
Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 05 – Dossiê: Memória, Cidade e Museu: entre silêncios e mobilizações
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ADJUNTO Mauricio Trindade da Silva
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães
ADJUNTO Karina Musumeci
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
COORDENADORA DE PROGRAMAÇÃO Rosana Elisa Catelli
COORDENADORA DA CENTRAL DE ATENDIMENTO Carla Ferreira
COORDENADOR ADMINISTRATIVO Renato Costa
COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO Rafael Peixoto
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORES Eder Martins e Fernanda Alves Vargas
REVISÃO Tatiane Ivo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Magno Studio
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
Onde há destroços, vemos o brilho da purpurina
Claudia Wonder
Onde restou o homem sobreviveu semente, sonho a engravidar o tempo.
Mia Couto
Poetas narram histórias e testemunham o que muitas vezes não encontrou caminho pelos discursos oficiais, acadêmicos ou institucionais. Se Mia Couto evoca esperança num período pós-guerras em Moçambique, a artista Claudia Wonder aponta para uma resistência ativa e purpurinada frente às brutalidades cotidianas que vivem homens e mulheres transexuais e travestis, estas envolvendo estigmatização, discriminação, exclusão, violência e até morte.
Michael Pollak, ao apontar para os ditos e não ditos no campo da memória e da coletividade, lança olhar para as disputas neste campo, sendo ponto primordial para compreender as implicações do presente na narrativa do passado. Se toda memória pressupõe um esquecimento, decerto que é necessário nos questionarmos por onde emudecem nossas histórias, ultrapassando perspectivas coloniais unilaterais e prezando pela diversidade de vozes subalternizadas ou mesmo apagadas. Como reflete o historiador austríaco, são “memórias subterrâneas que prosseguem seu trabalho de subversão no silêncio”:
O problema que se coloca a longo prazo para as memórias clandestinas e inaudíveis é o de sua transmissão intacta até o dia em que elas possam aproveitar uma ocasião para invadir o espaço público e passar do “não-dito” à contestação e à reivindicação.
(…)
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Dossiê: Memória, Cidade e Museu: entre silêncios e mobilizações
Por Remom Matheus Bortolozzi
RESUMO
Entre o apagamento urbano da arte transformista paulistana e os retalhos de nossas produções culturais LGBT, este ensaio tem como escopo refletir sobre possíveis itinerários para tornar viva a memória comunitária dessas artistas e de suas obras, bem como de tornar nossos corpos presentes nas historiografias e geografias de São Paulo. Acabamos ao acaso nos deparando com a Boca do Lixo da cidade e optando pela via da produção pornográfica homoerótica brasileira do período de 1978 a 1990, devido à proximidade entre os registros. Neste percurso, desenhamos uma cartografia de boates e esbarramos em artistas, peças de teatro, divas, deboches, Samantha, Zurayo e Abelha, Patricio Bisso.
Palavras-chave: arte transformista, memória LGBT, cultura LGBT, São Paulo.
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Por Renato Cymbalista
RESUMO
O texto trata de três lugares relacionados à morte e a violações de direitos na cidade de São Paulo: dois deles foram palco do assassinato de pessoas em situações emblemáticas de violência contra minorias sociais, Edson Neris e Flávio Sant’Anna. O terceiro é um lugar de sepultamento de uma importante travesti da história da cidade, Andréa de Mayo. Os três lugares passaram por processos de memorialização após as mortes, sempre no sentido da afirmação de direitos de grupos tradicionalmente oprimidos: negros, gays, travestis e transexuais. A transformação dos espaços de morte em espaços de memória não é tranquila. Ainda que a militância seja indispensável, o texto defende que uma das peças-chave para a garantia da memorialização é a participação do poder público em um viés específico, reconhecendo dívidas a serem sanadas com os grupos violados e expressando desejos de mudança.
Palavras-Chave: Lugares de Memória. Lugares de Consciência. Andrea de Mayo, Edson Neris, Flavio Sant’Anna.
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Por Mariana Kimie Nito e Simone Scifoni
Como parte das políticas públicas que buscam revalorizar a área central da cidade de São Paulo destacam-se a desativação do Minhocão (Elevado Presidente João Goulart) como via de tráfego e os projetos que envolvem a sua destinação futura. Nesse caso, ambas as alternativas colocadas até o momento, seja a demolição ou a transformação em parque, significam consolidar essa área central como uma nova fronteira imobiliária e, em consequência, expulsar os moradores/trabalhadores mais pobres do centro. Com o objetivo de construir uma argumentação contrária a esse Processo de gentrificação é que se encontra em elaboração o Inventário Participativo de Referências Culturais do Minhocão. O presente artigo busca apresentar e debater essa experiência recente e em curso. Trata-se de uma ferramenta constituída dentro do campo do patrimônio cultural e da museologia social e que está sendo utilizada no sentido de mobilizar ações e a produção de conhecimentos na defesa da permanência dos mais pobres no centro.
Palavras-Chave: Patrimônio cultural. Inventário participativo. Gentrificação. Minhocão. Referências culturais.
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Por João Paulo Vieira Neto e Eliete Pereira
RESUMO
Nos últimos anos, os povos indígenas no Brasil vêm atuando na apropriação dos processos museológicos, protagonizando a construção de museus, espaços de memória e centros de documentação em seus territórios. Este artigo discutirá algumas questões emergentes dos museus indígenas construídos por esses povos, em que tais espaços assumem um importante papel nas lutas e resistências desses grupos ao se constituírem em potentes espaços de reivindicação de uma educação diferenciada, de valorização dos processos tradicionais de transmissão de conhecimento, de lazer, de visibilidade étnica, de construção de autorrepresentação e contranarrativas, de produção e difusão cultural.
Palavras-chave: Povos indígenas, museus indígenas, memória, patrimônio cultural, comunicação.
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Por Ana Cristina Audebert Ramos de Oliveira e Marijara Souza Queiroz
O artigo delineia o cenário da museologia e dos museus brasileiros e propõe algumas reflexões acerca das possibilidades de entrelaçamento com os estudos de gênero bem como da interseccionalidade gênero e raça. Apresenta alguns dados sobre a presença e protagonismo da mulher na museologia bem como questões voltadas para a representação social da mulher e da mulher negra a partir das práticas e processos desenvolvidos no campo museal brasileiro.
Palavras-chave: museologia, museus, gênero, mulheres, raça.
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Por Marcelo Nascimento Bernardo da Cunha
RESUMO
Este artigo apresenta reflexões sobre o processo de memória e esquecimento relativos às culturas africanas e afro-brasileiras, na perspectiva do patrimônio e dos museus no Brasil.
Palavras-chave: memória, museus, patrimônio, afro.
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Por Mario Chagas e Rondelly Cavulla
RESUMO
O texto que aqui se oferece sublinha a trajetória e o processo de construção do Museu do Samba a partir das experiências do Centro Cultural Cartola e, por esta vereda, descreve a articulação com o patrimônio cultural, apresenta as linhas gerais do dossiê responsável pela patrimonialização do samba carioca e, por fim, abre uma conversa com iniciativas que se identificam com a denominada museologia social. O diálogo com a imaginação museal de Nilcemar Nogueira, neta de Dona Zica e Cartola, líder comunitária, atravessa todo texto e coloca em evidência o protagonismo que essa guardiã de memórias exerce no universo do samba contemporâneo.
Palavras-chave: samba, museu, patrimônio cultural.
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Por Jean Baptista e Tony Boita
RESUMO
O presente artigo visa apresentar algumas reflexões sobre o lugar da memória de travestis, transexuais, lésbicas, ays e bissexuais nos museus, patrimônios, monumentos e espaços de vocação museológica no Brasil. O estudo se inicia com algumas notas introdutórias que se esforçam em sintetizar aspectos conceituais, passando por um mapeamento breve do que de fato tem sido feito no Brasil em museus e espaços de memória relacionados à população LGBT, destacando-se a Revista Memória LGBT, até alcançar pequenas considerações finais. Trata-se, portanto, de uma proposta que procura articular memória, esquecimento, patrimônio e suas articulações com a questão LGBT.
Palavras-chave: Memória. Esquecimento. Patrimônio. Comunidade LGBT. Museologia comunitária.
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Artigos
Por Rubens Fernandes Junior
RESUMO
O texto busca entender e comparar os registros fotográficos de Militão, Gaensly, Becherini e B.J. Duarte, quatro importantes fotógrafos que documentaram a cidade de São Paulo em diferentes momentos. Num período de quase um século, a cidade também se alterou profundamente, tanto do ponto de vista urbano e arquitetônico, como do ponto de vista técnico (taipa, tijolo, concreto armado). O suporte fotográfico – a cópia fotográfica, o álbum, o cartão postal, a revista ilustrada – se modificou com a finalidade de ampliar o consumo da imagem fotográfica urbana.
Palavras-chave: São Paulo, fotografia, fotografia urbana, fotografia documental, cartão postal, modernidade.
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Por Júlio César Suzuki
RESUMO
Análises geográficas de textos literários se iniciam no século XIX, avançam pelo século XX, mas é, principalmente, nas últimas duas décadas que se proliferam mais abundantemente. No Brasil, as análises se avolumam somente na última década. Assim, propomos analisar os enfoques e as abordagens dos debates realizados, sobretudo por geógrafos, no estabelecimento da relação entre Geografia e Literatura, no Brasil, principalmente nos últimos dez anos. Tomaremos como referência os eventos nacionais, bem como publicações, Além de dissertações e teses defendidas. Da primazia do uso literário como fonte de informação para a compreensão da paisagem, a Geografia se apropriou da Literatura em enfoques e abordagens dos mais diversos. Assim, a riqueza da relação estabelecida entre Geografia e Literatura se traduz em uma multiplicidade de temas, além de apropriações das mais inusitadas douniverso literário pela Geografia; ainda que haja tanto a construir.
Palavras-chave: Geografia, Literatura, enfoques, abordagens.
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Por Edson Passetti
RESUMO
Diante da cada vez mais presente aquiescência da relação utopia-distopia, procura-se mostrar como as distopias são constitutivas da utopia capitalista desde a publicação de Utopia, de Thomas More. Situa-se a positividade da racionalidade neoliberal integrando a gestão do chamado crime no governo penal e das prisões. O abolicionismo penal está livre de utopias e situa suas urgências.
Palavras-chave: utopia, distopia, abolicionismo penal, anarquismos.
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Gestão Cultural
Por Maurício Rafael
RESUMO
O presente estudo tem como objetivo avaliar a influência das políticas culturais, especificamente as de formação, no campo organizacional dos museus catarinenses executadas pelo Sistema Estadual de Museus de Santa Catarina (SEM/SC), setor vinculado à Fundação Catarinense de Cultura (FCC). Para tanto, pretende-se identificar e caracterizar a política de capacitação praticada pela FCC, no período compreendido entre os anos 2011 e 2015; além de aferir a contribuição desta ação para o desenvolvimento das práticas museológicas dos profissionais de museus partícipes do projeto.
Palavras-chave: Gestão pública. Museus. Capacitação. Avaliação.
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Por Carina Kotani Shimizu
RESUMO
Este trabalho buscará explorar diretrizes e práticas de um equipamento cultural da zona norte da cidade de São Paulo, o Centro Cultural da Juventude, no que diz respeito à preocupação com o acesso do público ao mesmo e garantia de direitos culturais em um contexto de exclusão. Por meio de informações obtidas por fontes secundárias e conversas com os responsáveis pela direção, programação e projetos, ação educativa e comunicação, serão discutidas questões ligadas à gestão e orçamento participativos, diversidade cultural, parcerias institucionais, programação, adequação de espaços, comunicação.
Palavras-chave: Acesso à cultura. Direito cultural. Equipamento cultural. Centro Cultural da Juventude. Práticas de gestão.
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Por Isabela Ribeiro de Arruda
RESUMO
Esta pesquisa teve início por conta da necessidade de se criar um planejamento de ações do Museu Paulista da USP junto a seus públicos durante fechamento para obras. Ao analisarmos a situação de aparente fragilidade que uma longa interdição pode causar, percebemos a necessidade de o Museu manter-se ativo junto à sociedade durante esse tempo para o efetivo cumprimento de sua missão institucional. Ou seja, da mesma maneira que a salvaguarda do acervo deve estar garantida durante esse longo período de reformas, as ações de educação e comunicação para todos os públicos (não só podem como) devem ser foco de suas principais preocupações em momentos tão delicados. Para fundamentar este argumento, fomos em busca de experiências semelhantes pelas quais outras instituições passaram, como veremos ao longo do artigo.
Palavras-chave: Museus fechados. Educação em museus. Públicos de museus.
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Por Mario Augusto Silveira
RESUMO
Estudo realizado no Sesc Itaquera em 2015 como trabalho de conclusão do curso Sesc de Gestão Cultural. Nele, a proposta foi refletir sobre os conceitos da disciplina Estudos da Diversidade, coordenada por José Guilherme Cantor Magnani na sua trajetória de pesquisa em Antropologia Urbana, bem como sobre o equipamento esportivo do Sesc Itaquera enquanto espaço que propicia a apropriação por diferentes grupos e formatos. Aprofundei o olhar sobre dois grupos bastante diversos e importantes para o funcionamento do equipamento: jogadores não profissionais de futsal e de voleibol, praticantes assíduos das dinâmicas de recreação organizadas pelo Sesc. Procurei evidenciar não só aspectos em torno das práticas esportivas, mas, sobretudo, as implicações em virtude das apropriações dos espaços da unidade pelos praticantes, buscando aprofundamento em questões como hábitos, trajetos, códigos e valores década grupo em suas relações internas e a convivência com outros grupos e funcionários da instituição.
Palavras-chave: esporte, sociabilização, diversidade.
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Entrevista
CPF: Em que momento de sua trajetória de vida você inicia o contato com o universo das artes? Você destaca algumas experiências que marcaram esse processo?
Rosana Paulino: Creio que desde criança estou envolvida com esse universo, pois sempre fui envolvida com criação. Penso a arte não somente dentro daquela realidade institucional, dos artefatos que estão nos museus e centros culturais, mas, sobretudo, do ponto de vista da criação. Neste sentido, fomos estimuladas, eu e minhas irmãs, a criar brinquedos, peças de barro, a fazer as roupas das bonecas. A criação sempre foi muito presente e, sem dúvida, me estimulou a produzir imagens e objetos. Do ponto de vista mais tradicional, que liga a arte a determinados espaços, na adolescência começo a frequentar, por iniciativa própria, museus como o MASP, a Pinacoteca do Estado e o Museu de Arte Sacra. Mas, sem dúvida, o ponto marcante foi em casa, com a família, fazendo pequenos objetos de barro, tartarugas, animaizinhos, pondo no sol para secar e depois colorindo. Além disso, frequentei um espaço chamado Tijolinho, um projeto social onde tínhamos reforço escolar, educação física e artesanato. O artesanato ajudou um pouco a suprir a necessidade de arte quando era criança.
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Resenha
Por Fernando Atique
Resenha do livro: Economia do Patrimônio Cultural, de Françoise Benhamou. São Paulo: Edições SESC, 2016, 144p
Neste ano de 2017, o Decreto-Lei n. 25, considerado a certidão de nascimento da institucionalização do patrimônio no Brasil comemora 80 anos. O decreto é entendido como o deflagrador da primazia do tombamento na gestão dos bens culturais. Inegavelmente, o é. O campo do patrimônio moldou-se institucionalmente no Brasil a partir dos anos de 1930 recorrendo a este instrumento de preservação para a manutenção de seus bens, em especial, os edificados, mas tutorado por duas chaves importantes: as dimensões histórica e artística. Torna-se muito importante observar o quanto estas dimensões criaram um imaginário acerca dos bens culturais no país, imputando um conhecimento tecnocrático de valoração que apartava os bens o próprio ambiente social, muito embora fossem os produtos ligados à sociedade que o Patrimônio no Brasil buscasse salvaguardar.
Nos últimos anos, porém, a adesão do Brasil à Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Redução dos Casos de Apatridia e a criação de órgãos nacionais como o Comitê Nacional para os refugiados (CONARE), que garante alguns direitos básicos aos refugiados – como documentos e liberdade de movimento no território nacional – facilitou a entrada e o pedido de refúgio no país. Como consequência, o Brasil tem recebido um número expressivo de pedidos de refúgio oriundos dos países do Oriente Médio e África, entre outros, que passam por guerras, repressões políticas, etc. Para além dos traumas dessas vivências, esses novos refugiados trazem consigo uma identidade relativamente nova para o Brasil, a islâmica.
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Ficção
Narrativas Visuais
Por Fábio H. Mendes
As fotografias foram feitas durante visita à Vila Itororó como parte do curso “Bixiga: história, memória e desafios de um bairro paulistano” ministrado pelo historiador Rodrigo Silva. O curso realizado em maio de 2015, abordou as nuances de um dos bairros mais tradicionais da cidade de São Paulo e onde o Centro de Pesquisa e Formação está localizado. Popularmente conhecido como Bixiga, o trecho mais popular do bairro da Bela Vista tem sua história marcada pelos quilombos, entre eles o Saracura, a comunidade italiana, a presença nordestina e mais recentemente a migração de haitianos e africanos. É também território da escola de Samba Vai Vai. Essa miscelânea de povos resultou num fértil terreno cultural, onde se multiplicam teatros, casas de cultura, bares e restaurantes. O bairro preserva resquícios arquitetônicos do início do século XX, entre eles a magnífica Vila Itororó, atualmente em processo de restauro e tombada como patrimônio pelo CONDEPHAAT desde 2005. As imagens foram produzidas pelo fotógrafo Fábio H. Mendes.
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