
Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 13 – Dossiê Esporte: Um fenômeno sociocultural
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL: Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL: Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO: Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO: Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO: Andréa de Araújo Nogueira
ARTES GRÁFICAS: Hélcio Magalhães
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR: Marcos Toyansk
ORGANIZADORA DO DOSSIÊ: Giovanna Benjamin Togashi
REVISÃO: Sérgio Molina
ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO: Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO: Leila Schöntag
EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
O esporte está presente nas ações do Sesc desde a sua criação. Entendido em um sentido amplo na instituição, compreende o movimento do corpo, inerente à humanidade, que se traduz na intencionalidade de sua prática e que potencializa as possibilidades do ser no mundo.
Como um reflexo da sociedade, o esporte é permeado por inquietações sobre suas representações teóricas, práticas, imagéticas e simbólicas, por isso é plurívoco e abarca em suas concepções desde as formas mais
primitivas de movimentos corporais até as práticas de jogos desportivos institucionalizados.
Celebrar o esporte como uma invenção humana dinâmica que comunica, festeja, tensiona e transforma é reconhecer que este fenômeno sociocultural é imprescindível para uma vida com qualidade, solidária e livre. E, mais do que elucidar este ou aquele conceito, é importante compreender sua complexidade a partir de seus multifários entendimentos.
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Dossiê Esporte: Um fenômeno sociocultural
Por Heloisa Helena Baldy dos Reis
RESUMO
Este artigo teve como objetivo abordar a sociologia do esporte, especificamente com os referenciais das teorias de Norbert Elias, tendo em seu discípulo Eric Dunning o pesquisador mais longevo dos temas sobre esportes e sociedade, por isso considerado o “pai da Sociologia do Esporte”. Objetivou, também, trazer as convergências de Bourdieu e Elias, elucidar compreensões equivocadas da sociologia figuracional e realçar as contribuições de todos esses autores para o desenvolvimento dos estudos sociológicos do esporte.
Palavras-chave: Sociologia do Esporte. Sociologia Figuracional. Norbert Elias. Eric Dunning. Pierre Bourdieu
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Por Luciana Itapema Alves Melher
RESUMO
Esse artigo intenciona abordar o Esporte para Todos, sob uma forma de pensamento e posicionamento filosófico proposto e apresentado por Henning Eichberg, sociólogo cultural, historiador e pesquisador, que nos instiga a olhar para o Esporte e a Cultura Corporal do Movimento em uma outra direção, a partir de uma visão ampliada e “trialética”, apoiada na investigação dos fenômenos socioculturais e contradições dos padrões da vida humana. Parte da premissa que o Esporte não é um fenômeno unitário e é representado e organizado por movimentos esportivos e por culturas de movimento. Apresenta uma perspectiva que extrapola a visão tradicional analítica anglo-americana do Esporte Moderno, visão esta balizada na metáfora do estilo de vida imposto pelo modo de produção capitalista.
Palavras-chave: Esporte para Todos. Esporte Popular. Esporte Participação. Filosofia do Esporte. Cultura Corporal do Movimento.
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Por Ana Cristina Zimmermann
RESUMO
Neste artigo destacamos a condição dialógica do jogar, pautada na corporeidade, para refletirmos sobre os Jogos Tradicionais e sua potência para nos anunciar diferentes possibilidades de sermos humanos junto aos outros seres. A disponibilidade de estabelecer relações com a incerteza ao jogar promove oportunidades de encontro, desafio e diálogo. A reflexão se organiza a partir da fenomenologia nos estudos do corpo, passando pelo referencial decolonial. O texto apresenta elementos para pensar a dimensão corporal e a presença do diálogo no jogar, para em seguida aprofundar questões acerca da diversidade e da riqueza cultural encontradas nos Jogos Tradicionais. Por fim, apresenta algumas reflexões sobre a presença dos Jogos Tradicionais na educação, como forma de representatividade cultural e decolonização do conhecimento. É possível propor que diferentes jogos promovem um encontro cultural, o contato com diferentes cosmologias e, para além, explicitam um movimento anterior à própria cultura.
Palavras-chave: Jogos Tradicionais. Diálogo. Diversidade.
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Por Neilton Ferreira Júnior
RESUMO
Este artigo analisa aspectos socioculturais de uma relação aparentemente simbiótica entre raça, racismo e esporte moderno, concebendo a história da instrumentalização colonial e neocolonial das práticas esportivas como o “laboratório original dessa fusão”. A partir de meados do século XVIII, as empresas colonialistas europeias e estadunidenses utilizaram as práticas desportivas não só para hegemonizar as suas identidades culturais, mas para garantir o controle sobre a população, assumindo pedagogias “domesticadoras” e/ou “modernizadoras” do gestuário autóctone como valores desportivos. Esse processo legou à nossa sociedade um sistema esportivo profundamente tolerante com a opressão racial, aberto a novos experimentos raciais e fortemente resistente a políticas de reconhecimento. A luta anticolonial, por sua vez, sugere que as experiências contra-hegemônicas de assimilação do esporte são mais sensíveis às demandas emancipatórias. Experiências que podem nortear os debates atuais sobre as concepções e função social do esporte em países historicamente afetados pela política colonial e neocolonial.
Palavras-chave: Colonialismo. Esporte Moderno. Anticolonialismo.
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Por Silvana Vilodre Goellner
RESUMO
Este texto analisa a presença das mulheres no esporte, considerando alguns marcos regulatórios que incidem sobre seus corpos, gêneros e sexualidades. Destaca a produção de discursos e representações que historicamente foram acionados para justificar desigualdades de acesso e permanência entre homens e mulheres na prática esportiva. Argumenta em favor da criação de um ambiente seguro para as mulheres, tornando-as sujeitos de direitos que, ao se apropriarem do esporte, podem torná-lo mais democrático, inclusivo e igualitário.
Palavras-chave: Esporte. Mulheres. Gênero.
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Por Fabiano Pries Devide
RESUMO
Este estudo se localiza na interface entre a arte contemporânea, a história social e os esportes. O objetivo foi analisar e interpretar a emergência das masculinidades na série “Esportes”, de Alair Gomes. Partindo dos Estudos das Masculinidades, analisamos as fotografias a partir da interseção entre obra, artista, movimento artístico e contexto sociocultural e histórico. Tal recorte da obra do artista amplia o olhar sobre o corpo masculino, ao destacar tanto a virilidade e a força; quanto a sensualidade, o desejo e o homoerotismo, esgarçando os limites de uma masculinidade normativa e da heteronormatividade, sinalizando a emergência de uma masculinidade homoerótica.
Palavras-chave: Arte Contemporânea. História Social. Esportes. Masculinidades. Sexualidade.
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Por Ronaldo Helal e Leda Costa
RESUMO
Heróis e vilões são personagens muito familiares e fartamente presentes no imaginário ocidental, popularizados por produções culturais variadas como romances, filmes e quadrinhos. Heróis e vilões também se fazem presentes nas narrativas produzidas pela mídia esportiva, sobretudo, nas coberturas da participação da seleção brasileira masculina de futebol em Copas do Mundo. Este artigo tem como objetivo demonstrar os principais recursos acionados no processo de construção de algumas figuras heroicas e vilânicas pelo jornalismo esportivo. Para tanto, este trabalho promove um breve trajeto pela história da construção da categoria “futebol-arte”, fundamental ao imaginário futebolístico nacional e à composição tanto dos heróis quanto dos vilões da seleção brasileira.
Palavras-chave: Heróis. Vilões. Copas do Mundo. Jornalismo Esportivo.
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Por Cleber Dias
RESUMO
O artigo examina as relações entre esportes, políticas públicas e inclusão social. Afinal, faz sentido destinar recursos públicos para o financiamento de esportes? Os esportes são de fato capazes de promover a inclusão ou o desenvolvimento social? Por que seria vantajoso para um país manter uma estrutura institucional governamental voltada a essas atividades? Há algum fundamento objetivo para essas crenças? O que nos dizem as evidências disponíveis? Existe já uma ampla fortuna crítica a respeito de questões como essas. Basicamente, essa literatura especializada aponta para as condições e circunstâncias mais gerais que envolvem a prática de esportes como fatores fundamentais para facilitar ou dificultar o uso político de esportes como meios para políticas sociais.
Palavras-chave: Esportes. Políticas Públicas. Políticas Sociais
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Por Ary José Rocco Júnior
RESUMO
O objetivo deste ensaio é analisar, desde o surgimento do Esporte Moderno, na Inglaterra da segunda metade do século XIX, até os dias atuais, a evolução das organizações de prática e administração do esporte, dentro de uma perspectiva histórica. É nossa intenção mostrar que, dentro do panorama atual do esporte de rendimento em todo o mundo, as organizações esportivas estão enfrentando diversos paradoxos e contradições, fruto da evolução do papel do esporte dentro da sociedade ocidental. A mercantilização do produto esportivo, a concentração de riqueza em torno de grandes conglomerados de empresas esportivas e a virtualização do esporte demandaram maior profissionalização das pessoas envolvidas com a Gestão do Esporte. Por outro lado, limitaram o acesso à prática esportiva, em especial para a população com menor poder aquisitivo. O contexto global atual, em especial com a pandemia de Covid-19, acentuou essas contradições, impondo à Gestão do Esporte, uma série de desafios.
Palavras-chave: Gestão do Esporte. Indústria do Esporte. Organizações Esportivas. Esporte de Rendimento. Esporte e Entretenimento.
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Artigos
Por Luis Louis
RESUMO
Este artigo descreve a jornada de cinco anos de um jovem artista, que decide se aventurar no Velho Mundo e encontra na Inglaterra a Arte da Mímica. Sua formação profissional, associada a uma profunda transformação pessoal e artística, é relatada com detalhes na intensa rotina de treinamento da escola Desmond Jones – Mímica e Teatro Físico, considerada por muitos, a mais conceituada Escola de Mímica e Teatro Físico do Reino Unido e uma das mais respeitadas do mundo. Numa trajetória que borra as fronteiras entre vida e arte, a relação do aprendiz com o seu mestre ressignifica o entendimento da Mímica, provocando um novo olhar que amplia o sentido dessa palavra, para além dos palcos. Este texto marca o período de nascimento do conceito da Mímica Total.
Palavras-chave: Mímica. Pantomima. Teatro Físico. Mímica Corporal. Mímica Total. Desmond Jones.
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Por Camila Rodrigues Moreira Cruz
RESUMO
O artigo discute o desenho e seu intrínseco diálogo com a escrita, por linhas construídas pelo corpo, traços e imagens, que produzem registros cartográficos e históricos. Propõe-se indagar o desenho como ponto de convergência estruturante e conflitante na contemporaneidade, a partir de uma análise deste como fim em si mesmo ou como meio interlocutório de ações expandidas para o hibridismo de linguagens. Apresentamos questionamentos do desenho construídos da escrita à imagem, do traço ao registro, analogamente ao pensamento de Jacques Derrida. O desenho é então pensado como origem, caminho, memória, corpo e imagem.
Palavras-chave: Desenho. Origem. Traço. Contemporâneo.
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Por Gabriel Menotti
RESUMO
A criptoarte é um campo de produção cultural que utiliza como meio de patrimonialização o registro de fichas não fungíveis (NFTs) em um sistema de blockchain, o mesmo tipo de banco de dados descentralizado empregado pelas criptomoedas. No início de 2021, esse campo experimentou um crescimento vertiginoso, atingindo o mainstream cultural e artístico com promessas de maior pluralidade e desintermediação de atores. Este artigo se propõe a examinar esse crescimento a partir das bases tecnológicas de operação da criptoarte e de sua relação intrínseca com o mercado hipervolátil das criptomoedas. Delineamos o funcionamento da blockchain de modo a caracterizar a criptoarte como uma forma cultural definida não pelo uso de uma linguagem, prática ou meio de expressão específicos, mas sim pela sua configuração como mercadoria. Pelo contraste com outros projetos de arte que se apropriam de blockchains, buscamos indicar como o comércio de NFTs sublima a realidade material, política e histórica dessa tecnologia, dotando-a de uma autoridade metafísica. Por fim, com base nos fatores exógenos que ampliaram a popularização da criptoarte, pretendemos demonstrar como a inclusão de novos atores nesse campo depende de sua sujeição à lógica e aos interesses especulativos da indústria de criptomoedas, o que por sua vez acelera a difusão dessa lógica e desses interesses em outras instâncias sociais.
Palavras-chave: Criptoarte. Blockchain. NFTs. Autenticidade. Mercado de Arte. Arte Digital. Metafísica da Presença
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Por Maria Leidiana Mendes de Oliveira
RESUMO
Este artigo busca refletir como políticas compensatórias de combate à fome são pensadas e implementadas. Entende-se que o cerne da questão não é, de fato, enfrentando como o problema crônico que ele é. Mexer na estrutura é, por exemplo, fomentar políticas de erradicação da miséria, a geração de renda, proporcionando o acesso aos alimentos, políticas de educação e de saúde. Dado o momento da história em que vivemos, há cada vez mais a necessidade de se discutir o tema da fome. Buscamos tal compreensão a partir de uma perspectiva geográfica, não perdendo de vista o nosso processo de constituição enquanto país, já que a fome é um reflexo latente de uma formação desigual e não enfrentada como uma questão estrutural, na sua essência.
Palavras-chave: Geografia da Fome. Desigualdades. Problemas Estruturais. Políticas Compensatórias.
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Gestão Cultural
Por Amauri Celso Martins da Costa e Denise Miréle Kieling
RESUMO
Este ensaio busca mostrar a importância de passeios ou visitas mediadas como uma potente ferramenta pedagógica de educação não formal, tanto no ambiente físico quanto no digital. O artigo procura traçar um panorama deste tipo de vivência enquanto prática viável nos processos de aprendizagem e ampliação do olhar para aquilo que nos cerca, por meio do estímulo à participação do indivíduo nas relações sociais, políticas e econômicas. Para isso, e dado que diferentes áreas de estudo produziram conhecimento sobre estas práticas, serão apresentados alguns conceitos sobre a fisiologia da memória, história, antropologia, educação não formal, ócio, lazer e turismo, bem como o cenário que envolve a transposição desses conceitos para um mundo em constante evolução digital, a fim de compor as premissas para confirmar as potencialidades desta modalidade de ensino aprendizagem, que, se não ausente, é ainda pouco praticada por diferentes instituições culturais e de ensino.
Palavras-chave: Mediação. Visita. Passeio. Educação Não Formal.
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Por Giovanni M. Pirelli e Suzie Bianchi
RESUMO
Neste artigo, apresentamos algumas reflexões extraídas da pesquisa realizada em 2020 sobre a atuação das igrejas evangélicas brasileiras como centros culturais. A partir do estudo de suas programações e da observação do impacto na vida cultural de suas comunidades, são colocadas em evidência algumas soluções estratégicas de gestão da cultura praticadas no contexto evangélico que podem contribuir para o fortalecimento do campo cultural secular.
Palavras-chave: Centros Culturais. Igrejas Evangélicas. Mediação Cultural. Gestão Comunitária. Autogestão.
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Por Maria do Carmo Silva Esteves
RESUMO
A partir da experiência da autora no Museu da Cana, em Pontal, no estado de São Paulo, o presente trabalho revisitou, à luz de suas potencialidades, o projeto “Colhendo Memórias: museu e escola”. Buscou-se pensar a ação educativa realizada no âmbito da educação patrimonial, apresentando referenciais teóricos que embasam a tríade museu, escola e cultura.
Palavras-chave: Ação Educativa. Mediação. Educação Patrimonial.
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Entrevista
Centro de Pesquisa e Formação: A partir das reflexões do seu livro Sociologia e educação física, fica clara a importância desta conexão, sociologia e educação física, para o entendimento do campo esportivo. Em sua análise, quais são as principais contribuições da sociologia para o profissional que trabalha com esportes no âmbito educacional e do lazer?
Mauricio Murad: São várias as contribuições, mas a primeira, e que eu acho a mais importante delas, é entender o esporte como educação. Esse é o maior entendimento sociológico da atividade esportiva, mais do que o esporte como atividade profissional, mais ainda do que o esporte como atividade do alto rendimento, é o esporte como formação, como integração, como construção de valores, como organização de grupos e de segmentos sociais através da atividade esportiva. Toda atividade esportiva deve ter como pano de fundo a atividade educacional, isso é uma contribuição teórica e prática imensa que a sociologia pode, deve e tem efetivamente auxiliado a todos aqueles que estudam, refletem, escrevem e que são os operadores práticos do esporte. Se desse contexto educacional, que deve ser amplo, geral e irrestrito, puderem sair atletas para o alto rendimento, por que não? Ótimo, que saiam. Mas nós sabemos que, dentro de um número enorme de praticantes do esporte, apenas um pequeno número se torna realmente um atleta para galgar as escalas do alto rendimento. Então, a grande escala sociológica do esporte é a educação, e a educação numa perspectiva social, histórica e antropológica. É como disse o Paulo Freire, “a educação sozinha não transforma nenhuma realidade social, mas sem a educação nenhuma realidade social pode se transformar satisfatoriamente e profundamente”. Então a educação é um instrumento fundamental para o entendimento e as tentativas de mudança da sociedade onde ele está inserido, onde a educação está inserida. No contexto educacional, com essa perspectiva de entendimento e de contribuição para mudança, o esporte tem um papel essencial, porque o esporte trabalha as diversas modalidades possíveis.
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Resenha
Por Letícia Nardi
Resenha do livro: GORELIK, Adrián; PEIXOTO, Fernanda Arêas (Org.). Cidades sul-americanas como arenas culturais. Tradução Francisco José M. Couto. São Paulo: Edições Sesc, 2019
O que caracteriza cada cidade? Que identidades permeiam as cidades sul-americanas? Como perpassaram o século XX? As narrativas oficiais de suas histórias urbanas são suficientes para compreender a diversidade cultural que as compõem? Como se dão as relações entre cidade e cultura? Como as cidades conectam e absorvem aspectos culturais mais amplos, regionais ou universais?
A obra Cidades sul-americanas como arenas culturais percorre essas questões a partir de uma construção coletiva que reúne 25 autores e 23 textos, que apresentam 14 cidades sul-americanas em 8 países diferentes. Essa vasta gama de referências ilumina a relação cidade e cultura tendo como fio condutor o mote proposto por Richard Morse em um dos seus últimos textos a respeito das cidades sul-americanas, que denominou “arenas culturais”. O arquiteto e historiador argentino Adrián Gorelik e a antropóloga brasileira Fernanda Arêas Peixoto encampam a organização desse projeto continental, traduzido para a língua portuguesa, e costuram de forma consistente esse fazer em conjunto.
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Poesia
Narrativas Visuais
Por Ricardo Rojas
O projeto do fotógrafo Ricardo Rojas, fundador da Mobgraphia Cultura Visual, tem como objetivo mostrar o que são as modalidades paralímpicas e seus atletas através de imagens captadas e editadas exclusivamente com o celular.
O resultado foi um material vivo, rico e de acesso imediato, gerado antes e durante os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, realizados em 2021 devido às complicações impostas pela pandemia de Covid-19.
O projeto visa também aproximar e expandir o público dos eventos paralímpicos e expandi-lo para uma audiência ainda maior, gerando conhecimento, inclusão, diversidade e engajamento nas redes sociais. Outro aspecto importante é provar que é possível cobrir com qualidade eventos da grandiosidade das Paralimpíadas usando apenas o celular.
Ricardo Rojas propôs a mobgrafia (fotografia feita com celular) como linguagem a ser aplicada neste projeto inédito no Brasil. E o transformou em ensaio ao lado do fotógrafo José Luiz Neto e da jornalista Camila Andrade.
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