
Quem nunca se perguntou quais livros estão fazendo sucesso entre os leitores das bibliotecas? No Sesc São Paulo, essa curiosidade ganha resposta em uma seleção especial: os 10 títulos mais lidos nas unidades.
A lista revela as obras que estão povoando as estantes e, principalmente, a imaginação de quem frequenta nossos espaços de leitura.

O diário relata o cotidiano de Carolina como mãe, moradora da favela, e catadora de papel na comunidade do Canindé, em São Paulo. A obra aborda de maneira realista a pobreza extrema na qual os moradores da região estavam submetidos, além de episódios de racismo e misoginia.
Um diário que narra diariamente a luta da escritora pela sobrevivência enquanto aspira a uma vida melhor. O livro é composto por 20 diários, escritos no período de 5 anos, sendo de 1955 a 1960.

Um mosaico afetuoso de experiências negras, no qual a figura do personagem Fio Jasmim é o centro das discussões sobre contradições e complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos nas relações com as mulheres negras.
Na história, uma mulher anônima e sem nome se insere numa confraria de mulheres para coletar e contar as histórias de Fio Jasmim por meio das vozes de suas amantes e conhecidas, como Juventina (Tina), Pérola Maria, e outras, configurando uma narrativa coletiva baseada na sororidade feminina.
Ao final, a autora assume a primeira pessoa de forma mais explícita, revelando-se como a própria Conceição Evaristo, que escreve a história baseada na realidade e na ficção.

O romance leva os leitores às profundezas do sertão baiano, onde as irmãs Bibiana e Belonísia encontram uma velha e misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó. Com a curiosidade aguçada e vontade de desvendar os segredos da matriarca da família, o momento se transforma em uma tragédia após um acidente.
A partir daquele momento, o elo entre as irmãs se fortalece, pois uma precisará da voz da outra. Em uma prosa melodiosa, a obra conta uma história de vida e morte, de combate e redenção, de um povo que luta para sobreviver em uma terra de escassez, guiado pela espiritualidade ancestral.

A obra narra a história de Pedro, um professor negro assassinado pela polícia em uma abordagem violenta. A trama é conduzida pela voz de seu filho, que busca compreender a vida e a morte do pai, misturando memória, dor e afeto a partir de lembranças familiares.
O autor expõe o racismo estrutural e suas marcas profundas na sociedade brasileira em uma narrativa que alterna passado e presente, revelando tensões entre identidade, violência e pertencimento. Denúncia social e intimidade pessoal permeiam a trama nas 192 páginas do livro.
O Avesso da Pele conquistou reconhecimento nacional ao vencer o Prêmio Jabuti de 2021 na categoria Romance Literário.

A publicação dá continuidade à escrita marcada pela sensibilidade social e pela força poética, após o sucesso de Torto Arado. O centro da trama é ocupado por Luzia do Paraguaçu ― uma mulher que busca na coragem o caminho para ultrapassar as maiores injustiças. Órfão de mãe, Moisés encontra afeto em Luzia, estigmatizada entre a população por seus supostos poderes sobrenaturais.
Para ganhar a vida, ela se torna a lavadeira do mosteiro da região e passa a experimentar uma vida de profundo sentido religioso, o que a faz educar Moisés com extrema rigidez. obra dialoga com a tradição da literatura afro-brasileira, evocando tanto a violência histórica quanto a força da ancestralidade.

Em uma narrativa madura, traçando um paralelo com a dinâmica do rio – ora intenso ora brando – o romance narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica, resultado do ciúme doentio do marido, e de Lucy, a prostituta mais cobiçada da cidade.
Lucy cria uma obsessão por Venâncio, que não aceita as suas investidas. Dessa forma, a mulher entra no caminho deles, formando um triângulo amoroso.
Carla Madeira explora temas como amor, desejo, culpa e perdão, mostrando como os personagens são arrastados por forças maiores, tal qual um rio que nunca cessa. A obra é uma reflexão sobre a fragilidade humana e a inevitabilidade dos encontros e desencontros da vida.

O livro conta a história pessoal do autor, que viveu em vários países e encontrou nesta trajetória uma aldeia francesa. Ele decide reunir seus livros no local, em um galpão medieval em ruínas anexo à casa paroquial, que adquire e reforma.
Aos poucos, a biblioteca toma forma a partir de pedras soltas, caixotes abertos, pilhas de livros, reminiscências e idiossincrasias de seu dono. Na organização diária do acervo, o personagem passeia por diversos momentos da história mundial.
Manguel descreve o ato de entrar em uma biblioteca como uma experiência sensorial — os cheiros, os sons e a atmosfera única desses espaços — reforçando o caráter quase sagrado que atribui a elas. O livro também coloca em pauta o papel das bibliotecas na Era Digital.

Nas 296 páginas, o autor reconstrói a história de sua família, marcada por dor, resistência e memória. O ponto central é a trajetória de sua mãe, Eunice Paiva, que enfrentou a ditadura militar após o desaparecimento de seu marido, o deputado Rubens Paiva, sequestrado e morto pelo regime em 1971.
A obra alterna lembranças pessoais e fatos históricos, mostrando como a violência política teve influência em sua vida privada. Paralelo à história de sua mãe, Marcelo relata a experiência de superação após ficar tetraplégico em decorrência de um acidente. Os dois fatos conectam a dor individual do autor à luta coletiva de sua mãe pela verdade e justiça.
Em uma escrita sensível, Marcelo transforma a memória familiar em reflexão sobre o Brasil, a ditadura e suas cicatrizes ainda abertas. O livro inspirou o filme homônimo, ganhador do Oscar na categoria Melhor Filme Internacional em 2025.

O romance sul-coreano acompanha a transformação radical de Yeong-hye, uma mulher comum que decide parar de comer carne após ter sonhos perturbadores. Essa escolha aparentemente simples desencadeia uma ruptura profunda em sua vida, afetando sua relação com o marido, a família e a sociedade.
A narrativa é dividida em três partes, cada uma contada de diferentes perspectivas: do marido, do cunhado e da irmã. Por meio desses olhares, o livro revela como a decisão de Yeong-hye é vista como transgressão, expondo o controle patriarcal, a violência simbólica e física, e a incompreensão diante de sua busca por liberdade. A autora venceu o Premio Nobel de Literatura em 2024.

Ao misturar realismo mágico, ancestralidade e identidade, a escritora brasileira apresenta Cida, uma mulher sem identidade nem memória, que reconstrói pouco a pouco uma nova vida em um lugar completamente desconhecido.
Jorge encontra nessa misteriosa estrangeira uma paixão inesperada, que recria o que não parece provável. Do outro lado do Atlântico, Joana é o fantasma de um amor há muitos anos perdido por Miguel.
Quando os quatro personagens se entrecruzam no tempo em busca de respostas para as próprias angústias, se deparam também com uma trama fantástica sobre magia, ancestralidade e pertencimento. Oração para Desaparecer é uma das histórias possíveis sobre o amor e seu poder de dissolver as barreiras do imponderável.

O Sesc São Paulo conta com 28 bibliotecas e um acervo com mais de 150 mil títulos disponíveis, compostos por obras de literatura brasileira, estrangeira, juvenil, infantil, poesia, artes e quadrinhos, esportes, lazer, saúde, meio ambiente, história, filosofia e educação. Além disso, os espaços contam com revistas e periódicos com temáticas diversas disponíveis para todos os públicos.
O catálogo da Rede Sesc de Bibliotecas está disponível para consulta online em: sesc.com.br/bibliotecas. Confira mais informações sobre cada um dos espaços aqui.
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