
Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo – Ed. Especial: Desafios e Soluções para um futuro responsável
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Luiz Deoclecio Massaro Galina
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Rosana Paulo da Cunha
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ricardo Gentil
ADMINISTRAÇÃO Jackson Andrade de Matos
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Marta Raquel Colabone
ASSESSORIA JURÍDICA Carla Bertucci Barbieri
GERENTES
ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO João Paulo Leite Guadanucci
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
PREPARAÇÃO DE TEXTO E REVISÃO DE PROVAS Sérgio Molina
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Denis Tchepelentyky
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Omnis Design
EQUIPE SESC
Bruno Salerno Rodrigues, Carolina Paes de Andrade, Emily Fonseca, Flavia Prando,
Gabriela Borges Sebastião, Jean Paz, José Mauricio Lima, Mauricio Trindade, Rafael Peixoto e Walter Cruz
Viver o futuro, reformular o presente
Por Luiz Deoclecio Massaro Galina, Diretor do Sesc São Paulo
Toda época projeta seus futuros. Alguns se anunciam como promessa de continuidade, outros como advertência. No contexto contemporâneo, vivemos um tempo que exige de nós a reinvenção dos modos de habitar o planeta e de nos relacionar com todas as formas de vida. As transformações sociais, climáticas e tecnológicas em curso desafiam nossas estruturas de pensamento e formas de organização coletiva, revelando que os modelos que trouxeram a humanidade até aqui talvez não nos levem adiante. Diante de crises que não são apenas ambientais, mas também políticas, éticas e imaginativas, torna-se urgente recolocar perguntas e práticas sobre o que entendemos por desenvolvimento, bem-estar e progresso.
É nesse horizonte que esta edição da Revista do Centro de Pesquisa e Formação se insere, propondo reflexões sobre os desafios e soluções para um futuro que fomente vida. Nesse sentido, o campo da sustentabilidade, quando esvaziado de sua complexidade e dimensão crítica, corre o risco de se tornar um conceito protocolar, adaptado aos imperativos de um desenvolvimento que, historicamente, tem produzido exclusão, desigualdades e devastação ambiental.
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Por Sueli Angelo Furlan
RESUMO
O artigo discute a importância das Unidades de Conservação (UCs) e os desafios que enfrentam frente às mudanças climáticas, destacando a evolução do modelo de conservação no Brasil, da preservação integral à valorização dos saberes de povos e comunidades tradicionais. As UCs são estratégicas para conservar a sociobiodiversidade e fomentar atividades de baixo impacto, como turismo ecológico, manejo de recursos, além de oferecerem gratuitamente serviços ecossistêmicos. O artigo contrapõe o modelo “Parque”, marcado por conflitos territoriais, ao “novo paradigma da conservação colaborativa”, mais inclusivo e comunitário. Embora normas prevejam participação social por conselhos gestores, persistem limitações quanto à representatividade e partilha de poder. A consolidação da participação social requer negociação e aprendizagem contínuas, refletidas nas normas e boas práticas. Conclui-se que a conservação efetiva depende de mudanças de paradigma, com investimentos em governança colaborativa para garantir conservação com justiça socioambiental.
Palavras-chave: Unidades de Conservação. Conservação Colaborativa. Mudanças Climáticas. Governança Colaborativa.
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Por Vanessa Hasson de Oliveira
RESUMO
Instalado um cenário apocalíptico, após mais de cinquenta anos de políticas globais sobre meio ambiente, instrumentos de gestão destinados à promoção da sustentabilidade continuam a ser criados a partir da ideia de um desenvolvimento econômico ilimitado, com o uso de recursos naturais limitados. Ao mesmo tempo, a América Latina, com destaque para o Equador, Bolívia, Colômbia e Brasil, a partir do protagonismo dos povos indígenas, inicia em 2008 um movimento centrado na localidade e reconhecido pela ONU, por meio do qual se demonstra o fato de que somos Natureza juntamente com os demais seres que habitam a Terra, nossa Casa Comum, na expressão de Papa Francisco, ou então, seremos meros recursos humanos em vias de extinção. Resgatar os princípios de funcionamento do sistema da vida abundante, em que se constitui a Terra e aplicá-los em todos os sistemas sociais criados a partir de uma empobrecida perspectiva antropocêntrica, pode ser a saída para o alcance da verdadeira sustentabilidade.
Palavras-chave: Colapso Ambiental. Interdependência. Direitos da Natureza. Governança.
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Por Virginia Chiaravalloti
RESUMO
Propõe-se refletir sobre o alcance da sustentabilidade em um contexto de agravamento das questões socioambientais, que afeta grupos de populações mais vulneráveis, provoca a exploração da terra, a extinção de espécies. A pauta socioambiental requer uma mentalidade ancorada nas dimensões culturais do que venha a ser sustentabilidade em diferentes territórios, em que os arranjos sociais compreendam a inter-relação com a natureza. Nessa perspectiva, a dimensão cultural da sustentabilidade ganha em densidade, pois pressupõe o respeito à diversidade das formas de vida, os princípios de democracia e a eliminação das desigualdades e dos preconceitos, unidos ao direito ao ambiente saudável. Em um exercício seguinte, tomam-se algumas ações e aprendizados no âmbito do Sesc SP no desafio de fomentar a sustentabilidade em diferentes áreas e frentes de atuação.
Palavras-chave: Sustentabilidade. Educação para a Sustentabilidade. Cultura. Natureza.
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Por Gabriela Narezi
RESUMO
A perda de conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade resulta no aumento da dependência das sociedades modernas aos modelos econômicos e aos sistemas de produção agrícola industriais, implicando na perda da agrobiodiversidade e, em última instância, na perda de soberania alimentar. Nos últimos anos, os ganhos de produtividade provenientes das revoluções tecnológicas na agricultura foram significativos, a ponto de reduzir o preço de determinados gêneros alimentícios. No entanto, tal fato não garantiu o acesso a alimentos sadios e de altos teores nutricionais. Além disso, a agricultura convencional tornou-se uma das principais fontes difusas de poluição e também é responsável pela perda de habitat no planeta. Em contrapartida, destaca-se o surgimento de uma rota que direciona para práticas produtivas sustentáveis e resilientes, buscando aproximar estratégias de conservação da biodiversidade, a produção de alimentos e a inclusão social num mesmo ecossistema.
Palavras-chave: Segurança Alimentar. Agroecologia. Inclusão Produtiva. Bioeconomia. Conservação da Biodiversidade.
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Por Natália Jodas
RESUMO
O Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é um instrumento econômico presente nas diversas políticas ambientais brasileiras e, desde o final dos anos 1990, desenha-se de forma diversificada e capilarizada pelo território nacional. Com o objetivo de trazer um panorama objetivo e acessível sobre o referido instrumento, o presente trabalho contextualizou o PSA dentro do ferramental jurídico existente, destrinchou conceitos-chave ligados ao tema e esclareceu como essas experiências têm se configurado no Brasil sob a perspectiva dos atores envolvidos. Conjuntamente, apresentou a Lei n. 14.119/2021, principal marco regulatório federal, e o quadro normativo estadual atualizado sobre o tema, com vistas a refletir mais acuradamente sobre as possíveis contribuições do PSA para o enfrentamento das mudanças climáticas, inclusive a partir do programa Extrema no Clima, uma variante do projeto Conservador das Águas, uma das mais antigas experiências municipais de PSA do Brasil. A metodologia de pesquisa adotada foi a revisão bibliográfica nacional e internacional somada ao levantamento documental colhido nas bases de dados da legislação estadual referente ao tema.
Palavras-chave: PSA. Serviços Ambientais. Serviços Ecossistêmicos. Marcos Regulatórios. Mudanças Climáticas.
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Por Ana Moraes Coelho, Beatriz Morganti Brandão, Carolina Ximenes de Macedo, Maíra Bombachini Silva e Maria Cecília Alvarenga Carvalho
RESUMO
O artigo aborda a economia circular como saída para a crise ambiental e humanitária provocada por séculos de vigência da economia linear que compromete a sustentabilidade do planeta. Desenvolvendo o conceito e abordando os princípios desse novo paradigma, o artigo contextualiza os avanços da agenda em âmbito internacional e nacional. Em seguida, apresenta a experiência de um projeto voltado a apoiar a transição para a economia circular a partir de práticas de sustentabilidade de micro, pequenas e médias empresas inseridas nas cadeias de valor de grandes empresas internacionais que atuam no Brasil. A partir da identificação dos desafios enfrentados por essas empresas para adesão à agenda, e buscando aliar a teoria à prática na solução dos entraves, o artigo aponta possíveis caminhos para a consolidação da economia circular como novo paradigma de desenvolvimento econômico, indicando que a transição começa pela mudança de mentalidade em torno dos significados dos recursos.
Palavras-chave: Economia Circular. Cadeia de Valor. Transição Verde. PMEs.
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Por Andrea Rabinovici, Zysman Neiman
RESUMO
Este artigo reflete sobre o papel do turismo na conservação do patrimônio natural e cultural e na construção de outras formas de ser e estar no mundo. Entre demandas de mercado e preocupações teóricas e práticas, o turismo se especializa. A degradação ambiental, o ambientalismo e o próprio mercado exigem a incorporação de questões socioambientais. Surge o ecoturismo, que busca impactos positivos, mas nem sempre contempla o aspecto social, provocando reações das comunidades. O Turismo de Base Comunitária (TBC) surge como alternativa de resistência, decolonial e contra-hegemônica, centrado no desenvolvimento social dos territórios. O texto discute os desafios do TBC para transformar realidades e promover o Bem Viver, sem pretender resolvê-los.
Palavras-chave: Turismos Contra-Hegemônicos. Turismo de Base Comunitária. Comunidades. Territórios. Bem Viver.
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Por Clarinda Maria Ramos
RESUMO
Este artigo discute a sustentabilidade na perspectiva do povo Sateré-Mawé, destacando as concepções, conhecimentos e tecnologias próprias como fundamentos para práticas sustentáveis. A partir de uma abordagem que integra os conhecimentos e as relações cotidianas com tudo o que está em torno, busca-se compreender como a relação dos Sateré-Mawé com a floresta, terra, rios, animais e os “seres invisíveis” que habitam nos domínios da terra, no domínio da floresta e no domínio da água se complementam em um modo de vida baseado na reciprocidade, na ética do cuidado.
Palavras-chave: Sateré-Mawé. Conhecimentos. Reciprocidade.
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Por Davi Pereira Junior
RESUMO
Este ensaio discute a desconexão entre corpos negros e corpos amazônicos, ou amazônidas. Meu objetivo aqui é problematizar essa desconexão que, do meu ponto de vista, tem a ver com o senso comum e com o senso comum douto acadêmico, que tornaram hegemônica a ideia de que não existem negros na Amazônia, ou melhor, que corpos negros são ontologicamente incompatíveis com corpos amazônicos, mesmo que, do ponto de vista histórico, essas afirmações não se sustentem, uma vez que os dados mostram a grande quantidade de negros introduzidos na região na condição de escravizados. Além disso, as estatísticas populacionais oficiais mostram que a população amazônica, ou amazônida, é composta por mais de 75% de pessoas que se autodeclaram negras, que quase 40% da população quilombola do Brasil vive na Amazônia Legal e que mais de 60% dos territórios quilombolas se situam na região.
Palavras-chave: Amazônia. Negritude. Quilombolas. Território.
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Por Uillian Trindade Oliveira
RESUMO
O presente texto relata e analisa o impacto da contação de histórias e da expressão artística pelo desenho em sala de aula, tendo como foco a vida e obra do artista polonês Frans Krajcberg (1921–2017). Ao ouvir e explorar a biografia de Krajcberg, os estudantes foram convidados a produzir desenhos, estimulando a reflexão sobre o meio ambiente e a expressão criativa. Neste texto, diálogo com conceitos de contação de história, desenho infantil, e História de Vida, fundamentados nos intercessores teóricos: Abramovich (1997); Vygotsky (1998); Haguette (1990); Rosa Iavelberg (2021); Meirelles (2024) e Oliveira (2015). Entre os resultados, a experiência demonstrou a relevância dessas abordagens pedagógicas: contação de história e desenho para a promoção do pensamento crítico, engajamento com questões socioambientais e desenvolvimento da criatividade nos estudantes.
Palavras-chave: Contação de Histórias. Frans Krajcberg. Desenho. Arte. Educação.
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Por Fábio Zuker
Fábio Zuker: Para quem ainda tem dúvidas, vamos ao básico: o que são as mudanças climáticas e como elas afetam a vida no planeta? E qual é o papel do Brasil nesse cenário? Em uma palestra recente, você mencionou que a principal causa das mudanças climáticas é a queima de combustíveis fósseis (cerca de 89% das emissões). O que isso quer dizer na prática? E como a destruição da Amazônia se conecta ao aquecimento global?
Paulo Artaxo: Desde a Revolução Industrial, a descoberta da queima do carvão, em um primeiro momento, e do petróleo e gás natural mais tarde, para gerar energia permitiu o desenvolvimento da nossa sociedade de modo extraordinário. Entretanto, a outra face da moeda é o que nós estamos colhendo agora, porque esses combustíveis fósseis, ao serem queimados, basicamente alteram a composição química da atmosfera e estão fazendo com que haja um aquecimento muito pronunciado e rápido do clima no planeta como um todo.
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