Revista do Centro de Pesquisa e Formação n.11 – Dossiê: Poesia Para Ler o Mundo – ISSN 2448-2773

01/12/2020

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Revista do Centro de Pesquisa e Formação n.11 – Dossiê: Poesia Para Ler o Mundo

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo

PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman

DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda

SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL: Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL: Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO: Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO: Sérgio José Battistelli

GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO: Andréa de Araújo Nogueira
ARTES GRÁFICAS: Hélcio Magalhães

REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR: Marcos Toyansk
ORGANIZADORES: Emily Fonseca e Sabrina da Paixão Brésio
REVISÃO: Sérgio Molina
ILUSTRAÇÃO DE CAPA: Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO: Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO: Luciano Urizzi

EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli


Apresentação

Poesia para ler o mundo

Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo

“A poesia é um fato inelutável.” Assim o linguista Roman Jakobson apresenta o que é a poesia num colóquio sobre o tema, em 1973. Mas do que é feita a matéria da poesia? Ritmo, métrica, sonoridade, composição.

Também é feita de imagens, de invenção de palavras, de quebra das formas que desenham na página outras concretudes. Ferreira Gullar diz que a poesia é feita de ar, de barulho, do sopro que anima as palavras.

Portanto, só existe o poema quando ele alcança olhos humanos, que podem vivificá-lo em sua voz/corpo/som. Falamos em poesia quando observamos uma função de alcance decisivo numa obra literária: a poeticidade.

Ela desloca o sentido das palavras de seus lugares, atuando como comportamento transformador e determinante do conjunto de elementos. Ao fazê-lo, produz pensamento.

Neste sentido, o presente dossiê sobre poesia contemporânea visa oferecer aos leitores e leitoras um sucinto panorama acerca do fazer poético e suas potências, a partir de referenciais diversos, concernentes ao conjunto de práticas envolvidas na produção, edição, publicação e circulação da poesia feita em nosso tempo.

Os artigos aqui presentes constituem-se como diálogos iniciais que apontam partes deste todo: desde as relações do poema com as artes performáticas e sonoras; a produção feminina e negra, com seus modos de romper o muro do cânone literário androcêntrico e predominantemente branco; até os movimentos de autopublicação e do fomento editorial independente como via para novos autores e autoras.

(…)

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Dossiê: Poesia Para Ler o Mundo

Poesia e performance

Por Beatriz Azevedo

RESUMO
Este artigo aborda relações entre poesia e performance, partindo de referências como a Teogonia de Hesíodo e as funções do Aedo Grego, pas- sando pelos trovadores medievais, pelas vanguardas do começo do século XX, pelo conceito de Transcriação, de Haroldo de Campos, até chegar às primeiras décadas do século XXI. Articulando reflexões teóricas com ex- periências práticas em poesia e performance, desenvolvidas pela artista Beatriz Azevedo, o texto articula conceitos de autores como Jaa Torrano, Octavio Paz, Haroldo de Campos, Marjorie Perloff, Rosalind Krauss, Os- wald de Andrade e outros.

Palavras-chave: Poesia. Performance. Transpoético.

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Poeminhas: o efêmero e o instantâneo

Por Carlos Vogt

RESUMO
O artigo objetiva apresentar e discutir duas tendências formais na poesia brasileira, em especial a partir e por influência do movimento modernista, no começo do século XX, cujo marco instaurador se dá com a Se- mana de Arte Moderna, em 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. O poema curto, breve, epigramático e o poema longo, discursivo constituem as formas de expressão dessas duas tendências. Em torno dessa oposição, o artigo passa em revista alguns poetas modernos, Guilherme de Almeida e Cyro Armando Catta Preta, em particular, para fixar-se, enfim, na poesia do próprio autor, Carlos Vogt, na qual a tensão desse antagonismo permanece como definidora de seu ideário poético.

Palavras-chave: Poesia Moderna. Epigrama. Poema Discursivo. Hipertexto. Vanguardas.

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A canção popular contemporânea brasileira: um patrimônio discursivo sintomático

Por Sylvia Helena Cyntrão

RESUMO
A representação discursiva subjetiva, sua ontologia e importância nos processos de construção de uma ideia de nação é o foco do estudo das letras de canções que abordaremos, por veicularem imagens circulantes, reiteradas na memória dos sujeitos contemporâneos. O artigo visa expor e refletir sobre as inscrições simbólicas que permeiam o grupo social de onde partem e constroem seu ethos. Inseridos na indústria cultural, os produtos espelham sintomas tanto de fragilidade individual como de resistência social, fenômenos que serão fundamentados a partir do pensamento dos filósofos e sociólogos Zygmunt Bauman, Theodor Adorno, Néstor García Canclini, Byung-Chul Han, Muniz Sodré e do teórico da literatura Affonso Romano de Sant’Anna. Além de olhar o que já é tradicional e conhecido da diversificada cultura musical popular brasileira, propõe-se também expandir a audição de vozes inovadoras que buscam romper a ditadura mercadológica do “igual” e as barreiras políticas de silenciamento.

Palavras-chave: Canção Popular. Poesia. Sintomas Sociais.

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Poetas de rua: a via literária na via urbana

Por Daniel Viana

RESUMO
Este artigo tem o objetivo de apresentar movimentos e manifestações literárias realizadas em espaços públicos da cidade de São Paulo, colocando em igual protagonismo a rua e os poetas que se apropriam dela para a divulgação de suas criações. Organizamos o texto em dois eixos que se interligam: poesia falada e poesia escrita. Para apresentar as características de cada eixo, optamos por relacioná-las com poetas da cena contemporânea, visando ilustrar também os resultados das práticas literárias no espaço citadino. Articulando um olhar sobre artistas, grupos e poetas de rua, apontamos diálogos entre o passado e o presente, chegando à conclusão de que as manifestações artísticas urbanas são atemporais.

Palavras-chave: Poeta de rua. Arte Urbana. São Paulo. Cultura Urbana. Literatura.

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Abu-Nuwas, o poeta libertino das Mil e uma noites

Por Alexandre Facuri Chareti

RESUMO
Abū-Nuwās (~757–815) é um dos mais famosos poetas árabes, que, por sua peculiar irreverência, foi elevado ao mundo das fábulas. Retratado, desde seu tempo, em histórias e anedotas, o poeta figurou entre as Mil e uma noites, a que cedeu suas características mais memoráveis, a eloquência e a perversidade. É reconhecido como um dos inovadores da poesia árabe, e seus versos de vinho ilustram o espaço social de Bagdá, quando a glória do califado de Hārūn Arrašīd teceu seu caminho até os sonhos.

Palavras-chave: Abū-Nuwās. Mil e uma noites. Poesia Árabe. Tradução.

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Nove musas mortais: as poetas da Grécia antiga

Por Giuliana Ragusa

RESUMO
Este artigo se debruça sobre as nove poetas mulheres da Grécia An- tiga. Ao enfocar a poesia praticada por mulheres, busca ampliar a refe- rência principal e mais impactante em nossa tradição, Safo, que é, sim, a única que conhecemos de uma era, mas não do mundo antigo helênico como um todo. Tal ampliação, com algumas novas traduções, permite refletir sobre a variedade de gêneros poéticos e da temática e linguagem elaboradas, mesmo se de modo limitado, já que as obras das nove Musas mortais estão preservadas em corpora fragmentados e exíguos. Dito isso, o percurso faz-se relevante à apreciação da presença feminina no cenário cultural da Hélade.

Palavras-chave: Poesia. Grécia Antiga. Poetas Mulheres.

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Cadernos negros e poesia afro-brasileira em evidência

Por Patricia Anunciada de Oliveira

RESUMO
Este artigo visa fazer traçar um panorama do surgimento dos Cadernos Negros, fazendo uma contextualização das condições históricas que deram origem à publicação, apresentando alguns dos autores e autoras e seus textos para análise. São apresentados alguns dos conceitos definidores de Literatura Negra e/ou Afro-Brasileira e algumas das características dos textos publicados ao longo desses 43 anos desde o surgimento da coletânea. Também são analisados alguns dos aspectos que caracterizam a poesia como instrumento de inscrição da subjetividade negra no texto e de resistência ao discurso hegemônico que reproduz estereótipos, contribuindo para a manutenção e reprodução do preconceito racial.

Palavras-chave: Cadernos Negros. Poesia. Literatura. Subjetividade. Voz poética. Negritude.

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Sobre corpos que importam: a poesia de autoria feminina em campo político e ideológico

Por Antonio de Pádua Dias da Silva

RESUMO
Neste artigo reflete-se sobre o corpo feminino como matéria poética para entabular questões políticas e ideológicas sobre a (des)valorização de mulheres em sociedades machistas, androcêntricas e, muitas vezes, patriarcais. Parte-se de ideias teóricas embasadas por Judith Butler (1999; 2010) e Alain Touraine (2010). O corpus de análise é composto pelos livros de poemas As filhas de Lilith (2009), de Cida Pedrosa, e Sangria (2017), de Luiza Romão. Metodologicamente, delimitou-se o corpo negro e o corpo lesbiano como escolha para a discussão por serem os mais evidenciados do ponto de vista político e ideológico no corpus. A linguagem dos poemas analisados denuncia a inferiorização de mulheres ao longo dos séculos e possibilita um empoderamento feminino pela construção de si através da consciência corporal.

Palavras-chave: Corpo e poesia. Corpo negro. Corpo lesbiano. Empoderamento feminino.

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Elas editam: mulheres do livro e da poesia no Brasil contemporâneo

Por Ana Elisa Ribeiro

RESUMO
Neste artigo, no âmbito dos estudos da edição abordados sob uma perspectiva de gênero, tratamos da questão das mulheres editoras no Brasil, em especial das que editaram livros de poesia, considerando que sejam ainda subnarradas, embora tenham sido relevantes para a história editorial e literária do país. Num corte sincrônico e com base em dados gerados por meio de entrevistas assíncronas, tratamos brevemente de seis casos brasileiros de editoras atuantes no século XXI: Casa Verde, de Laís Chaffe, em Porto Alegre; Relicário, de Maíra Nassif, em Belo Horizonte; NegaLilu, de Larissa Mundim, em Goiânia; Escaleras, de Débora Gil Pantaleão, em João Pessoa; Nosotros, de Lubi Prates, Priscilla Campos e Carla Kinzo, de São Paulo; e Macabéa, de Thayssa Rodrigues, Bianca Garcia e Viviane Marques, no Rio de Janeiro. Estas editoras são apenas parte da miríade de casas editoriais fundadas e conduzidas, hoje, por mulheres, dentro de um espectro de possibilidades entre editoras “independentes”, sendo focalizadas aqui aquelas que dão especial atenção à publicação de poesia em seus catálogos.

Palavras-chave: Poesia Brasileira. Publicação de Poesia. Editoras de Poesia. Edição.

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Prazeres com palavras

Por Natália Nolli Sasso

RESUMO
A partir de perguntas como “quem lê”, “quais são as escolhas e quem escolhe aquilo que lemos”, “quem lê poesia erótica contemporânea”, dentre outras, procuro dar visibilidade às relações identitárias entre quem escreve e se dedica a tal subgênero literário e quem o lê, frui de sua materialidade tão censurada quanto silenciada por meios históricos e intrínsecos à própria produção literária.

Palavras-chave: Hábitos de leitura. Poesia erótica contemporânea. Mediação de leitura. Meio editorial. Erótica feminista.

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Artigos

Esporte e jogos olímpicos: entre utopias e pragmatismos

Por Katia Rubio

RESUMO
O objetivo deste texto é apresentar as origens do esporte e do Olimpismo como fenômenos singulares e interrelacionados, que marcam a história do século XX. O esporte surge na sociedade ocidental como uma prática urbana associada diretamente ao lazer e ao uso do tempo livre do século XIX. Regrado, institucionalizado e associado a aristocracia e burguesia era praticado nas escolas frequentadas por jovens considerados os futuros representantes do império inglês. Transformado em conteúdo curricular nas escolas de diferentes continentes tornou-se um dos maiores fenômenos socioculturais da modernidade. Considerado como uma linguagem universal foi regrado e institucionalizado e tomado por Pierre de Coubertin, o idealizador do Olimpismo, como um meio de promoção da educação e da paz. A utopia que envolve a criação do Movimento Olímpico é compatível com a proposta inicial do esporte como meio para a formação de um ser humano integral, porém contrasta com o pragmatismo que envolve o esporte como metáfora do estilo de vida afirmado pelo modo de produção capitalista.

Palavras-chave: Olimpismo. Esporte. Movimento Olímpico. Jogos Olímpicos.

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O Brazil não merece o Brasil? Impasses do pensamento social brasileiro e o paradoxo de Raízes do Brasil

Por João Cezar de Castro Rocha

RESUMO
Análise das modificações nas edições de Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda. Proposta para uma nova abordagem para a disciplina do pensamento social brasileiro.

Palavras-chave: Pensamento Social Brasileiro. Ensaio. Nação. Sérgio Buarque de Holanda.

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Palavras-chave da educação especial e da educação inclusiva: ressignificações

Por Marcos Cezar de Freitas

RESUMO
Este artigo analisa as palavras-chave com as quais, nos últimos quarenta anos, Educação Especial e Educação Inclusiva adquiriram diferentes perspectivas. Indica como as palavras acessibilidade, inclusão e diversidade foram ressignificadas e faz um inventário das palavras que a Educação Inclusiva não conservou das experiências de Educação Especial. Sugere, ao final, possibilidades para um novo uso e apropriação das palavras autonomia e interdependência.

Palavras-chave: Educação Especial. Educação Inclusiva. Diversidades. Repertórios.

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Clonagem e pirataria nos primórdios dos videogames no Brasil

Por Emmanoel Ferreira

RESUMO
Neste artigo, tenciona-se lançar luz sobre os primórdios dos videogames no Brasil, discutindo como determinadas práticas conduzidas por pequenas e grandes empresas brasileiras na primeira metade da década de 1980 e que certamente seriam consideradas ilícitas por parte do mercado em geral, como as de clonagem e pirataria foram decisivas para que o Brasil entrasse no incipiente mercado mundial de videogames. Argumenta-se, ainda, que tais ações estão de certa forma afinadas com certo ethos do “ser brasileiro” que, diante de dificuldades, não hesita em buscar soluções alternativas e criativas para que seus propósitos sejam realizados; modo de ser e agir que se faz presente ainda nos dias de hoje no cenário nacional de desenvolvimento de games.

Palavras-chave: Videogames. Brasil. Clonagem. Pirataria. Atari.

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A exibição de cinema na Coreia do Sul

Por Gabriela Andrietta

RESUMO
Este trabalho busca demonstrar como o governo sul-coreano fortaleceu o seu cinema em um período de abertura econômica na década de 1990. Para reverter os efeitos negativos do neoliberalismo no cinema, o governo sul-coreano garantiu os recursos necessários para a adequação ao alto custo da implementação do cinema multiplex por meio de joint ventures que aliaram o capital doméstico ao capital estrangeiro. Para regular o mercado e garantir a exibição dos filmes sul-coreanos, o governo contou com uma política agressiva de cota de tela, que, além de garantir a exibição de filmes nacionais, garantiu que filmes independentes encontrassem espaço no mercado de exibição. Apesar de o investimento inicial ter sido na produção, essas empresas fizeram alianças estratégicas com o capital transnacional e passaram a investir também no mercado de exibição coreano, que é hoje um dos mais rentáveis do mundo em termo de arrecadação de bilheteria. Para enfrentar a crise econômica causada pela pandemia, o governo sul-coreano isentou os cinemas até novembro do pagamento da contribuição que incide sobre a bilheteria e financiou a desinfecção das salas. Mas essas medidas não têm sido suficientes para o reestabelecimento do setor.

Palavras-chave: Indústria Cultural. Políticas Culturais. Exibição Cinematográfica.

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Gestão Cultural

A política externa dos Institutos Culturais: uma análise da diplomacia cultural sob a dimensão sociológica da cultura

Por Isabel Roth e Juliana Barreto

RESUMO
O presente trabalho busca estabelecer um diálogo entre o campo das relações internacionais e da gestão cultural como forma de compreender a diplomacia cultural e os seus desdobramentos conceituais, sob a luz da dimensão sociológica da cultura. Para tanto, analisará os institutos culturais de promoção cultural externa de Brasil e Alemanha para entender quais as estratégias políticas que permeiam a sua presença cultural internacional. A pesquisa utiliza de análise histórica, elementos teóricos e análise conjuntural política.

Palavras-chave: Diplomacia Cultural. Institutos Culturais. Brasil. Alemanha. Política Externa. Gestão Cultural.

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Uma página de cada vez: breve leitura de um Brasil que pouco lê livros

Por Carlos De Nicola, Genésio Manoel e Max Santos

RESUMO
O presente artigo pretende levantar o debate em torno da formação leitora e sua relação com o hábito de leitura de livros no Brasil. Para isso, avaliamos pesquisas nacionais e internacionais sobre o assunto, além de estudar o projeto Lê no Ninho, o qual suscita a vivência da leitura para crianças entre seis meses e quatro anos de idade.

Palavras-chave: Hábito de Leitura. Formação Leitora. Livros. Infância.

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Gestão pública da cultura no interior de São Paulo: marcos legais, institucionalidade e participação social

Por Darly Prado Gonçalves, Jair Ap. G. Pedrosa e Mário Sérgio Barroso

RESUMO
O presente artigo apresenta um diagnóstico da gestão pública da cultura, avaliando orçamentos municipais, estrutura organizacional, marcos legais e formas de participação social em três cidades de diferente dimensão territorial e populacional, localizadas em regiões administrativas distintas no estado de São Paulo, a saber: São Luiz do Paraitinga, São Roque e Mogi das Cruzes. Os três municípios, apesar das distinções citadas, conjugam do “interesse turístico”, visto que os dois primeiros são Estâncias Turísticas e o último, recentemente, recebeu o título de “município de interesse turístico”. Partindo dessa conjuntura, avaliam-se os marcos legais nacionais, estaduais e municipais que dispõem sobre a necessidade de desenvolvimento de políticas públicas no campo da cultura e se apresentam reflexões e diagnósticos sobre as formas de gestão da área nesses municípios nos últimos anos.

Palavras-chave: gestão pública da cultura; políticas culturais; interior de São Paulo.

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Entrevista

Entrevista com Rodrigo Ciríaco

Centro de Pesquisa e Formação: Para começar, conte um pouco da sua trajetória.

Rodrigo Ciríaco: Tenho 39 anos, sou formado em História. Lecionei na rede pública de ensino de São Paulo durante quinze anos, a maior parte deles na rede estadual, mas também cinco anos na rede municipal. A maior parte do tempo, como professor de história, mas durante dez anos também desenvolvi um projeto de literatura e poesia através da utilização de saraus. Esse projeto surgiu em 2006, mesmo ano em que passo a frequentar um sarau, até então eram poucos os saraus que existiam. Em 2006 eram três: o sarau da Cooperifa, o sarau do Binho e o Pavio da Cultura. Os três nos moldes que a gente fala de sarau hoje, com uma linguagem predominantemente periférica, que a gente chama de quilombos urbanos da cultura, porque tem essa quebra da visão clássica do sarau, da pomposidade, da cerimônia. Então é onde a gente pega essa poesia, pega essa literatura e traz para o peito, para o corpo, para a boca do povo.

A referência que eu tive de sarau foi essa, e a ideia de fazer esses saraus em espaços educativos, e a partir daí que surgiu tanto o educador, mediador de leitura, quanto o escritor. Eu não sei onde começa um e onde termina o outro. Para mim, as duas coisas estão intimamente ligadas. Não dá para separar.

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Resenhas

América Latina: uma história a reencontrar-se

Por Afonso Rocha Lacerda

Resenha do livro: Miceli, Sergio; Myers, Jorge (org.). Retratos latino-americanos: a recordação letrada de intelectuais e artistas do século XX. Tradução Zepa Ferrer e Silvana Cobucci. São Paulo: Edições Sesc, 2019.

A obra reúne um conjunto de ensaios acadêmicos que se inscrevem, todos eles, sob a rubrica do projeto que dá título ao livro, Retratos latino-americanos, dirigido pelos organizadores, Sergio Miceli e Jorge Myers. Na esteira deste projeto, foi promovido no ano de 2011, pelo Centro de História Intelectual da Universidade Nacional de Quilmes, na Argentina, o encontro El recuerdo letrado: Escritura memorialística de artistas e intelectuales latinoamericanos del siglo XX, reunindo pesquisadores de diversa procedência no subcontinente latino-americano, tanto no âmbito hispânico quanto no de língua portuguesa.

Os trabalhos que compõem esta obra coletiva são produto da pesquisa em História Social da Cultura, mais especificamente, da denominada História Intelectual, e se ocupam de escrituras de cunho memorialístico de intelectuais e artistas de vários países da região ao longo do século XX. Representam importante contribuição para a compreensão das transformações sociais e culturais do período, resgatadas, muitas vezes, de forma indireta, pelo prisma de escritas intimistas, inclusive adernando para o registro ficcional, ou envolvendo um caráter mais programático a partir das diatribes culturais e políticas nas quais os autores estudados se envolveram ativamente no contexto por vezes conturbado que lhes coube viver.

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Bibliotecas, bibliotecários e livros: uma pequena trilogia sobre materiais, lugares e atores do conhecimento

Por Giulia Crippa

HANSEN, João Adolfo. O que é um livro?. Cotia / São Paulo: Ateliê / Edições Sesc, 2019. Coleção Bibliofilia, v. 1; dirigida por Marisa Midori Deaecto e Plinio Martins Filho.

SORDET, Yann: Da Argila à Nuvem: uma história dos catálogos de livros (II milênio – século XXI). Cotia / São Paulo: Ateliê / Edições Sesc, Coleção Bibliofilia, v. 2.

MELOT, Michel: A sabedoria do bibliotecário. Cotia / São Paulo: Ateliê / Edições Sesc, 2019. Coleção Bibliofilia, v. 3.

A inciativa editorial do Sesc e da editora Ateliê propicia um percurso sobre livro e bibliotecas bastante interessante em termos de divulgação para um público amplo, não necessariamente especializado nos temas.

Trata-se de três pequenos livros que oferecem um percurso que, a partir da busca das possíveis definições de “livro”, enquanto objeto material e simbólico, prossegue para oferecer uma perspectiva sobre as ferramentas que, na história, se ocuparam de organizar esses livros e se encerra nas reflexões sobre aquele que, na história, tem sido o lugar privilegiado para sua conservação e disponibilização aos leitores: a biblioteca.

É curioso pensar nas bibliotecas, locais em que grande parte dos recursos de informação agora são alcançados pela Internet, como locais de- dicados à conversação. Mas podem ser locais destinados à conversa e troca entre pessoas, nos quais, no entanto, se apresentam todas as vantagens de poder acessar o mar da informação online e nele ser guiado.

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Ficção

A noite é um lugar terrível pra quem não pode voltar

Por Ni Brisant

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Narrativas Visuais

A poética da margem pulsa a miragem de outra cidade

Por Eder Martins

Flanar por uma cidade que funciona no ritmo dos negócios e caminhar pelas ruas em deriva sem compromisso com o tempo ditado pelo trabalho, traz sempre um sopro de liberdade aos olhares que, cansados de contemplar, insistem em buscar a cidade nas palavras e imagens que ela não consegue controlar.

Sem a certeza do lugar a chegar, caminhamos num outro ritmo, experimentamos novas percepções, e logo as nossas pupilas começam a dilatar. De repente, os olhos deslizam do brilho envolvente das vitrines para as fendas abertas pela insólita poética visual que rompe as facha- das da cidade.

As ruas já não são mais as mesmas, agora elas nos observam e passam a nos interrogar. Já não podemos mais ignorar o que nas paredes foi riscado e o que nos muros foi pichado, ao contrário, eles nos confrontam e exigem ser decifrados.

Subitamente, descobrimos uma outra cidade construída à margem, repleta de inusitadas palavras e imagens que revelam os sonhos mais íntimos e os protestos mais aguerridos, que denunciam em micromanifestos as nossas profundas mazelas e desejos reprimidos.

(…)

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