
Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 17 – Dossiê: Os novos desafios e perspectivas da Gestão Cultural
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
ADMINISTRAÇÃO REGIONAL NO ESTADO DE SÃO PAULO
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Luiz Deoclecio Massaro Galina
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Rosana Paulo da Cunha
COMUNICAÇÃO SOCIAL Aurea Leszczynski Vieira Gonçalves
ADMINISTRAÇÃO Jackson Andrade de Matos
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Marta Raquel Colabone
GERENTES
ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO João Paulo Leite Guadanucci
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADOR DO DOSSIÊ Eder Martins e Juliana Santos
PREPARAÇÃO DE TEXTO E REVISÃO DE PROVAS Sérgio Molina
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Omnis Design
EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli
A palavra “projeto” pode ocupar um lugar central na prática cotidiana da gestão cultural. Embora seja possível pensar neste conceito de forma mais pragmática, como uma ferramenta de sistematização e implementação de um conjunto de ideias com vistas a um objetivo, cabe ressaltar que, nesta edição, nos interessa o seu sentido mais amplo, mais especificamente a possibilidade de projetar e imaginar novos futuros.
Após passarmos por um período bastante turbulento, que envolveu a extinção do Ministério da Cultura e de inúmeros programas e políticas públicas na área cultural, além de uma sufocante pandemia de Covid-19, delineia-se um novo cenário no país que coloca como desafio pensar e reinventar o imaginário político-cultural que deve alicerçar, em bases plurais e democráticas, as políticas públicas e a gestão cultural em todo o Brasil.
É a partir desta provocação que nasce o novo número da Revista do Centro de Pesquisa e Formação, qual seja, da necessidade de contribuir com um conjunto de reflexões que buscam compreender quais são os novos desafios e questões que se colocam no cenário atual para a área cultural no país e o que se vislumbra para o futuro próximo.
(…)
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Dossiê: “Os novos desafios e perspectivas da Gestão Cultural”
Por Antonio Albino Canelas Rubim
RESUMO
O texto discute os desafios para o desenvolvimento de políticas e gestões culturais sintonizadas com as demandas do complexo e novo cenário político brasileiro. Palavras-chave são acionadas como condição para analisar e para atuar no campo cultural na nova conjuntura nacional. Palavras como: democracia ampliada, diversidade cultural, diálogos interculturais, federalismo cultural, territorialização da cultura e transversalidade da cultura. Elas se apresentam como horizontes vitais para o enfrentamento dos novos desafios e para configurar políticas e gestões culturais, que insiram a cultura, com centralidade, em um projeto de país radicalmente democrático, que interditem o retorno da barbárie.
Palavras-chave: Democracia e Cultura. Políticas e Gestões Culturais. Diversidade Cultural. Federalismo Cultural. Transversalidade da Cultura.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Alexandre Barbalho
RESUMO
O objetivo deste artigo é analisar a importância dos agentes culturais na atual reconstrução das políticas públicas de cultura em âmbito federal e as perspectivas que se colocam, nesse sentido, por parte do MinC. A tese defendida é a de que o terceiro governo Lula pode contar com o aprendizado político-cultural que os agentes culturais vivenciam desde o seu primeiro governo, em um processo de politização do campo cultural, e que esse processo vai ser fundante para as novas relações de governabilidade que este ministério estabelecerá com o campo cultural.
Palavras-chave: Participação Social. Governabilidade. Politização. Campo Cultural.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Beth Ponte
RESUMO
Neste artigo, discute-se a importância das normas, acreditações setoriais e adoção de sistemas de gestão da qualidade (SGQ) para o desenvolvimento e profissionalização da gestão de organizações culturais. O artigo tem como objetivo mostrar como o setor cultural, sobretudo as áreas de museus e bibliotecas, já é bastante familiarizado com normas e vem demonstrando um crescente interesse por certificações de qualidade, embora esta não seja a única abordagem possível para organizações e gestores/as culturais que desejam melhorar sua atuação e resultados em um mundo cada vez mais complexo, desafiador e diverso. O estudo apresenta organizações culturais certificadas a partir de normas da Organização Internacional de Padronização – ISO (com destaque para a ISO 9001), mas demonstra que a gestão da qualidade não se restringe à obtenção de certificações, sugerindo a adoção de ações práticas baseadas nos princípios universais da qualidade em organizações como um caminho possível.
Palavras-chave: Gestão Cultural. Gestão da Qualidade. Normas. Acreditações. ISO 9001.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Sophia Cardoso Rocha
RESUMO
O artigo tem por objetivo refletir sobre os dez anos do Sistema Nacional de Cultura a partir de elementos centrais para uma política sistêmica. Para tanto, utiliza-se como estratégia metodológica a revisão bibliográfica e a pesquisa documental. Parte-se do princípio de que a trágica situação enfrentada pelo campo cultural no período de 2019 a 2022 resultou em uma inédita oportunidade para entes subnacionais desenvolverem políticas culturais. Conclui-se que, considerando as experiências advindas de anos anteriores e o atual cenário profícuo, representado pelo retorno do Ministério da Cultura, é preciso debater intensamente o Sistema Nacional de Cultura para avançar em questões ainda pendentes.
Palavras-chave: Sistema Nacional de Cultura. Federalismo. Direitos Culturais.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Isaura Botelho
RESUMO
O presente texto faz uma reflexão sobre a questão dos públicos das atividades culturais, percorrendo o trajeto contemporâneo das matrizes que vêm contribuindo para a evolução das discussões acerca do tema. Democratização do acesso à cultura e Democracia Cultural são os dois paradigmas que presidiram as políticas culturais a partir dos anos 60 do século passado. Políticas de oferta e políticas de demanda. Do pressuposto de superação das desigualdades de acesso à cultura erudita, passa-se à consideração de todos os segmentos sociais e suas manifestações, levando em consideração a existência de várias culturas e que não existe um público uno e homogêneo. O “desejo por cultura” não é inato. Disseminação das pesquisas sobre práticas culturais e o desvelamento das lógicas que as presidem. O advento das Tecnologias de Informação e Comunicação — TICs — muda radicalmente o panorama das interações com o mundo não virtual. O que altera as práticas culturais realizadas na Internet.
Palavras-chave: Públicos. Democratização. Democracia Cultural. Tecnologias de Informação e Comunicação.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Suzenalson da Silva Santos – Kanindé
RESUMO
O artigo visa apresentar o conhecimento epistemológico entre o povo indígena Kanindé no estado do Ceará em torno de uma iniciativa museológica própria, autogerindo sua memória ancestral através da criação de um processo museológico indígena — “museu indígena” —, atuando em torno de gerações, assumindo um importante papel na luta e resistência do povo, tornando-se importante ferramenta de reinvindicação de uma educação diferenciada, afirmação étnica e de luta em torno da demarcação do território indígena. Atualmente o envolvimento dos Kanindé neste processo coletivo gira em torno da organização de uma rede indígena de memória e museologia social, destacando-se um trabalho colaborativo e participativo entre uma diversidade de iniciativas museológicas indígenas brasileiras gerindo sua memória em torno da importância da consciência em preservar os saberes ancestrais.
Palavras-chave: Museu Kanindé. Museologia Indígena. Autogestão da Memória.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Alessandra Ribeiro Martins
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo, a partir da memória, história e oralidade registrados pelos pontos de jongo cantados na Comunidade Jongo Dito Ribeiro em Campinas–SP, apresentar uma breve reflexão sobre os impactos das políticas públicas e culturais para esta comunidade do segmento das culturas populares tradicionais de matriz africana, reconhecida como patrimônio cultural imaterial no Brasil. Aqui nos deteremos nos pontos antigos e atuais cantados por esta comunidade jongueira que, além de transmitir seus conhecimentos, revive sua memória do passado como estratégia de (re)-existência no presente, essencial para as novas gerações. O método utilizado será a escrevivência de Conceição Evaristo, com memórias organizadas a partir da experiência coletiva vivenciada nessa comunidade, dividida em três momentos: a recuperação do jongo, o processo de ocupação e gestão compartilhada da sede Casa de Cultura Fazenda Roseira e os desafios da pandemia de Covid-19 e dos ataques à cultura no Brasil.
Palavras-chave: Jongo. História. Políticas Culturais Populares Tradicionais. Matriz Africana.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Artigos
Por Issaaf Karhawi
RESUMO
O presente artigo, de caráter teórico, tem como objetivo principal apresentar uma proposição de categorias para a produção de conteúdo dos influenciadores digitais. Para tal, parte-se de mapeamentos anteriores, revisão da literatura da área e exemplos intencionalmente escolhidos para propor seis categorias de conteúdos: conteúdo horizontal; conteúdo íntimo; conteúdo coconstruído; conteúdo comunal; conteúdo transmídia e conteúdo plataformizado.
Palavras-chave: Influenciadores Digitais. Produção de Conteúdo. Plataformas.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Ludimilla Carvalho Wanderlei
RESUMO
O texto discute a fotografia experimental abarcando suas dimensões técnica, estética e conceitual, compreendendo-a como forma de engajamento político na arte latino-americana. Utilizando os apontamentos filosóficos de Vilém Flusser (2011), revisitando as teorias essencialistas da fotografia (Bazin, 2017; Barthes, 2012; Sontag, 2004) e discutindo a estratégia de desobediência epistêmica (Mignolo, 2010) que propõe a revisão crítica do processo histórico da Modernidade ocidental europeia, defino o experimental como gesto criativo que desprograma o aparelho fotográfico, recusa as teorizações clássicas do meio e utiliza uma estética repleta de ruídos (Wanderlei, 2021a) para formular um discurso político, encontrado em trabalhos de alguns artistas latino-americanos.
Palavras-chave: Fotografia Experimental. Política. América Latina.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Bruna Della Torre
RESUMO
Poucos conceitos da teoria crítica são tão polêmicos e mal compreendidos quanto o conceito de “indústria cultural”. Ora confundido com um conjunto de bens culturais, ora utilizado como adjetivo para desautorizar obras específicas, o conceito parece evocar uma espécie de elitismo da crítica dialética da cultura responsável por afastar leitoras e leitores da tradição legada pela Escola de Frankfurt. O artigo recupera alguns momentos do conceito e de sua releitura a partir das obras de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer e de seus críticos do mundo anglófono, como Fredric Jameson, Susan Willis, Susan Sontag e Mark Fisher, entre outros. O objetivo é reapresentá-lo sob o caráter prismático que o caracteriza, bem como explorar outros aspectos (potenciais) de seu desenvolvimento: sua relação com as construções de gênero e raça, com o imperialismo cultural e com a chamada “revolução digital” recente. Trata-se de ressaltar que a “indústria cultural” é uma agenda de pesquisas em aberto, que submete a crítica contemporânea a novos desafios.
Palavras-chave: Indústria Cultural. Theodor W. Adorno. Fredric Jameson. Susan Willis. Susan Sontag.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Lucia Maria Bastos Pereira das Neves
RESUMO
O presente artigo busca identificar e analisar os panfletos manuscritos que se sabe terem circulado pelas ruas do Rio de Janeiro, Bahia e Maranhão, no período entre 1820 e 1824, os chamados “papelinhos”. No tempo de discussões sobre as ideias de constitucionalismo e de independência, a grande importância desses escritos deriva de servirem de principal meio de comunicação para a maior parte da população, ávida de informação sobre a pouco decifrável vida política de então. A partir da análise das linguagens políticas desses manuscritos, procura-se ainda ressaltar ideias e conceitos que se politizavam e democratizavam, demonstrando como esses instrumentos do saber político possibilitaram que a política saísse do círculo restrito da Corte e alcançasse os espaços públicos. O Antigo Regime desmoronava, e anunciava-se o início de uma cultura política moderna, liberal e constitucional.
Palavras-chave: Panfletos Manuscritos. Linguagens Políticas. Constitucionalismo.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Gestão Cultural
Por Bernard Alexander Lemos Tjabbes, Letícia Nascimento Santiago, Lígia Kulaif Perroni, Luciana Cristina Ramos Nicolau, Pedro Vianna Godinho Peria
RESUMO
A ausência de institucionalidade das políticas públicas de cultura no Brasil mostra-se como um dos principais desafios para agentes públicos e privados que se dedicam à construção de ações efetivas. Partimos do estudo do caso da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo (SEC) para compreender que estratégias são criadas para driblar esse quadro na política museológica. Sem uma política definida em lei, questionamos como o órgão foi capaz de desenvolver uma ação museológica, consistente no tempo, a partir do modelo de contratualização com organizações sociais. A profundidade dos termos de referência e as suas alterações empreendidas pela equipe técnica da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico (UPPM/SEC) garantiram o desenvolvimento da qualidade deste documento, permitindo uma evolução da política. Propomos que esses termos sejam vistos como cumpridores da função de conferir institucionalidade, continuidade e manutenção do que seria uma “política estadual de museus”, o que, no entanto, não acaba com os desafios da gestão cultural.
Palavras-chave: Organizações Sociais. Museus. Publicização. Gestão Cultural.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Ísis Cunha Oliveira Barbosa
RESUMO
O campo profissional da gestão e da produção cultural no Brasil nasceu em uma jornada dupla: pautado pela necessidade, porém desenvolvido na informalidade. Foi somente nos anos 1990 e mais adiante, na primeira década dos anos 2000, que cursos e formações para gestores e produtores foram progressivamente sendo desenvolvidos. São Paulo, um dos maiores pólos culturais do país, reúne parte desses cursos, entretanto tal quantidade não atende à demanda setorial da cidade nem se capilariza suficientemente a nível estadual, capacitando e influenciando outros municípios. Esta pesquisa teve como objetivo realizar um levantamento dos principais cursos da área oferecidos na cidade de São Paulo, adotando critérios específicos de seleção, e discutir sua existência, suas problemáticas, além de questões de democratização e acesso. Para tal, foram utilizadas como metodologia as análises descritiva, de conteúdo e de cluster.
Palavras-chave: Cultura. Gestão Cultural. Produção Cultural. Formação. São Paulo.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Átila Alexandre Trapé, Débora Henrique de Oliveira, Douglas Roque Andrade, Kátia Aparecida Pereira Moraes, Luiz Madureira, Tiago Guimarães Barbosa, Giselle Tavares, Luciana Itapema e Patrícia Dini
RESUMO
Este artigo apresenta o Caderno de comunicação e reflexões para ações humanizadas na gestão do esporte, produto final do trabalho de conclusão de um grupo de profissionais do setor público, estudantes e participantes da primeira edição do “Curso Sesc de Gestão do Esporte: diversidade, cultura e lazer”, voltado à qualificação de profissionais de gestão esportiva do setor público, privado e terceiro setor. Direcionado a todas as pessoas envolvidas na gestão do esporte, o caderno apresenta definições, histórias de superação e frases estigmatizantes sobre os temas capacitismo, etarismo, gordofobia, LGBTQIAPN+fobia, racismo e sexismo, convidando o leitor a refletir e aprofundar seus conhecimentos, a fim de que estes potencializem novas práticas, de caráter mais humanizado, possibilitando um esporte mais inclusivo, igualitário e transformador.
Palavras-chave: Atividade Física. Diversidade. Discriminação. Estereótipo. Preconceito.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Por Adan Lucas Parisi, Andresa Caravage de Andrade, Carla Carolina Malheiros, Eduardo Garcia, Fabio Rodrigues, Fabricio Addeo Ramos, Júlio Sakamoto, Marcos Roberto Santos, Maria Emilia Carmineti e Ruth dos Santos
RESUMO
O Sesc conta com um conjunto de múltiplas linguagens e influências do acesso à cultura, ao esporte, à saúde, ao desenvolvimento infantojuvenil, à terceira idade e ao turismo social. Dentro desta seara, o esporte é adotado como uma das estratégias de promoção do processo educativo não formal nas ações institucionais, fazendo parte das atividades diárias oferecidas aos seus frequentadores em todo o país. Partindo da premissa institucional de fomentar a convivência, o respeito, o protagonismo e a aceitação da legitimidade da diferença, bem como propiciar um local de acolhimento seguro aos diversos públicos, faz-se necessária a inclusão das pessoas transexuais e travestis nas proposições do Programa Sesc de Esportes. O presente documento apresenta estratégias de acolhimento adequado e inclusivo, a fim de dirimir a discriminação e o preconceito. São proposições como o mapeamento de grupos, a sensibilização, a dialogicidade com o território, as mediações e as ações educativas através do esporte.
Palavras-chave: Acesso. Legitimidade. Esporte. Dialogicidade.
Para ler o texto completo, baixe o artigo neste link.
Entrevista
Centro de Pesquisa e Formação: O conceito de economia criativa tem reunido um conjunto diverso e heterogêneo de acepções que, do ponto de vista teórico, às vezes se confunde com indústria criativa ou é visto em contraposição à economia da cultura. Como você define o campo da economia criativa?
Cláudia Leitão: A confusão entre taxonomias, glossários e conceitos acerca da economia dos bens e serviços de valor simbólico é uma das expressões nefastas do império cognitivo do Norte global sobre as epistemologias do Sul. Nesse sentido, categorias teóricas que fundamentam modelos de desenvolvimento são adotadas de forma acrítica, reforçando subordinações econômica, mas, sobretudo, dependências culturais.
Boaventura de Sousa Santos observa que, para descontruir grandes palavras e produzir novas mediações, é necessário que estejamos abertos a perspectivas surpreendentes, à heterogeneidade do conhecimento, à possibilidade de desaprender para reaprender, a reconhecer novas metodologias, a produzir novas semânticas e sintaxes, enfim, a dar voz a novos interlocutores. No campo da Economia Criativa, os Relatórios da Unctad e da Unesco são as grandes referências das terminologias das indústrias criativas, da economia criativa e da economia da cultura. Se tomarmos, por exemplo, o Relatório da Economia Criativa 2010, que foi traduzido para o português pela Secretaria Nacional da Economia Criativa, observaremos que, embora intitulado “Relatório de Economia Criativa”, quando se refere aos números apresentados, a expressão utilizada é a das indústrias criativas. Ora, essa (con)fusão entre economias criativas e indústrias criativas, sobretudo quando os discursos são laudatórios à sua performance econômica, exemplificam a hegemonia de uma expressão sobre a outra.
Para ler a entrevista completa, baixe neste link.
Resenha
Por Teresa Ontañón Barragán
Resenha do livro: INFANTINO, Julieta (org.). A arte do circo na América do Sul: trajetórias, tradições e inovações na arena contemporânea. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2023.
Possivelmente a maioria dos pesquisadores da temática já tentaram definir o significado da palavra circo. Arte do insólito, do inesperado, do difícil, do diverso, do extraordinário, da proeza, do risco ou do espetáculo. Arte que acontece no picadeiro, embaixo da lona, no teatro, mas também nas ruas, nas praças, nos sinaleiros e nas escolas ou universidades. Diversidade de adjetivos e locais que não somente demonstram as inúmeras formas de entender o circo, mas remetem à amplitude da própria arte. A pergunta que segue… Existem vários tipos de circo? Circo tradicional, circo família, circo de lona, circo contemporâneo, circo novo… são diferentes? Como? O que esses conceitos específicos carregam na sua significância?
Essas e muitas outras questões são apresentadas no livro A arte do circo na América do Sul, organizado pela pesquisadora e professora argentina Julieta Infantino. Obra que apresenta um riquíssimo intercâmbio entre especialistas, professores, pesquisadores, gestores e artistas de diversos países que debatem sobre os caminhos percorridos pelo circo na América do Sul. Dentre os convidados para compor o livro, há renomados autores brasileiros, argentinos, uruguaios e chilenos que vivem, respiram e conhecem profundamente o circo, não apenas do país de origem, mas também dos vizinhos.
Para ler a resenha completa, baixe o arquivo neste link.
Poesia
Narrativas Visuais
Utilizamos cookies essenciais para personalizar e aprimorar sua experiência neste site. Ao continuar navegando você concorda com estas condições, detalhadas na nossa Política de Cookies de acordo com a nossa Política de Privacidade.