Sesc Vila Mariana recebe a Mostra: Infâncias Reprimidas

07/05/2026

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Entre os dias 15 de maio e 5 de junho, sempre às sextas-feiras, às 19h, o Auditório do Sesc Vila Mariana recebe a mostra cinematográfica “Infâncias Reprimidas”, dedicada à reflexão sobre os impactos da ditadura civil-militar brasileira (1964-1985).

A mostra propõe um debate a partir do diálogo com a repressão ditatorial de outros países, estabelecendo aproximações com os métodos disciplinares para contenção de corpos, ideias e futuros possíveis.

Tendo a infância como frágil testemunha do autoritarismo, os quatro filmes selecionados refletem a repressão por meio de fragmentos e não-ditos, revelando o horror da ausência, do medo, do isolamento e do silêncio. Enquanto isso, crianças tentam reorganizar o que conhecem do mundo – família, escola, amizade, vizinhança.

Ao narrar histórias de infâncias reprimidas, pretende-se refletir sobre as violações cometidas por regimes autoritários e ditatoriais para além das prisões, privações e crimes à vida humana, mas sobretudo da história, da memória e do futuro de uma sociedade condicionada ao silêncio e ao medo.

Confira a programação:

15/5 – A língua das mariposas 

Direção: José Luis Cuerda (Espanha, 1999, 96 min, A16)

Ambientado na Espanha às vésperas da Guerra Civil (e da longa noite franquista), o filme faz da relação entre um menino e seu professor o coração ético da história. A tragédia aqui não é apenas política; é pedagógica e afetiva: quando o autoritarismo avança, ele não se contenta em prender, ele corrompe laços, força a comunidade a escolher entre consciência e sobrevivência, transforma o espaço público em palco de humilhação. O menino é empurrado ao gesto mais devastador: participar do linchamento simbólico daquele que lhe ensinou a ver o mundo.

22/5 – Machuca 

Direção: Andrés Wood (Chile, 2004, 116 min, A12)

No Chile, a amizade entre dois garotos de classes sociais opostas se torna um laboratório do colapso democrático que antecede e acompanha o golpe de 1973. O filme traduz uma tese poderosa: as ditaduras não apenas reprimem; elas reorganizam a sociedade por dentro, reativando hierarquias e estimulando o ódio como “moral”. Aqui, a escola é metáfora do país ¿ a tentativa de convivência plural é esmagada por uma pedagogia do medo. A amizade é possível por instantes, mas o mundo adulto conspira para separá-los: não apenas pelos tanques, mas pelo preconceito, pelo moralismo e pelo ressentimento.

29/5 – Infância clandestina 

Direção: de Benjamín Ávila (Argentina, 2011, 112 min, A14)

Na década de 70, em pleno regime ditatorial argentino, o menino Juan e sua família vivem clandestinamente por discordar do governo. Quando ele se apaixona por Maria, coloca em risco o disfarce que os protege dos truculentos soldados, tudo para viver seu primeiro amor.

5/6 – O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias 

Direção: Cao Hambúrguer (Brasil, 2006, 110 min, A10)

O filme brasileiro encena uma das experiências mais cruéis do período: a clandestinidade como ruptura afetiva. Quando os pais “saem de férias”, a criança aprende que a mentira pode ser uma forma de amor – um amor forçado pela perseguição do Estado. A narrativa escolhe a Copa de 1970 como pano de fundo e, com isso, abre uma questão central para pensar a ditadura no Brasil: o uso da euforia nacional como anestesia política. A vitória no futebol não é simples “distração”; ela se torna paisagem sonora que encobre ausências e urgências. O menino se move entre solidariedades (a comunidade, os vizinhos, a alteridade religiosa) e lacunas (a família, o não-dito), como se o país inteiro estivesse vivendo um jogo cuja transmissão oculta a violência fora do enquadramento.

Não perca!

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