Alimentação na primeiríssima infância

17/07/2023

Compartilhe:

Do Peito Ao Prato é Realizado entre 1 e 7 de agosto, durante a Semana Mundial do Aleitamento Materno. Ilustração: Bruna Martins

Alimentar-se é um dos atos mais importantes da vida humana. Desde a primeiríssima infância, é preciso praticar e ensinar hábitos saudáveis de alimentação, considerando-se também as dimensões afetivas e sociais ligadas ao comer. 

Como mostram estudos científicos, o período da gestação até o segundo aniversário do bebê, que engloba mil dias, é valioso para a promoção da saúde humana. 

Pensando nisso, com base em orientações de especialistas e pesquisas, compartilhamos como ter uma alimentação adequada e saudável nessa fase especial da vida. 

Ilustração: Bruna Martins

Amamentação 

Amamentar é aconchego, calor e cuidado, reforçando os laços afetivos da mãe com o bebezinho que acaba de chegar. E também, claro, é nutrição. 

O leite materno é considerado um alimento padrão ouro, o mais completo para o recém-nascido. Como aponta o “Guia Alimentar Para Crianças Brasileiras Menores de 2 anos” (2019), do Ministério da Saúde, é “único e inigualável”, produzido naturalmente pelo corpo da mulher, uma fonte de nutrientes, hidratação e anticorpos. 

Um conjunto saudável e perfeitamente adaptado para o bebê, ajudando a fortalecer e amadurecer seu sistema imunológico e protegendo-o de infecções variadas, como respiratórias e de ouvido, além de diarreias.  

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é recomendado que a amamentação seja a única fonte de alimento para o bebê até os 6 meses de idade. 

Ilustração: Bruna Martins

Porém, como lembra a nutricionista Rachel Francischi, muitos fatores interferem no sucesso da amamentação. “Existem especialmente questões socioculturais e muitos fatores dificultadores do ato de amamentar, a começar pela necessidade de um suporte familiar, um apoio com os cuidados práticos do dia a dia para que a mãe esteja disponível física e emocionalmente”, diz a especialista. 

Por isso, ainda durante a gestação, recomenda-se que a futura mamãe procure informações confiáveis, de qualidade, e grupos de apoio para os quais poderá recorrer caso encontre dificuldades. Como lembra a nutricionista e pesquisadora na Faculdade de Saúde Pública (FSP/USP) Viviane Laudelino, a amamentação não é necessariamente um processo instintivo. “A gente pressupõe que todas as mulheres querem amamentar, mas algumas podem ter muitos medos ou uma visão negativa do processo, e isso também precisa ser observado e acolhido”, afirma Viviane.  

Ilustração: Bruna Martins

No caso das mães que não podem ou não conseguem amamentar, acaba sendo necessária a inclusão de algum substituto do leite materno, os chamados leites artificiais ou fórmulas infantis. Outra possibilidade são os bancos de leite. É recomendado que se procure, sempre, um profissional de saúde para orientação sobre a melhor fórmula para cada bebê, assim como a diluição e quantidade adequadas para o bom desenvolvimento da criança. 

Introdução alimentar 

Após os seis meses, quando o bebê já consegue se sentar e começa a explorar os objetos e levá-los à boca, tem início a fase de introdução alimentar. 

Ilustração: Bruna Martins

Como ressalta a nutricionista Rachel Francischi, é muito importante que esse momento seja divertido, alegre, pois tudo ainda é novidade para os pequenos. Por isso, o oferecimento dos alimentos precisa ser feito de forma participativa, amorosa e interativa. “Se o bebê quer pegar o alimento, abre a boquinha, a gente segue oferecendo. Mas, se mostrar sinais de desinteresse, é muito importante não forçar, porque isso pode levar a criança a ter comportamentos aversivos em relação à comida”, diz Rachel. 

Ilustração: Bruna Martins

A introdução alimentar pode ser dividida em três grandes fases:  

Fase 1: Apresentação dos alimentos (dos 6 aos 8 meses do bebê) 

Neste momento, o gosto e o paladar se desenvolvem, e há também os estímulos visuais com as cores dos alimentos, além dos estímulos táteis, quando o bebê pega, amassa, toca na comida. É uma fase de experimentação. 

Fase 2: Pinçando com os dedos (dos 8 aos 10 meses) 

Aqui, o bebê já consegue levar à boquinha, com os dedos, alimentos macios, pequenininhos. Nesta fase, é muito importante que se ofereça uma maior variedade de alimentos frescos, in natura, inclusive os que têm mais risco de alergia alimentar, por exemplo, ovos e peixe sem espinhas. 

Fase 3: Experimentando novas texturas (a partir dos 10 meses) 

O bebê pode comer alimentos com uma textura mais rígida, se aproximando mais da comida da família. O açúcar e os alimentos ultraprocessados, como salgadinhos, biscoitos, doces e sucos, não devem ser oferecidos, pelo menos até os 2 anos de idade. Esses alimentos são muito prejudiciais para o bebê, atrapalham a formação do paladar, têm aditivos químicos, conservadores, aromatizantes, que o corpo do bebê não está preparado para aceitar. 

Vale lembrar, como afirma Viviane, que até que o bebê consiga se alimentar de forma eficaz, é importante que o leite materno seja ofertado em livre demanda. “A família precisa sempre ter em mente que a introdução alimentar é um processo de aprendizado, que vai levar meses para acontecer.” 

* Luciana Mastrorosa é jornalista e escritora especializada em gastronomia e nutrição. Atua há mais de 25 anos na imprensa brasileira, mantém o site Cozinha de Planta e é autora do livro “Pingado” e “Pão na Chapa – Histórias e Receitas de Café da Manhã”

Do Peito Ao Prato

Realizado pelo Sesc São Paulo entre os dias 1 e 7 de agosto de 2023, o projeto aborda na sua quinta edição a importância da alimentação adequada nos dois primeiros anos de vida. Saiba mais sobre a programação!

Conteúdo relacionado

Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.