
Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 15 – Dossiê: A Outra Independência
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Rosana Paulo da Cunha
COMUNICAÇÃO SOCIAL Aurea Leszczynski Vieira Gonçalves
ADMINISTRAÇÃO Jackson Andrade de Matos
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Marta Raquel Colabone
CONSULTORIA TÉCNICA Luiz Deoclécio Massaro Galina
GERENTES
ESTUDOS E DESENVOLVIMENTO João Paulo Leite Guadanucci
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORAS DO DOSSIÊ Emily Fonseca de Souza e Flavia Prando
REVISÃO Sérgio Molina
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Omnis Design
EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
Compondo as efemérides de 2022, o bicentenário da independência volta à pauta na Revista do Centro de Pesquisa e Formação com reflexões críticas sobre as proposições elaboradas no passado e sobre as construções de projetos de país, vinculando-as às inquietações de nosso presente e às novas propostas de Brasil, ou Brasis. O dossiê “A Outra Independência” tem origem em seminário homônimo realizado pelo Sesc São Paulo em seu Centro de Pesquisa e Formação (CPF), com curadoria da historiadora Heloísa Starling (UFMG) e integrante de Diversos 22, — conjunto de ações em diferentes linguagens e formatos, como apresentações, shows, exposições, encontros e cursos, a fim de incentivar análises em torno dos projetos, memórias e conexões relativas aos marcos dos 200 anos da soberania brasileira e ao centenário da Semana de Arte Moderna.
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Dossiê: A Outra Independência
Por Helio Franchini Neto
RESUMO
Neste texto, apresentamos os contornos gerais do grande cenário político de 1820–1825 no qual se desenvolveu a Independência do Brasil. Um processo muito mais complexo e complicado do que estivemos acostumados, por um tempo, a pensar. Uma peça com um cenário complexo, fundado em uma herança colonial marcada pela heterogeneidade e por uma nova realidade trazida pela chegada da família real e pela elevação a Reino Unido. Com a Revolução do Porto, em 1820, dá-se início a um conturbado processo, caótico, incerto e pouco consensuado, que resultou no Império do Brasil, cuja consolidação demandou muita negociação, promessas e uma verdadeira Guerra de Independência.
Palavras-chave: História. Independência do Brasil. Guerra de Independência. 1822.
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Por Isabel Lustosa
RESUMO
A separação do Brasil de Portugal foi um penoso processo que envolveu questões de natureza, política, econômica e cultural. Este artigo apresenta o ambiente em que se deu essa ruptura a partir da análise de matérias publicadas em jornais portugueses e brasileiros, inserindo essas publicações no contexto em que apareceram. Evidencia-se que a identidade brasileira começou a ser delineada como uma reação às referências negativas às peculiaridades culturais e naturais da população e do território da ex-colônia expressas nos jornais portugueses. Ao mesmo tempo, resta igualmente evidente que os sentimentos que impulsionaram esse debate do lado europeu, eram de revolta contra a possível inferiorização da antiga metrópole.
Palavras-chave: Imprensa. Independência. Cultura Política. Identidade Nacional.
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Por Danilo Araujo Marques
RESUMO
Este artigo apresenta a primeira experiência coletiva e concreta de uma utopia messiânica na história do Brasil, ocorrida no agreste pernambucano, a cerca de 320 quilômetros da capital Olinda. Tendo como pano de fundo o contexto histórico do imediato pós-Revolução de 1817 e o receio das autoridades pernambucanas com relação à circulação de ideias subversivas e perigosas — tais como “liberdade”, “autonomia” e “soberania” —, a narrativa pretende mostrar a trajetória e o cotidiano dos rebeldes sertanejos que se engajaram na concretização de um modo de vida alternativo ao estado de coisas que estava colocado na província de Pernambuco no final da segunda década do século XIX. A partir disso, pretende-se levantar alguns traços para a constituição de um arco narrativo mais amplo que permita contar uma história das utopias, uma “tradição da esperança” no Brasil.
Palavras-chave: História do Brasil. Pernambuco. Revolução de 1817. Serra do Rodeador. Independência.
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Por Ynaê Lopes dos Santos
RESUMO
Partindo da constatação do funcionamento sistêmico do racismo no Brasil, o presente artigo pretende revisitar o processo de independência brasileiro, sublinhando como os acordos feitos entre as elites políticas da época foram fundamentais para a manutenção da instituição escravista no país em construção. O artigo defende que a escolha pela escravidão ajudou a desenhar os meios pelos quais o racismo se manteria atuante no Brasil.
Palavras-chave: Independência Brasileira. Racismo. Passado Escravista.
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Por João José Reis
RESUMO
No final da década de 1980, publiquei um artigo no qual discutia o que, no processo de independência da Bahia, se cunhou como “partido negro” (REIS, 1989 [1987]). Na ocasião, poucos historiadores haviam tratado, e apenas de passagem, este que foi um aspecto muito comentado pelos contemporâneos dos acontecimentos em 1821–1823. A exceção seria um livro de Joel Rufino dos Santos (1979) que, embora romanceado, baseou muito de sua narrativa em documentos primários já publicados. Desde a publicação daquele texto, diversos outros sobre acentuaram a racialização do conflito na Bahia e a participação popular e negra em particular. Não se pretende fazer aqui uma discussão desses trabalhos, muitos deles dissertações ou teses acadêmicas ainda inéditas.
No artigo aqui publicado, faço um resumo dos eventos e argumentos emitidos por mim há cerca de quarenta anos, incorporando novos dados e alguma bibliografia mais recente relacionados com o tema em tela. Além disso, nos últimos dois blocos apresento resultado parcial de uma pesquisa inédita.
Palavras-chave: Independência. Bahia, 1821–1823. Escravidão. Alforria. Africanos Libertos.
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Por Antonia Pellegrino
RESUMO
O presente artigo narra a vida da revolucionária do Crato Bárbara de Alencar, primeira mulher a ser tratada como presa política no Brasil, graças ao seu protagonismo na Revolução de 1817, e estabelece uma relação entre sua atuação pública e a violência política de gênero.
Palavras-chave: Revolução de 1817. Bárbara de Alencar. Matriarcas do Sertão. Violência Política de Gênero.
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Por Cidinha da Silva
RESUMO
O texto busca criar um imaginário calcado na ideia de ancestralidade, no qual se desenvolvem representação e ações de Maria Felipa de Oliveira, heroína da luta pela independência do Brasil em solo baiano. Os ancestrais são mais do que nossos pais, mães, avos, trisavós e outros parentes mais velhos que já se foram. Eles são aqueles que fizeram história e tiveram o valor e a importância de suas trajetórias reconhecidas pela comunidade. Essas pessoas são e serão sempre bem lembradas e constituem uma força viva que, do mundo invisível, ancora os vivos nesta existência. E nós, os que ainda estamos aqui, caminhamos a partir da ancoragem dessa presença e rumo ao farol dessa presença. Esta é a representação de Maria Felipa de Oliveira, uma valorosa ancestral do povo negro brasileiro.
Palavras-chave: Ancestralidade. Independência do Brasil. Lutas. Mulheres.
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Por Virginia Siqueira Starling
RESUMO
A alcunha de “imperatriz deselegante”, historicamente aplicada a Dona Leopoldina, revela possibilidades para explorar a trajetória pessoal e política da primeira imperatriz brasileira através das roupas que usava. O traje de amazona, criticado à época por ser masculino em excesso, é analisado à luz da moda do início do século XIX e atua como ponto de partida na busca por mais nuances na construção das narrativas em torno de Leopoldina, com foco especial em sua participação política no contexto da Independência do Brasil. Mulher de proeminente papel público, a imperatriz desenvolveu um pensamento político que merece reconhecimento.
Palavras-chave: Leopoldina. Independência do Brasil. Moda. Política. Gênero.
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Por Bruno Viveiros Martins
RESUMO
O artigo analisa as narrativas sobre a Independência do Brasil criadas pela canção popular a partir do conceito de comunidades imaginadas, com enfoque em dois eixos temáticos: o primeiro compreende uma abordagem guiada por composições que corroboram a versão tradicional da História, baseada no papel centralizador de D. Pedro e no projeto de unificação política da corte imperial; o segundo segue um caminho diverso, guiado por obras musicais em consonância com outra visão sobre os acontecimentos, que valoriza a participação popular em eventos, fatos e ações capazes de oferecer, por meio da imaginação cultural brasileira, maneiras mais abrangentes de se compreender esse processo histórico.
Palavras-chave: Canção Popular. Independência do Brasil. Comunidades Imaginadas.
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Artigos
Por Ana Cristina Carmelino
RESUMO
Muitas das interações realizadas contemporaneamente se valem do humor. Por ser algo comum, que perpassa o cotidiano de modo tão natural, muitas vezes o fenômeno não é imaginado como objeto sério de investigação científica. Este artigo trabalha com a hipótese de que o humor é um dos temas mais relevantes de estudo na atualidade, logo, compreender suas marcas é importante para entender melhor como se dão as interações. Para isso, propõe-se tratar das principais correntes teóricas sobre o assunto, bem como caracterizar três gêneros humorísticos sob o ponto de vista linguístico: piada, charge e sticker (figurinha).
Palavras-chave: Humor. Gênero. Piada. Charge. Sticker.
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Por Larissa Fernandes Dutra
RESUMO
Este artigo visa contribuir para a ampliação do conhecimento social no que tange à influência das telenovelas no turismo emissivo brasileiro na última década. Trata do interesse em se compreender se essas produções televisivas, que em muitos casos utilizam cenários internacionais, vêm sendo capazes de influenciar o comportamento de consumo turístico de seus telespectadores, mesmo com os últimos acontecimentos mundiais, ligados, por exemplo, à pandemia de Covid-19, e também ao progresso das plataformas de streaming.
Palavras-chave: Telenovelas. Turismo Emissivo. Streaming. Covid-19.
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Por Ana Paula Perrota
RESUMO
Nas últimas décadas observamos debates e ações políticas crescentes em favor dos direitos dos animais, que se articulam em torno da crítica ao chamado especismo. Mas o que significa dizer que animais têm direitos, são sujeitos e assim como os humanos possuem uma vida que têm valor e fim em si mesmo? Conforme discutido nesse trabalho, a luta antiespecista coloca em questão dimensões éticas da convivialidade multiespécie que abrem os pares conceituais humanos e animais e de maneira mais ampla a própria dicotomia natureza e cultura, que caracterizam a modernidade. Além de trazer implicações socioantropológicas na medida em que chacoalham as dimensões pública e privada, conforme pressionam instituições jurídicas, o mercado e o indivíduo, através das reivindicações em torno do veganismo. A partir de uma discussão bibliográfica e de pesquisas que realizo desde 2010 com os defensores dos direitos dos animais, trata-se de discutir aqui que perturbações estão em jogo a partir do questionamento provocado pela luta antiespecista.
Palavras-chave: Natureza e Cultura. Conflitos Ontológicos. Especismo.
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Gestão Cultural
Por Beatriz Matuck, Camila Moura Gonzaga dos Santos e Carla Regina de Oliveira
RESUMO
Paulista Cultural é um projeto que promove o intercâmbio entre sete instituições culturais — Japan House, Casa das Rosas, Sesc Avenida Paulista, Itaú Cultural, Museu de Arte de São Paulo (Masp), Centro Cultural Fiesp e Instituto Moreira Salles (IMS) — localizadas ao longo da avenida Paulista. Inspirado na iniciativa americana Museum Mile, que reúne os museus da 5ª Avenida de Nova York em um dia de programação gratuita, pode-se dizer que a ação é um desdobramento do programa Paulista Aberta, em vigor desde 2011. O objeto de estudo da pesquisa que motivou este artigo foi avaliar a efetividade da ação e como ela afetou três das principais instituições envolvidas: Casa das Rosas, Instituto Moreira Salles e Masp. Para tanto, realizamos pesquisas qualitativas a partir do levantamento de dados por meio de entrevistas com os principais agentes das instituições responsáveis pela Paulista Cultural, nas quais foram avaliadas as principais estratégias de intercâmbio, comunicação e suporte financeiro. A partir dos resultados, concluiu-se que existe uma rede que funciona apenas sazonalmente. Contudo, a potencialidade das instituições e seu corpo constituinte possui capacidade para ampliar as suas ações, promovendo atividades e ações em rede que poderiam fortalecer vínculos e as vivências dos seus visitantes nos respectivos espaços.
Palavras-chave: Paulista Cultural. Corredor Cultural. Trabalho em Rede. Casa das Rosas. Instituto Moreira Salles. Museu de Arte de São Paulo.
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Por Tátila Colin Cavignato
RESUMO
O presente artigo apresenta um estudo sobre práticas diferenciadas utilizadas na gestão de um programa vinculado às políticas públicas da área da saúde mental da cidade de São Bernardo do Campo – SP. O programa analisado é destinado à reabilitação social de sujeitos que sofrem com transtorno mental e tem como principal intenção a reinserção dos usuários das Redes de Atenção Psicossocial — RAPS — ao mercado de trabalho, através de oficinas profissionalizantes oferecidas em um espaço fora dos Centros de Atenção Psicossocial – CAPS. Por meio de pesquisa e análise de entrevistas e documentos e considerando o contexto no qual pessoas que usufruem destes serviços estão inseridas, o escrito aponta a necessidade de dar atenção às especificidades de cada área profissional à qual se pretende encaminhar os usuários, refletindo-se sobre a urgente atuação de gestores culturais nos campos de criação e garantia de funcionamento de políticas públicas que, direta ou indiretamente, articulem com a área da cultura.
Palavras-chave: Reinserção Psicossocial. Mercado de Trabalho Cultural. Políticas Públicas. Transtorno Mental.
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Entrevista
Centro de Pesquisa e Formação: Qual o sentido de comemorar os duzentos anos da Independência?
Heloisa Starling: Foi um pouco a ideia que tivemos em nosso seminário, de pensarmos que comemorar significa recordar juntos, e recordar é trazer de volta ao coração. Vamos lembrar, vamos comemorar. Voltar duzentos anos no tempo significa olhar para uma ideia de país que estava sendo construído naquele momento, que estava sendo imaginado naquele momento. É uma ideia de futuro, inclusive. Não existia o Brasil, mas existia uma ideia do Brasil.
E essa ideia do Brasil está sendo acompanhada por alguns procedimentos na sociedade que são muito importantes para nós atualmente, como, por exemplo, o grande debate público que se abriu nesse país, nisso que um dia ia ser o Brasil, para trazer as ideias de República, Federação, liberdade, democracia, Constituição, Parlamento, voto. Eu estava me dando conta de que mesmo naquele momento lá, quando se vai pensar e imaginar a Constituinte de 1823, os representantes brasileiros já são eleitos. É a primeira vez que estamos tratando de votos e representantes; como se estivéssemos varrendo o absolutismo e colocando no lugar uma série de valores da política que são essenciais nos dias de hoje: República, voto, eleição, isso está sendo discutido nos panfletos e jornais… a democracia.
Então, tem uma efervescência, um debate entre as pessoas que trocam ideias e são capazes de emitir opiniões juntas. A Independência importa para pensarmos nesse debate, pensarmos nos valores políticos que estão sendo debatidos pela primeira vez, ou que estão assumindo concretude no Brasil contra o despotismo, contra o absolutismo, como escreveram Rafael Cariello e Thales Pereira no livro Adeus, senhor Portugal. O projeto vitorioso é o projeto capitaneado pelo Rio de Janeiro.
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Resenha
Por Tiaraju Pablo D’Andrea
Resenha do livro: CYMROT, Danilo. O funk na batida: baile, rua e parlamento. São Paulo: Edições Sesc São Paulo, 2021.
Não é um livro sobre funk, é um livro sobre o Brasil. Esta sentença ditada pelo antropólogo Hermano Vianna fornece o estatuto que merece a obra O funk na batida: baile, rua e parlamento, de Danilo Cymrot.
O livro é resultado de sua dissertação de mestrado em Criminologia, defendida na Faculdade Direito da USP. Além do inovador olhar proveniente das ciências jurídicas, cabe ressaltar que Cymrot também é músico e produtor cultural. O autor mobiliza essas três formações para tratar do gênero musical mais emblemático da sociedade brasileira contemporânea: o funk.
A pesquisa é de fôlego e nos apresenta uma quantidade impressionante de dados, datas e fontes para embasar seus argumentos principais: demonstrar como a chamada “criminalização do funk” tem como pano de fundo uma criação discursiva que projeta e recria medos e uma estrutural perseguição a negros e pobres que dá a tônica da vida social brasileira desde os primórdios da nação.
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Poesia
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Narrativas Visuais
Por Simon Plestenjak
No meio da floresta amazônica, a pajé Hushahu, do povo indígena Yawanawá, lidera a vida spiritual na aldeia Mutum. A força feminina dela não só mudou as regras milenares do povo — segundo as quais o papel do pajé foi reservado exclusivamente para os homens — mas também começou a renovação do povo, quase extinto, numa inteligente mistura de preservação da floresta, da vida tradicional e do seu mundo espiritual com a existência num contexto de mundo do comércio liderado por brancos.
Os Yawanawá são um povo indígena que habita uma área de 187 mil hectares no oeste do estado do Acre. São pouco mais de mil pessoas que moram em oito aldeias: Nova Esperança, Mutum, Escondido, Tibúrcio, Amparo, Matrinchã, Sete Estrelas e Yawarani. Conseguiram resgatar sua cultura e sabedoria ancestral e preservar seu estilo de vida no meio da floresta. Lidam com a vida ancestral, marcada por uma dinâmica entre mundo espiritual e natureza. Ao mesmo tempo, suas portas são abertas para receber o mundo de fora, e assim eles conseguem comercializar sua sabedoria e espalhar sua mensagem. Além dessa missão, ser visto e, ao mesmo tempo, ganhar recursos significa segurança na situação frágil que os primeiros povos têm nas Américas.
A série “Xamânica” é composta por três fotos, feitas com dupla exposição. Não se trata de manipulação digital, mas de duas fotografias expostas uma sobre a outra — uma técnica que antigamente se usava sem avançar o filme.
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