Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 07

01/11/2018

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Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 07 – Dossiê: Mapeamento e gestão participativa para a cultura

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo

PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman

DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda

SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli

GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira 
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães

EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli

REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORES Claudinéli Moreira Ramos, Dalton Lopes Martins e Daniela Ribas Ghezzi
REVISÃO Tatiane Ivo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Magno Studio e Walter Cruz


Apresentação

Aos Leitores

Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo

As novas formas de sociabilidade em rede e as diferentes práticas de participação social têm produzido efeitos de maneira transversal em diversas áreas do conhecimento e nos principais fenômenos sociais e tecnológicos que temos observado no início do século XXI. A cultura, em sua diversidade polissêmica, não apenas reverbera esses efeitos na formulação de suas práticas como também os potencializa pela diversidade de linguagens, formas de atuação e modos de intervenção social. Articular conhecimentos e formular questões a partir desse cenário se torna um enorme desafio, dada a necessidade da combinação de diferentes áreas do conhecimento e da intrínseca interdisciplinaridade que se torna requisito do processo.

As práticas da gestão cultural precisam também ser pensadas a partir dessas perspectivas, onde novos fenômenos em rede não apenas produzem tipos de sociabilidade que ainda carecem de estudos na perspectiva cultural, mas também originam dados e fontes de informação que influenciam de maneira significativa a produção de novas formas de mapeamento cultural e possibilidades de atuação coletiva e de gestão participativa.

As tecnologias de informação e comunicação (que favorecem o sistema produtivo da cultura e o consumo cultural), o surgimento de novos atores e as transformações de suas participações na formulação de políticas culturais, a ampliação do acesso a informações para a elaboração de políticas públicas e a transparência nos processos de gestão são algumas das inovações que estimulam a conversão do papel do indivíduo, de espectador consumidor da cultura para participante ativo na gestão da cultura.

(…)

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Dossiê: Mapeamento e gestão participativa para a cultura

Sociedade civil e gestão da cultura: relevância e meios para a participação

Por Tatiani Távora

RESUMO
Este artigo nasce da carência no entendimento das motivações que levam a sociedade civil, organizada ou não, a envolver-se de forma ativa no campo da gestão participativa da cultura. O texto visa construir ou desconstruir as motivações que aproximam ou distanciam as pessoas desse lugar de interferência na gestão da cultura e da identidade do corpo social. A matéria busca levantar métodos e práticas que possibilitem odistanciamento da sociedade civil do lugar de “apenas” consumidor da cultura, métodos esses que possibilitem traçar um caminho de investigação que possa vislumbrar meios pelos quais a população participe de maneira ainda mais significativa da gestão da cultura – ou ao menos que possam aproximá-la do interesse de como pode se dar o funcionamento da gestão participativa. Esta pesquisa diverge da ideia de que o lugar da sociedade civil seja apenas de espectador que outorgou a outras pessoas, especialistas com seu habitus2 diferente do habitus que a maioria de nossa sociedade tem, o poderio sobre as decisões de gestão da cultura.

Palavras-chave: Gestão. Cultura. Participação. Gestão.

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Painel mapas culturais: uma experiência de análise de dados

Por Thaís Rigolon e Caroline Mazzonetto e Heloísa Mubarack, Ana Cláudia

RESUMO
Mapas Culturais é uma plataforma desenvolvida em software livre para apoiar a gestão pública no mapeamento colaborativo da cultura. Criada em 2013 pelo Instituto TIM em parceria com gestores, produtores culturais e desenvolvedores, ela facilita a coleta de dados, possibilitando que não só gestores, mas também a sociedade civil possam publicar suas programações e informações. Mapas Culturais está em operação em diversos estados e municípios brasileiros e, inclusive, em outros países. No entanto, os dados da plataforma ainda não foram objeto de análises que resultassem em uma verdadeira contribuição para a gestão cultural em longo prazo. Este artigo mostra o resultado da primeira experiência de extração, análise e apresentaçã dos dados das plataformas Mapas Culturais, enaltecendo a importância não só da coleta de informações, mas, principalmente, da análise de dados fundamentais para compreender a dinâmica cultural dos territórios e sustentar a elaboração de políticas públicas.

Palavras-chave: Mapas Culturais. Painel de dados. Indicadores culturais. Gestão cultural. Mapeamento colaborativo.

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Construção participativa de indicadores culturais: o caso do consórcio do grande ABC

Por Ana Mesquita

RESUMO
O presente artigo tem por objetivo olhar para a construção participativa de indicadores culturais a partir do estudo de um caso de âmbito regional, no caso a região do ABC Paulista. Para isso, será realizada uma revisão bibliográfica sobre indicadores sociais – particularmente os estudos de Paulo Januzzi sobre o tema – e sobre a sobre a construção de indicadores culturais de indicadores culturais, tema que possui uma contribuição relevante para a produção intelectual sobre cultura no Brasil. Um dos elementos a serem incorporados pelo presente artigo é o processo participativo, de gestores e sociedade civil, na construção do escopo desses indicadores.

Palavras-chave: Indicadores culturais. Participação. Sociedade civil. Avaliação. Política cultural

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As práticas da cultura digital

Por Dalton Lopes Martins

RESUMO
Este artigo aborda a cultura digital como sendo esta um conjunto de práticas sociais que são singulares do espaço digital. O texto apresenta as principais características dessas práticas sociais, procurando dar ênfase nas suas regularidades e nas formas de observação de suas manifestações. Identifica, ainda, as práticas informacionais, comunicacionais, relacionais e curatoriais. Por fim, é problematizada a necessidade de análise posterior das condições sociais em que acontecem essas práticas, levando em conta as especificidades dos casos, para que se possa observar as diferenças das estratégias de socialização.

Palavras-chave: Cultura Digital. Práticas sociais. Algoritmos.

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Informações culturais no Estado de São Paulo: a Matriz Parametrizada de Ações Culturais – MaPA

Por Liliana Sousa e Silva

RESUMO
Este artigo aborda alguns aspectos do processo de construção da Matriz Parametrizada de Ações Culturais (MaPA), instrumento elaborado pela Unidade de Monitoramento da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo para parametrização e classificação de ações executadas por meio dos Contratos de Gestão firmados com Organizações Sociais de Cultura (OS) e que serve de base conceitual para a implantação do Sistema de Monitoramento e Avaliação da Cultura (SMAC). Além de criar parâmetros para coleta, registro e análise das informações inseridas no SMAC, a MaPA traz um vocabulário convergente para a definição de termos utilizados na categorização das informações, permitindo leituras transversais entre as diversas ações finalísticas da Pasta.

Palavras-chave: Política Cultural. Informação. Monitoramento. Avaliação. Cultura.

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Práticas culturais on-line e plataformas digitais: desafios para a diversidade cultural na internet

Por Luciana Piazzon Barbosa Lima

RESUMO
As tecnologias de informação e comunicação (TIC) expandiram em grande medida as possibilidades de criação, produção, disseminação e consumo de bens culturais, apontando para a descentralização e democratização do campo cultural. A concentração das práticas culturais on-line em poucas plataformas digitais, no entanto, parece restringir esse potencial. Resultados da pesquisa TIC Cultura, conduzida pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), mostram que o acesso a bens culturais na Internet por parte da população brasileira, em diversos segmentos etários e socioeconômicos, está muito associado às grandes plataformas digitais que disponibilizam conteúdo – em especial Youtube, Netflix e Spotify. O artigo busca discutir de que forma a governança e o funcionamento dessas plataformas impõe limites à diversidade cultural no ambiente digital, tendo em vista promover uma agenda de políticas públicas que permita enfrentar esse cenário.

Palavras-chave: Práticas culturais. Tecnologias de informação e comunicação (TIC). Plataformas digitais. Diversidade cultural. Políticas culturais.

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Outras redes: desafios para uma interação efetiva entre artistas, públicos e instituições por meio de plataformas digitais participativas

Por Mariana Barbosa Pimentel

RESUMO
Neste artigo, serão compartilhados os desafios enfrentados na implementação de um mapa cultural colaborativo no Sesc, cuja formulação tem como base as experimentações vividas no Diálogos em Produção Cultural, curso realizado e coordenado pelo Departamento Nacional do Sesc em parceria com a Caleidoscópio Cultural. Tal curso envolve profissionais de Cultura do Sesc de todo o País, tendo forte adesão dos que estão situados nas unidades do interior. Tal fato evidencia o fortalecimento de outros eixos e o deslocamento de linhas imaginárias que propõem uma maior horizontalidade na gestão. Por meio de uma abordagem crítica de como o trabalho em rede se desenha na instituição, o artigo reflete sobre a adoção de estratégias que proporcionem maior transparência nos processos de gestão e comunicação do Sesc com artistas, parceiros, públicos e comunidade em geral. Outro objetivo deste texto é tecer reflexões sobre como um projeto formativo pode estruturar ações para atingir objetivos almejados pela instituição e seu corpo técnico e que poderão favorecer o sistema produtivo da cultura como um todo.

Palavras-chave: Redes. Mapeamento cultural. Colaboração. Gestão. Plataformas digitais.

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Parâmetros comuns para avaliação orçamentária e financeira na área cultural: plano orçamentário das organizações sociais de cultura

Por Marianna Percinio M. Bomfim

RESUMO
Este artigo apresenta um histórico da criação do plano orçamentário desenvolvido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, em parceria com as Organizações Sociais de Cultura, e abrigado no Sistema de Monitoramento e Avaliação da Cultura. Tal plano será disponibilizado também no Portal da Transparência. O plano evidencia o esforço de parametrização dos aspectos orçamentários, financeiros e contábeis dos contratos de gestão e pode ser considerado um projeto inovador, tendo em conta a dificuldade de acesso às informações orçamentárias e financeiras dos órgãos públicos.

Palavras-chave: Cultura. Organizações Sociais. Plano Orçamentário. Orçamento público. Política pública.

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Pluralismo institucional ou arranjos sobrepostos? Preâmbulo para uma taxonomia das instituições culturais brasileiras

Por Sérgio Martins da Cruz

RESUMO
Quais são as institucionalidades proeminentes no campo cultural brasileiro, de que contextos emergiram e a que desafios ou expectativas vieram responder? Em conjunto, dispostas no aparelho estatal, esparsamente na sociedade civil ou nas sutis fronteiras entre ambos, configuram um pluralismo em que os papéis atribuídos e historicamente desenvolvidos são complementares, ou, de maneira indesejável e sem a racionalização adequada, apresentam sobreposições, pouca ou nenhuma clareza quanto aos seus lugares imaginados (se é que foram) pelas diretrizes das políticas culturais? Certamente, o desafio de se produzir uma taxonomia para o campo cultural com profundo detalhamento e com a qual se distinga entre outros aspectos os regimes jurídicos vigentes não se viabiliza individualmente e na extensão de um artigo, todavia, julgamos imprescindível realizar a provocação e, assim, quem sabe despertar maior interesse para o necessário debate.

Palavras-chave: Arranjos institucionais. Sistema Nacional de Cultura. Políticas Culturais.

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A construção de bancos de dados inclusivos: potencialidades e dificuldades

Por Kaian Nóbrega Maryssael Ciasca

RESUMO
Neste ensaio, em caráter preliminar, será analisado um levantamento de material teórico para a criação de bancos de dados inclusivos que possam servir de material de embasamento, sobre as práticas culturais de uma população, no momento de se propor uma política pública para o setor cultural. A reflexão se constrói aproximando o conceito de geração cidadã de dados, que leva em conta o engajamento dos indivíduos sobre os quais os dados são gerados, e a análise de redes sociais, vislumbrando suas dificuldades, mas também examinando tais plataformas utilizando como ponto inicial de análise seu potencial de observação dos rastros e pontos de vista de determinadas populações. Esse potencial, devido a seu cada vez maior alcance, pode fornecer valioso material complementar acerca das práticas culturais e opiniões sobre determinadas ocorrências.

Palavras-chave: Bancos de dados. Práticas culturais. Geração cidadã de dados. Análise perspectivista de redes. Análises culturais.

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Inteligência Artificial e Big Data na Gestão Cultural

Por Leonardo Germani

RESUMO
O uso de inteligência artificial e a capacidade de se processar e analisar volumes imensos de dados, a tendência chamada “Big Data”, parece cada vezmais próxima da nossa realidade cotidiana, deixando os filmes futuristas de ficção científica menos surpreendentes. De carros autônomos a robôs que ajudam no diagnóstico de doenças, começamos a conhecer experiências concretas e a discutir as implicações do uso dessas tecnologias em nosso dia a dia. Este artigo analisa a aplicação da inteligência artificial ao campo da gestão cultural, avaliando casos concretos e seus impactos positivos e negativos. Ainda, avaliam-se algumas possíveis oportunidades e, claro, riscos tal como o esvaziamento de competência das instituições enquanto se terceiriza trabalho intelectual para serviços externos. O texto aponta, por fim, pontos de atenção na aplicação da automação no campo da cultura e das instituições culturais.

Palavras-chave: Inteligência artificial. Big Data. Gestão Cultural.

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Cultura e informação no mundo real (ou como sonhar rumos coletivos de um mundo sem mais sonhos coletivos?)

Por Claudinéli Moreira Ramos

RESUMO
Este artigo aborda a crise das utopias coletivas que situaram na religião, ideologia, ciência, educação, economia e, mais recentemente, na tecnologia e na cultura, as esperanças de redenção e felicidade da humanidade. Sem negar o poder da cultura, essa reflexão destaca seus limites como “salvadora” e aponta seu potencial para fomentar transformações que impulsionem o futuro em direção a um melhor convívio entre pessoas e sociedades. Ressalta, ainda, a necessidade de se repensar os papéis do Estado, da iniciativa privada e da sociedade civil em relação às políticas culturais e assinala a importância de se aprender a fazer política cultural nesse novo cenário em que o virtual é tão real e presente quanto o mundo físico que a humanidade, desde a sua origem, experimenta. Ao final, esse texto procura demonstrar como, para além de assimilar o uso cotidiano de hardwares e softwares, esse aprendizado requer incluir no planejamento das iniciativas culturais, de forma estratégica, as ciências da informação.

Palavras-chave: Cultura. Informação. Arquivologia.

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Artigos

Falsificação e o dogma da autenticidade

Por Marlon J. A. dos Anjos

RESUMO
A autenticidade pode ser entendida como um valor cujas raízes remontam ao Cristianismo e suas relíquias. Essa relação com o Cristianismo transformou a autenticidade em um dogma que dominou a literatura com aspectos legalistas e impôs um estigma ao falso, sustentando uma inquisição que culminou na busca pela destruição de obras fraudulentas. Esse panorama mudou. A arte e a falsificação guardam estreita relação, e a tendência atual é a exibição de obras falsificadas, o que demonstra a superação do valor da autenticidade.

Palavras-chave: Arte. Falsificação. Autenticidade.

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A Revolução Russa e a criação das políticas culturais

Por Antonio Albino Canelas Rubim

RESUMO
Este texto, elaborado pouco depois do centenário da Revolução Russa (2017), busca analisar os enlaces entre política e cultura nesse momento singular da história. As relações entre cultura, Rússia e revolução, além das mutações das posições do Estado e do partido, permitem formular a hipótese de que a inauguração das políticas culturais no mundo ocidental ocorreu no período revolucionário soviético. A tese de que muitas das atitudes, institucionalidades e temáticas imanentes às políticas culturais se inauguraram naquele processo, entretanto, não torna possível afirmar o nascimento das políticas culturais devido aos retrocessos impostos pela instrumentalização da cultura pela política que ocorre, em especial, com a ascensão de Stálin. Para que tais inaugurações permitissem o surgimento das políticas culturais seria preciso que as inovações se articulassem, se desenvolvessem e se consolidassem, o que não ocorreu devido ao retrocesso stalinista.

Palavras-chave: Políticas culturais. Revolução Russa. Conceito de políticas culturais. História das políticas culturais. Estado e cultura.

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Arte Mágica: a filha bastarda da modernidade

Por Ricardo Harada

RESUMO
O presente artigo discute a influência decisiva de alguns traços da modernidade na formação da arte mágica moderna. A nova cosmovisão e o espírito da modernidade, em plena expansão no século XVIII , influenciaram de modo decisivo o surgimento da arte mágica contemporânea em sua forma plena, em meados do século XIX. O objetivo é mostrar que os fundamentos artísticos e o imaginário do qual a arte mágica se alimenta expressam os valores e o espírito da modernidade, bem como seus aspectos
ocultos e marginais, mascarados pelo discurso oficial de seus porta-vozes, eminentemente céticos e racionalistas.

Palavras-chave: Mágica. Ilusionismo. Modernidade.

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Práticas infocomunicacionais e mediações na cultura da convergência

Por Marco Antônio de Almeida

RESUMO
Muitos saberes e informações circulam de formas descentradas pelo mundo contemporâneo, passando ao largo das instituições legitimadoras do conhecimento, nos espaços dos meios de comunicação e da internet. Por meio de uma breve revisão teórica, analisamos processos em curso no mundo das Histórias em Quadrinhos, para tentar compreender alguns traços das práticas culturais dos sujeitos, cada vez mais mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Entendemos que essas práticas constituem mediações que incorporam uma atuação dinâmica nas diversas esferas que compõem seus contextos, movendo-se nas dimensões delimitadas por alguns pares de oposição: institucional/não institucional, presencial/virtual, tradicional/ inovador. Essas mediações traduzem uma dinâmica e um conjunto de práticas culturais de produção e transmissão de informações que põem em questão os parâmetros tradicionais de legitimidade e territorialidade.

Palavras-chave: Práticas Culturais. Tecnologias de Informação e Comunicação. Mediações. Interação. Histórias em Quadrinhos.

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Questões contemporâneas do patrimônio cultural

Por Sabrina Fontenele e Silvio Oksman

Este artigo elenca uma série de temas relacionados ao patrimônio cultural na cidade contemporânea. Parte-se da compreensão de que o campo do patrimônio cultural foi ampliado, aliando questões como as relacionadas às manifestações artísticas e práticas culturais dos mais diversos grupos até chegar à discussão sobre lugares de memórias e consciência. Apresentando e analisando exemplos recentes, defende-se aqui a ideia de que o patrimônio está inserido no campo de disputa social e urbano da cidade contemporânea.

Palavras-chave: Patrimônio cultural. Memória. Urbanismo.

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Gestão Cultural

No coração de São Paulo, posso ser

Por Mariane Blotta Abakerli Baptista

RESUMO
Este texto pretende desvelar alguns processos descoloniais que ocorrem em práticas de mediação realizadas em três espaços culturais de São Paulo, a fim de buscarmos nesses exemplos formas críticas da cultura que nos ajudem a pensar em estratégias oposicionais dentro dos sistemas nos quais atuamos, seja como professores, ou mediadores, seja executando qualquer outra atividade que possa ser colonizadora. Tendo em conta que esta pesquisa busca abordar ações descoloniais, acredita-se que o seu processo não pode ter uma voz autoritária. Para isso, pretende-se elaborar um texto polifônico, estruturado por meio do cruzamento de teorias póscoloniais e dos relatos dos responsáveis dos locais que foram investigados.

Palavras-chave: Mediação cultural. Pós-colonialismo. Identidade. Rede de relações.

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Para além da capital – análise da influência do edital PROAC território das artes no interior do Estado de São Paulo

Por Ademir Apparício Júnior, Andreia Mingroni Besteiro, Bianca Soares Dorini, Cassiane Tomilhero Frias e Marcos Tadeu Camargo da Silva

RESUMO
Esse artigo pretende investigar a existência de características de Políticas Públicas de Cultura que dialoguem mais diretamente com os modos de produção cultural das cidades do interior do Estado de São Paulo. O recorte escolhido para referenciar o processo de pesquisa foi o Edital Território das Artes do Programa de Ação Cultural (ProAC). Na possibilidade de existirem as tais características, busca-se identificar quais são e de que forma as Políticas Públicas de Cultura influenciam e/ou são influenciadas por modos específicos de atuação no interior. Assim, a tentativa aqui é, mediante o processo de investigação e identificação, apontar diretrizes para novos desenhos de Políticas Públicas que favoreçam a criação, produção, difusão e circulação de bens culturais do interior do Estado de São Paulo e também de todo o País.

Palavras-chave: Políticas Públicas. Cultura. ProAC. Edital.

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Educativos em trânsito: as concepções das empresas de ação educativa para as exposições do Sesc SP

Por João Carlos Doescher Fernandes

RESUMO
É em um emaranhado de indivíduos que se dá a complexidade do processo de mediar em Arte. Aqui, objetiva-se a aproximação de um dos nós dessa relação: as empresas de ação educativa e as exposições do Sesc SP. Assim, esta análise perpassa por concepções de mediação cultural que confluem nesse contato e, com isso, explicita os diferenciais, as contribuições, os desafios e, especificamente, os elementos possíveis do planejamento dessas colaborações que acabam ampliando as formações do processo expositivo. Utiliza-se como metodologia a revisão das literaturas que tratam da experiência artística e da mediação e um estudo de caso qualitativo de natureza descritiva elaborado por meio de coleta de dados, questionário e observação assistemática das empresas. Para tanto, são consideradas as seguintes empresas que atuaram nas mediações de exposição no Sesc SP no ano de 2017: Acontemporânea Cultural, Arteducação Produções, Colchete Projetos Culturais, Dialogum Projetos Culturais, Verde Oliva Projetos Culturais e Zebra 5.

Palavras-chave: Ação Educativa. Exposição de Arte. Mediação Cultural.

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Entrevista

Entrevista José Murilo Costa Carvalho Junior

CPF: Como o Ministério da Cultura (MinC) estava entendendo lendo as mudanças culturais na sociedade brasileira antes da criação da área de Cultura Digital no ministério?

José Murilo: A entrada de Gilberto Gil no MinC, em 2003, trouxe uma atenção especial ao que estava ocorrendo no mundo por causa da Internet, e não por acaso. A música “Pela Internet” (“Criar minha homepage, fazer meu website…”) foi lançada em 1998 e ilustra a sensibilidade do artista com o potencial da rede e sua percepção a respeito do impacto do digital no campo da cultura. A atuação inovadora de Gil no tema digital no MinC começou, da mesma forma, com a construção, em 2003, de uma homepage: um website institucional em formato de blog que incorporou de maneira radical a interatividade promovida pela nascente web 2.0. O foco desde o início da gestão nessas possibilidades de participação digital veio mais tarde a consolidar um impulso consistente às iniciativas de construção colaborativa de políticas públicas. Em outra dimensão, vale destacar desde já outro elemento marcante do início da gestão Gil: a incorporação das licenças Creative Commons (2004) como estratégia para lidar com a explosão de compartilhamento de conteúdos na Internet. Essa importante decisão de Gil posicionou o MinC em campo oposto à boa parte dos representantes da indústria cultural e editorial, nos temas relacionados à propriedade intelectual, e determinou o contexto de alguns dos embates políticos mais significativos de sua gestão. Por sua vez, o desenvolvimento, em 2004, do projeto Pontos de Cultura logrou concatenar estes elementos – (1) abertura à participação via rede e (2) a visão alternativa ao direito autoral que determina “todos os direitos reservados” – à (3) aposta no software livre como estratégia tecnológica básica de implementação de políticas. Buscava-se aproveitar o potencial do cenário de convergência digital e a produção colaborativa em rede com base em códigos abertos e, assim, promover o acesso ao uso da tecnologia, bem como a sua manutenção e compreensão, e à manipulação de sua linguagem de software e hardware.

(…)

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Resenha

As permanências da morte

Por Juliana Schmitt

Resenha do livro: GODELIER, Maurice (Org.). Sobre a morte: invariantes culturais e práticas sociais. Trad. Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. São Paulo: Edições Sesc, 2017.

A morte pertence aos vivos. Aos que se vão, há a imensidão ou o vazio – nunca saberemos ao certo. Aos que ficam, a complexa tarefa de tentar dar sentido à vida e ao seu fim. Sobre a morte: invariantes culturais e práticas sociais, das Edições Sesc, publicado em 2017 (tradução de La mort et ses au-delà, de 2014), é um belo compilado de algumas dessas tentativas, em diferentes culturas e épocas da trajetória humana. A organização e a “Introdução” da obra são do antropólogo francês Maurice Godelier, que também é responsável por um dos 14 capítulos que compõem o livro. (…)

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Ficção

A nossa ciência

Por Antônio Xerxenesky

Nós estamos celebrando a tecnologia, meu chefe me disse, a tecnologia americana, a tecnologia pioneira, meu chefe insistiu, e não há nada mais lógico, portanto, do que usar a tecnologia para destacar ela mesma. Era um discurso vazio; todos os discursos do meu chefe eram vazios; ele usava aquele truque que todo mundo que quer se sentir inteligente em uma discussão pública usa com frequência, isto é: com base em um caso absolutamente ordinário fazer uma extrapolação e refletir ingenuamente sobre as leis misteriosas que regem nosso universo. (…)

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Narrativas Visuais

(In)visibildades Urbanas

Por Alexandre Urch

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