o preservam, promovendo atividades para o reconhecimento, a salvaguarda e a transmissão de uma das mais belas expressões da cultura tradicional do estado, uma dança cantada para celebrar a vida e a fertilidade, surgida na região do Médio Tietê por pessoas escravizadas. 

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MESA 2 – 19h às 21h - Naïf, popular, primitivo, folclórico: termos e implicações  

Este encontro problematiza as fronteiras e sobreposições entre arte naïf, arte popular, contemporânea, design, folclore, artesanato e patrimônio. Ao tensionar esses termos, a mesa investiga suas implicações históricas, políticas e simbólicas, evidenciando disputas de sentido e enquadramento.  

Convidados (as):  

  • Ricardo Gomes Lima (Rio de Janeiro/ RJ) - Antropólogo, Doutor em Antropologia Cultural, Professor Adjunto do Instituto de Artes e do Programa de Pós-graduação em Artes da UERJ e Pesquisador do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (IPHAN/MinC).  
  • Renan Quevedo (São Paulo/ SP) - Pesquisador e divulgador de artistas populares no projeto Novos para nós, curador da exposição Eu sou o Brasil (Sesc Santo Amaro 2025)​.  
  • Ângela Mascelani (Marília/ SP) – Antropóloga, diretora-presidente e curadora do Museu do Pontal, RJ. Dedica-se a pesquisas sobre museografia e colecionismo de arte popular no Brasil. 

Mediação: Amanda Tavares (São Paulo/SP) - Pesquisadora e curadora de arte popular e sua relação com a arte moderna e contemporânea no Brasil, seus trânsitos e enfrentamentos.​  

Depoimento em vídeo: Enzo Ferrara (Mogi das Cruzes/ SP) - Artista autodidata e ativista das artes populares, participou de diversas exposições, conselhos e movimentos artísticos, e mantém o projeto “Olhos Naïfs”, reunindo de forma independente textos, imagens, referências e reflexões sobre o tema.​  

SEXTA FEIRA, 20 DE MARÇO DE 2026  

MESA 3 - 16h às 18h - Intersecções raça/gênero na arte popular   

A mesa aborda como raça e gênero atravessam os fazeres populares, influenciando visibilidade, reconhecimento e circulação das obras. Discute-se quais lugares são historicamente permitidos, negados ou disputados, e como artistas tensionam essas estruturas a partir de suas experiências. 

Convidados (as):  

  • Célia Tupinambá (Olivença/ BA) - Professora, antropóloga, ativista, pesquisadora, cineasta e liderança da aldeia em Serra do Padeiro, na terra indígena Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia. Primeira artista indígena a representar o país no pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza em 2024.  
  • Renata Felinto (São Paulo/SP e Crato/CE) - Mulher afro-diaspórica, artista visual, pesquisadora e professora, especialista em Curadoria e Educação em Museus de Arte. Foi curadora artística e do educativo da 15ª Bienal Naïfs do Brasil, pela qual recebeu o Prêmio Miguel Arcanjo de Cultura (2021)​.  
  • Renato Menezes (Rio de Janeiro/RJ) – Historiador da Arte (UERJ), Doutor em Teoria da Arte pela EHESS (Paris). Atualmente atua como curador na Pinacoteca de São Paulo.​  

Mediação: Maria Macedo (Quitaiús/CE) – Licenciada em Artes Visuais pelo Centro de Arte da Universidade Regional do Cariri. É artista, educadora, pesquisadora e cantadeira.  

Depoimento em vídeo: Larissa de Souza (São Paulo/SP) - Artista autodidata, emprega a pintura figurativa, onde o foco central é a imagem da mulher negra, como busca pela identidade pessoal, a partir do resgate da memória, vivencias e cenas cotidianas. Seu trabalho integra coleções importantes no MAR/RJ e MASP.​  

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INTERVALO – 18h às 19h - Congada de São Benedito (Piracicaba/SP) - Com raízes que remontam ao século XIX e às irmandades que surgiram no período da escravidão, a Congada de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito em Piracicaba, expressão de religiosidade, ancestralidade, crenças, foi retomada na cidade depois de pesquisas históricas e entrevistas entre 2003 e 2022. 

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MESA 4 - 19h às 21h - Práticas e experiências artísticas em primeira pessoa  

A partir de relatos e trajetórias, a mesa investiga quais práticas, modos de fazer e experiências configuram a produção dita naïf ou popular. Questiona-se, ainda, o protagonismo do sujeito artista na definição conceitual de sua própria obra e de seu lugar no campo artístico. 

Convidados (as):  

  • Mestre Zequinha (Piracicaba/SP) - Mestre de capoeira de Angola e artista plástico, premiado na Bienal Naifs do Brasil 2006, traz seus saberes e fazeres pela vivência da capoeira, sendo também cantor, compositor, percussionista, escritor de cordel.​  
  • Valdomiro de Deus (Itagibá/ BA) - Pintor e desenhista, considerado um dos maiores artistas populares do Brasil; recentemente teve sua obra publicada em livro Waldomiro de Deus – 60 Anos de Pintura, por Enock Sacramento​.  
  • Lourdes de Deus (Custódia/ PE e Osaco/SP) - Artista pernambucana. Algumas de suas telas estão expostas no Museu de Arte do Parlamento de São Paulo, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, no Museu Internacional de Arte Naïf de Quebec (Canadá).  
  • Con Silva (Batatais/SP) – Artista visual autodidata. Participante da 15ª Bienal Naïfs, no Sesc Piracicaba. Sua poética explora a cultura afro-brasileira, temas religiosos e festas populares. 

Mediação: Aline Albuquerque (Fortaleza/ CE) - Artista visual, coordena o Laboratório de Artes Visuais do Porto Iracema das Artes. Experiência com educação museal, coordenação, produção, manutenção, montagem e desmontagem de exposições e assistência de curadorias.​  

Depoimento em vídeo: Véio (Nossa Senhora da Glória/SE) - Artista plástico, transforma raízes e madeira da caatinga em figuras enigmáticas que retratam o cotidiano e lendas do sertão.  

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