
Solo de Sofia Maruci investiga, com horror e humor, os limites entre vítima e monstro, desejo e violência
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Perseguições, assassinatos, decapitações e muito sangue. Em MONSTRO – tenho sonhado com homens, uma mulher é atormentada por sonhos recorrentes em que homens a perseguem e ameaçam, mas também se vê no lugar de quem golpeia e aniquila. Entre o medo e o desejo, ela tenta compreender obsessivamente o que acontece nesses pesadelos, dialogando com cenas clássicas do cinema de horror e com pensadoras e pensadores do gênero.
Criado e interpretado por Sofia Maruci, com direção de Vicente Antunes Ramos, o solo se apropria de imagens e convenções do horror cinematográfico para construir uma experiência cênica de forte fisicalidade e humor sinistro. A personagem transita entre vítima e carrasco, reproduzindo e deformando gestos e expressões de figuras clássicas do gênero. Corpo e voz da atriz se alteram ao longo da obra, abrindo espaço para que monstro e donzela habitem o mesmo palco.
O resultado é um pesadelo em estado de vigília, que entende, de forma contraditória, que é pela violência que se abre uma brecha para encontrar um novo corpo e, mais ainda, uma nova voz.

O espetáculo integra a programação de outubro, o “mês do horror” no Sesc Pompeia, que inclui também a Monstra de Cinema que reúne filmes de diferentes momentos da história do gênero a partir de suas personagens femininas e das transformações de seus arquétipos, chegando às diretoras que assumem as câmeras e constroem outros imaginários do horror.
Ficha Técnica
Criação e performance: Sofia Maruci
Direção: Vicente Antunes Ramos
Dramaturgia: Sofia Maruci e Vicente Antunes Ramos
Direção de movimento e voz: Beatriz Sano
Cenografia, figurino e desenho gráfico: Pedro Levorin
Dramaturgia Sonora: Marcus Garcia e Julia Teles
Trilha Sonora: Julia Teles
Operação de som: Henrique Berrocal
Desenho de luz: Matheus Brant
Assistência e Operação de Luz: Letícia Nanni
Roteiro e montagem audiovisual: Antonia Baudouin
Fotos: Mayra Azzi
Pesquisa Direitos Autorais: Sabrina Lima
Assessoria Jurídica: José Augusto Vieira de Aquino
Gestão e Produção: Dani Correia, Rachel Brumana, Veni Barbosa e Gabi Correia – Associação SÙ de Cultura e Educação
Agradecimentos: Complexo Cultural Funarte SP, 28 Patas Furiosas, Cia. Fragmento de Dança, Galeria Olido, Abraham Jacob Aflalo, Beatriz Bracher, Beatriz Torres, Bibi Dória, Caio Horowicz, Carolina Bianchi, Francisco Lauridsen Ribeiro, Gabriella Magno, Gabriela Miranda, Giovanna Monteiro, Janaína Leite, Marcus Garcia, Matheus Assumpção, Mauricio Battistuci, Paula Halker, Paula Serra, Preto Vidal, Rafael Sousa Silva, Tarina Quelho.
Sofia Maruci é graduada em Artes Cênicas pela USP, com habilitação em Interpretação Teatral, e mestre pela mesma instituição, com a dissertação “Corpos Horríveis: os excessos corporais e a monstruosidade na cena de horror”. Integrou o 18º Núcleo Experimental do SESI-SP. Interessa-se pelos cruzamentos entre corpo, morte, sexualidade e monstruosidade, tema de suas ações de pesquisa: a videoaula “Projeto Monstruoso” (Proac Expresso Lab 42, 2020) e os workshops “Corpos horríveis: o gênero do horror como disparador criativo da cena”, na Mostra Mulheres em Cena, da Cia. Fragmento de Dança (2023), e no Brain Binge Symposium do Berlin Final Girls Film Festival (2024, online). Atuou em espetáculos dirigidos por Maria Thais, Marco Antônio Pâmio e Marcus Garcia. No cinema, esteve no longa O Caso Dora, de Dora Longo Bahia, e no curta Ana quer ser uma grande atriz, de Mauricio Battistuci, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Cinalfama Lisbon International Film Festival, em 2023. Desenvolve atualmente a dramaturgia de ME COME FURBY, espetáculo baseado em brinquedos infantis mal-assombrados dos anos 1990.
Vicente Antunes Ramos (São Paulo, 1993) é diretor e dramaturgo. Fundador do comitê escondido, dirigiu todos os trabalhos do grupo: Não ouço os passos de ninguém entre os escombros (2017), apresentado no Sesc Prainha, em Florianópolis, na Mostra Cena Emergente; Terra Tu Pátria (2018), vencedor do prêmio Nascente PRCEU-USP de melhor direção, que passou por espaços como Itaú Cultural, Oficina Cultural Oswald de Andrade, TUSP-Maria Antonia e Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte; e Um memorial para Antígona (2023), com dramaturgia assinada em parceria com Miguel Antunes Ramos, que estreou na mostra Teatro Pós-Trauma, do TUSP Maria Antonia, e foi convidado da Mostra A_Ponte, do Itaú Cultural. Formado em Artes Cênicas pela USP, com especialização em Direção Teatral, integrou o V PACAP, em Lisboa, com curadoria de João Fiadeiro, e desenvolveu trabalhos em Portugal, como Didascálias, de Giovanna Monteiro, coprodução do Festival Materiais Diversos e contemplada pelo Proac 2022. Em 2027, estreia no Teatro Nacional D. Maria II o documentário coreográfico Vozes do Rossio, com direção e dramaturgia suas. Desde 2023, cursa o mestrado em Coreografia e Performance na JLU-Giessen, na Alemanha, sob supervisão de Bojana Kunst e Xavier Le Roy, com pesquisa sobre uso de documentos em cena, memória, voz e fantasmagorias; ali criou Uma figura de Giacometti (2024), selecionado para o HTA Werkschau, no Frankfurt Lab. Desde 2025, colabora com o coletivo de dança Cristian Duarte /em companhia.
Monstro – tenho sonhado com homens
De 7 a 30 de outubro
Quartas e sextas, às 19h30
Quintas, às 16h e às 19h30
Espaço Cênico. 16 anos.
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