Doze passos para uma alimentação saudável de crianças menores de 2 anos

23/07/2026

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A alimentação é parte significativa do cuidado do bebê para seu desenvolvimento saudável. Para os pais e cuidadores, esse processo pode se traduzir simultaneamente em experiências de encantamento, dúvidas e até alguma ansiedade. Por isso, o acompanhamento da saúde com profissionais de confiança é fundamental, assim como o acesso a informações atualizadas e com embasamento científico.

Compartilhamos abaixo recomendações do Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos, do Ministério da Saúde, disponíveis gratuitamente a todas as brasileiras e brasileiros, bem como relatos de experiências reais de famílias sobre como é vivenciar este importante momento de introdução alimentar.

1. Amamentar até 2 anos ou mais, oferecendo somente o leite humano até os 6 meses

Amamentar assim que o bebê nasce, na primeira hora de vida – a hora dourada –, traz benefícios para a criança e para a mãe. A composição do leite humano é única, personalizada para atender às necessidades nutricionais da criança conforme sua idade. De fato, o leite é muito importante até os 2 anos. Até os 6 meses, é o único alimento que a criança deve receber. Antes disso, não há necessidade de água, chá ou qualquer outro alimento.

O leite humano protege contra doenças, ajuda o desenvolvimento do cérebro e fortalece o vínculo entre mãe e bebê. E, para o sucesso da amamentação, a rede de apoio é fundamental.

2. Oferecer alimentos in natura ou minimamente processados, além do leite humano, a partir dos 6 meses

Quando a criança já apresenta sinais de prontidão, como ter 6 meses completos (ou em idade corrigida, no caso de prematuros), interessar-se por comida e ser capaz de se manter sentada, outros alimentos saudáveis devem ser apresentados e fazer parte de suas refeições. O paladar do bebê deve ser estimulado com a maior diversidade possível de alimentos in natura ou minimamente processados. A ideia é experimentar muitos grãos, cereais, raízes e tubérculos, frutas, legumes e verduras, além de carnes. Pesquise formas de preparo, texturas e cortes seguros para cada idade do bebê.

3. Ofertar água em vez de sucos, refrigerantes e outras bebidas açucaradas

A água também pode ser incluída no cardápio do bebê após os 6 meses de vida, junto da alimentação complementar. Procure oferecer água nos intervalos entre as refeições. Em locais onde não há tratamento de água, filtre e trate a água com solução de hipoclorito de sódio a 2,5%, misturando 2 gotas da solução para cada 1 litro de água e aguardando 30 minutos (ou conforme as orientações da embalagem) para ser consumida num período de 24 horas. Na falta do hipoclorito, deve-se ferver a água por cinco minutos antes de beber. Espere esfriar antes de ofertar à criança.

4. Oferecer comida amassada quando a criança começar a comer outros alimentos além do leite humano

Até aprender a mastigar, o bebê precisa se familiarizar com as diferentes consistências e texturas dos alimentos. Faz parte do processo de introdução alimentar a oferta de comidas amassadas, picadas em pedaços pequenos, raladas ou desfiadas. Contudo, no início, evite triturare misturar alimentos. Permita ao bebê experimentar os sabores individualmente.

5. Não oferecer açúcar ou alimentos que contenham esse ingrediente até os 2 anos de idade

As crianças não precisam consumir açúcar. Ele pode causar problemas de saúde, como cáries e ganho de peso na infância, o que, ao longo da vida, pode elevar o risco de doenças crônicas como diabetes e obesidade. Além disso, acostumar a criança desde cedo ao sabor excessivamente doce pode causar dificuldade de aceitação de outros alimentos importantes.

Alimentos para não oferecer antes dos 2 anos: mel, açúcar de qualquer tipo (mascavo, demerara, cristal ou refinado “branco”, rapadura, melaço), preparações ou produtos prontos que contenham algum desses ingredientes, como biscoitos, bolos e iogurtes.

Os adoçantes (em pó ou líquido) também não devem ser usados.

6. Não oferecer alimentos ultraprocessados para a criança

Os alimentos ultraprocessados são aqueles produzidos de forma completamente industrial, a partir de diversas etapas de processamento, e que levam em sua composição muitos ingredientes de uso industrial exclusivo, contendo pouca ou nenhuma quantidade de alimentos in natura. Geralmente, esses alimentos são pobres em nutrientes e podem conter muito sal, gordura e açúcar, além de aditivos, como adoçantes, corantes e conservantes. Seu consumo faz mal à saúde.

7. Cozinhar a mesma comida para a criança e para a família

A utilização de sal antes de 1 ano, em mínima quantidade, é recomendada por muitos profissionais. Mas, de forma geral, os alimentos oferecidos à criança podem ser os mesmos consumidos pela família – com atenção para evitar o excesso de gordura, sal e condimentos. Faça adaptações da consistência sempre que necessário. Isso estimula o bebê no processo de introdução alimentar e ainda promove alimentação saudável para a família toda.

8. Zelar para que a hora da alimentação da criança seja um momento de experiências positivas, aprendizado e afeto

Valorize o momento das refeições! Comer juntos estimula a criança a experimentar novos alimentos e torna esse momento mais prazeroso. Procure criar um ambiente acolhedor e tranquilo, fortalecendo a relação entre a criança e as pessoas que cuidam dela.

9. Atentar-se aos sinais de fome e saciedade da criança e conversar com ela durante a refeição

A comunicação da criança varia conforme a idade. Por isso, é importante observar o bebê com atenção para perceber seus sinais de fome ou de saciedade. A resposta ativa, carinhosa e respeitosa é essencial.

10. Cuidar da higiene em todas as etapas da alimentação da criança e da família

Cuidar da alimentação é uma tarefa coletiva. Preparar os alimentos com atenção e higiene previne contaminação e reduz o risco de doenças. Lave as mãos regularmente e ensine esse hábito à criança também. Antes de cozinhar e alimentar o bebê, depois de usar o banheiro, trocar fralda ou utilizar produtos de limpeza no cuidado da casa: esses são alguns exemplos de momentos em que é importante lavar as mãos.

11. Oferecer alimentação adequada e saudável também fora de casa

Ao sair com a criança para passeios, festas, consultas de saúde ou outros compromissos, procure levar consigo refeições preparadas com alimentos in natura e minimamente processados, em porções individuais. Isso evita a oferta de alimentos inadequados.

12. Proteger a criança da publicidade de alimentos

Esse é um desafio devido à forte presença de alimentos ultraprocessados em anúncios de televisão, rádio, redes sociais, jogos e outros. As crianças são mais suscetíveis à influência da publicidade, o que pode levar ao consumo de alimentos ricos em gorduras, açúcares e sal. Quando for ao supermercado com a criança, saia de casa com ela alimentada ou leve um lanche saudável. Menores de 2 anos não devem utilizar telas: evite televisão, celular, computador ou tablet.


De 1 a 7 de agosto, o projeto Do Peito ao Prato aborda a importância de uma alimentação adequada na primeira infância. Acesse sescsp.org.br/dopeitoaoprato para conferir a programação completa. Leia mais sobre o tema na publicação abaixo:

Conheça também o curso gratuito Construindo o Futuro: Introdução Alimentar para Bebês até 2 Anos, disponível na plataforma EAD Sesc Digital.
 

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