Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 10

01/08/2019

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Revista do Centro de Pesquisa e Formação n.10 – Dossiê: Saúde e Cultura: Fronteiras e Intersecções

Expediente

SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo

PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman

DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda

SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli

GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira 
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães

REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO

EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORES Ane Rocha e Jair de Souza Moreira Júnior 
REVISÃO Sérgio Molina
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Gabriela Gil e Ricardo J. Souza

EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli


Apresentação

SAÚDE E CULTURA: FRONTEIRAS E INTERSECÇÕES

Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo

Saúde e cultura são campos que, cada vez mais, se revelam entrelaçados. 

A superação de uma visão reducionista e estritamente biológica, que considera a saúde como mero estado de “ausência de doença”, abre espaço para um conceito ampliado, que incorpora parâmetros sociais e políticos à noção de saúde. 

Explorando pontos de contato entre domínios historicamente constituídos como distintos e delimitados, esta edição busca romper tais fronteiras, trazendo reflexões situadas na intersecção entre saúde e cultura.

A saúde da população é influenciada por estilos de vida distintos, marcados por diferentes práticas, tecnologias e estratégias, formando uma complexa rede, o que nos coloca a necessidade de uma discussão mais abrangente e capaz de englobar a dimensão cultural da questão.

Valendonos de referências que valorizam as práticas culturais e suas intervenções abrangendo conhecimentos, emoções, relações e comportamentos, adentramos em discussões que servem de base para o entendimento e apropriação de conceitos relacionados com a produção de saúde.

(…)

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Dossiê: Saúde e Cultura: Fronteiras e Intersecções

Um Clamor Pela Ampliação do Conceito de Saúde: Capricho Acadêmico ou Necessidade Política?

Por Marco Akerman, Ana Claudia C. G. Germani

RESUMO
No campo da Saúde Coletiva cunhou-se a expressão “determinação social do processo saúde-doença” para indicar a complexidade das causas, efeitos, consequências e respostas necessárias na abordagem dessa tríade. Essa expressão clama por um conceito ampliado de saúde. Entretanto, há um imaginário social em formação que restringe a saúde à busca por serviçoes sanitários e, mais deletério ainda, propaga a ideia de que ter saúde é poder comprar serviços da iniciativa privada. Este artigo quer dialogar com os leitores sob a égide da seguinte pergunta: “A ampliação do conceito de saúde é um capricho acadêmico ou uma necessidade política?”. Logo de saída, os autores respondem que tal ampliação é, sim, uma necessidade política. O desafio é que não basta explicitar essa posição, há que se produzir modos de responder a essa necessidade, entendendo que, por ser política, envolve disputas de poderes e narrativas que buscam atrair corações e mentes para suas respectivas hostes. Em outras palavras, envolve disputas de imaginários na arena pública. Mostra-se neste artigo que, apesar de existirem muitas oportunidades para a ampliaçào do conceito de saúde, a batalha vem sendo ganha pelo seu conceito restrito. Há alternativas, e aqui serão apresentadas.

Palavras-chave: Saúde Coletiva. Promoção da Saúde. Conceito Ampliado de Saúde. Imaginário Social em Saúde.

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O Conceito de Saúde para Além da Doença: O Pensamento Sanitário Brasileiro e os Desafios Contemporâneos

Por Aurea Maria Zollner Ianni

RESUMO
Este artigo discute o conceito de saúde para além da doença tomando por referência o pensamento crítico em saúde que se formulou no Brasil entre os anos de 1970 e 1980. Parte-se do pressuposto de que tais conceitos são historicamente configurados, não se dando em abstrato, e que numa sociedade como a brasileira, industrial moderna, ocidental e capita- lista, a saúde sempre teve por referência a doença. Apresenta as origens e os marcos daquele pensamento, sua configuração institucional e político-científica, para esclarecer a concepção de saúde por ele formulada e suas bases empírico-teóricas. Destacam-se as dimensões da desigualdade social, tendo por foco o direito à saúde, e a crítica ao modelo da medicina preventiva, tendo por foco a dimensão da produção social da saúde, e não da doença. Por fim, problematiza e discute esses marcos empírico-teóricos diante das profundas transformações sociais do Brasil contemporâneo.

Palavras-chave: Processo Saúde-Doença. Pensamento Social em Saúde. Saúde Coletiva. Reforma Sanitária. Mudanças Sociais Contemporâneas.

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Produzir Saúde na Produção do Mundo

Por Ricardo Rodrigues Teixeira

RESUMO
O presente ensaio discute um possível conceito de produção de saúde, partindo do duplo combate dos reducionismos medicalizantes e economicistas que cercam esta noção. Sustenta-se, por um lado, num conceito ampliado de saúde, rastreando suas origens político-científicas no pensamento médico-social europeu e suas expressões mais atuais nas formulações da Saúde Coletiva brasileira; e, por outro, numa leitura do trabalho contemporâneo enquanto atividade de produção de si e do mundo. Esse conceito composto de produção de saúde ganha especial nitidez nos territórios híbridos que se constituem nas fronteiras da saúde, da arte e da cultura. Examina-se em maior profundidade o que poderia ser chamado de “trabalho da arte na saúde”, rastreando as diferentes abordagens neste campo, as tendências internacionais e a rica e arrojada experiência brasileira, na qual se revela a potência de um conceito de produção de saúde indissociável da produção de um mundo comum.

Palavras-chave: Produção de Saúde. Conceito Ampliado de Saúde. Trabalho Contemporâneo. Arte. Cultura.

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Cultura, Saúde Mental e a Revolução Científica de Nosso Tempo

Por Vitor Pordeus

RESUMO
Há um terrível erro conceitual no atual paradigma científico e médico que orienta as políticas públicas: que corpo seja máquina, quando o corpo e´ emoção e mente. Através do estudo da história da ciência, podemos precisar pontos de inflexão conceitual em que esta ideia do corpo-máquina foi introduzida e praticada sistematicamente até ganhar praticamente todas as mentes do mundo, que hoje entendem ser a própria ciência a fonte última de informações sobre nós próprios e a natureza. O ponto de fundação da ciência moderna é precisamente a obra de René Descartes (1485-1650). E, como toda doença traz em si seu antídoto, é no próprio século XVII, também na Holanda, onde Descartes viveu e trabalhou, que encontraremos a síntese paradigmática alternativa que nos salvara´ da cilada do corpo-máquina: a Ética, de Baruch Spinoza (1632-1677). Spinoza explica de forma cienti´fica e testa´vel os principais enigmas con- ceituais que persistiram desafiando a cie^ncia moderna: Deus, Afetos/ Corpo, Mente, Escravida~o mental e Liberdade mental. Em tempos de pandemias infecciosas e de doenças mentais/desordens do pensamento, esses temas impõem-se de forma inequívoca: até que o novo paradigma adequado seja amadurecido, compreendido e praticado, a humanidade e o meio ambiente, precisamente os sistemas biológicos, continuarão padecendo de sofrimento psíquico/ecológico. Finalmente, discutiremos resumidamente as obras da psiquiatra Nise da Silveira e, com um pouco mais de detalhe, as teorias científicas revolucionárias do neurobiólogo Humberto Maturana como exemplos contemporâneos de práticas científicas coerentes e consagradas no campo da saúde humana.
Palavras-chave: Cultura. Saúde Mental. Nise da Silveira. Humberto Maturana. Medicina.

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A Contribuição de um Programa Socioeducativo para Saúde Bucal e Qualidade de Vida

Por Jair de Souza Moreira Júnior

RESUMO
Partindo do pressuposto de que o ambiente escolar é um meio apropriado para a promoção da saúde, já que um programa socioeducativo pode oferecer uma estrutura mais suportiva, decerto que pode contribuir para a formação das crianças dentro de um contexto de qualidade de vida. Sendo assim, o artigo discute a contribuição de um programa socioeducativo para a promoção da saúde e, consequentemente, a qualidade de vida das crianças participantes. O reconhecimento da importância da participação das crianças durante o desenvolvimento, em estrutura que proporcione um suporte adequado, com o acompanhamento de educadores capacitados para a formação do capital social, reforça a proposta. No entanto, iniciativas com a finalidade de aperfeiçoar os conhecimentos em saúde bucal, incluindo esta pauta no currículo de programas socioeducativos, podem contribuir para efetivar um trabalho em parceria, possibilitando um desenvolvimento saudável, com mais qualidade na vida das crianças participantes.

Palavras-chave: Capital Social. Educação em Saúde. Qualidade de Vida.

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Laboratórios do Comum: Experimentações Políticas de uma Ciência Implicada

Por Alana Moraes; Henrique Z. M. Parra

RESUMO
Apresentamos uma sistematização provisória e em movimento sobre a experiência do Laboratório do Comum, entendido enquanto prática de uma dupla experimentação, simultaneamente ontoepistêmica e política, dispositivo de pesquisa e intervenção. Apontamos algumas definições que o caracterizam como uma prática de investigação coletiva de produção de conhecimento que se pretende, ao mesmo tempo que situada, produtora de outras possibilidades de modos de existências. Em seguida apresentamos algumas delimitações sobre o Comum, fundamento ontológico e princípio político que orienta as práticas do Laboratório. A partir da experiência de criação do Laboratório do Comum Campos Elíseos (bairro da região central de São Paulo), desenvolvemos reflexões sobre uma ciência aberta e implicada, sobre a passagem de uma política da reivindicação para outra da experimentação, sobre a fabricação de uma comunidade provisória ontoepistêmica habitada por saberes minoritários em relaçãoa um território, sobre a criação de arranjos sociotécnicos e infraestruturas que permitem experimentar um conjunto de práticas e saberes orientados para a criação e sustentação dos Comuns urbanos. O Laboratório do Comum é um espaço de experimentação democrática fundado na cumplicidade entre diferenças, atuando para conferir a devida centralidade ao trabalho de visibilização do terreno sempre pressuposto, e ainda assim oculto, que sustenta toda prática política e também científica: corpos e suas marcas, uma ética do cuidado que cria e sustenta relações.

Palavras-chave: Laboratório do Comum. Ontoepistemologia. Ciência implicada. Experiência; Arranjos sociotécnicos.

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Aquilombar a Cidade: Território, Raça e Produção de Saúde em São Paulo

Por Emiliano de Camargo David

RESUMO
Este artigo parte do pressuposto de que o racismo É estrutural, interferindo na organização espacial e territorial das cidades, mais especifica- mente do município de São Paulo, e visa discutir seus possíveis impactos na saúde da população negra. Para tanto, apresenta o mapa de concentração da população no território da cidade de São Paulo, de acordo com a categoria racial, assim como o mapa do o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nos distritos da capital paulista, com recorte raça/cor. Com base neles, discute-se a organização racial da cidade, a partir de uma perspectiva filosófica de análise, privilegiando os conceitos de biopoder de Michel Foucault; necropolítica, Aberto e afropolitanismo de Achille Mbembe. Ao concluir, aponta-se a perspectiva do comum como uma ética aquilombada para a metrópole paulistana, visando o combate às iniquidades em saúde em proposição antirracista.

Palavras-chaves: Racismo. Saúde da População Negra. Território. Cidade.

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Saúde das Comunidades Ciganas no Brasil: Contextos e Políticas Públicas

Por Aluízio de Azevedo Silva Júnior e Marcos Toyansk

RESUMO
Neste artigo, discute-se o universo cigano no Brasil pela perspectiva da saÚde pÚblica, considerando os contextos histórico e culturais que delineiam as relações entre ciganos e o mundo exterior. Os primeiros ciganos chegaram ao país há séculos, vitimados pela política colonialista portuguesa, que, entre outras perseguições e expulsões, remetia membros dessa minoria étnica para sua principal colônia. Historicamente, os ciganos foram vítimas de violências físicas e simbólicas, aplicadas e normatizadas tanto em terras lusitanas, quanto em terras brasileiras, durante o reinado ou no período republicano. Expulsos sem cessar de uma cidade a outra, de um estado a outro, estigmatizados e estereotipados no imaginário popular durante séculos, grande parte dessa população, que hoje soma aproximadamente 500 mil pessoas no Brasil, encontra-se em situação de exclusão social e alijada das políticas de saúde. Sobrevivendo com a aplicação de saberes, práticas, cosmologias, mitologias e modos de ver alternativos, os ciganos buscam crescentemente a inclusão social e o atendimento equitativo em saúde.

Palavras-chave: Ciganos. Romani. Saúde. Minorias.

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A Inteligência Coletiva e a Deriva da Saúde nas Redes Digitais

Por Rogério da Costa

RESUMO
Este artigo trata da flexibilização histórica do conceito de inteligência coletiva no campo da comunicação. O desenvolvimento de softwares inteligentes colabora para uma interferência crescente no modo como a comunicação é mediada. Tal cenário aponta, como consequência, para uma ação direta sobre a tese da inteligência coletiva, pois todos esses mecanismos de interferência buscam, justamente, extrair mais-valia da atividade de comunicação instalada nas redes sociais. O artigo busca discutir esse tipo de desdobramento, que leva a concluir que, atualmente, o mesmo avanço tecnológico que serve a` inteligência coletiva também serve a` ampliação dos mecanismos de controle dessa sinergia entre indivíduos. Na saúde, isso se verifica com informações que incitam ações e condutas chamadas de “saudáveis”, muitas vezes questionáveis, e que, de modo geral, se apoiam na propagação de mensagens via rede de seguidores nas redes sociais.

Palavras-chave: Inteligência Coletiva. Redes Sociais. Capital Social. Mídias Sociais. Saúde.

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O Que Podem Nossos Corpos?

Por Marisol Marini

RESUMO
O intuito da presente reflexão é reatar a materialidade do corpo e explorar a sua potencialidade para a produção de políticas alternativas, como a política ontológica. Trata-se de apresentar e problematizar proposicões de teóricas feministas a respeito da materialidade, resgatando debates contemporâneos a respeito do corpo que remontam às críticas à virada linguística, ou seja, ao modo como o significado foi privilegiado nas teorias sociais com os desdobramentos foucaultianos.

Palavras-chave: Corpo. Antropologia. Coração Artificial.

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O Cuidado Emancipador e a Simetria De Poder

Por Nelson Filice de Barros

RESUMO
O cuidado é um atributo da espécie humana e das ações de cuidado resultam ainda hoje as possibilidades da nossa manutenção no planeta. Por meio de ações de cuidado são construídos diferentes sentidos do que é comum entre os agentes de um grupo social, em relação ao processo de saúde e doença. Ações de cuidado são desenvolvidas com base nos “regimes de verdade” de cada tempo, espaço e sociedade. Contemporaneamente, a maior parte do cuidado realizado pelos profissionais de saúde produz assimetrias de poder entre os cuidadores e os experientes, aqueles que experimentam o processo saúde–doença–cuidado fixando relações de autoridade moral-legal dos profissionais em relação aos experientes. Neste “século dos pacientes”, as ações de cuidado não se orientam para produzir experientes que façam guerra contra os profissionais, mas para desenvolver um modelo de cuidado emancipador que produza bases interacionais e dialógicas para a emancipação pela via do cuidado em saúde.

Palavras-chave: Cuidado. Processo Saúde e Doença. Poder. Assimetria. Emancipação.

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Artigos

A Complexidade da Modernidade no Brasil: A Obra de Vilanova Artigas

Por Maria José de Azevedo Marcondes

RESUMO
O artigo aborda o tema “complexo arte–arquitetura” a partir da obra Casa dos Triângulos, dos arquitetos João Batista Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi, em uma perspectiva de análise pós-colonial da cultura. A arquitetura moderna em São Paulo foi implantada tardiamente face ao acelerado processo de metropolização, constituindo-se a casa modernista de Gregori Warchavchik, em 1928, uma iniciativa pioneira e resultado de transferências e migrações culturais entre Brasil e Europa. Paradoxalmente, a arquitetura moderna é implantada no Brasil com um olhar para o passado colonial e outro para o futuro, nas obras do arquiteto Lucio Costa, principal articulador do projeto moderno no Brasil, tornando mais complexa a análise crítica e histórica da problematização entre modernidade e colonialidade. A análise parte da questão: “como a expressão moderna pode ser um veículo de colonização e dominação?”, proposta pela arquiteta Ana Tostões.

Palavras-chave: Modernismos. Concretismo. Vernacular. Vilanova Artigas.

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Lavagem de Capitais e Obras de Arte: Muito Além da Lava Jato

Por Heloisa Estellita, Julia Rodrigues Casella Hommes

RESUMO
O foco recente da Operação Lava Jato nas galerias de arte abriu os olhos da nação para as formas pelas quais a lavagem de capitais é possível no mercado de arte e antiguidades. No presente artigo, apresentamos alguns casos paradigmáticos, definimos o que exatamente significa lavar dinheiro, tratamos dos motivos pelos quais este é um mercado tão propício para os crimes de lavagem e apresentamos o panorama regulatório (histórico e vigente) no Brasil, em contraponto ao cenário internacional.

Palavras-chave: Lavagem de Capitais. Mercado de Arte. Brasil. Regulação. Direito Penal.

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Trama Profunda. Técnicas de Superfície

Por Bianca B. Chizzolini

RESUMO
Com o intuito de desconstruir a ideia de superficialidade comumente associada a indumentária e as percepções de falseamento, frivolidade e dissimulação que ela implica, esse texto busca desenvolver o argumento contrário: o da profundidade ontológica e material dessa manufatura. A partir da discussão sobre modos de viver e habitar a superfície como prática e como ideia, destaco os meandros dos processos de fabricação de um objeto, e as funduras simbólicas e sociais expressas pela produção têxtil, foco da discussão. Apresento também um breve panorama de técnicas, materiais e peças têxteis comuns a diferentes contextos indígenas contemporâneos de algumas regiões do México, com destaque para Oaxaca. A combinação dessas miradas tem como objetivo debater a natureza específica e as consequências da materialidade do fazer têxtil, bem como pensar por meio das coisas e do fazer manual.

Palavras-chave: Antropologia. Cultura Material. Têxtil. Superficialidade. México.

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Questões de Fotografia: Arquivo e Memória Pelas Lentes de Ricardo Rangel

Por Bruna Triana

RESUMO
Este artigo aproxima uma série de imagens do fotógrafo moçambicano Ricardo Rangel com os temas de memória e colonialismo, a partir de uma perspectiva antropológica. O objetivo é articular algumas fotos de Rangel entre si, com as entrevistas realizadas durante trabalho de campo, com a literatura e a historiografia moçambicanas, a fim de entrever tanto a especificidade do olhar de Rangel sobre o cotidiano colonial, quanto as memórias e histórias que suas fotografias mobilizam. Para tanto, o artigo traça a trajetória do fotógrafo, para situar seu olhar e sua prática em um contexto colonial e pós-colonial, analisa alguns arquivos de Moçambique onde seu acervo se encontra e examina uma série de imagens que ele produziu, entre 1950 e 1975, a partir das histórias que elas contam.

Palavras-chave: Fotografia. Memória. Colonialismo. Ricardo Rangel. Arquivo.

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Gestão Cultural

A “Prática de Analisar A Prática”: Uma Reflexão Sobre o Planejamento de Ações Educativas em Museus

Por Isabela Maia

RESUMO
O artigo reflete sobre os nexos entre os documentos que sintetizam o planejamento de ações educativas em museus e seu entendimento pelos próprios educadores, objetivando diminuir distâncias entre essas dimensões do trabalho. Partindo da experiência de um museu, levantaremos hipóteses sobre o desenvolvimento profissional dos educadores na medida de sua aproximação com a esfera da gestão. Por meio de análise documental e entrevistas, retomaremos a constituição do Plano Educativo deste núcleo, situando-o em relação a outros documentos, como o plano museológico da instituição e a Política Nacional de Educação Museal. Apontaremos as possibilidades e dificuldades de criar condições de participação dos educadores nas ações de gestão, destacando os planos como ferramenta de coesão e apoio dos processos de planejamento participativo, e encarando-os como meios para qualificar a comunicação interna e fomentar ambientes de trabalho mais autônomos, em alternativa à precarização.

Palavras-chave: Educação em Museus. Planejamento Participativo. Plano Educativo.

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Entre Histórias e Perspectivas Futuras, a Gestão da Biblioteca Mário de Andrade

Por Caroline Cagnatto

RESUMO
Este artigo propõe a gestão compartilhada, por meio de Organizações Sociais, como alternativa a` administração pública direta para a Biblioteca Mário de Andrade, caso alguma gestão tenha interesse em implementar o modelo. O estudo apresenta as vantagens e benefícios, bem como as fragilidades e riscos e a necessidade de aprimoramento do modelo para que a Prefeitura de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura, continue sendo a principal responsável por fiscalizar, regular e financiar as políticas públicas para o equipamento. Trata-se de um objeto de pesquisa individual, que não necessariamente reflete a vontade da gestão atual, tanto da Biblioteca Mário de Andrade quanto da Prefeitura Municipal de São Paulo, através da Secretaria Municipal de Cultura. Busca-se com este texto contribuir com a discussão acerca dos formatos e modelos de gestão possíveis para a instituição.

Palavras-chaves: Biblioteca Mário de Andrade. Gestão Compartilhada. Organização Social. Biblioteca. Gestão Pública.

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A Inventividade da Costura no Cotidiano de Mulheres e “Não Cotidiano” de Homens em Situação de Acolhimento

Por Wagner de Almeida

RESUMO
A partir das estruturas do cotidiano: família, trabalho e lazer, analisei os efeitos culturais e sociais obtidos com a costura coletiva, inserida em um projeto sociocultural para confecção artesanal de colchas de cama com retalhos. Este estudo visa discutir e entender as relações simbólicas e representativas presentes nessas estruturas, capazes de intervir nos modos de vida e nas possibilidades de modificação dessas realidades. O objeto investigativo são as realidades vividas por mulheres comuns e homens em situação de acolhimento.

Palavras-chave: Cotidiano. Costura. Solidariedade. População de Rua. Sociabilização.

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Entrevista

Entrevista com José Ricardo Ayres

Durante toda a sua carreira, desenvolveu um importante trabalho acadêmico na área da saúde coletiva, dando ênfase à atenção primária e às humanidades em saúde, além de contribuir para uma reflexão sobre o conceito de saúde.

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Resenha

Povos Escamoteados com Identidade Calcada de Fora Para Dentro

Por Adilson Prizmic Momce

Resenha do livro: FURTADO, Peter (org.). Identidades das nações: uma breve história. São Paulo: Edições Sesc.

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Ficção

Uma Nova Casa

Por Carol Bensimon

“Tenho certeza que ela é uma boa pessoa, pois esta´ em Uganda adotando duas crianças. O processo pode levar até dois anos, e cada criança custa 14.500 dóares. É preciso viver no país pelo tempo que a burocracia durar (estimativa de despesas adicionais, segundo o site do Programa de Adoção de Uganda: 22 mil dólares)”.

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Narrativas Visuais

Narrativas Visuais: O Registro do Cuidado

Por André François

A fotografia é uma ponte para nos conectarmos com nós mesmos, nossos valores, ideais e sentimentos. A ferramenta também cria possibilidades para que sejam construídos vínculos profundos com outras pessoas, com um olhar sensível e singular em relação ao mundo. Inspirado na ideia de gerar mais empatia entre as pessoas e, assim, transformar olhares, André François se envolveu com a fotografia há mais de trinta anos, produzindo sete livros e viajando por mais de quinze países.

O fotógrafo se dedicou a registrar histórias sobre saúde, seu acesso e seu futuro, por acreditar na importância de se documentar essa área. A essência de seus projetos é ir além dos números e estatísticas, é humanizar seus personagens. Conheça um pouco do trabalho do André François com fotografias presentes em seus livros “Cuidar e A Curva e o Caminho”.

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