

Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 01 – Dossiê: O investimento público em cultura, a administração de espaços culturais e a relação com os públicos
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ADJUNTO Mauricio Trindade da Silva
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães
ADJUNTA Karina Musumeci
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
COORDENADORA DE PROGRAMAÇÃO Rosana Elisa Catelli
COORDENADORA DA CENTRAL DE ATENDIMENTO Carla Ferreira
COORDENADOR ADMINISTRATIVO Renato Costa
COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO Rafael Peixoto
PESQUISADORES Marcos Toyansk e Jaime Santos Júnior
ILUSTRAÇÃO DE POEMA, PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Denis Tchepelentyky
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
Por Andréa Nogueira, Centro de Pesquisa e Formação – Sesc São Paulo
O Centro de Pesquisa e Formação do Sesc – CPF Sesc surgiu como um lugar privilegiado das trocas, das experiências de deslocamento e do encontro com o novo. Com o outro.
O espaço físico, inaugurado em agosto de 2012, se volta aos fluxos, aprofundando conhecimentos e qualificando os profissionais que atuam no campo da cultura, no pensar as práticas da cultura e as relações sociais.
O CPF Sesc tem se constituído como locus que articula produção, formação e difusão de conhecimentos, por meio de cursos, palestras, encontros, estudos, pesquisas e publicações nas áreas de Educação, Cultura e Artes. Com isso, surgiu um novo espaço dedicado à gestão cultural na cidade.
Com o objetivo de observar e compreender as relações e movimentos que envolvem a cultura e nosso tempo, a Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc Online se propõe ao insólito que segue o ritmo dos conteúdos e reflexões tratados nos diálogos dos cursos. Inicia com a entrevista de Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc em São Paulo, que entre seus muitos desafios diários, consolidou o papel da instituição como difusora da cultura brasileira.
Esta publicação, de periodicidade trimestral, se faz no momento da terceira edição do Curso Sesc de Gestão Cultural, uma ação específica desenvolvida neste Centro, voltada às experiências e o conhecimento do Sesc em fazer a cultura.
Isaura Botelho, referência na pesquisa de política cultural no país e consultora do CPF Sesc, organizou o primeiro Dossiê sobre Gestão Cultural, com oito artigos elaborados pelos participantes da primeira edição do Curso Sesc de Gestão Cultural. Os artigos compreendem temas como gestão de cinema, públicos da cultura, e impacto da Internet sobre os hábitos culturais, entre outros, desenvolvidos ao longo deste curso.
O duro contexto sobre a cracolândia, abordado pela antropóloga Taniele Rui no livro Nas tramas do crack: etnografia da abjeção é o assunto da resenha de Heitor Frúgoli, tratando um tema caro ao desafio urbano contemporâneo: a vulnerabilidade social a que estão submetidos os usuários de crack e as zonas frequentadas por essa população. O autor coordenou o ciclo de debates Significados da periferia nas práticas e produções culturais, realizado no CPF Sesc.
Apresentada durante o ciclo de palestras A Multiplicidade de Stuart Hall, a comunicação A trajetória intelectual de Stuart Hall de Liv Sovik, discutiu como a variedade de questões, níveis de abstração, tipos de abordagem fazem com que Hall seja lido a partir de perspectivas diversas, levando em conta as maneiras em que a obra desse teórico da comunicação e da cultura vem sendo recebida no Brasil.
Traz também o artigo de Luiz Roncari debruçado na imensidão da obra Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa, como tratada durante o curso O amor na obra de João Guimarães Rosa, realizado em março de 2015.
A percepção sobre o universo acústico que nos cerca assume uma relevância crescente em diversas esferas das atividades humanas. Destacando essas transformações na percepção acústica do mundo e a importância do som nas artes e na cultural em geral, o trabalho de Fernando Iazzetta sintetiza o curso Estudos do Som, realizado no Centro de Pesquisa e Formação nos meses de julho e agosto de 2015.
E, ao sabor da poesia, a revista se remata num trabalho de Caco Pontes.
Aproveitamos o momento para expressar os nossos agradecimentos aos profissionais que contribuíram com a Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc. Da equipe editorial, os autores que optaram em fazer da revista o meio de divulgação de seus trabalhos, aos que se envolveram em sua elaboração gráfica e suporte técnico necessário para a disponibilização do conteúdo.
Acreditamos que a difusão da produção do Centro de Pesquisa e Formação possa oferecer uma contribuição ao pensamento diário do espalhar a cultura, que toma a liberdade como destino.
Dedicamos este primeiro número a Mario de Andrade, no aniversário de 70 anos de sua morte, em 2015. O grande escritor, gestor, músico e poeta na imensidão de sua obra entendeu o significado deste destino: a liberdade não é um prêmio, é uma sanção.
Que há de vir.
Boa leitura!
1) No dia 13 de setembro de 2015 o Sesc completou 69 anos de existência. Já se trata de uma instituição cuja longevidade abrange 3 gerações de brasileiros (1946-2015). Em vista desse tempo, como pode ser entendida a missão institucional do Sesc?
Para expor a missão do Sesc, é preciso lembrar do quadro histórico. Diante da nova ordem econômica do pós-guerra, o Brasil atravessava profundas transformações na economia agrária e avançava no processo de urbanização das cidades, preparando-se para os novos rumos de sua industrialização e para o crescimento de seu mercado interno no consumo dos bens produzidos. Ou seja, o modelo de produção brasileiro baseado na indústria agrária começava a mudar para uma indústria baseada em elementos mais modernos, avançados. Isso transforma as cidades; os comércios e serviços crescem, as populações explodem. Era um país que tinha 80% da sua população no campo e 20% na cidade e essa equação começa a se inverter. Então isso transforma a sociedade, e o Estado tenta responder, mas não consegue por uma série de razões.
Para essa expansão, eram imprescindíveis a formação de novos quadros e a qualificação da mão-de-obra existente, tanto para a indústria quanto para o comércio. Os empresários dessas áreas começam, então, a assumir compromissos. E esse comprometimento pode ser referido na noção de bem-estar e também, hoje, na tão falada noção de responsabilidade social. É nesse momento que isso começa a acontecer. Essa responsabilidade se dá pelo compromisso do empresariado em defesa da paz social diante das diversas tensões que grassavam no país. É assinada pelos empresários, em 1946, num encontro em Teresópolis, a “Carta da Paz Social”, que ainda hoje é atualíssima. Nela, os empresários falam da importância do emprego, da função social da empresa, do compromisso da mudança e da transformação na vida das pessoas. Os empresários dessas áreas propuseram uma união nacional com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais, criando condições para a melhoria de vida dos trabalhadores, numa parceria singular com o Estado.
Desse espírito nascem essas instituições, os chamados “S”. O Senai foi criado primeiro, em 1942. E em 1946 são criados o Sesi, o Senac e o Sesc. Se constitui, então, um embrião desse mecanismo de obter recursos das empresas voltados para o bem-estar social do trabalhador e da formação profissional. Um dos pontos significativos do regimento de criação dessas entidades é que elas deviam ser administradas autonomamente, ou seja, cada uma com suas características e em cada Estado, geograficamente falando, se adaptando às necessidades locais.
Eu, particularmente, recuso um pouco a denominação de “Sistema S”, porque no momento que designamos de forma unificada, juntamos num mesmo conceito instituições absolutamente diferentes, com objetivos, culturas, modos de agir e perspectivas diversos.
(…)
Para ler a entrevista completa, baixe o arquivo neste link.
Dossiê Gestão Cultural
Por Isaura Botelho
Estamos diante do primeiro número da Revista Eletrônica do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo. Fiquei honrada por ter sido convidada a organizá-lo, na medida em que venho colaborando com o Sesc São Paulo tanto na criação deste Centro de Pesquisa e suas diretrizes quanto na formulação de seu curso de gestão cultural. O Curso de Formação de Gestores foi concebido mais como um percurso de qualificação de profissionais da área, considerando que a gestão demanda o manejo de competências diversas e transversais. Dessa forma, além da dimensão política e institucional, essa formação pretende propiciar uma familiaridade com a cultura em sua diversidade e em seu aspecto de parte essencial da vida das pessoas. Vale, neste sentido, o pressuposto de que “para promover a qualificação de gestores culturais deve-se contemplar conteúdos e metodologias capazes de criar oportunidades para, em primeiro lugar, se compreender a cultura em sua dimensão simbólica e identitária, sua centralidade para a cidadania e para o desenvolvimento social e econômico”. Dentre os diversos conteúdos, os participantes do curso têm contato – e são estimulados a aprofundar esse conhecimento posteriormente – com uma literatura em sociologia da cultura, que lhes permita superar o voluntarismo e a paixão que foram, até pouco tempo atrás, os principais ingredientes de ação dos gestores culturais.
Outro aspecto importante a se ressaltar é que procuramos estimular os participantes a refletir sobre suas práticas profissionais em seus respectivos trabalhos finais. Mesmo que haja algumas imprecisões teóricas ou até alguma pressa em aplicar conhecimentos recém adquiridos, a descoberta de novos caminhos para suas práticas profissionais torna esses trabalhos mais criativos e corajosos. O entusiasmo com que a maioria dos participantes se lançou nessa proposta de reflexão lançada pelo curso, nos permite acreditar que novas práticas profissionais, agora alicerçadas por novas ferramentas, já estão provavelmente em curso e contribuirão para uma maior profissionalização da gestão cultural. Assim, apresentamos aqui, transformados em artigos, oito trabalhos finais dos alunos da primeira turma do Curso de Formação de Gestores promovido pelo Centro de Pesquisa e Formação do Sesc SP em 2012/2013, cobrindo temas diversos. Muitos deles investiram pela primeira vez na realização de estudos desse tipo. Os trabalhos finais das turmas subseqüentes também terão um espaço privilegiado nesta Revista.
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Por Ana Louback Lopes
O artigo propõe avaliar as políticas culturais, visando apreender os impactos dos projetos contemplados por programas de fomento à difusão artística na configuração do espaço urbano. Para tanto, recorre-se a um ensaio metodológico com base na espacialização de investimentos públicos e assume-se como estudos de caso projetos relativos à difusão audiovisual realizados no município de São Paulo, em 2013, contemplados por três programas de fomento distintos: 1) Programa de Incentivos Fiscais – Lei Rouanet; 2) Programa de Ação Cultural – ProAC ICMS; e 3) Programa para a Valorização de Iniciativas Culturais – VAI.
Palavras-chave: Políticas culturais; Metodologia de avaliação; Fomento audiovisual; Territorialidades.
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Por Cleverson Rago Ferreira
RESUMO
A gestão cultural, nova atividade profissional na área de gestão, pode ser entendida como um tipo de administração voltada à área da cultura. No entanto, há importantes especificidades relacionadas ao seu objeto de trabalho – que são os “bens culturais” –, ou seja, bens não materiais, com valores simbólicos e ligados às emoções e experiências, próprio da arte. Isso concede à Gestão Cultural características diferenciadas na gestão dos públicos envolvidos, na mediação cultural (o gestor como educador) e na curadoria crítica. Portanto, os bens simbólicos exigem tratamento diferenciado em sua gestão e o desafio destes gestores é articular as exigências do mercado com as singularidades da gestão das artes e dos bens culturais. O presente trabalho se propõe a discutir essas questões, com o objetivo de contribuir para a análise da formação do gestor cultural.
Palavras-chave: Gestão; Gestão Cultural; Gestor Cultural.
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Por Daniela Savastano
RESUMO
Compreender o uso do tempo livre por parte dos cidadãos, identificar suas práticas culturais e de lazer, são quesitos fundamentais para o planejamento estratégico e para a definição de princípios norteadores de políticas culturais e de gestão dos processos. Considerando a necessidade de identificar o perfil de seus públicos por parte das instituições culturais, bem como a mediação eficaz entre públicos e conteúdos programáticos, o presente artigo apresenta os dados da pesquisa realizada sobre hábitos culturais do público frequentador do Sesc São José dos Campos.
Palavras-Chave: Públicos da Cultura; Gestão Cultural; Hábitos Culturais; Sesc
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Por Elisa Selvo Chaves
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo apresentar a estratégia do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Bertioga no processo participativo da elaboração do Plano Municipal de Cultura, por meio da mobilização da sociedade civil para o entendimento da importância de seu protagonismo no resultado final, analisando aspectos relevantes da situação atual e propondo o Diagnóstico Rápido Participativo como ferramenta de escuta pública.
A publicação do Ministério da Cultura, “Como fazer um Plano de Cultura”, versão 2013, advoga a sistemática participativa para a elaboração de planos de cultura envolvendo a prefeitura, a câmara municipal e a sociedade, de forma a priorizar a compreensão do que o cidadão espera do plano. Em sua visão geral do processo de criação do plano de cultura, este estudo incentiva a convidar o município para o debate e sugere, em seu roteiro, que a cidade seja caracterizada por meio de seus diferentes aspectos. Considerando que no planejamento é preciso muito mais do que percepções, a qualidade do diagnóstico é resultado dos dados disponíveis de forma organizada e lógica. A metodologia do Diagnóstico Rápido Participativo mostrou-se eficiente e prática para que se apreendesse a percepção dos diagnosticados proporcionando uma avaliação sistêmica suficientemente abrangente.
Palavras-chave: Bertioga; Cultura; Plano Municipal de Políticas Culturais; Diagnóstico Rápido Participativo.
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Por José Rodrigo das Neves Gerace
RESUMO
Este trabalho pretende levantar histórico da gestão de cinema no Sesc São Paulo, a fim de identificar o pensamento institucional sobre a linguagem em diversos contextos e estratégias programáticas. Traçar esse panorama é relevante, pois fornece indícios sobre as mudanças estruturais da instituição e do pensamento crítico construído sobre o que é cinema em diferentes frentes de difusão e mediação cinematográfica.
Palavra-chave: Gestão cultural; Cinema, Sesc São Paulo; Memória; História.
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Por Juliana Piesco
RESUMO
Diante do aumento do papel da internet no cotidiano dos jovens brasileiros, resultante da popularização da banda larga no Brasil e do aumento exponencial no número de celulares que permitem o acesso à internet, resta saber qual o real impacto dessa nova mídia sobre os hábitos culturais, e de que forma produtores culturais e artistas podem utilizar-se dela. O presente artigo explora esses pontos, analisando o status atual do uso de ferramentas digitais, sobretudo de websites e perfis em redes sociais, no cenário cultural brasileiro, bem como o impacto gerado pelos sites e blogs relacionados à cultura no país.
Palavras-chave: Internet; Hábitos culturais; Acesso à cultura; Jornalismo cultural.
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Por Emiliana Pinheiro Rodrigues e Marco Aurélio Ribeiro da Costa
RESUMO
O objetivo deste estudo foi o de compreender a dinâmica, o comportamento e os hábitos do público frequentador do cinema de arte/autoral na cidade de São Paulo, com o intuito de identificar a existência de um circuito desse tipo de programa. Para esta análise, optou-se por pesquisar o público de um cinema específico, o CineSesc, traçando seu perfil em relação ao consumo de filmes e seus trajetos pela região do cinema.
Palavras-chave: Práticas culturais; Comportamento de consumo de filmes; Circuito de cinema autoral; Economia do cinema.
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Por Zina Filler
RESUMO
Este estudo teve como objetivo a experiência da dança contemporânea para além do binômio artista/público. A questão “Quem são esses públicos?” gerou uma pesquisa para que se pensasse nos processos de mediação como um espessamento da experiência artística – fonte de diálogos onde novos sentidos possam surgir para todos os envolvidos.
Palavras-chave: Mediação; Dança contemporânea; Públicos.
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Artigos
Por Fernando Iazzetta
RESUMO
Nas últimas décadas o som adquiriu uma importância sem precedentes nas artes e na cultura em geral. O surgimento da fonografia, as mudanças nas paisagens sonoras urbanas, o constante emprego de materiais acústicos em produtos e serviços e a incorporação de elementos sonoros em diversas formas artísticas são alguns dos aspectos que indicam a transformação recente do papel exercido pelo som na vida das pessoas. Novas tecnologias de registro, produção e difusão sonora modificaram nossos sentidos e o modo como nos relacionamos com o fenômeno acústico. Essas mudanças são essenciais para a configuração da produção das artes do som, em especial a música, na contemporaneidade. Este texto explora este cenário abordando questões históricas, estéticas e culturais que transformaram a percepção acústica do mundo que nos rodeia.
Palavras-chave: estudos do som, música, sonolgia, culturas sonoras.
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Por Liv Sovik
RESUMO
Quem era Stuart Hall? Quais são os problemas aos quais se dedicou? Este ensaio interpretativo de Hall, baseado na leitura de uma ampla gama de seus trabalhos, começa com uma biografia intelectual de Hall que contextualiza sua obra em algumas das grandes transformações da segunda metade do século 20, a descolonização, o descrédito do comunismo, a criação de sociedades multiétnicas nos centros de poder europeus, o boom da cultura de massa, sobretudo da produção de imagens. Ainda focaliza a forma em que Hall entende o trabalho teórico; um exemplo de “estudo cultural” envolvendo sociologia, história, estudos de mídia e de identidade; e a maneira em que o conceito de diáspora permitiu que Hall pensasse junto teorias de identidade e de produção cultural. O artigo termina com algumas questões de método que podem interessar a quem quer aprender com Hall.
Palavras-chave: Stuart Hall; estudos culturais; identidades.
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Por Luiz Roncari
O episódio do Grande Sertão: Veredas que se passa na chamada “Fazenda dos Tucanos”, do meu ponto de vista, inicia de fato a segunda parte do romance, a épica. É quando se torna mais intenso o seu tempo de guerras e põe em cheque a formação do herói. Ele toma consciência de que precisa se superar, o que o acabará levando para a tentativa do Pacto. Isto acontece depois da morte de Joca Ramiro. O grupo de jagunços ao qual pertenciam Riobaldo e Diadorim, depois de passarem a ser comandados por Zé Bebelo, se estabelece numa Casa-Grande recém-abandonada, onde são encurralados pelo bando do Hermógenes e Ricardão. De perseguidores em busca da vingança da morte do antigo chefe, Joca Ramiro, eles são sitiados pelos seus executores. É um dos momentos mais agudos do livro, que culmina com a matança dos cavalos – ato aparentemente gratuito, mas de extrema crueldade, que talvez só sirva para revelar o grau de ferocidade dos opositores. Os embates entre os bandos mostram como será renhida a luta entre eles e a quantas o de Riobaldo e Diadorim terá que passar para realizar o seu intento de vingança. Isto compõe a camada épica da narrativa, a mais visível. No entanto, subterraneamente, desenvolve-se uma outra trama, agora dramática, como uma sub-história, porém como o seu núcleo mais efetivo: o embate entre Riobaldo e Zé Bebelo. É nesse embate que se coloca para o herói a questão incontornável do Poder e da Chefia, quando o herói toma consciência de que não poderá mais ficar alheio a eles.
Palavras-chaves: O épico e o dramático num episódio do Grande Sertão: Veredas; A questão do poder e da ética num episódio do Grande Sertão: Veredas; Os desafios ao herói no Grande Sertão: Veredas; As camadas narrativas num episódio do Grande Sertão: Veredas
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Resenha
Por Heitor Frúgoli Jr.
Resenha de: RUI, Taniele. Nas tramas do crack: etnografia da abjeção. São Paulo: Terceiro Nome (Coleção Antropologia Hoje).
Os conflitos sociais ligados à pobreza, marginalidade e vulnerabilidade têm constituído forte tônica dos estudos urbanos que integram as ciências sociais brasileiras. Isso remonta a tudo o que já foi pesquisado sobre os favelados, num período em que tais lugares, cada vez mais heterogêneos, têm sido submetidos, no contexto carioca, a crescentes intervenções de distintas ordens – urbanização, regularização e maior controle através das UPPs – enquanto em São Paulo se registra uma forte ocupação de sua área de mananciais (Valladares, 2005; Machado da Silva, 2008; Mello et al., 2012; Pasternak, 2013).
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Ficção
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