

Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 04 – Dossiê: Culturas Híbridas
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ADJUNTO Mauricio Trindade da Silva
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães
ADJUNTO Karina Musumeci
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
COORDENADORA DE PROGRAMAÇÃO Rosana Elisa Catelli
COORDENADORA DA CENTRAL DE ATENDIMENTO Carla Ferreira
COORDENADOR ADMINISTRATIVO Renato Costa
COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO Rafael Peixoto
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADOR Danilo Cymrot
REVISÃO Tatiane Ivo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
ILUSTRAÇÃO DE FICÇÃO Jonas Meirelles
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Magno Studio
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
Em um mundo em que nacionalismos são revividos e se reforçam identidades e fronteiras – físicas e simbólicas – como resposta à insegurança ontológica advinda do cosmopolitismo e da globalização, o tema do hibridismo cultural ganha relevo. Ainda que se reconheçam as desigualdades de poder econômico, social e político e, por consequência, a disparidade das capacidades de grupos influenciarem outros culturalmente, os intercâmbios culturais, alguns vistos como bastante improváveis, ocorrem, com frequência, dando ensejo a manifestações culturais que enriquecem nosso repertório.
Muito do que se convencionou chamar de cultura erudita, cultura popular e cultura de massa, e a própria distinção entre esses termos, é ideológico. As instâncias legitimadoras, como a crítica, a imprensa, a academia e os próprios artistas, convencionam, segundo seus interesses, os padrões de bom gosto e de respeitabilidade no campo cultural. Desta forma, e durante muito tempo, a dita cultura erudita, produzida e veiculada em determinados espaços institucionalizados como academias de arte, museus e teatros, foi vista como a “verdadeira” cultura, de bom gosto, hierarquicamente superior a uma cultura popular vista como vulgar, rudimentar e simplória, quando não criminalizada, em uma visão elitista e muitas vezes eurocêntrica.
Em determinados momentos políticos, porém, seja na formação e independênciade Estados nacionais, seja em revoluções, seja em ditaduras, a cultura popular foi valorizada pelo Estado para reforçar o nacionalismo, legitimar regimes e abafar conflitos sociais. Ao mesmo tempo, a cultura popular é também invocada como resistência a um suposto imperialismo cultural estrangeiro visto como pernicioso.
(…)
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Dossiê: Culturas Híbridas
Por Walter de Sousa Junior
RESUMO
O hibridismo cultural envolvido no processo cultural brasileiro foi determinante na constituição de boa parte de suas matrizes culturais. A influência mútua entre elementos da cultura erudita, da cultura popular e a cultura de massa nos legou expressões artísticas que não comportam rótulos definidores nem julgamentos que as tornem isoladas. Este artigo se dedica a analisar os principais suportes teóricos sobre esse processo, além de se deter em quatro matrizes culturais brasileiras: música, dramaturgia, narrativas populares e humor. Trata-se ainda de um resumo das atividades e discussões realizadas durante os encontros do Grupo de Pesquisa sobre Culturas Híbridas do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc.
Palavras-chave: hibridismo cultural, cultura brasileira, cultura popular, cultura de massa
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Por Milton Fábio Baungartner
Este artigo se destina a analisar a origem e aplicação do termo “Velha Guarda”, utilizado genericamente para nominar, de forma ampla, um largo período temporal da história da Música Popular Brasileira urbana, desde seus primórdios em saraus do fim do século XIX até o advento da Bossa Nova. O termo chega aos nossos dias sob a aura da tradição e da pureza nacionalista, onde pontificam as orquestrações de Pixinguinha, símbolos fonográficos do período, e Almirante, pioneiro na divulgação, pelo Rádio, daquilo que considerava autêntico em música popular. As engrenagens da indústria cultural, no entanto, exigiam para seu funcionamento e subsistência um hibridismo e padronização do produto entregue ao público. As circunstâncias em que essa produção ocorreu são um convite para que lancemos um novo olhar, livre de limites nostálgicos, sobre esse importante período da música popular brasileira.
Palavras-chave: Velha Guarda, MPB, disco, Pixinguinha, Almirante.
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Por Arlete Fonseca de Andrade
RESUMO
Este artigo pretende abordar concepções históricas e culturais do riso, patrimônio da humanidade, da cultura popular, da hibridação e da contribuição dos periódicos publicados entre os anos de 1910 e 1920, com destaque para as revistas O Sacy, fundada por Cornélio Pires, e O Pirralho, fundada por Oswald de Andrade. O referencial teórico partirá do pensamento filosófico da antiguidade e dos estudos culturais contemporâneos.
Palavras-chave: riso, cultura popular, hibridação.
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Por Danilo Cymrot
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar o fenômeno da incorporação da canção rancheira mexicana na música caipira brasileira por duplas das décadas de 1950, 1960 e 1970; os fatores históricos, socioeconômicos, culturais e pessoais que podem ter contribuído para essa incorporação; a resistência por parte de artistas e jornalistas a essa incorporação e a visão de alguns dos cantores caipiras modernizadores sobre o que entendem por sertanejo raiz. Para tanto, foram consultados os acervos dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Folha da Manhã, Folha da Noite, Folha de S. Paulo e do site Recanto Caipira. Foram realizadas entrevistas com cantores caipiras/sertanejos da geração dos anos 1960 e 1970.
Palavras-chaves: música sertaneja, música rancheira, rádio, raiz
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Artigos
Por Jaime Ginzburg
RESUMO
Este artigo examina relações entre produções culturais e manifestações de violência, levando em conta o interesse, na indústria cultural, pelo apelo de consumo de imagens de destruição. Para isso, propõe uma reflexão sobre o prazer obtido com a contemplação de cenas violentas no cinema. Além disso, o artigo aborda acontecimentos políticos recentes, referentes à administração de Donald Trump nos Estados Unidos, a um projeto de lei de Jair Bolsonaro e a uma manifestação de Major Olímpio. Com esses horizontes, aponta para a afinidade entre o prazer diante da violência, como entretenimento, e o impacto social de posições políticas conservadoras.
Palavras-chave: Política; Cinema; Violência; Terrorismo; Entretenimento
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Por Mariana Aldrigui
RESUMO
Este artigo buscou consolidar as diferentes abordagens sobre o turismo urbano disponíveis em inglês, português e espanhol, com o objetivo de apresentar a evolução do conceito e a necessidade de compreensão do turismo urbano como atividade distinta do que se considera turismo convencional, especialmente por se tratar de uma atividade que se torna invisível quando analisada e comparada às demais atividades que acontecem em centros urbanos. A compreensão da atividade, sem a pretensão de delimitar seu alcance, mas sim mapear sua ocorrência e reconhecer sua importância social e econômica, é fundamental para o desenvolvimento de políticas e projetos que possam ampliar a geração de empregos e a distribuição de renda por meio da atividade turística em grandes cidades.
Palavras-chave: turismo urbano, cidades globais, São Paulo, políticas públicas, planejamento
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Por Antônio Pedro Tota
RESUMO
O artigo trata das relações estabelecidas entre os Estados Unidos e o Brasil ao longo da História, voltando-se, principalmente, ao período que compreende a primeira metade do século XX. O recorte da problemática se dá por meio do seguinte questionamento: será que a modernização – a grande bandeira levantada pelos norte-americanos naquele começo de século – pode ser entendida como sinônimo de americanização? Para responder a essa questão, realiza-se uma análise da história, da cultura, da política e da sociedade norte-americana, voltando-se aos autores brasileiros e aos autores norte-americanos que trataram da temática. Por essa via, o conceito de americanismo é explorado e relacionado com o de modernização, revelando como essas duas formulações se aproximam e se distanciam. O estudo da figura de Nelson Rockefeller e sua relação com o Brasil abre novos caminhos para se pensar a questão da modernização.
Palavras-chave: modernização, Estados Unidos, americanismo, Nelson Rockefeller
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Gestão Cultural
Por Carolina Borges Ferreira
RESUMO
Desde que passou a ser mediatizada tecnicamente, a música de concerto serviu de modelo para avaliar as conquistas da alta fidelidade acústica, tanto nas transmissões radiofônicas quanto na audição doméstica em aparelhos reprodutores. Após vários processos de mediação tecnológica pela escuta de discos e similares (LP, DVD, blu-ray etc.), o consumo de música de concerto estendeu-se aos meios virtuais: as transmissões em streaming oferecem ao público a música de concerto de uma maneira inédita, uma vez que não têm como ponto de referência o objeto material. O consumo da música de concerto nos mais variados formatos tecnológicos, até os dias de hoje, é o que será abordado neste breve artigo.
Palavras-chave: streaming, música clássica, spotify, recepção, públicos da cultura
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Por Denis Salzano da Silva e Paulo Henrique Vilela Arid
RESUMO
Em 2013, o Sesc São Paulo alcançou a marca de 2 milhões de comerciários matriculados. Grande parte desse contingente frequenta as atividades físico-esportivas da instituição, mas isso não se observa no que tange às atividades culturais. Apesar da grande visibilidade de sua programação na mídia, do intenso movimento e das enormes filas para compra de ingressos para peças de teatro e shows oferecidos pelo Sesc no estado de São Paulo, não há um aumento significativo do número de comerciários – público prioritário para o atendimento da instituição – que frequentam essas ações. Este artigo busca as possíveis causas dessa não participação, para, então, propor ações que possam reverter a baixa presença dos comerciários nessas atividades.
Palavras-chave: Sesc São Paulo, gestão cultural, comerciário
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Por Katia Gavranich Camargo
RESUMO
O presente trabalho visa resgatar a identidade cultural dos imigrantes croata-dálmatas, dos anos 1920, por meio do mapeamento afetivo do território que habitavam, os bairros paulistanos do Belenzinho e da Mooca. Com isso, pretende-se estudar a dinâmica da cidade, sob o olhar de uma comunidade numerosa e importante para São Paulo, cuja história permanece desconhecida.
Palavras-chave: memória, croatas, imigração, Belenzinho, Mooca
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Por Leandro Henrique da Silva Santos
RESUMO
Este material se dedica a um projeto de ação, cuja execução é pretendida no território do extremo da zona oeste da cidade de São Paulo, no Distrito Raposo Tavares. A essência do pensamento se concentra na base ideológica de Carlos Matus, ao tratar do Planejamento Estratégico como uma linha de pensamento em transformação (da Planificação Tradicional para Planificação Estratégica), cuja proposta de análise está concentrada na atuação de um coletivo de “agitação cultural”. O subsídio acadêmico, não será explorado em todo seu potencial neste momento, pois a maturidade do coletivo estudado ainda é um ponto em desenvolvimento, fator que dificulta o aprofundamento teórico e prático, todavia potencializa a continuidade da ação. O esforço se concentra então, em explorar o conteúdo, e “customizar” a teoria a favor de uma aplicação prática do Planejamento Estratégico, com foco no controle, e organização das ações culturais desenvolvidas pelo coletivo.
Palavras-chaves: Planejamento, Estratégia, Cultura, Território, Coletivos.
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Entrevista
CPF: Grande parte do público ainda se sente agredida pela arte contemporânea, ao ponto de se questionar se algumas obras de arte devem ser assim consideradas. Como lidar com essa questão?
Nuno Ramos: Eu não sei se concordo muito. Acho que nunca a arte contemporânea foi tão massiva quanto hoje. Quer dizer, a gente está tendo um evento que é a Bienal, onde alguma coisa em torno de um milhão de pessoas vai passar, são números impressionantes. Algumas exposições, como a daquele Ron Mueck… Eu acho que há um sentimento desse tipo que você descreve nesses eventos que tem muita coisa, Bienal em geral, que você tem cem artistas, setecentas obras. Dentro disso, é claro que talvez trinta por cento valha a pena. Não que a seleção do passado seja inteiramente justa, mas dos trezentos pintores impressionistas, a gente olha para doze, não é? Agora na arte contemporânea, você olha para os trezentos. Então diante de uma situação um pouco exaustiva, as pessoas dizem: “Eu não entendo nada”, mas eu não sei, eu acho que a arte é como a música, é como qualquer outra arte, ela bate ou não bate, mas acho também que obviamente não existe acesso a arte nenhuma sem alguma mediação, não é? O que a gente vive hoje é que as instâncias de mediação são extremamente prolixas, profícuas e impositivas
(…)
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Resenha
Por Francisco Humberto Cunha
Resenha do livro: BOTELHO, Isaura. Dimensões da Cultura: políticas culturais e seus desafios. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2016.
Desde o Renascimento, o mundo helênico fornece ao Ocidente os parâmetros de comportamentos e valores que guiam a civilização; nem todos os modelos, porém, se mantêm, dado o advento de compreensões mais inclusivas, que vão desde a ideia de democracia geral e irrestrita (sem a presença de escravos e com a consagração de direitos individuais), até o reconhecimento legal da igualdade de gênero, que a duras penas ainda tenta ganhar corpo na realidade.
Sobre este último aspecto, aliás, a situação de inferioridade da mulher entre os gregos não poderia ser retratada de maneira mais impactante do que na peça As Troianas, de Eurípedes, cujo enredo se baseia na distribuição que delas é feita, por sorteio, aos soldados vencedores, como espólio de guerra, cabendo aos líderes, antes dessa loteria, a escolha de princesas e rainhas, como Hécuba, Helena, Andrômaca, Polixena e Cassandra.
A específica situação de Cassandra veio-me à mente, por várias vezes, enquanto eu fazia a leitura do livro Dimensões da Cultura: políticas culturais e seus desafios, que será oportunamente descrito, porque, com essa associação de lembranças, é imperioso que eu forneça as premissas que evocam a presença da mencionada personagem mitológica na obra assinada por Isaura Botelho.
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Ficção
Por Mariana Carrara
Os visitantes de hoje têm mochilas amarelas e alturas muito variadas, não entendo como podem ter a mesma idade e tantos tamanhos, são inquietos e podem derrubar os frascos, apontam uma raposa empalhada e perguntam se é pré-histórica, não sei se estou pronta pra tudo isso, não já, talvez eu precisasse de mais um mês, pelo menos mais um mês. Esta é uma aranha, mas não, não é uma aranha qualquer.
Peço silêncio, não estão interessados na aranha porque é pequena, digo que essa aranha costuma aparecer embaixo do travesseiro das crianças que fazem barulho no museu. Tento rir, tento rir uma risada doce e ela não sai como eu esperava, sai como um complemento sinistro da minha ameaça. Todos me escutam e já não sei se tenho algo bom para narrar (…)
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