FestA! – Festival de Aprender 2026

19/07/2026

Compartilhe:

O FestA! – Festival do Aprender, realizado pelo Sesc Pinheiros, tem como tema desta edição os Saberes Populares na Arte. A programação convida o público a conhecer os modos de fazer tradicionais e contemporâneos, em atividades que articulam artes visuais, conhecimentos populares e tecnologias.

A proposta parte da compreensão de que estes conhecimentos constituem um “livro dos saberes” vivo, no qual técnicas, materiais, gestos e processos se articulam historicamente, atravessando gerações e se atualizando em diferentes contextos culturais e tecnológicos.

Nesse horizonte, o FestA! parte das definições do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que compreende como patrimônio cultural imaterial as práticas, expressões, conhecimentos e técnicas — juntamente com os instrumentos, objetos e lugares a eles associados — que as comunidades reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural. Entre esses bens estão os chamados saberes, entendidos como modos de fazer transmitidos entre gerações e constantemente recriados em função do ambiente, da interação social e das condições históricas. Ao incorporar essa perspectiva, o FestA! reforça a importância de reconhecer essas práticas como formas legítimas de conhecimento e produção estética.

Mais do que um reconhecimento institucional, a proposta do festival também aponta para a necessidade de um olhar crítico sobre a forma como o campo da arte valoriza — ou invisibiliza — determinados modos de produção. Ao destacar os saberes populares, coloca-se em questão a dicotomia historicamente construída entre arte e artesanato, entre técnica e expressão, entre erudito e popular, evidenciando que as artes visuais no Brasil são profundamente atravessadas por tecnologias diversas, que vão do fazer manual às mediações contemporâneas.

A programação reflete esse posicionamento ao articular reflexão teórica e experimentação prática. As aulas abertas conduzidas por Guilherme Leite Cunha apresentam um panorama histórico das relações entre arte, trabalho e artesanato, evidenciando disputas conceituais e processos de marginalização de determinados fazeres. Ao abordar a produção indígena, afro-brasileira e contemporânea, os encontros evidenciam como diferentes tecnologias — materiais, simbólicas e sociais — constituem visualidades plurais no contexto brasileiro.

Nas atividades práticas, essa dimensão se torna ainda mais evidente. A construção do caxixi, conduzida por Mestre Bigo e Mestre Cabo Jairo, revela o domínio de técnicas de trançado e o uso de materiais naturais como base para a construção de um objeto que articula forma, som e função. A atividade sobre musicalidade na capoeira angola, com Mestre Pedro Peu e ContraMestre Fábio, amplia essa percepção ao destacar os instrumentos, seus modos de fabricação e os sistemas de transmissão oral que sustentam essa prática, evidenciando uma tecnologia cultural complexa em que corpo, ritmo e visualidade se entrelaçam.

As oficinas com as Rendeiras da Aldeia demonstram a renda renascença como uma sofisticada tecnologia têxtil, na qual o desenho se constrói a partir da repetição, da memória e da precisão manual. Já a cerâmica do Vale do Ribeira, da Cerâmica ArteLooze, explicita a relação entre território, natureza e produção visual, ao transformar a argila em suporte expressivo por meio de técnicas transmitidas no convívio comunitário. A demonstração da confecção da viola-de-cocho, com Mestre Alcides Ribeiro, por sua vez, evidencia um saber reconhecido pelo IPHAN como patrimônio imaterial, revelando um sistema técnico e cultural que conecta matéria, som e identidade matogrossense.

A programação se expande ainda para proposições contemporâneas que tensionam e atualizam esses saberes. Areflexão sobre “A arte e as camadas populares”, conduzida pela antropóloga, curadora e diretora do Museu do Pontal, Angela Mascelani, propõe refletir sobre os circuitos de legitimação, os processos de patrimonialização e a inserção desses saberes nas dinâmicas da economia criativa e da produção da arte contemporânea brasileira em nossa história recente. Já na performance “Bola de Fogo”, de Fábio Osório Monteiro, o preparo do acarajé é incorporado como gesto artístico, ativando dimensões simbólicas, tecnológicas e políticas relacionadas à ancestralidade e ao corpo. 

Nosso FestA! finaliza com a apresentação de Inimar dos Reis que explora as diversidades e regionalidades da música brasileira no seu álbum “Folias e Folguedos”. No palco, a pesquisa vira festejo, passeando por tradições e ritmos variados, como o guerreiro de Alagoas, o carimbó do Pará, os congados, batuques e catupés do sudeste, o ijexá baiano, a ciranda caiçara, o rastapé entre outros.

Ao reunir essas experiências, o FestA! posiciona as artes visuais como um campo expandido, no qual diferentes tecnologias — do artesanal ao digital — operam como dispositivos de criação, memória e transmissão de conhecimento. Nesse contexto, reconhecer os saberes populares não é apenas preservar o passado, mas compreender criticamente o presente e ampliar as possibilidades de futuro, valorizando práticas que, muitas vezes, sustentam modos de vida e formas de expressão ainda pouco reconhecidas nos circuitos hegemônicos.


PROGRAMAÇÃO

28/07, terça-feira
10h30 | Aula aberta
História do Artesanato Brasileiro: arte, trabalho e artesanato
Com Guilherme Leite Cunha
Discussão sobre as bases históricas e conceituais da distinção entre arte e artesanato, abordando disputas sociais e importações de conceitos europeus.
Sala de Oficinas – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

14h | Oficina
Construção de Caxixi
Com Mestre Bigo e Mestre Cabo Jairo
Vivência prática de construção do instrumento, destacando técnicas de trançado, materialidade e saberes afro-brasileiros.
Espaço de Tecnologias e Artes – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

19h | Oficina / Demonstração
Musicalidade na Capoeira Angola
Com Mestre Pedro Peu e Contra-mestre Fábio Preto, do Centro de Capoeira Angola Angoleiro Sim Sinhô (CCAASS)
Exploração da musicalidade, instrumentos e cantos da capoeira como tecnologia cultural de transmissão de saberes.
Praça | Inscrição 30 minutos antes no Local

29/07, quarta-feira
10h30 | Aula aberta
História do Artesanato Brasileiro: artesanato indígena e saberes tombados
Com Guilherme Leite Cunha
Abordagem das tecnologias indígenas e dos bens registrados como patrimônio imaterial.
Sala de Oficinas – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

14h | Oficina
Oficina de Renda Renascença
Com Rendeiras da Aldeia
Introdução prática à técnica de renda, evidenciando processos coletivos e transmissão de saberes.
Sala de Oficinas – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

19h | Demonstração
Entre a produção de Renda Renascença e cantos de trabalho
Com Rendeiras da Aldeia
Apresentação que articula fazer manual, oralidade e memória.
Praça

30/07, quinta-feira
10h30 | Aula aberta
História do Artesanato Brasileiro: produção artesanal e afro-brasileira colonial
Com Guilherme Leite Cunha
Reflexão sobre o trabalho artesanal no Brasil colonial e suas implicações sociais.
Espaço de Tecnologias e Artes – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

14h | Oficina
Oficina de Cerâmica do Vale do Ribeira
Com Cerâmica ArteLooze
Introdução prática da cerâmica, com ceramistas tradicionais, destacando técnicas de modelagem, origem dos materiais e preparo da argila, em diálogo com a natureza.
Espaço de Tecnologias e Artes – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

19h | Vivência
Saberes na Cerâmica do Vale do Ribeira
Com Cerâmica ArteLooze
Demonstração de modelagem em argila com foco na relação entre natureza, território e visualidade.
Espaço de Tecnologias e Artes – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local

31/07, sexta-feira
10h30 | Aula aberta
História do Artesanato Brasileiro: contemporâneo, periférico e arte popular
Com Guilherme Leite Cunha
Panorama contemporâneo das práticas artesanais e seus contextos sociais.
Sala de Oficinas – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

14h | Oficina
Confecção de Viola-de-Cocho
Com Mestre Alcides Ribeiro, Andrey dos Santos e Luiz Paes de Carvalho
Apresentação do processo construtivo de instrumento reconhecido pelo IPHAN como patrimônio imaterial.
Espaço de Tecnologias e Artes – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

19h | Apresentação
Siriri e Cururu: Ritmos e Saberes na Viola-de-Cocho
Com Mestre Alcides Ribeiro, Andrey dos Santos e Luiz Paes de Carvalho
Vivência musical articulando construção artesanal e prática sonora.
Praça

01/08, sábado
11h| Palestra
A arte e as camadas populares
Com Angela Mascelani, antropóloga curadora e diretora do Museu do Pontal e mediação de Miguel Alonso, Educador em Tecnologias e Artes
Discussão sobre saberes populares, economia criativa e processos de reconhecimento cultural.
Espaço de Tecnologias e Artes – 2º Andar | Inscrição 30 minutos antes no Local | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

14h às 16h | Encontro
Troca de Saberes e Artesanias
Com Mestre Bigo, Mestre Cabo Jairo, Mestre Pedro Peu, Contra-Mestre Fábio Preto, Rendeiras da Aldeia, Cerâmica ArteLooze, Mestre Alcides Ribeiro, Andrey dos Santos, Luiz Paes de Carvalho e Guilherme Leite Cunha

Atividade que promove o encontro entre público e mestres e mestras artesãos, com demonstrações e compartilhamento de técnicas e processos ligados aos saberes tradicionais nas artes. 
Praça | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

17h | Performance
Bola de Fogo
Com Fábio Osório Monteiro
Ação performativa que conecta culinária, ancestralidade e artes visuais.
Praça | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

02/08, domingo
12h | Performance
Bola de Fogo
Com Fábio Osório Monteiro
Ação performativa que conecta culinária, ancestralidade e artes visuais.
Praça | esta atividade conta com recursos de acessibilidade em LIBRAS.

17h | Apresentação
Show Folias e Folguedos – Com Inimar dos Reis
Praça

Conteúdo relacionado

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.