

Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 06 – Dossiê: Acessibilidade Cultural
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ADJUNTO Mauricio Trindade da Silva
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães
ADJUNTO Karina Musumeci
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
COORDENADORA DE PROGRAMAÇÃO Rosana Elisa Catelli
COORDENADORA DA CENTRAL DE ATENDIMENTO Carla Ferreira
COORDENADOR ADMINISTRATIVO Renato Costa
COORDENADOR DE COMUNICAÇÃO Rafael Peixoto
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORES Ieda Maria de Resende e Lilia Ladislau
REVISÃO Tatiane Ivo
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Veridiana Scarpelli
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Magno Studio e Walter Cruz
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
“Eu sou apenas uma, mas ainda sou uma. Não posso fazer tudo, mas ainda posso fazer algo; e, não é porque não posso fazer tudo, que me recusarei a fazer algo que posso fazer. (Helen Keller, 1880 – 1968) Foi então que busquei uma passagem secreta nesse beco sem saída que é tornar-se ou nascer com deficiência no Brasil. E essa passagem secreta chama-se Arte”.
(Billy Saga, 1977 -)
No campo cultural, nos debates, nos cursos e nas rodas de conversa sobre o tema da inclusão das pessoas com deficiências, nos processos de criação e elaboração de projetos que envolvam direta ou indiretamente esse segmento, é recorrente a expectativa por um cenário no qual necessidades mais prementes já estejam superadas, um tempo no qual ações inclusivas encontrem-se interiorizadas.
Essa utopia vislumbra um futuro no qual o convívio social se apoie em experiências de diálogos constantes sobre as diferenças e conflitos humanos, onde são garantidas oportunidades equânimes, e em relações tecidas por laços de respeito e solidariedade.
Na construção desse processo, entende-se a cidadania pelas especificidades, não mais para estas pessoas, mas para todos, abrindo-se para as mais diversas perspectivas de ver e viver o mundo, concebendo de forma ampla e irrestrita a condição humana.
(…)
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Dossiê: Acessibilidade Cultural
Por Carolina Teixeira
RESUMO
O presente artigo trata da discussão sobre a temática da acessibilidade Cultural no Brasil, suas novas conceituações e abordagens, por meio da análise do contexto político e social da deficiência no campo da arte. Busca-se o aprofundamento das noções de acessibilidade, inclusão e desenho universal no contexto atual, para além da ótica assistencialista caracterizada no país. O texto propõe-se ao debate sobre os dispositivos legais que oferecem igualdade de oportunidades para artistas e consumidores com algum tipo de deficiência, bem como sobre a utilização das tecnologias assistivas para o acesso aos equipamentos Culturais no Brasil.
Palavras-chave: Acessibilidade. Deficiência. Cultura. Exclusão Social. Arte.
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Por Viviane Panelli Sarraf
RESUMO
O presente artigo apresenta informações contextuais, conceitos, diretrizes e reflexões sobre os direitos culturais das pessoas com deficiência; e propõe uma definição de alguns parâmetros sobre o conceito de Acessibilidade Cultural, relacionando-os com as práticas de Mediação e Comunicação Sensorial atualmente realizadas por instituições culturais brasileiras e estrangeiras. Além disso, este texto discute a prática da Curadoria Acessível como estratégia de elaboração de projetos culturais participativos, por meio da apresentação de fundamentos teóricos e empíricos atuais.
Palavras-chave: Pessoas com Deficiência. Direitos Culturais. Acessibilidade Cultural. Curadoria Acessível. Projetos Participativos.
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Por Ana Amália Tavares Bastos Barbosa e Moa Simplício
Neste texto discutiremos a produção, participação e formação cultural pela e para a pessoa com deficiência, baseando-nos em nossas experiências pessoais e profissionais. Trataremos de alguns conceitos e pensamentos a respeito da formação de público considerado não usuais em espaços culturais e ainda abordaremos os termos “inclusão” e “acessibilidade” no universo abrangente do direito à cultura e ao lazer por e para pessoas com ou sem deficiência.
Palavras-chave: Acessibilidade. Inclusão. Cultura.
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Por Lígia Helena Ferreira Zamaro
RESUMO
Este trabalho busca compor um olhar sobre o fenômeno da acessibilidade cultural e sua vinculação com a garantia dos direitos culturais da pessoa com deficiência, como público e como criador de projetos. Estabelece-se um campo de discussão que implica, por consequência, em uma relação dessa problematização com aspectos significativos de acesso à cidadania cultural da população em geral.
Palavras-chave: Acessibilidade. Direitos Culturais. Deficiência. Cidadania Cultural. Capacitismo.
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Por Billy Saga
Caros leitores, vocês perceberão que nas próximas linhas serei extremamente bem-sucedido em profanar todo e qualquer formato, regra e estilo utilizado para um artigo acadêmico. Perceberão que entre algumas formas de manifestar minha arte, a escrita é a última do ranking. Talvez esse ensaio soe mais como uma amadora autobiografia.
Meu processo artístico começou bem despretensiosamente. Muito cedo. Talvez fosse mais uma busca por identidade do que uma real consciência artística.
Desde os primeiros anos, a forma de manifestação artística escolhida foi o desenho. Grafite, canetinhas e folhas de sulfite deram margem às primeiras expressões.
Copiar trechos de revistas em quadrinhos já me traziam vislumbres de qual seria a minha escolha profissional. Nas viagens a trabalho, meu pai me levava junto. Ele era vendedor e viajava para diversas cidades do interior de São Paulo para visitar clientes. Enquanto realizava as visitas, eu ficava no carro esperando e copiando as revistas em quadrinhos. Eu ainda tinha pouca ideia do rumo a que esses desenhos me levariam, mas aos poucos o amor pela arte foi se formando e a certeza do que eu gostaria de fazer profissionalmente.
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Por Luiz Alberto David Araujo
RESUMO
A Constituição Federal cuidou minuciosamente do tema da pessoa com deficiência. Cuidou da igualdade material e formal. Essa proteção foi reforçada pela Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que foi recebida com “status” de emenda à Constituição por força do artigo quinto, parágrafo terceiro. Esse instrumento internacional gerou a Lei nº 13.146/2015, que cuidou de esmiuçar os comandos anunciados pela Convenção e pela Constituição. No entanto, apesar das normativas, ainda encontramos, no dia a dia desse grupo vulnerável, diversos problemas que impedem a sua plena inclusão social. O preconceito, a falta de acessibilidade, a falta de uma política clara de inclusão: tudo a dificultar a inclusão. A cultura e a cidade são apenas parte desse cenário, em que há a vedação de acesso a esse grupo de pessoas. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADI 5357, tenta dar um rumo ao problema, defendendo uma inclusão escolar mais forte e efetiva. Pode ser um caminho.
Palavras-chave: Pessoas com deficiência. Inclusão. Barreiras. Acessibilidade. Direito à cidade.
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Por Mario Chagas e Rondelly Cavulla
RESUMO
O texto que aqui se oferece sublinha a trajetória e o processo de construção do Museu do Samba a partir das experiências do Centro Cultural Cartola e, por esta vereda, descreve a articulação com o patrimônio cultural, apresenta as linhas gerais do dossiê responsável pela patrimonialização do samba carioca e, por fim, abre uma conversa com iniciativas que se identificam com a denominada museologia social. O diálogo com a imaginação museal de Nilcemar Nogueira, neta de Dona Zica e Cartola, líder comunitária, atravessa todo texto e coloca em evidência o protagonismo que essa guardiã de memórias exerce no universo do samba contemporâneo.
Palavras-chave: samba, museu, patrimônio cultural.
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Por Regina Cohen e Cristiane Rose de S. Duarte
RESUMO
O presente artigo aborda a utilização e apropriação do espaço segundo o caminhar de pessoas que possuem uma deficiência ou mobilidade reduzida. Trata-se de uma abordagem interdisciplinar da percepção em movimento, considerando posturas corporais diferentes e a dimensão intersensorial da experiência urbana. Esta investigação adotou o “método dos percursos comentados”, de Jean-Paul Thibaud, para quem as características do local são analisadas, na maior parte do tempo, em termos de barreiras físicas à percepção. Se para o autor perceber envolve um conjunto sensorial que é afetado pelo tipo de mobilização perceptiva ao qual o corpo dá lugar, para nós, será este caminhar “diferente” que nos mobilizará para o entendimento da relação entre “Corpo, Cidade e Deficiência” e dos “Percursos e Discursos Possíveis na Experiência Urbana”. A análise da percepção urbana em movimento de Pessoas com Deficiência ou com mobilidade reduzida foi realizada em quatro cidades brasileiras: Rio de Janeiro, Salvador, Juiz de Fora e Brasília. Os dados obtidos permitem-nos apontar para o paradoxo existente entre as cidades percebidas, vividas e imaginadas pelas pessoas pesquisadas e as cidades concebidas pelos planejadores urbanos. A falta de identidade dessas pessoas com os lugares também demonstrou como elas não conseguem se apropriar deles e possuir o sentimento de pertencimento à sua cidade ou de sua experiência urbana.
Palavras-chave: Corpo. Deficiência. Espaço urbano. Percurso. Experiência urbana.
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Artigos
Por Leandro Valiati e Paul Heritage
RESUMO
O presente artigo propõe uma visão crítica e estruturada sobre o conceito de Economia Criativa, no que toca à importância desse conjunto de novas formas de produção para a orientação do desenvolvimento capitalista contemporâneo. São analisadas, em perspectiva histórica, a formação de políticas públicas para as indústrias criativas (centro da Economia Criativa) inscrita no projeto inglês de desenvolvimento com base nesses ativos a partir do início dos anos 2000. Ainda, em perspectiva comparada, procedemos uma análise da política pública produzida no Brasil orientada para o desenvolvimento das Indústrias Criativas. Considerando as diferenças estruturais existentes entre os modelos, bem como aspectos de relevância no debate sobre os padrões de desenvolvimento a partir das indústrias criativas, uma reflexão crítica também é proposta nesse artigo a fim de localizar o debate sobre esse tema na esfera de uma visão contemporânea sobre padrões de desenvolvimento global do sistema econômico mundial.
Palavras-chave: Economia – Indústrias Criativas – Políticas Públicas
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Por Christian Ingo Lenz Dunker
RESUMO
Examina-se a obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, à luz do conceito psicanalítico de narrativas de sofrimento. Procura-se mostrar como o texto apresenta uma reflexão sobre a experiência da alienação, em consonância com o desenvolvimento do alienismo europeu, inaugurado por Philippe Pinel. As concepções de loucura em Machado realizam assim o diagnóstico do mal-estar brasileiro, circunscrevendo giros de discurso entre as diferentes intepretações da experiência de sofrimento.
Palavras-chave: Literatura. Psicanálise. Narrativa.
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Por Aby Cohen
RESUMO
Este artigo apresenta um percurso, pautado por projetos que realizei como cenógrafa e como curadora, nos quais explorei possibilidades de expor e criar cenografia no momento em que as fronteiras de linguagem aparecem borradas e em que se revela cada mais evidente e urgente a necessidade de repensar propostas e processos de criação em cenografia. Como cenógrafa, tenho buscado uma maneira própria de contar histórias, de interagir com o espaço, torná-lo vivo e pulsante, dando lugar a uma poesia criada com elementos visuais e sensoriais na concepção de cenas ou narrativas não textuais que possam existir independentes. Como curadora, tenho defendido o cenógrafo como artista e sua produção como obra, apontado também para a qualidade cênica de obras de artistas fora do teatro, do campo das artes visuais e da performance.
Palavras-chave: Cenografia. Performance. Desenho de cena. Teatro. Hibridismo.
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Gestão Cultural
Por Ronaldo Alves Penteado
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo demonstrar que a adoção do modelo de parceria entre Estado e Organizações Sociais (OS) pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo para gestão do Conservatório Dramático e Musical Dr. Carlos de Campos de Tatuí tem se mostrado bastante eficiente no que diz respeito à regularização da mão de obra no setor e garantia dos direitos trabalhistas dos profissionais, conforme legislação. Toma como base a análise de caso de três funcionários que entraram com ações trabalhistas contra o Estado e a Associação de Amigos do Conservatório de Tatuí (AACT) e que iniciaram a prestação de serviços na instituição em período anterior à adoção do modelo de gestão.
Palavras-chave: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Modelo OS. Conservatório de Tatuí. Direitos trabalhistas.
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Por José Luís de Freitas
RESUMO
O objetivo principal deste artigo é relatar por meio de uma narrativa crítica, histórica e de maneira mais assertiva possível quais foram os desdobramentos práticos e equívocos cometidos pela Secretaria de Cultura de Diadema desde a publicação inicial do seu Plano Municipal de Cultura (PMC), em 2012, até a data da 8ª Conferência Municipal realizada no dia 8 de abril de 2017. Com o apoio de análises dissertativas de pesquisadores anteriores que discorreram sobre o tema, quando ainda havia um grande otimismo sobre o protagonismo dos profissionais de cultura da cidade. Agora tenho a meu favor cinco anos de história que correspondem exatamente à metade do período que o plano percorreu em seu processo de desenvolvimento. Após essas provocações, analiso as dificuldades externas, internas, socioeconômicas e políticas para a implementação do PMC. Em especial, apresento apontamentos sobre a temida descontinuidade nos processos e projetos de longo prazo, que tem gerado um rápido retrocesso nas expectativas e ações dos agentes e trabalhadores da cultura, afetando toda a sociedade antes atendida e provida dessas utopias, imaginários, relações sociais e programas culturais que caminhavam a passos curtos, porém perenes para sua estruturação institucional e validação entre os munícipes, artistas, servidores, produtores culturais, acadêmicos e formuladores de políticas do município de Diadema.
Palavras-chave: Conselho Municipal. Cultura. Diadema. Gestão. Políticas Públicas.
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Por Carlos Rogério Petrachini Junior
RESUMO
As discussões e reflexões sobre a educação não formal, levando em conta as questões atuais, são importantes por se tratarem de um campo de conhecimento sem um conceito estático, mas sim em constante construção. O presente artigo resgata as memórias de alguns ex-participantes do Programa Curumim do Sesc São Paulo, analisando o que ficou registrado das experiências vividas e quais as possíveis relações com a vida atual. A metodologia utilizada foi a autobiografia, tendo a narrativa como instrumento coletor de informações e a memória como elemento central da pesquisa. Nos resultados emergiram temas que nos dão a dimensão da importância e alcance que um programa de educação não formal pode ter e, neste caso especificamente, experiências vividas na infância que se consolidaram nas memórias de cada um na fase adulta.
Palavras-chave: Educação não formal. Programa Curumim. Memória.
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Por Kaian Nóbrega Maryssael Ciasca
RESUMO
O objetivo deste artigo é propor a utilização do conceito de mapas afetivos para qualificar certos indicadores culturais, normalmente quantitativos, a fim de obter diagnósticos mais aprofundados dos hábitos culturais de um recorte da população da cidade de São Paulo. Para isso, é analisada uma experiência de construção desse recurso cartográfico, o Laboratório CEU: Território Novo Mundo, em diálogo com dados de indicadores culturais levantados em pesquisas realizadas nos últimos anos sobre satisfação e bem-estar. Nesta análise, são levados em conta a relação entre a memória e o território, a importância dessa relação na construção da identidade de um indivíduo ou coletivo e processos de legitimação cultural que, normalmente, permeiam essas abordagens. Pretende-se, portanto, debater aqui que a proposição de um mapa afetivo pode atingir camadas de percepção de hábitos culturais de uma população que melhor abordam a complexidade envolvida no diagnóstico desses hábitos, podendo, inclusive, ser utilizado na proposição de políticas públicas.
Palavras-chave: Mapas afetivos. Indicadores culturais. Hábitos culturais. Memória. Identidade.
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Entrevista
CPF: Você está entre as pioneiras do movimento social das pessoas com deficiência no Brasil. Qual é o seu balanço sobre os avanços resultantes desse percurso histórico e sobre a inserção desse segmento na sociedade brasileira?
Izabel Maior: Gostaria inicialmente de agradecer a oportunidade de expor ideias aos leitores da Revista do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo, importante e influente no cenário nacional. Fazer parte do grupo pioneiro tem dois lados: o de ser “cobaia histórica”, vivendo todas as agruras da exclusão e invisibilidade e, ao mesmo tempo, o de ter o honroso título afetivo de “jurássica”, por atuar desde o início da transformação em curso. O balanço é positivo, ainda que os resultados sejam lentos e incompletos. A grande diferença manifesta-se nos espaços profissionais e sociais que as pessoas com deficiência ocupam atualmente, e elas sabem que poderão ascender mais e em maior número. Trata-se de empoderamento, capacidade de defender seus direitos, enfrentar a discriminação, porque se trata de crime contra a liberdade, igualdade e dignidade, crime contra os direitos humanos. Atualmente existem marcos legais e políticas públicas estabelecidas, mas que precisam de atenção do movimento social organizado até que possam ser garantidas como políticas de Estado. A palavra-chave para a inclusão é “acessibilidade”, o direito essencial para o alcance de todos os demais direitos da pessoa com deficiência. Acessibilidade é a grande diferença que nasceu quatro décadas atrás e finalmente ganha força e amplitude. A mudança também pode ser vista como conquista da própria sociedade, que reconhece o valor das diferenças cada vez em maior escala, em diversos ambientes. Desejo mais velocidade em todo esse processo para que eu mesma viva a participação social a que tenho direito.
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Resenha
Por Emily Fonseca de Souza
Resenha do livro: ROBINSON, Chase F. Civilização islâmica em trinta biografias: os primeiros mil anos. Trad. Julia C. Rodrigues. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2017
O islã é a religião que mais cresce no mundo, ocupando o segundo lugar em número de crentes, perdendo apenas para o cristianismo. Entretanto, na América Latina, a presença dessa religião ainda está longe de refletir os números absolutos de seu crescimento, se comparado a outras regiões do globo. A pouca presença de muçulmanos alimenta na maioria da população uma ideia de islã que flutua entre a figura das odaliscas e sultões alegóricos advindos das Mil e Uma Noites e suas adaptações ocidentais no cinema e das imagens do terrorismo extremista que chega pelo jornalismo ocidental.
Nos últimos anos, porém, a adesão do Brasil à Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Redução dos Casos de Apatridia e a criação de órgãos nacionais como o Comitê Nacional para os refugiados (CONARE), que garante alguns direitos básicos aos refugiados – como documentos e liberdade de movimento no território nacional – facilitou a entrada e o pedido de refúgio no país. Como consequência, o Brasil tem recebido um número expressivo de pedidos de refúgio oriundos dos países do Oriente Médio e África, entre outros, que passam por guerras, repressões políticas, etc. Para além dos traumas dessas vivências, esses novos refugiados trazem consigo uma identidade relativamente nova para o Brasil, a islâmica.
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Ficção
Por Marcílio França Castro
Ilustração: Zansky
Eles já sentiam falta − os primeiros escribas. Uma onda sobe por dentro, amarga, e logo toma o peito até a garganta, como um rio seco. Isso se dava sempre que faziam o seu trabalho, quando tinham que registrar alguma coisa na pedra ou no papiro. Século 6 a.C. Andrón, filho de Antífones, fazedor de dedicatórias e epitáfios, transcreve um canto de Homero. Completa um verso, confere a linha, e logo sente um aperto, um mal-estar, como se sua mão roubasse o som natural das palavras. A voz do bardo, a voz que todos se acostumaram a ouvir, desaparece na ponta dos seus dedos, aprisionada pela escrita. Na sua cabeça, reverbera um eco sem vida. Andrón escreve − sente-se como um homicida.
Séculos depois, nos monastérios, o trabalho de Andrón continua. Já tinham trocado o papiro pelo couro, manipulavam o códice; amavam a tinta do lápis-lazúli. Otlo, monge da abadia de Tegernsee, não conhece a Ilíada – copia salmos e um livro de horas, um livro que ele próprio copiou de outro livro, importado de uma biblioteca distante. Otlo passa a tarde concentrado, retido em sua cela, com a pena em punho. Desenha a asa de um anjo, uma tigela de ameixas, uma cabeça de serpente. Penitencia-se, copia mais. Otlo sonha com uma árvore da infância, quer tirar o hábito e andar nu, quem sabe perto do mar. Doem-lhe as pernas, dói-lhe a coluna e o pescoço − sua mão enrijecida parece conter todo o corpo. Na margem da folha, ele deixa um comentário sobre o seu cansaço, e murmura. Murmura palavras estranhas, que parecem vir de uma voz primitiva e distante − palavras que não estão no pergaminho.
(…)
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Narrativas Visuais
Por Claudio Zakka
Esse ensaio fotográfico de Claudio Zakka compõe o CurtaDoc “Carolina” (2017), produzido pela Segredo Filmes e dirigido por Lilih Curi. O filme (https://vimeo.com/268228181) faz parte do projeto “Tetralogia da Indignação”, da mesma diretora, que joga luz sobre a história de quatro mulheres. A protagonista deste ensaio e do CurtaDoc é Carolina Teixeira, que também escreve no dossiê temático desta edição.
Claudio Zakka nasceu em Turim (Itália), formou-se em Publicidade e Design no Istituto Albe Steiner de Torino, trabalhou no Atelier de Design Therese Troika em Paris, entre outros. Desde 2003 mora em Salvador (BA), onde trabalha com fotografia, direção de arte, publicidade e cinema.
(…)
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