Teimar Até que Brote — Coletivos Corpo Aberto e Mulheres do GAU

Um tributo poético às agricultoras periféricas da zona Leste e à força que transforma abandono em vida que floresce.

Em abril, o Sesc Itaquera abre as portas para a 4ª edição do projeto Boca de Cena, consolidando sua trajetória como um espaço de experimentação, reflexão e encontro nas artes cênicas.
A programação, que até 2025 contou com o teatro e a dança como suportes artísticos, amplia agora suas linguagens ao incorporar o circo voltado ao público adulto — em diálogo com uma cena contemporânea.
Depois de emocionar o público em 2025 com espetáculos sob o tema “O amor como ato revolucionário”, essa temporada assume novo eixo curatorial e avança agora para um território ainda mais provocador: a memória como escolha política.
Sob o recorte curatorial “Lugar de Memória: Sobre o que não podemos esquecer”, a programação, que segue até outubro, propõe revisitar o passado não como nostalgia, mas como ferramenta para compreender o presente e imaginar outros futuros possíveis. É a memória como matéria viva em disputa, em movimento e em construção coletiva.
Ao formular essa pergunta central, a curadoria do Sesc Itaquera lança luz sobre histórias silenciadas, corpos que resistiram e saberes que sobreviveram apesar das tentativas de apagamento.
Trata-se de um gesto fundamental, já que nosso passado nem sempre foi narrado de forma justa. Muitas vezes, foi escrito pelos vencedores, enquanto experiências fundamentais permaneceram à margem.
Memória, então, é disputa de sentido.
Lembrar é um gesto crítico e necessário.
O Boca de Cena propõe tensionar essas narrativas, trazendo à cena feridas históricas, memórias apagadas e trajetórias invisibilizadas. Os espetáculos convidados tratam a lembrança como força de cura, afirmação e continuidade — capaz de produzir deslocamentos individuais e coletivos. O palco se torna território simbólico onde passado, presente e futuro se cruzam, revelando outras formas de existir e permanecer.
Mais linguagens, mais vozes
De abril a outubro, a programação reúne 12 espetáculos, entre dança, teatro e circo.
São obras que reafirmam a arte como ferramenta de resistência e convidam o público a refletir,
sentir e lembrar — porque lembrar é também um ato de escolha.
A seguir, confira a programação completa mês a mês.
Dança
Teimar Até que Brote — Coletivos Corpo Aberto e Mulheres do GAU

Um tributo poético às agricultoras periféricas da zona Leste e à força que transforma abandono em vida que floresce.
Teatro
A Solidão do Feio — Cia. Os Crespos

Um mergulho na vida do escritor Lima Barreto (1881-1922) – sua trajetória heroica, crítica e popular para o público de hoje.
Dança
Outros Navios: Danças para Não Morrer — Com Mayk Ricardo

A dança como resistência diante das opressões cotidianas, celebrando afetos que salvam e sustentam.
Teatro
Mural da Memória — LABTD

Uma obra potente sobre justiça histórica, revisitando os silenciamentos da ditadura e a urgência da verdade.
A Saga de um Palhaço sem Lona — Circo de Mão

Um olhar sensível sobre a busca por pertencimento a partir de um palhaço que carrega o mundo como picadeiro.
Teatro
Para Mariela — Grupo Sobrevento

Narrativas de crianças imigrantes da comunidade boliviana, tecidas com memória, imaginação e delicadeza.
Dança
Arquivos Negros — Passos largos em caminhos estreitos — Cia. Pé no Mundo

Dança que homenageia pessoas negras apagadas da história brasileira, trazendo seus nomes e legados ao centro.
Teatro TYBYRA — Uma tragédia indígena brasileira — Com Juão Nyn Inspirado no primeiro caso documentado de LGBTfobia no Brasil (1614), o espetáculo é narrado integralmente em tupi-potiguara.

Dança
Desde que o mundo é mundo — Coletivo Calcâneos

Uma reflexão coreográfica sobre tempo, sobrevivência, festa e permanência nos territórios periféricos.
Teatro Espião Silenciado: Um ensaio — Cia. Teatro D’Água A história de José Nogueira, jornalista executado em 1963, como metáfora de arquivos mortos e memórias interditadas pelo Estado.

Contos de Cativeiro — Orum Aiyê Quilombo Cultural

Narrativas afro-diaspóricas que celebram ancestralidade, sabedoria e protagonismo negro.
Teatro Trabalha_DORES — Zózima Trupe Um espetáculo-manifesto dentro de um ônibus, sobre dignidade, luto, mobilidade e cotidiano na pandemia.

Boca de Cena 2025 – Sesc Itaquera
Sesc Itaquera – Avenida Fernando Espírito Santo Alves de Mattos, 1000 – Horário de funcionamento: quarta a domingos e feriados, das 9h às 17h – Acompanhe também no Instagram
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