Revista do Centro de Pesquisa e Formação Edição Especial Ética no Turismo (ISSN 2448-2773)

01/06/2018

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Revista do Centro de Pesquisa e Formação – Edição Especial: Perspectivas contemporâneas do lazer

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo

Presidente do Conselho Regional
Abram Szajman

Diretor do Departamento Regional
Danilo Santos de Miranda

Superintendentes

Técnico-Social
Joel Naimayer Padula

Comunicação Social
Ivan Giannini

Administração
Luiz Deoclécio Massaro Galina

Assessoria Técnica e de Planejamento
Sérgio José Battistelli

Gerentes

Centro de Pesquisa e Formação
Andréa de Araújo Nogueira

Adjunto
Mauricio Trindade da Silva

Artes Gráficas
Hélcio Magalhães

Adjunta
Karina Musumeci

Núcleo de Turismo Social

Coordenadora
Flavia Roberta Cortez Lombardo Costa

Assistentes
Carolina Paes de Andrade e Silvia Eri Hirao

Centro de Pesquisa e Formação

Coordenadora de Programação
Rosana Elisa Catelli

Coordenadora de Central de Atendimento
Carla Ferreira

Coordenador Administrattivo
Renato Costa

Coordenador de Comunicação
Rafael Peixoto

Revista do Centro de Pesquisa e Formação

Editor
Marcos Toyansk

Organizadoras
Fernanda Alves Vargas, Carolina Paes de Andrade e Silvia Eri Hirao

Tradução e Revisão
Sérgio Molina, Rubia Goldoni, AMK traduções e Raquel Wohnrath

Ilustração de Capa
Elisa Carareto

Projeto Gráfico
Denis Tchepelentyky

Diagramação
Magno Studio e Walter Cruz


Apresentação

Aos Leitores

Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo

A ação do Sesc — Serviço Social do Comércio — é fruto de um sólido projeto cultural e educativo criado pelo empresariado do comércio e serviços em 1946. No estado de São Paulo, conta com uma rede de quarenta e duas unidades e desenvolve uma ação de educação não-formal com o intuito de valorizar as pessoas, ao estimular a autonomia pessoal, a interação e o contato com expressões e modos diversos de pensar, agir e sentir.

Desde 1948, o Sesc desenvolve o Programa de Turismo Social e, nestes 70 anos de história, não ficou indiferente ao seu tempo, aos lugares onde está inserido, tampouco às pessoas que o constroem. Muitas foram as transformações, pautadas na democratização do acesso ao turismo, na educação para e pelo turismo, no protagonismo dos participantes e na operacionalização ética e sustentável.

Neste sentido, o Sesc foi pioneiro no Brasil ao assinar, em outubro de 2015, o Código Mundial de Ética do Turismo, um documento que orienta governos, comunidades, turistas e prestadores de serviço para a implementação de um turismo mais responsável e sustentável. Os valores expressos pelo Código já faziam parte do trabalho desenvolvido pelo programa Turismo Social e, com a assinatura desse termo, a instituição reafirmou seu compromisso com aqueles princípios e intensificou suas ações para promover as diretrizes que buscam a redução de impactos ambientais e sociais negativos, a valorização do patrimônio cultural, a promoção dos direitos humanos, a inclusão social, a equidade de gênero e a acessibilidade.

Com o propósito de ampliar tais reflexões sobre os dilemas éticos enfrentados por turistas, governos, prestadores de serviços turísticos, comunidades anfitriãs e outros atores, foi idealizado, em 2016, um ciclo de formações intitulado Ética no Turismo no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo.

Ao longo desses três anos foram abordados contextos e desafios para um caminhar ético no Brasil e na América Latina, a partir de temáticas fundamentais, como o papel do turismo no capitalismo global; os impactos do turismo em massa para setores diversos, como educação, cultura, serviços, bem-estar social e meio ambiente; a responsabilidade social corporativa no setor turístico; os fenômenos migratórios e os dilemas da hospitalidade; a influência do turismo na preservação e recriação dos atributos do legado migrante na cidade de São Paulo, entre outros. Também foram tratadas temáticas cruciais no contexto brasileiro, como os impactos da precarização do trabalho turístico e a repercussão do racismo nas relações interpessoais e nas práticas institucionais no turismo.

(…)

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Dossiê: Ética no Turismo

Perspectiva Crítica do Turismo: Proposições éticas e filosóficas a partir da realidade latino-americana

Por Alexandre Panosso Netto

RESUMO
O artigo tem por objetivo analisar a forma como a América Latina foi/é vista pelos povos estrangeiros. Para isso foi desenvolvida uma breve reflexão histórica e cultural sobre a formação da região, na qual são denunciados os estereótipos consagrados do exotismo, da utopia e da magia. Tais estereótipos acabaram por moldar e direcionar as políticas de turismo e de marketing turístico de grande parte dos países da região. A visão estereotipada não permite que se evidencie a América Latina como ela é, o que acaba por levar à comercialização de um produto turístico não condizente com a realidade. Também são denunciadas as formas de exploração do turismo na região, em muito consideradas não éticas e carentes de fundamentos analíticos a partir de uma reflexão filosófica e teórica original e própria. Por fim, propõe-se a superação deste dilema por meio da valorização do que de fato representa a América Latina a partir de conceitos ditos por seus povos e não pelo estrangeiro, ou, na proposta do filósofo Leopoldo Zea Aguilar, a construção de uma identidade latino americana com a defesa de uma América Latina Integral.

Palavras-chave: América Latina. Turismo. Ética. Estereótipos. Realismo Mágico.

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Turismofobia, ou o turismo como fetiche

Por Alan Quaglieri Domínguez

RESUMO
Os ataques a símbolos turísticos realizados em Barcelona, no verão de 2017, consagraram o uso do termo turismofobia a nível midiático e no debate público sobre o desenvolvimento da cidade turística. O presente artigo aborda, em primeiro lugar, o surgimento do termo e a controvérsia que o acompanha, sobretudo no que se refere ao caso de Barcelona. Em seguida, revisa algumas das principais linhas teóricas que contribuíram para a construção social da figura do turista e do turismo em oposição à população residente e a seu cotidiano. Finalmente, se apontam as carências dessas leituras para compreender a relação entre turismo e conflito social na cidade contemporânea.

Palavras-chave: Turismofobia. Barcelona. Turismo urbano. Teorias do turismo.

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Turismo e bem comum: A RSC como escudo transnacional contra as sociedades anfitriãs e o ambiente

Por Joan Buades

RESUMO

Os ataques a símbolos turísticos realizados em Barcelona, no verão de 2017, consagraram o uso do termo turismofobia a nível midiático e no debate público sobre o desenvolvimento da cidade turística. O presente artigo aborda, em primeiro lugar, o surgimento do termo e a controvérsia que o acompanha, sobretudo no que se refere ao caso de Barcelona. Em seguida, revisa algumas das principais linhas teóricas que contribuíram para a construção social da figura do turista e do turismo em oposição à população residente e a seu cotidiano. Finalmente, se apontam as carências dessas leituras para compreender a relação entre turismo e conflito social na cidade contemporânea.

Palavras-chave: Turismofobia. Barcelona. Turismo urbano. Teorias do turismo.

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Reforma Trabalhista e a terceirização na Espanha: A precarização do trabalho das camareiras

Por Ernest Cañada

RESUMO
O presente artigo sintetiza os principais resultados de uma pesquisa mais ampla sobre a precarização do trabalho das camareiras na Espanha, em consequência da generalização das práticas empresariais de terceirizar os principais departamentos dos hotéis, a partir da reforma trabalhista de 2012. Para esta parte da pesquisa, utilizaram-se entrevistas em profundidade semiestruturadas com 24 camareiras terceirizadas e com 20 informantes-chave (sindicalistas, empresários e diversos profissionais ligados a hotéis). O trabalho baseou-se numa metodologia participativa de acompanhamento de sindicatos e organizações de trabalhadoras na denúncia das consequências da terceirização. Desse modo, foram identificadas as principais consequências que a terceirização dos departamentos de governança está tendo nas condições de trabalho.

Palavras-chave: Camareiras. Condições de trabalho. Terceirização. Hotel. Precariedade. Reforma trabalhista.

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Patrimônio Afro-Brasileiro e Turismo: Comunicando o Modo de Ser Quilombola

Por David W. A. Ribeiro e Cláudia Fernanda dos Santos

RESUMO
Nesse artigo apresentamos uma reflexão sobre as políticas patrimoniais brasileiras e a população afro-brasileira, especialmente representada pelas comunidades quilombolas, assim como também discutimos sobre como e de que forma a atividade turística é construída no interior dessas comunidades. Interdependentes, patrimônio e turismo se articulam nesses casos na tarefa de comunicar o modo de ser quilombola e de arregimentar aliados na luta pelo direito à terra.

Palavras-chave: Quilombo, Patrimônio, Turismo

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Picture Ahead: A Kodak e a construção do Turista-Fotógrafo

Por Lívia Aquino

RESUMO
Esta pesquisa trata da fotografia do amador e sua construção histórica no campo do turismo, refletindo sobre a criação de práticas sociais e sobre as transformações na percepção da experiência da viagem. Parte-se de uma relação entre a fotografia e o turismo operando como dispositivo, cristalizando inerente relação. Nessa direção, a Kodak é peça fundamental no processo de popularização da fotografia e, consequentemente, na construção dos modos de produzir, consumir e compreender imagens. Por meio da publicidade, de estratégias de negócio, da elaboração de um sistema educativo e de ampla cadeia de produção, a Kodak atua na criação de valores relativos à importância do registro da viagem e enfatiza o fato de que sua rememoração pode ser obra do amador. O turista-fotógrafo torna-se, assim, um sujeito produtor de parte do mundo-imagem, pelo desejo de posse e status que a fotografia e o turismo carregam e, especialmente, pela busca de uma fotografia que está sempre a sua espera.

Palavras-chave: Cultura visual. Fotografia. Turismo. Dispositivo. Turista-fotógrafo.

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