Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 18 – Dossiê: Inteligência Artificial em Processos Criativos (ISSN 2448-2773)

01/10/2024

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Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 18 – Dossiê: Inteligência Artificial em Processos Criativos

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Luiz Deoclecio Massaro Galina

SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Rosana Paulo da Cunha
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ricardo Gentil
ADMINISTRAÇÃO Jackson Andrade de Matos
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Marta Raquel Colabone
ASSESSORIA JURÍDICA Carla Bertucci Barbieri

GERENTES
ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO João Paulo Leite Guadanucci
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira

REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORA DO DOSSIÊ Dulci Lima
PREPARAÇÃO DE TEXTO E REVISÃO DE PROVAS Tatiane Ivo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Omnis Design

EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catell


Apresentação

Inteligência Artificial em Processos Criativos

Por Luiz Deoclecio Massaro Galina, Diretor do Sesc São Paulo

Desde as primeiras experimentações com dispositivos até sua influência nas plataformas de mídia social, a intersecção entre inteligência artificial (IA) e expressões artísticas tem sido objeto de discussão contínua e intensa. Essa narrativa instiga uma profunda reflexão sobre os parâmetros éticos que circundam a interface entre IA e atividades criativas, gerando um debate que abarca conceitos de autoria, apreciação estética e disseminação de conhecimento.

À medida que a capacidade da IA se desenvolveu, ela passou a analisar vastos conjuntos de dados culturais, como obras musicais, arte visual e textos, aprendendo com eles. Os algoritmos de aprendizado de máquina agora podem emular estilos e técnicas de artistas humanos, gerando criações que apresentam notáveis semelhanças com obras criadas por seres humanos. Isso suscita questões fundamentais sobre a noção de autoria, uma vez que a criação é conduzida por uma entidade artificial que se vale de dados coletados de diversas fontes.

A apreciação estética também se vê influenciada pela presença da IA na produção artística. A aptidão da IA para analisar o comportamento humano e adaptar-se às preferências do público pode resultar em experiências culturais altamente personalizadas. Por um lado, isso pode alargar o acesso aos bens culturais, tornando-os mais pertinentes e acessíveis. Por outro lado, pode fomentar a formação de “bolhas culturais”, as quais limitam a diversidade de perspectivas e vivências.

(…)

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Dossiê: “Inteligência Artificial em Processos Criativos”

A característica generativa das inteligências artificiais e seus impactos sobre a criatividade

Por Sergio José Venancio Júnior

RESUMO
Modelos de inteligência artificial (IA) para geração de texto e imagem, como ChatGPT, Dall-E e Stable Diffusion, são tecnologias que têm sido alvo de processos jurídicos por violação de direitos autorais. A promessa de que essas ferramentas são criativas e de que geram artefatos inéditos entra em controvérsia com tais acontecimentos. O presente texto propõe uma discussão sobre uma compreensão conceitual dos principais processos algorítmicos que explicam o funcionamento de modelos discriminativos e generativos, enquanto busca, também, esclarecimentos sobre as motivações dos mencionados processos litigiosos e sobre as noções de criatividade e da cocriação humano-máquina.

Palavras-chave: Inteligência artificial. Criatividade. Generativo. Arte. ChatGPT.

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IA: Fronteiras e Atravessamentos éticos na criação artística

Por Regilene A. Sarzi-Ribeiro

RESUMO
Este artigo trata do uso da inteligência artificial na criação artística e apresenta elementos-chave para a compreensão das fronteiras e dos atravessamentos éticos que marcam a criação artística na era digital. O objetivo é traçar paralelos entre o uso da inteligência artificial para criação de imagens e exemplos veiculados pela mídia e obras de artistas que se posicionam criticamente para apontar os vieses éticos incutidos nos algoritmos. O texto busca comentar processos criativos que usam ferramentas de inteligência artificial, aplicando operações já conhecidas pelo sistema artístico, como apropriação, citacionismo e imagens ready-made, embora estas ainda causem controvérsias. A reflexão aponta dois caminhos: o primeiro, considerado mais do mesmo; e o segundo, criativo, inovador e ativista. O segundo caminho criativo também reitera o papel questionador e político da arte, além do potencial estético e sensível da arte do vídeo produzida com inteligência artificial generativa.

Palavras-chave: Inteligência artificial. Processos criativos. Ética e criação artística. Videoarte e arte generativa.

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Curadoria algorítmica e modulação do gosto

Por Diego Vicentin

RESUMO

Qual é a importância dos sistemas algorítmicos de recomendação para o exercício das autonomias individual e coletiva na formulação do gosto e no consumo de bens culturais? Para responder a essa questão, o primeiro movimento do texto é o de questionar a própria noção de autonomia, entendida como processo de individuação que exclui tudo aquilo que excede o indivíduo dele mesmo, como uma ação exclusiva de si sobre si. Para isso, mobilizamos a proposta da heteronomia sem servidão e o conceito de modulação. Em seu segundo movimento, o texto descreve o modo de funcionamento de sistemas de recomendação, além de sua economia política, enfatizando assimetrias de poder entre usuários e grandes plataformas, como Netflix e Spotify. Por fim, em seu último movimento, o artigo apresenta sistemas alternativos de organização e acesso a bens culturais que confrontam a lógica das big techs; sistemas esses que recusam não só a utilização de dados comportamentais para perfilização e recomendação algorítmica, como também o modelo de acesso mediante pagamento de assinatura.

Palavras-chave: Sistemas de recomendação. Inteligência Artificial. Big techs. Plataformas de streaming.

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Repensando a criatividade: indústrias criativas, IA e criatividade cotidiana

Por Hye-Kyung Lee

RESUMO
Este artigo apresenta uma reflexão sobre como a criatividade é desumanizada (e reumanizada) e como seus aspectos de trabalho são prejudicados (e destacados) nos três desenvolvimentos recentes em nossa compreensão das artes, da cultura e da criatividade: as indústrias criativas; a criatividade da inteligência artificial (IA); e a criatividade cotidiana. O discurso das indústrias criativas instrumentaliza e desumaniza a criatividade ao ocultar perspectivas de trabalho e tratar a criatividade como capital humano e um gerador de propriedade intelectual. Enquanto isso, contemplar a criatividade da IA nos ajuda a ir além do paradigma econômico e considerar traços-chave da criatividade humana e do processo de criação, alguns dos quais são emulados com sucesso pela IA. No entanto, também observamos como a IA dissocia a criatividade da agência humana e como seu efeito de redução de custos pode desafiar os criadores humanos em muitos setores. Por fim, a ideia de criatividade cotidiana efetivamente reumaniza e democratiza a criatividade; no entanto, ela não apenas carece de perspectivas de trabalho, mas também as prejudica.

Palavras-chave: Interligência artificial. Criatividade da IA. Trabalho criativo. Indústrias criativas. Política cultural.

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Arte e inteligência artificial: nascimento de imagem nova e os limites do novo artífice

Por Erik Nardini Medina

RESUMO
Da frieza imperturbável de algoritmos e da etérea imaterialidade das redes emergem manifestações de uma poética contemporânea. Enraizada em temporalidade que transcende nossa compreensão, fundamentada em conjuntos de dados que desafiam nossa cognição, a Inteligência Artificial (IA) surge como vernáculo que antecede o fim de tudo e profetiza a obsolescência universal. A arte e seus artífices, tradicionais agentes de subversão e resiliência diante das vicissitudes do tempo, enfrentam uma vez mais o desafio de sua própria redefinição. A IA, enquanto catalisadora de incertezas e transformações na esfera criativa, convida a questionar qual será a verdadeira magnitude de seu potencial disruptivo sobre a expressão artística. Neste artigo, serão exploradas as relações entre IA e arte, trazendo a figura do “novo artífice” como um agente essencial na configuração da estética contemporânea e, ao mesmo tempo, como um reflexo da eterna busca humana pela compreensão e transcendência de sua própria natureza.

Palavras-chave: Palavras-chave: Inteligência artificial. Arte. Arte e tecnologia. Novo artífice.

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Redes sociais como boca do mundo: encruzilhadas, arte e inteligência artificial

Por Larissa Macêdo

RESUMO
Este artigo tem como objetivo propor uma reflexão crítica acerca das encruzilhadas e das problemáticas inerentes à produção artística negra brasileira nas redes sociais diante dos atravessamentos causados por sistemas de inteligência artificial (IA). Para isso, articula uma discussão teórica acerca do conceito de redes sociais como boca do mundo, inspirado na noção de Exu Enugbarijó. A fundamentação teórica se encadeia a partir do operador conceitual das encruzilhadas, de Leda Maria Martins, que permite estabelecer outras formas de pensar as complexidades e o que está em jogo nas práticas artísticas contemporâneas compartilhadas nesses sistemas. Encruzilhadas éticas, estéticas e políticas, que ressignificam a arte, as redes sociais e a IA.

Palavras-chave: Exu. Encruzilhadas. Arte contemporânea. Redes sociais. Inteligência artificial.

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Sobre escravidão e máquinas: inteligência artificial para quem pode

Por Paola Barreto

RESUMO
Este artigo traz uma versão escrita da fala “Algoritmo, gênero e racialidade”, apresentada no dia 9 de novembro de 2023, no Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo. O texto está estruturado em três momentos: 1º) a discussão sobre como o modelo de mundo cartesiano fundamenta e justifica o exercício de ideais supremacistas na natureza e na cultura; 2º) uma análise do desenvolvimento de discursos e práticas críticas por meio das artes; e 3º) uma reflexão sobre as possibilidades de a tecnologia – conceituada por intermédio de diálogos interculturais e perspectivas contracoloniais – se constituir como um espaço de promoção de poéticas e políticas de relação e cuidado.

Palavras-chave: Teoria crítica. Inteligência artificial. Tecnopoética.

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Povos indígenas e a (co)criação artificial

Por Alex Potiguara (Alexsandro Cosmo de Mesquita)

RESUMO
Este artigo é um desdobramento da pesquisa “Povos indígenas e a (co)criação artificial”, apresentada durante o Seminário Inteligência Artificial em Processos Criativos, realizado pelo Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo, em 2023. Um dos objetivos da pesquisa é continuar trazendo à luz o fenômeno do uso de tecnologias digitais por povos originários e as transformações que essas vêm provocando na configuração cultural, identitária e social desses povos. O método utilizado para realizar este estudo foi o de pesquisa documental, a partir da leitura de textos e observações de imagens e vídeos criados por indígenas e pesquisadores. A pesquisa foi delimitada na análise de documentos que fazem parte do projeto de pesquisa: “INDIGENIA: IA generativa para futuros indígenas e ‘Digital Boa vida’” (Título original: INDIGENIA: Generative AI for Indigenous Futures and ‘Digital Good Living’), coordenado pela professora Thea Pitma e pelo professor Andreas Rauh e equipe em 2023/2024, financiado pelo ESRC Digital Good Network e desenvolvido em parceria com a University of Leeds, com a Dublin City University, com
a, Universidade Estadual de Maringá (UEM), com a ONG Thydêwá e com a Associação Indigenista de Maringá (Assindi). Fui convidado para participar desse projeto, por meio do qual foi possível analisar as percepções de 17 artistas indígenas sobre o uso do software de inteligência artificial (IA) generativa para a criação de imagens por meio do Midjourney. Esses artistas são de quatro países da América do Sul (também chamada de Abya Yala por eles): Argentina, Bolívia, Brasil e Chile. Um dos resultados do estudo foi a criação de um manifesto com diretrizes a serem seguidas pelos criadores e usuários de ferramentas digitais, a fim de contribuir com a construção de tecnologias que sejam responsáveis e promovam o bem-estar digital e social; outro resultado foi a idealização de se construir um software de IA regenerativa a partir do diálogo com artistas indígenas e levando em consideração os princípios presentes no manifesto.

Palavras-chave: Povos indígenas. Tecnologias digitais. Inteligência artificial.

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Artigos

Formas de olhar para o passado: a ditadura chilena na literatura e no cinema

Por Ignacio del Valle-Dávila

RESUMO
Este artigo propõe uma visão comparada da literatura e do cinema chilenos que têm como tema o governo de Salvador Allende e a ditadura. Nesse sentido, propõe uma cartografia das principais obras e tendências, desde 1973 a atualidade. Ao traçar esse percurso de 50 anos de produção literária e cinematográfica, procura-se distinguir os diferentes períodos de criação artística, bem como estabelecer as constantes temáticas de cada um deles e suas variações. Mostra-se também as ligações e as diferenças entre os domínios literário e cinematográfico. O texto parte do pressuposto de que o golpe de Estado de 1973 marcou uma ruptura na produção literária e audiovisual do país, cujas consequências se fazem sentir ainda hoje.

Palavras-chave: Cinema. Literatura. Ditadura chilena. Exílio. Memória.

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Identidade de nós mesmos: a história da moda contada pelos nossos álbuns de família

Por Brunno Almeida Maia

RESUMO
A partir do recém-publicado Álbum de família: a imagem de nós mesmos (2008), de Armando Silva, o presente ensaio tem como objetivo expor as relações entre a moda, as roupas e suas presenças nos álbuns de família. Trata-se de realizar uma crítica à tradicional concepção da histografia da moda, que, ao longo da segunda metade do século XX, focara apenas a história da criação da moda. Ao partirmos da perspectiva da história social da moda, buscaremos traçar a maneira pela qual as roupas circularam na sociedade. Em um primeiro momento, abordaremos a origem da moda nas sociedades modernas como espaço de constituição da identidade/individualidade, para repensarmos o significado contemporâneo dos álbuns de família vinculados à tradição da cultura material, visual e oral. Em um segundo momento, vamos expor como os modos de vestir, presentes nessas imagens, compõem memórias afetivas e desvelam pelo corpo-vestido as “identidades de nós mesmos”.

Palavras-chave: Moda. Roupas. Álbum de família. História da moda. História da Cultura visual.

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Cinema brasileiro independente e estratégias de coprodução internacional

Por Nara Aragão Fonseca

RESUMO

A aceitação e a demanda de outros países em relação ao cinema produzido no Brasil estão mais do que comprovadas pela seleção de filmes brasileiros em alguns dos mais importantes festivais de cinema do mundo. Porém, essa demanda não se reflete nos resultados em termos de mercado. As coproduções internacionais são cada vez mais determinantes para esses resultados. O presente artigo propõe uma reflexão acerca do atual cenário da produção independente de cinema no Brasil, apresentando um panorama dos mercados internacionais de cinema e seus principais agentes e indicando alguns parâmetros para as coproduções internacionais, suas implicações e seus significados. O artigo considera também a importância de se estabelecer políticas públicas de fomento à coprodução internacional.

Palavras-chave: Coprodução internacional. Produção de cinema. Cinema brasileiro independente

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Gestão Cultural

Publicização e participação social: o circuito municipal de cultura de Belo Horizonte

Por Sara Moreno Rocha

RESUMO
A gestão pública não estatal, ou publicização, envolve a transferência de atividades e serviços, em benefício da população, do setor público para organizações da sociedade civil (OSCs), por meio da contratualização de parcerias. No setor da cultura, permite a gestão compartilhada de programas e espaços culturais entre a administração pública e organizações privadas sem fins lucrativos, cada qual com papéis específicos. Essa forma de gestão busca melhorar a eficiência e eficácia na execução das políticas culturais, além de permitir a mobilização de recursos adicionais. No entanto, levanta questões sobre o equilíbrio de poderes, a efetividade da participação social e a autonomia das organizações envolvidas. O estudo de caso do Circuito Municipal de Cultura de Belo Horizonte (MG) mostra os benefícios e desafios do modelo regulamentado pelo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), assim como as implicações dele em políticas culturais participativas.

Palavras-chave: Gestão cultural. Publicização. MROSC. Parcerias. Participação social.

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Coletiva Travas da Sul – articulação e produção cultural LGBTIA+ na quebrada

Por Rosseline Tavares, Thaís Heinisch e Tiago Marchesano

RESUMO
O presente artigo é produto do trabalho de conclusão do Curso Sesc de Gestão Cultural, do Centro de Pesquisa e Formação (CPF) do Sesc São Paulo, sob a orientação da pesquisadora Dra. Emily Fonseca. A pesquisa, calcada em conceitos e inquietações que articulam estudos e práticas dos direitos culturais no panorama brasileiro, dedicou-se a analisar a gênese e trajetória da Coletiva Travas da Sul diante de seu contexto vigente e, assim, oferecer eventuais ferramentais e dispositivos para um plano de ação ao grupo.

Palavras-chave: Cultura. Direitos culturais. Direitos humanos. Transgênero. Transexual. Travesti. Representação. Identidade. Comunidade.

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Parcerias institucionais: construção de caminhos para um planejamento macro

Por José Evaristo Silvério Netto, Eduardo Blaz, Mariana Prado e José Vinícius Alves Ferreira

RESUMO
As parcerias institucionais são importantes para auxiliar o cumprimento da missão institucional. Porém, muitos fatores que deveriam ser observados em a sua construção, como as relações interpessoais envolvidas (fator humano), são negligenciados nos planejamentos. Além disso, há dificuldades para lidar com as dinâmicas do território de atuação, prejudicando mediações necessárias para o estabelecimento de tais parcerias. Dessa forma, este trabalho buscou organizar os aspectos que envolvem as fases de implementação das parcerias físico-esportivas realizadas pelo Sesc; para isso, analisou, nessas parcerias, as pistas relevantes para a condução dos atores envolvidos. Aqui, chamamos de “pistas” perguntas auxiliadoras que norteiam tais processos de implementação. Nesse sentido, este trabalho visa demonstrar a necessidade de refletir sobre as parcerias dando ênfase à fase de relação interpessoal, que produz pistas para qualificar: as mediações entre as pessoas envolvidas; os estágios de maturação das parcerias – etapas de construção, manutenção e avaliação final; e as respectivas pistas de cada uma dessas três etapas.

Palavras-chave: Parcerias institucionais. Redes esportivas. Relações interpessoais. Pistas.

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Entrevista

Entrevista com Rafael Grohmann

Centro de Pesquisa e Formação: A criatividade como capital humano e gerador de propriedade intelectual pode ser desafiada pela dissociação que a inteligência artificial (IA) produz entre a criatividade e a ação humana? Quais os possíveis efeitos disso para o que entendemos como “trabalho”?

Rafael Grohmann: Vou tentar responder de uma maneira que dê conta das questões de como a IA afeta tanto a criatividade quanto o trabalho. Para mim, trabalho é sempre uma atividade humana, portanto, máquinas não trabalham. Máquinas podem ter efeitos sobre o real, mas são programadas por seres humanos. A IA se apropria do trabalho humano. Isso está tanto na obra do brasileiro Álvaro Vieira Pinto, O Conceito de Tecnologia, escrita nos anos 1970, quanto em livros mais recentes, como The Eye of the Master, de Matteo Pasquinelli, que aborda como a IA se abastece da expropriação do conhecimento coletivo humano. Então, a criatividade pode ser vista como um atributo humano.

Uma máquina não faz algo que seja exatamente criativo porque ela está sempre se baseando em algo que foi feito antes; ela não cria algo muito fora do comum. Ela segue padrões, inclusive estéticos, como ocorre, por exemplo, com o Midjourney. Conseguimos reconhecer a estética de algo que foi feito por essa IA. Claro que outras ferramentas podem não parecer ter um padrão, mas a IA confunde os aspectos da substituição da classe trabalhadora por ela. Isso é algo que a literatura sobre IA e trabalho tem tratado mais na ordem da substituição ou do deployment e menos em torno de quem são as pessoas que trabalham para alimentar e treinar o sistema de inteligência artificial.

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Resenha

Interseccionalidades: uma nova forma de discutir o envelhecimento no Brasil

Por Lilian Liang

Resenha do livro: AZEVEDO, Celina Dias (org.). Velhices: perspectivas e cenário atual na pesquisa Idosos no Brasil. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2023.

O Censo Demográfico 2022 não deixa dúvida: o Brasil envelhece a passos largos e em ritmo acelerado. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira com 60 anos ou mais ultrapassa as 32 milhões de pessoas, totalizando 15,8% dos habitantes do País. Trata-se de um aumento de 56% em relação ao Censo de 2010, quando esse número era de 20,5 milhões.

O envelhecimento não é um fenômeno novo no Brasil. Em 2006, uma parceria entre o Sesc São Paulo e a Fundação Perseu Abramo viabilizou o desenvolvimento de uma pesquisa intitulada “Idosos no Brasil: vivências, desafios e expectativas na terceira idade”, cujo objetivo era traçar um panorama dos idosos naquele período e, com base nos dados coletados, contribuir para a elaboração de políticas públicas voltadas para essa camada da população. Tal pesquisa originou uma coletânea homônima de artigos, organizada por Anita Liberalesso Neri – então professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – e publicada em 2007 pelas Edições Sesc.

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Poesia

A grande onda de calor de 2023

Por Ismar Tirelli Neto

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Narrativas Visuais

Na Balsa de Caronte não há cinto de segurança

Por Fernando Velázquez

Nunca o ser humano esteve tão ciente do peso e do passo da história como nos dias de hoje. A ideia de tempo enquanto constructo social e coletivo, encarnada nos paradigmas e comportamentos que alicerçam uma sociedade, vem sendo sucateada dia a dia, segundo a segundo, por tecnologias pervasivas que implodem as fundações de toda lógica, ética, estética e política estabelecidas. Submersos, enfeirados e anestesiados no fluxo de informação e desinformação sem precedentes que invadiu o cotidiano, nos debatemos para desvelar as virtudes e os vícios desse Frankenstein chamado inteligência artificial (IA) generativa.

Embora eu venha investigando a IA generativa desde 2019, ao ser convidado para ilustrar esta publicação, busquei produzir uma série de ilustrações heterodoxas que dialogassem com os textos, mas que também evidenciassem as idiossincrasias da ferramenta, os possíveis desvios à norma, e a sua evolução ao longo do seu curto tempo de existência. As imagens foram criadas com diferentes modelos e versões de IA generativa text-to-image (Midjourney, Runway e Stable Diffusion), tecnologia que utiliza modelos de aprendizado de máquina profundo para criar imagens a partir de descrições textuais.

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