
Após seis meses de programação, a 4ª edição de Frestas – Trienal de Artes encerrou sua passagem pelo Sesc Sorocaba em 16 de agosto. Com a exposição do caminho um rezo, a Trienal promoveu encontros entre artistas, comunidades, educadores, pesquisadores e públicos diversos, criando espaços de experimentação, formação e diálogo em torno da arte contemporânea.
Com curadoria de Luciara Ribeiro, Naine Terena e Khadyg Fares, a edição reuniu 102 participantes, entre artistas e iniciativas comunitárias do Brasil e do exterior, e apresentou 188 obras, incluindo 26 trabalhos comissionados. Ao longo da programação, a exposição foi acompanhada por uma agenda diversificada de ações educativas, debates, oficinas, ativações, apresentações e vivências.
No decorrer de sua realização, a Trienal recebeu mais de 67 mil participações, resultado de uma programação que contou com mais de 170 atividades. A exposição recebeu 54 mil visitas espontâneas e mais de 13 mil visitas mediadas, incluindo ações em Libras. Também foram realizados encontros com escolas e instituições, além de atividades voltadas à formação e à aproximação do público com as obras.

Diferentes formas de se relacionar com a arte
Um dos principais aspectos da edição foi a diversidade de maneiras de experimentar a exposição. As obras serviram como ponto de partida para oficinas, conversas, práticas artísticas e propostas educativas que estimularam o público a observar, criar, questionar e estabelecer relações com os temas apresentados.
O Programa Educativo teve papel importante nesse processo, com visitas mediadas e encontros que aproximaram as obras das experiências dos visitantes. Os Ateliês do Programa Educativo e propostas como Caminhando e desenhando: um convite ao desenho de observação, Olha o céu! Tem beleza na cidade? e Motoca na praça criaram oportunidades para crianças, famílias e outros públicos descobrirem novas formas de perceber os espaços ao redor.
O curso Formação para artistas visuais, realizado em dois módulos, também fez parte da Trienal e abordou processos criativos, desenvolvimento de projetos e questões relacionadas à atuação profissional no circuito das artes visuais.

Arte, território e cotidiano
A programação buscou ampliar as relações entre arte e diferentes experiências sociais e territoriais. CHAVOSOS® – A Barbearia Temporária, por exemplo, transformou o espaço expositivo em uma barbearia artística, aproximando a produção contemporânea de referências da cultura periférica e do trabalho de profissionais da região.
Já Confluência: a ancestralidade pelas ruas do futuro levou para o Sesc experiências relacionadas ao skate, à cidade e à ancestralidade. A programação também recebeu o Samba do Cururuquara, manifestação tradicional de samba de bumbo mantida há mais de um século pela comunidade de Santana de Parnaíba.
No audiovisual, Letter to a Friend (2019) trouxe reflexões sobre memória, território e violência cotidiana. A agenda também contou com ações como Casa-Ateliê, que aproximou o público dos processos de criação das artistas.

Acessibilidade como prática
A acessibilidade esteve presente tanto na exposição quanto nas ações de mediação e formação. A Trienal contou com recursos como audiodescrição, vídeo-guia em Libras, legendas acessíveis, recursos táteis, sinalização em Braille e piso tátil, além de visitas mediadas em Libras.
O tema também ganhou espaço na programação com o ciclo Acessibilidade Cultural em Debate: experiências e inspirações, que reuniu profissionais, artistas, pesquisadores e gestores para compartilhar experiências e discutir caminhos para ampliar a participação de pessoas com deficiência nas artes.

Um percurso construído em coletivo
Ao longo de sua permanência no Sesc Sorocaba, Frestas – Trienal de Artes articulou exposição, educação, formação e programação cultural, criando diferentes portas de entrada para a arte contemporânea.
A edição do caminho um rezo encerra deixando como resultado não apenas a visitação às obras, mas também os encontros, aprendizagens e experiências construídos ao longo dos meses. A diversidade de públicos, artistas, iniciativas e propostas que participaram da programação reforça a Trienal como um espaço de diálogo e produção coletiva de conhecimento a partir da arte.
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