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Acima do cotidiano

No dia 26 de abril de 1962, há longínquos 50 anos, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo criava o Conselho Técnico do Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos, órgão destinado a estudar e debater os problemas nacionais. Na cerimônia de instalação, o então presidente da entidade, Brasílio Machado Neto, batizava a iniciativa como uma forma de “levantar os olhos acima do muro da vida cotidiana”, reunindo pessoas de “reconhecida cultura e inteligência, provindas das mais diferentes províncias do conhecimento humano e pertencentes às mais diferentes correntes filosóficas e políticas”.

Com essa diretriz, o conselho, mais tarde denominado Conselho de Economia, Sociologia e Política, reuniu-se ininterruptamente durante cinco décadas, e o resultado de seus trabalhos se encontra registrado nas páginas da revista Problemas Brasileiros, criada um ano depois. Entre os participantes pioneiros desse conselho, estiveram, além de vários outros, Luiz Cintra do Prado, Dorival Teixeira Vieira, Rui Nogueira Martins, Theotônio Monteiro de Barros Filho, Ruy Aguiar da Silva Leme, Francisco Malta Cardoso, aos quais se juntaram logo em seguida e estão aqui conosco os professores Vicente Marotta Rangel e Robert Appy e mais adiante Moacyr Vaz Guimarães.

A sede do conselho sempre foi no edifício da Federação do Comércio, inicialmente na Rua São Bento, depois na Rua Dr. Vila Nova, de onde se transferiu para a Avenida Paulista e de lá para a sede atual, em que nos encontramos. Suas reuniões acontecem invariavelmente em mesa redonda, como moldura informal, caracterizada pela presença de altas expressões da inteligência do país e mesmo do exterior, representantes de diferentes correntes de pensamento e sem limitações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza.

Nas últimas décadas, ampliou-se o caráter nacional do conselho, com a entrada de representantes de várias regiões do país. Temos hoje conselheiros do nordeste, do Rio de Janeiro e de Brasília, ao lado dos membros de São Paulo. Estendeu-se também o universo dos temas tratados, com palestras memoráveis sobre direitos humanos, arquitetura, informática, medicina, literatura, cinema, teatro, música, artes em geral, além dos assuntos recorrentes de economia e de política. Registro também, com enorme satisfação, a presença de conselheiras, mulheres que vêm contribuindo com sua inteligência e cultura para o brilho de nossas reuniões.

Não hesito em classificar nosso conselho, que tem suporte da Federação do Comércio, do Sesc e do Senac de São Paulo, como uma entidade sui generis, cujas atividades não estão centradas na defesa de uma classe ou de uma categoria profissional, mas que visam ir a fundo na busca de soluções para as graves questões nacionais e assim assegurar o acesso dos brasileiros a uma melhor qualidade de vida.

Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo e dos Conselhos Regionais do Sesc e do Senac


Âmbito amigo

Esta oportunidade me faz lembrar personalidades do passado, com quem convivi no âmbito amigo e sumamente honroso deste conselho. Robert Appy conheci em Paris, quando estudante, e dele guardo memórias dos bons tempos. Samuel Pfromm Netto está aqui também presente e outros mais, que talvez tenha dificuldade de recordar, e por isso peço escusas. É muito honroso voltar a esta casa, na qual continuo a estar, embora com intervalos longos, para saudar a efeméride e recordar em minha memória aqueles grandes vultos do passado e do presente, os quais constituíram o mais antigo sodalício, cujos 50 anos estamos agora a comemorar.

Vicente Marotta Rangel


Um tipo de academia

Este conselho, que conheci quando começou em sua segunda sede, era um tipo de academia, e a cada ano o presidente nomeava os novos membros. Tivemos aqui Antonio Delfim Netto, o governador Lucas Nogueira Garcez, um presidente do Banco Central e futuros ministros, como o querido professor Miguel Reale, que foi ministro da Justiça. Desejo um feliz aniversário a nosso conselho.

Robert Appy


Uma visão de Brasil

Faço uso da palavra com muita emoção, pois vejo passar por meu espírito um videoteipe mágico e sentimental, desde o primeiro dia em que tive assento neste conselho. O convite de Dorival Teixeira Vieira foi um privilégio e um desafio também. E este órgão é realmente sui generis, pois desde o início não teve nenhum vezo corporativista ou de defesa de classe. Foi criado com um caráter de independência extraordinário, sem partidarismo, ideologias, preconceitos. Um colegiado pelo qual desfilaram vultos da maior importância, no qual tivemos momentos altamente gratificantes e a cada reunião mais se fortalecia em nosso espírito a destinação deste órgão, que tem apenas um objetivo, uma visão de Brasil. Aqui ouvem-se palestras de altíssimo nível, e na discussão temos a liberdade de apoiar ou de divergir, sempre no espírito de uma cooperação sadia e isenta de paixões. Mais do que um conselho, diria que foi criada efetivamente uma academia brasileira de cidadania. É o que se faz aqui, um exercício salutar e consciente de cidadania.

Moacyr Vaz Guimarães