Hortas Educadoras e Inclusivas

06/06/2023

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Por Rafaela Aguilar Sansão, agente de educação ambiental do Sesc Registro 

Cada vez mais percebemos a importância da sociedade se organizar a partir do coletivo, ocupando os espaços públicos por meio de ações que promovam o bem viver, a vida em harmonia com o outro e com a natureza. Uma das ações possíveis é a criação de hortas comunitárias inclusivas, que são espaços de produção e acesso a alimentos saudáveis, de convívio social, com possibilidade de geração de renda e oportunidades de desenvolvimento para as pessoas, com trocas de saberes e experiências.  

As hortas comunitárias são cultivadas e gerenciadas por grupos de pessoas, em áreas que podem ser públicas ou particulares, geralmente em ambientes urbanos que eram ociosos. Elas promovem o contato com a natureza, nos ajudam a agir de forma mais consciente, estimulam o trabalho coletivo, a cooperação e a participação cidadã.  

A partir da vontade de se fomentar todos esses benefícios que as hortas comunitárias podem oferecer para os territórios, o Sesc Registro, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Agrário e Meio Ambiente, Secretaria Municipal de Assistência, Desenvolvimento Social e Economia Solidária, Secretaria Municipal de Educação, Instituto Federal, Instituto Socioambiental e a UNESP (campus de Registro), se juntaram para promover o curso “Territórios educadores: tecnologias sociais e ancestrais”, que aconteceu nos meses de março a julho de 2023.  

Este curso fez parte do Territórios do Comum, um projeto do Sesc SP que reúne as áreas de Educação para Acessibilidade, Educação para Sustentabilidade e Valorização Social para o desenvolvimento de ações programáticas voltadas ao tema da cidadania em suas múltiplas dimensões, a fim de contribuir com processos de cidadania ativa, de desenvolvimento local e valorização de iniciativas sociais. O projeto acontece bienalmente e, neste ano, deu continuidade à proposta de incentivar, valorizar e dar visibilidade a estratégias de diálogo e de articulação que acontecem em territorialidades onde as Unidades do Sesc estão inseridas. 

A partir do entendimento de que a região do Vale do Ribeira possui uma grande sociobiodiversidade e é formada por um rico mosaico cultural, com a presença de quilombolas, caiçaras e povos indígenas, este curso buscou dar visibilidade aos saberes e tecnologias dessas comunidades tradicionais, que apontam soluções para as questões emergentes dos territórios e, com isso, fortalecer espaços de diálogos e redes comunitárias.  

O curso aconteceu em dois ciclos: o primeiro ocorreu na Escola Municipal de Educação Básica Prof.ª Olga Clivatti Rodrigues, onde foram realizados encontros quinzenais abertos à comunidade e aos professores e professoras das escolas municipais de educação básica de Registro. O segundo ciclo foi realizado no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Bloco B e no Centro Dia do Idoso (CDI), também em encontros quinzenais, para as famílias, indivíduos e profissionais dos CRAS de Registro e pessoas idosas inscritas no CDI.  

Horta na Escola Municipal de Educação Básica Prof.ª Olga Clivatti Rodrigues | Em primeiro plano, uma horta de madeira suspensa com hortaliças e temperos, com quatro canteiros dispostos horizontalmente um ao lado do outro. Em segundo plano, canteiros de chão como continuação da horta, com as mudas já em fase de desenvolvimento. Ao fundo, pode-se ver uma quadra de futebol com chão de concreto e grades delimitando o espaço. Dia 
ensolarado, boa iluminação.
Horta na Escola Municipal de Educação Básica Prof.ª Olga Clivatti Rodrigues | Créditos: Livia Badur
Horta no no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Bloco B e Centro Dia do Idoso (CDI) | Em primeiro plano, uma horta de madeira suspensa com hortaliças e temperos, com vários canteiros dispostos horizontalmente e verticalmente um ao lado do outro. Duas senhoras estão fazendo a manutenção das mudas dos canteiro, mexendo na terra e nas folhas. Em segundo plano, várias pessoas conversando e se movimentando durante uma oficina mistrada pelo Sesc no CDI do Bloco B.
Horta no no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Bloco B e Centro Dia do Idoso (CDI) | Créditos: Livia Badur

Neste percurso de quatro meses, foram realizados um total de dezesseis encontros, com rodas de conversas e atividades práticas, ministrados por educadores, agricultores, indígenas, quilombolas e cooperativas, para apresentar a temática da Agricultura Urbana como uma tecnologia social, bem como compartilhar técnicas e orientações para cultivo de alimentos, replicação de mudas, compostagem, entre outros assuntos, conforme o cronograma a seguir: 

Tecnologias ancestrais e os saberes nos territórios tradicionais
Com Instituto Socioambiental, Quilombo São Pedro e Tekoa Arandu 

Tecnologias sociais e ações comunitárias
Com AgroFavela, Heborá e educador do Sesc SP 

Horta escolar como espaço educador
Com Fubá – Educação Ambiental e Criatividade 

Acessibilidade em hortas comunitárias
Com Fubá – Educação Ambiental e Criatividade 

Agricultura urbana e Agrofloresta: aprendendo com a natureza
Com Pedro Baiano, agricultor DA Comunidade que Sustenta a Agricultura – CSA CEAFIM da Barra do Turvo 

Implementando uma horta agroecológica acessível (parte 1)
Com Pedro Baiano e Fubá – Educação Ambiental e Criatividade 

Implementando uma horta agroecológica acessível (parte 2)
Com Pedro Baiano e Fubá – Educação Ambiental e Criatividade 

Produção de sementes e mudas
Com Quilombo Nhunguara e UNESP 

Compostagem: uma tecnologia social ao alcance de todos
Com Rafael Guimarães, da PreserVALLE 

Economia solidária: por uma soberania alimentar nos territórios
Com Cooper Central VR, Academia Carolinas e mediação da Thaís Mascarenhas, do Instituto Kairós 

Produção de sementes e mudas | A foto é um registro da oficina "produção de sementes e mudas". Há várias pessoas sentadas ao redor de uma grande mesa branca ao centro. Na mesa, há muitas variações de mudas e sementes. Todos olham em direção ao professor, que está ao redor da mesa, mas em pé. Todos estão protegidos do sol por uma grande tenda que cobre a atividade. Ao fundo, podemos ver um grande gramado, árvores e a escola Profª Olga Clivatti Rodrigues.
Produção de sementes e mudas | Créditos: Livia Badur
Compostagem: uma tecnologia social ao alcance de todos | Mãos de um homem branco cortando vegetais utilizando uma faca, em cima de uma caixa grande de plástico verde. No antebraço, há uma tatuagem colorida de um arco e flecha. A caixa é a parte de cima de uma composteira e está aberta, com vegetais já cortados e triturados dentro, com um pouco de terra. Ao fundo, a cena é desfocada.
Compostagem: uma tecnologia social ao alcance de todos | Créditos: Livia Badur

Ao final do curso, foram implementadas duas hortas agroecológicas e com critérios de acessibilidade, para permitir o acesso às pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência física, sendo uma horta educadora inclusiva na Escola Municipal de Educação Básica Prof.ª Olga Clivatti Rodrigues e uma horta comunitária inclusiva no CDI de Registro.

Implementando uma horta agroecológica acessível | Uma mulher idosa está de joelhos no chão de gramado verde, com um vestido preto de bolinhas brancas. A foto não mostra seu rosto, mas mostra suas mãos, de pele branca, mexendo na terra preta e plantando uma muda ainda pequena de uma árvore. A muda está sendo colocada em um buraco na terra e, em volta, há um pouco da terra que foi cavada.
Implementando uma horta agroecológica acessível | Créditos: Livia Badur

Tradução do conteúdo em Libras:


Serviços:
Territórios do Comum 2023 
De 25 de março a 22 de julho
Programação completa no portal www.sescsp.org.br/territoriosdocomum


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