Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 16 – Dossiê Casas: Espaços de Produção Cultural (ISSN 2448-2773)

01/08/2023

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Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 16 – Dossiê Casas: Espaços de Produção Cultural

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo

PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman

DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda

SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Rosana Paulo da Cunha
COMUNICAÇÃO SOCIAL Aurea Leszczynski Vieira Gonçalves ADMINISTRAÇÃO Jackson Andrade de Matos
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Marta Raquel Colabone CONSULTORIA TÉCNICA Luiz Deoclécio Massaro Galina

GERENTES
ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO João Paulo Leite Guadanucci
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira

REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADOR DO DOSSIÊ Edson Martins Moraes
PREPARAÇÃO DE TEXTO E REVISÃO DE PROVAS Sérgio Molina ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Leila Schöntag

EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli


Apresentação

Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo

A estrutura de uma casa e os itens contidos em seu interior portam dimensões simbólicas e imaginativas ligadas a experiências e lembranças do espaço vivido: objetos, odores, relações, afetos, trajetórias de vida. Essas memórias impregnam o ambiente doméstico, do mesmo modo que parecem guardar o tempo, além de aguçar a percepção e de atestar a importância da moradia e dos encontros que esse lugar proporciona.

A casa é testemunha de histórias íntimas, mas não só por servir de lócus de interação entre as pessoas; é também um espaço de fruição, de sonhos, fotografias, cores, flores, vasos, garatujas marcadas nas paredes,
com recantos arranjados de formas particulares que distinguem cada um, em sua individualidade. De privados, esses espaços podem, em determinadas situações, se tornar públicos, com a ampliação de suas possibilidades funcionais, bem como do alcance das subjetividades e das experimentações.

A edição de número 16 da Revista do Centro de Pesquisa e Formação destaca a importância das pequenas células culturais chamadas de independentes, alternativas, auto-organizadas, autônomas – ou simplesmente casas. São locais que fomentam experiências estéticas, iniciativas culturais e projetos educativos voltados à transformação social, assim como a prática das portas abertas para o encontro e momentos coletivos. A convivência das pessoas nesses espaços representa fonte de interesse para estudiosos de temas relacionados ao campo da educação não formal.

(…)

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Dossiê Casas: Espaços de Produção Cultural

Revisitar a casa bachelardiana: um devaneio-manifesto sobre o imaginário estético e político em um habitar latino-americano

Por Gabriel Kafure da Rocha

RESUMO
O presente artigo se constitui em uma reflexão que tenta responder à seguinte questão: o que é habitar “a casa”? A partir dessa provocação, buscamos refletir singularmente e criticamente com a “filosofia do não” bachelardiana, bem como complementar com traços heideggerianos da relação entre Ser e Habitar, aplicada a uma contextualização latino-americana de alguns movimentos artísticos e intelectuais. Para isso, fazemos uma revisitação ao conceito de casa em Bachelard para compreender o eterno- retorno que todo ser empreende (o ir-e-vir entre trabalho e casa, o público e o privado, animus e anima) e encontrar as diferenças possíveis de pensar além da técnica em novas topofilias e heterotopias enquanto paisagens possíveis do abrir as janelas do imaginário da nossa visão atual sobre casas culturais. Como resultado, entregamos um apêndice de uma carta imaginária a Bachelard na tentativa de imaginar qual seria a resposta para essas provocações da parte do próprio filósofo.

Palavras-chave: Topofilia. Heterotopia. Bachelard. Heidegger.

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Instituto Juca de Cultura: uma casinha e seu voo

Por Alisson Antonio Amador

RESUMO
Este artigo apresenta a história e as principais atividades relacionadas ao Instituto Juca de Cultura. Para isso foi necessário resgatar a biografia do poeta Juca da Angélica, assim como a biografia do idealizador desse espaço, o poeta Paulo Nunes. Discorremos sobre as principais atividades do espaço que são: as apresentações (shows); os Sarau-lins e os Sarau-lões. Através do olhar etnográfico do autor deste trabalho e suas discussões com Paulo Nunes, foi possível apresentar pensamentos e atitudes que são consideradas por eles como primordiais para a manutenção desse espaço.

Palavras-chave: Instituto Juca de Cultura. Centros Culturais. Saraus. Espaços Culturais Alternativos.

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A Casa Amarela: tensões e contradições na disputa pelo território urbano

Por Janice de Piero, Maria Fernanda Andrade Saiani Vegro

RESUMO
Desde os anos 2000, um conjunto de transformações significativas tem ocorrido na metrópole de São Paulo, fruto do avanço da financeirização na produção do solo urbano que tem alterado radicalmente o uso e o sentido dos lugares. No caso da habitação, tal quadro, tem implicado no avanço vertiginoso do processo de verticalização, no aumento da segregação, da desigualdade social, mas também na descaracterização e adensamento de bairros residenciais tradicionais da cidade. Nessa perspectiva, este artigo propõe iluminar o significado do “ato de resistir” que envolve comunidade local, interesses sociais, políticos, econômicos e a cultura a partir do estranhamento e permanência do imóvel Casa Amarela (1921), tombado em 2021, no bairro da Vila Romana, na Zona Oeste da cidade, que sobreviveu às armadilhas e artifícios do mercado imobiliário predatório.

Palavras-chave: Casa Amarela. Verticalização. Resistência. Especulação Imobiliária.

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A Casa Tombada: um lugar para cultivar a vida junto

Por Ângela Castelo Branco, Giuliano Tierno

RESUMO
Neste ensaio apresentamos a história d’A Casa Tombada, um espaço nomeado como lugar de arte, cultura e educação que nasceu na cidade de São Paulo em 2015. Refletimos sobre suas mudanças durante a pandemia de Covid-19, além de sua expansão online a partir daquele momento, nomeando-se A Casa Nuvem. Ao longo do texto são apresentadas “cenas fulgor”, conceito criado pela escritora Maria Gabriela Llansol (1994) para nomear “uma morada de imagens”, com acontecimentos que contribuíram para os principai pensamentos abordados aqui. A saber: o sentido de lugar; a escolha pelo estético convívio e a articulação entre produção cultural, práticas artísticas e práticas formativas com vistas à vinculação. Por fim, consideramos que a potência de inventar a vida num’A Casa está alicerçada na aliança entre ensino, amizade e vida familiar.

Palavras-chave: Casa. Arte. Cultura. Educação. Vinculação.

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Casa da Ponte: cuidando da travessia

Por Marleth Reis Alves, Reinaldo Reis Alves

RESUMO
Neste ensaio, apresentamos a história da Casa da Ponte, criada em 2018, na Zona Oeste da cidade de São Paulo, para atender pessoas que precisam de apoio emocional, espiritual e/ou físico, congregando espiritualidade, cuidado e atividades artísticas a partir de conhecimentos ancestrais, conhecimento científico e do saber da experiência transmitido pela cultura. Destacamos algumas dessas experiências, carregadas de um saber popular que remonta às culturas dos povos indígenas, negros e a alguma coisa trazida pelos migrantes. Todos esses elementos compõem o que chamamos de alicerces de fundação da Casa.

Palavras-chave: Espiritualidade. Cuidado. Ancestralidade. Saber da Experiência.

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Formas de pensar as casas ou espaços culturais em relação à gastronomia: a importância das comidas e bebidas nos espaços de arte e cultura

Por Maria Cláudia Gavioli

RESUMO
Com o surgimento e expansão de espaços alternativos que promovem cultura e manifestações artísticas em casas, o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc–SP passou a acolher os gestores desses espaços, integrando suas experiências à programação mensal da instituição. Este artigo é uma reflexão sobre como a hospitalidade e a comensalidade se manifestam nessas casas que, por meio da ação de seus gestores, são transformadas em espaços e ambientes de produção cultural e artística coletiva. A metodologia usada para sua construção foi a de observador participante, baseada em experiências e impressões, e pesquisa bibliográfica, pautada em referencial teórico resultante de pesquisa acadêmica sobre hospitalidade e gastronomia. Dessa observação resultam considerações sobre a importância da comida, elemento identitário e cultural que fortalece os vínculos, e de como a gastronomia se entrelaça às próprias manifestações artísticas.

Palavras-chave: Casas-Espaços de Produções Culturais. Comida. Gastronomia. Hospitalidade.

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Teatro de grupo e cidade: territórios de criação como espaços de arte/vida

Por Caio Franzolin

RESUMO
O presente texto tem por objetivo articular o teatro de grupo com as dinâmicas urbanas, a partir das reflexões realizadas pelo autor em sua pesquisa de mestrado, na qual estabelece o entendimento das sedes dos coletivos do teatro de grupo de São Paulo como territórios de criação e seu diálogo com a cidade. De início apresentando aspectos das duas áreas, sendo características das cidades e daqueles constituintes dos coletivos teatrais alinhados com as práticas do sujeito histórico teatro de grupo. No decorrer da reflexão, é possível encontrar pistas sobre o diálogo contínuo e intenso dos dois campos, sendo problematizadas as relações que, longe de serem ideais, caminham nos limites de suas tensões. Os sentidos que o lugar pode trazer para os coletivos espalhados pelo tecido urbano que, instituindo espaços-sedes, trazem para a vida nos territórios as fissuras nas paisagens e a incidência na ordem, no discurso hegemônico refletido no espaço público e na prática do próprio direito à cidade.

Palavras-chave: Teatro de Grupo. Teatro Paulistano. Teatro e Cidade. Espaços Culturais.

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Ateliê do artista: uma topologia da intimidade

Por Helena Bagnoli

RESUMO
Este texto faz uma reflexão sobre o papel do ateliê no processo criativo do artista, a partir de visitas realizadas para a seção “Ateliê do Artista”, da revista Bravo!, que dirigi entre 2016 e 2022, e, posteriormente, para a série audiovisual Artérias, composta de 26 minidocumentários com artistas indígenas, negros e trans de todo o Brasil, que realizei para a SescTv, em 2021. Em ambos os projetos, o objetivo era mapear o que estava sendo produzido e identificar como se dava a criação. Além dessa vivência, fiz no texto que segue um mergulho na trajetória histórica desse espaço que pode se materializar em inúmeros formatos, para tentar identificar qual é esse lugar imaginário, quase mítico, que ele ocupa.

Palavras-chave: Ateliê. Artista. Criação. Arte Contemporânea. Lugar.

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A emergência de um novo circuito das artes visuais

Por Maíra Endo

RESUMO
Este texto fala do processo de emergência do circuito auto-organizado das artes visuais a partir do relato da experiência da gestora, curadora, produtora e pesquisadora Maíra Endo ao longo dos doze anos que integrou o Ateliê Aberto, espaço auto-organizado que atuou em Campinas–SP entre 1997 e 2016. O Ateliê Aberto participou ativamente deste processo, iniciado ainda na década de 1990, através da participação em uma série de projetos — a grande maioria deles viabilizado através de políticas públicas de fomento direto — que mapearam, investigaram e discutiram a natureza das iniciativas auto-organizadas para as artes visuais. O texto é complementado por dados colhidos por Maíra através da pesquisa CÓRTEX, que desenvolve desde 2015, e também por sua visão e entendimento sobre este circuito, no qual atua há dezenove anos.

Palavras-chave: Auto-organização. Artes Visuais. Gestão Cultural. História. Ateliê Aberto.

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Artigos

Cidades e ruínas

Por Silvio Luiz Cordeiro

RESUMO
Neste texto, o autor ilustra um relato sobre o curso Cidades e Ruínas e expõe conceitos elaborados no contexto de sua trajetória como arquiteto, arqueólogo e documentarista, ao estudar as transformações das paisagens urbanas no tempo, mas a partir de sua produção cultural recente, motivada por reflexões que animam a série internacional Antropocênica, na qual as ruínas são consideradas em sua dimensão humana e como resultantes dos impactos provocados pelas ações da humanidade na história de nossa presença na Terra.

Palavras-chave: Cidade. Ruína. Imagem. Patrimônio Cultural. Memória.

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Panorama dos parques paulistanos a partir de visitas em grupo promovidas pelo CPF Sesc

Por Francine Sakata

RESUMO
Este artigo visa registrar a experiência de dois cursos organizados por Francine Sakata e Marcos Toyansk em 2022, que envolveram visitas a parques paulistanos com aulas-palestras ministradas no percurso de ida dentro do ônibus e nos locais selecionados para visitação. A autora vem estudando a história e a criação dos parques urbanos no país, partindo das premissas de que os parques, neste início do século XXI, têm como principal papel a aproximação do homem com a natureza e de que a qualidade desta relação pode conduzir a ações de preservação ambiental. A visita aos parques contribui para atualizar o conhecimento sobre eles e o envolvimento do grupo de visitantes como interlocutores integra-se à metodologia de pesquisa. Organizadores, palestrantes convidados e participantes, muitos deles envolvidos com a gestão de espaços públicos, trouxeram questões e produziram reflexões que poderão ser desenvolvidas e contribuir com o tema.

Palavras-chave: Parques Urbanos. Parques Públicos. Trilhas. Educação Ambiental. São Paulo.

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Memórias de ruas do Bixiga ao longo do tempo

Por Heitor Frúgoli Jr.

RESUMO
O artigo se baseia em fala proferida no ciclo de debates sobre o território do Bixiga, realizado no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc–SP, em março de 2023. Começo com memórias de vivências pessoais no Bixiga e seu entorno, entre final da década de 1970 e início dos 1980. A seguir, relato outra experiência, realizada pelo Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo (NAU–USP) no final dos anos 1980, cuja equipe integrei parcialmente, e que veio a ter, como um dos espaços enfocados, a “mancha do Bexiga”. Encerro com olhares sobre tal bairro, ocorridos no ano passado (2022), durante uma caminhada ligada à “Jornada do Patrimônio” (Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo) e de outra promovida por integrantes do Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade (GEAC–USP).

Palavras-chave: Memória. Bairro. Bixiga.

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Pedagogia do Movimento no ambiente virtual

Por Alan Queiroz da Costa

RESUMO
A influência das plataformas digitais nas atividades e práticas corporais tem sido percebida de maneira evidente nos comportamentos das pessoas. Contextualizando o debate na área da Educação Física, a “Pedagogia do Movimento no Ambiente Virtual” será abordada a partir de sua perspectiva histórica e prática. Conceitos, definições e novas perspectivas de enxergar o contemporâneo conectado serão tematizados a partir de conhecimentos da área da comunicação como proposta de relacionar plataformas digitais, práticas corporais e as exigências que recaem sobre os professores. Possibilidades e alternativas serão debatidas a partir de exemplos práticos, refletindo sobre temáticas como atividade física e saúde, jogos digitais, mídia-educação física nas diversas instâncias pedagógicas na educação física. Por fim serão apresentadas algumas considerações e perspectivas enfatizando a formação e desenvolvimento de competências digitais em busca de continuidade e avanço das conquistas e produções da área.

Palavras-chave: Pedagogia do Movimento. Virtual. Competências Digitais. Educação Física.

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Gestão Cultural

Perfurar água, nascer palavra

Por Arami Argüello

RESUMO
Neste artigo pretende-se refletir sobre possíveis caminhos para o desenvolvimento de projetos ou ações culturais no contexto das retomadas indígenas kaiowás, por meio de uma análise da experiência vivida no projeto sociocultural Caminho das Águas. O projeto em questão nasceu da urgência em promover o acesso à água a comunidades indígenas kaiowás do Mato Grosso do Sul, no contexto da crise sanitária causada pela pandemia de Covid-19. O intuito é refletir sobre possíveis desdobramentos dessa proposta que nasce com um perfil de assistência humanitária, realizada pelo espaço cultural Casulo, e pretende-se transformar em um projeto que permeia as áreas da cultura e dos direitos humanos.

Palavras-chave: Cultura Indígena. Kaiowá e Guarani. Desterro. Projeto Sociocultural. Gestão Cultural. Mato Grosso do Sul.

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O Pro-Mac: um estudo sobre a lei de incentivo e a descentralização do investimento cultural paulistano

Por Tatiana Solimeo

RESUMO
Este estudo analisará o impacto dos investimentos da Lei de Incentivo à Cultura do município de São Paulo, no cumprimento de seus fundamentos, sobretudo analisando a descentralização dos projetos culturais pelo território paulistano. A Lei Municipal no 15.948/2013, conhecida como Pro-Mac, regula a aplicação do incentivo fiscal à cultura no município de São Paulo, mapeando de modo georreferenciado os investimentos concedidos aos projetos inscritos, buscando compreender o impacto causado pela lei na descentralização do investimento cultural em São Paulo, avaliando em especial se o incentivo cultural atinge o fundamento legal ou se é uma forma de patrocínio indireto, não se consolidando como diretriz política. A fim de atender a este objetivo, a pesquisa partirá da revisão da literatura especializada, de documentos governamentais, coleta de dados da Secretaria Municipal de Cultura, auferindo o potencial de impacto dos investimentos e sua abrangência pelo município.

Palavras-chave: Política Cultural. Leis de Incentivo. Cultura. Política Municipal.

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Potencialidades e desafios na área cultural da microrregião de Lins: um olhar pós-Lei Aldir Blanc

Por Aparecida de Fátima Martins de Paula

RESUMO
Este estudo visa identificar as potencialidades e desafios na área cultural de cinco municípios pertencentes à microrregião de Lins, que correspondem às cidades de Lins, Getulina, Cafelândia, Guaiçara e Sabino, a partir do diagnóstico e análise de dados coletados em entrevistas com os gestores culturais desses municípios, com base na experiência vivenciada por eles e nos cadastros dos trabalhadores da cultura durante a implantação da Lei Aldir Blanc (Lei no 14.017/2020). Com base na escuta dos cinco gestores e nas experiências reais vivenciadas no processo pandêmico, foram levantadas as fragilidades e potencialidades nesse processo a fim de indicar uma solução coletiva por meio da formação de uma rede. Os governos locais estão numa posição privilegiada para promover ativamente o debate democrático em suas comunidades e criar espaços em que os cidadãos possam exercer os seus direitos e ampliar suas capacidades, para serem protagonistas do presente e para decidirem o seu futuro.

Palavras-chave: Lei Aldir Blanc. Política Pública. Cultura. Rede Cultural.

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Entrevista

Entrevista com Maria Vilani

Centro de Pesquisa e Formação: A edição atual da revista trata dos pequenos espaços culturais que são referência para as grandes instituições. A forma de acolhimento, de como pensar a programação e juntar pessoas para uma conversa, é uma referência que tem inspirado em escala mais ampla. Para iniciar essa conversa, é importante contextualizar a sua história e ação cultural. Por favor, conte-nos um pouco da sua trajetória.

Maria Vilani: A minha história não é diferente da de muitas mulheres nordestinas que chegaram às periferias de São Paulo, pois costumo dizer que a gente não vem para São Paulo; a gente que vem para tentar a subsistência, por assim dizer, não conhece o glamour de São Paulo, concentrado nos bairros “nobres”. A gente é acolhida pela periferia. E nessa periferia a gente encontra uma série de pessoas que nos antecederam, mas, na história, só mudam as personagens.

A gente está em busca de melhores condições de vida, ou de propiciar melhores condições de vida para nossos filhos. Estava falando com meu marido: “Não sei por que a gente põe filho no mundo”, ele respondeu: “É a vida”. Será que é isso, é a vida, né? Porque, se não tomar muito cuidado, a gente, que chega desses lugares longínquos… não me refiro à distância geográfica, mas à distância dos direitos, do direito à cidadania, uns têm, outros não têm. Então não se aproximam.

E a periferia está sendo um reflexo do lugar de onde a gente veio, porque a cultura se estabelece ali, as trocas se estabelecem ali. Então, digo que o Grajaú é o meu país, porque realmente foi no Grajaú que consegui me formar e contribuir para que meus filhos tivessem uma formação. Então foi no Grajaú que decidi, digamos assim, impulsionada pelas circunstâncias, que seria meu lugar. Esse é meu lugar.

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Resenha

Modernidade projetada: debates sobre a educação com o cinema e do cinema no Brasil

Por Glaucia Dias da Costa

Resenha do livro: CATELLI, Rosana Elisa. Cinema e Educação: a emergência do moderno (anos 1920 e 1930). São Paulo: Edições Sesc SP, 2022.

Em agosto de 1929, no Rio de Janeiro, ocorreu a 1a Exposição de Cinematographia Educativa, promovida pela Diretoria de Instrução Pública do Distrito Federal, órgão responsável pelas políticas educacionais da capital do país. O evento, amplamente divulgado pela imprensa local, tinha como principal intuito educar o professorado para o uso do cinematógrafo nas aulas. No entanto, seu público-alvo não eram apenas professoras e professores. Aberta a todos os públicos, a exposição foi também um meio de popularizar a Reforma do Ensino do Distrito Federal, proposta por Fernando de Azevedo em 1928, que encontrava resistência entre alguns educadores e jornalistas e polarizava opiniões, principalmente por propor a obrigatoriedade e gratuidade do ensino (VIDAL; FARIA FILHO, 2002). A reforma, que tinha por objetivo democratizar e modernizar a educação do Rio de Janeiro, servindo de modelo para outros estados, trazia a inovadora proposta de implementação do cinema educativo nas escolas. Tratava-se de um recurso técnico moderno, que prometia renovar o ensino e o aprendizado dos diversos conteúdos curriculares. Mas essa possibilidade de uso de filmes em sala de aula era um assunto novo, restrito a um grupo limitado de intelectuais. Naquele momento, o cinema — considerado uma “escola de vícios” por propagar comportamentos tidos como inadequados para crianças e adolescentes — não contava com muito prestígio entre os educadores, médicos e juristas. Assim, a mostra de 1929 foi uma estratégia para apresentar ao grande público o lado positivo do cinema: aquele que ensina com imagens em movimento.

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Poesia

Uma praça

Por Paulo Nunes

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Narrativas Visuais

Entre laços: no interior do meu Bixiga

Por Thais Taverna

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