Direitos humanos e territorialidades, por Criolo, Macaé Evaristo e Bel Santos Mayer

13/03/2026

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“Estar aqui falando de direitos humanos para todas as pessoas, nada mais é que dizer que isso não está acontecendo”, provocou Criolo, ao chegar ao Sesc Pompeia para o encontro de abertura do projeto Direitos Humanos para Todas as Pessoas.  

O evento no dia 4 de março reuniu o cantor e compositor com Macaé Evaristo, ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, e Bel Santos Mayer, educadora social. O bate-papo trouxe como tema as Territorialidades e foi mediado pelo advogado e professor Thiago Amparo, com apresentação da artista Dani Nega e a presença do diretor regional do Sesc São Paulo, Luiz Galina.  

Reunimos aqui algumas das reflexões compartilhadas no encontro: 

“Direitos humanos passam longe de serem etéreos, têm a ver com dignidade“, diz Macaé Evaristo.

“Passam por coisas muito simples: ter acesso à água, à energia, ter um registro civil de nascimento, ter direito a um atestado de óbito que diz a verdadeira causa pela qual você morreu. E se foi assassinado pelo Estado, isso tem que estar escrito lá, porque o Estado tem que assumir essa responsabilidade”, defendeu a ministra

Professora de escola pública na periferia de Belo Horizonte por 20 anos, ela conta que a primeira coisa que quis deixar claro ao assumir o Ministério de Direitos Humanos é o fato de ser uma mulher “absolutamente comum”.  

Bel Santos Mayer e Macaé Evaristo no bate-papo do projeto Direitos Humanos para Todas as Pessoas. Foto: Ricardo Ferreira.

“Tem um grupo que, ao defender humanidade, defende humanidade só para alguns. Nós pensamos a humanidade para todas as pessoas. Todas as pessoas têm direito a ser tratadas com dignidade. Nós não podemos aceitar que nossos corpos não sejam chorados, que a gente possa ser desumanizado”, diz Macaé Evaristo, que propõe pensar o território como uma pele, que carrega os traços da desigualdade e colonialidade.  

“O futuro é coletivo. Não é possível a gente pensar em direitos humanos sem prestar atenção em todas as vozes – e em todas as ausências que há quando se amplificam as vozes só de alguns. Então eu estou muito feliz em ser uma voz que carrega a poeira do chão do território para compartilhá-la com as pessoas que estão nos vários lugares.”, diz Bel Santos Mayer, que compartilhou experiências de sua atuação na região de Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo. Entre elas, a criação de uma biblioteca comunitária dentro de um cemitério e o reflorestamento de um terreno com mais de 10 mil árvores nativas da Mata Atlântica, convocando toda a comunidade num plantio antirracista.  

Evento aconteceu no Teatro do Sesc Pompeia. Foto: Cristiane Komesu

“Pensar território a gente não pensava, porque a gente não pensava que a gente existia. Mas a arte tinha uma ousadia de fazer a gente pensar diferente. E quando você tem contato com a arte, você ama tanto que você não quer largar mais. Então ou você existe ou você existe. […] Eu acho que sou resultado de todas essas pessoas do meu bairro, e de algum jeito a gente se traduz. Meus vizinhos também são meu território”, conta Criolo. Para ele, o contato com a arte desde cedo – com a paixão da mãe pela palavra, as histórias que ouvia na benzedeira e os jogos de futebol com samba com o pai – teve efeito transformador em sua vida e na forma como ele começou a se reconhecer como um ser humano com seu lugar no mundo.

Pocket show de Criolo encerrou o encontro. Foto: Ricardo Ferreira.

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O projeto Direitos Humanos Para Todas as Pessoas acontece de 4 a 15 de março de 2026 em diversas unidades do Sesc São Paulo e propõe reflexões sobre territorialidades, fortalecendo redes locais em prol de uma sociedade mais justa e diversa.

Saiba mais em sescsp.org.br/direitoshumanos

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