
Revista do Centro de Pesquisa e Formação nº 14 – Dossiê Diversos 22
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ARTES GRÁFICAS Rogério Ianelli
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADORAS DO DOSSIÊ Emily Fonseca de Souza e Flavia Prando
REVISÃO Sérgio Molina
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Omnis Design
EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli
Diversos 22
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
O Modernismo Brasileiro é plural, complexo, tenso e irreverente. Não se limitou a linguagens artísticas específicas (como a literatura, artes plásticas e música), pois que se ampliou no campo cultural, e ainda hoje não se deixa enquadrar num registro temporal definitivo. Seus lastros e geografias alimentam debates atuais – muito embora a Semana de Arte Moderna de 1922 tenha sido vista como abre-alas de uma ação prospectiva ordenada em chave modernista. Conforme os estudos se ampliam, novos olhares sobrevêm e dinamizam a compreensão do evento.
Em razão da efeméride do centenário da Semana de Arte Moderna, a Revista do Centro de Pesquisa e Formação apresenta o dossiê Diversos 22, que corresponde a uma das diversas ações realizadas pelo Sesc São Paulo, nas diferentes linguagens, como apresentações, shows, exposições, encontros, seminários e cursos, a fim de incentivar as reflexões em torno dos projetos, memórias e conexões relativos a este marco, articulado ao bicentenário da Independência do Brasil.
O conjunto de artigos que compõe o dossiê pretende participar do debate crítico acerca da Semana de Arte Moderna, sem desconsiderar sua importância e seu legado para a cultura brasileira. Realizada no Theatro Municipal de São Paulo, a Semana de 22, como é mais conhecida, foi um evento artístico-cultural que reuniu apresentações em diversas linguagens artísticas (poesia, pintura, escultura, música e arquitetura), além de conferências, com o intuito de promover uma nova visão da arte e da sociedade, inspirada pelas vanguardas europeias.
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Dossiê: Diversos 22
Por Virgínia de Almeida Bessa
RESUMO
O artigo analisa a atividade teatral paulistana no ano de 1922, por meio do exame tanto do repertório exibido na cidade nas noites da Semana de Arte Moderna quanto do sistema de teatros que então se estruturava na cidade, articulando salas do centro e dos bairros. Revela o dinamismo teatral de São Paulo, que nada ficava a dever ao Rio de Janeiro, e explora a relação entre a modernização da sociedade paulistana e seu circuito de teatros, contestando a ideia de que a modernidade teatral, em São Paulo como no Brasil, se atrasara em relação à das outras artes.
Palavras-chave: Semana de Arte Moderna. São Paulo. Teatro Popular. Modernidade.
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Por Camila Fresca
RESUMO
Este artigo se propõe a acompanhar as atividades da Semana de Arte Moderna, com destaque para a programação musical e a participação de Heitor Villa-Lobos. Apresentando-se pela primeira vez em São Paulo, Villa-Lobos trouxe do Rio de Janeiro músicos de sua confiança para interpretar vinte peças de câmara. O compositor se preocupou tanto com a seleção de obras apresentada quanto com seu encadeamento ao longo dos três festivais, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922. Os impactos da Semana de Arte Moderna na música de Villa-Lobos e de outros compositores brasileiros só podem ser dimensionados olhando-se a produção intelectual e a atuação de um de seus organizadores, Mário de Andrade. A partir de sua militância, os pressupostos de criação de uma arte nacional, que já se esboçavam na Semana, seriam definitivos para os caminhos da música brasileira no século XX.
Palavras-chave: Semana de Arte Moderna. Heitor Villa-Lobos. Modernismo Musical. Mário de Andrade.
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Por Caio Csermak
RESUMO
Abordo neste artigo o papel que as culturas populares tiveram no contexto da Semana de Arte Moderna de 1922, sobretudo nos seus desenvolvimentos posteriores. Combinando a análise de textos dos próprios modernistas com revisões historiográficas sobre a Semana de 1922 e sobre o Modernismo Paulista, investigo como os modernistas estabeleceram visões e usos diversos das culturas populares que vão desde a constituição de discursos nacionalistas com elementos autóctones até o desenvolvimento de ferramentas de criação estética. Analiso que lugar as culturas populares tiveram e têm nos vários desdobramentos estéticos e políticos do Modernismo Paulista, dando especial atenção aos trabalhos de Mário de Andrade e de Oswald de Andrade e à ocupação do espaço do Theatro Municipal de São Paulo. Em seguida, abordo os mesmos temas a partir de uma perspectiva reversa, interpretando o Modernismo Paulista através de categorias das epistemologias populares.
Palavras-chave: Culturas populares. Semana de Arte Moderna de 1922. Modernismo Paulista. Antropofagia. Folclorismo.
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Por Luís Augusto Fischer
RESUMO
O artigo postula a tese de que o emprego do termo Modernismo no Brasil precisa ser revisto, uma vez que ele foi por assim dizer privatizado pela crítica e pela historiografia dominantes para designar a obra e as ideias apresentadas por autores e críticos paulistas ligados à Semana de Arte Moderna de 1922, em particular Mário de Andrade. Esta será a condição para poder repensar a posição de uma série de autores e obras, de Norte a Sul do país, autores e obras que muitas vezes apresentaram características renovadoras claramente modernizantes mesmo tendo entrado em circulação antes de 1922. Depois, discute o viés rupturista do Modernismo paulista, em geral tomado como paradigma inquestionado. Finalmente, apresenta breve perfil de dois casos modernistas em Porto Alegre.
Palavras-chave: Modernismo no Brasil. Modernismo Paulista. Tyrteu Rocha Vianna. Ernani Fornari.
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Por Leandro Garcia Rodrigues
RESUMO
Neste centenário da Semana de Arte Moderna, inúmeras revisões têm sido feitas no sentido de avaliar este evento de grande importância para a história cultural do Brasil. Sabemos que o Rio de Janeiro não compartilhou muito da proposta modernista que chegava de São Paulo, fato compreensível, já que a então Capital Federal se modernizou por vias e experiências bem diferentes, não seguindo a tendência vanguardista explorada pela intelectualidade paulista. Inclusive, no Rio de Janeiro, organizou-se um importante grupo de escritores modernistas de orientação espiritualista em torno do Centro Dom Vital, instituição que congregava intelectuais e artistas católicos, cuja revista A Ordem ajudou a divulgar esta modernidade mais conservadora. Esse “outro modernismo” mais conservador e distante da vanguarda será o objeto analisado neste artigo.
Palavras-chave: Modernismo. Vanguarda. Semana de 22. Rio de Janeiro. São Paulo.
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Por Julie Dorrico
RESUMO
Este texto tem por objetivo pensar a fortuna crítica de Macunaíma: o herói sem nenhum caráter (1928), obra do escritor modernista Mário de Andrade, como ferramenta de exclusão indígena. Meu argumento consiste em mostrar que a fortuna crítica redunda sobre o processo criativo de Mário de Andrade, apagando as origens indígenas ou sem nenhum compromisso com elas. Para tanto, dividirei esse ensaio em três partes: na primeira apresentarei brevemente o que chamo de Literatura Indígena Contemporânea; na segunda, a manifestação de Makunaimî na literatura indígena representado de forma positiva; e na terceira mostrarei que a fortuna crítica de teóricos brasileiros redunda na metodologia da exclusão sem dialogar com os povos indígenas. Concluo que tal tratamento epistêmico tem consequências reais e negativas para os sujeitos indígenas e proponho o estudo concomitante e urgente da Literatura Indígena Contemporânea de modo comparado com o cânone literário brasileiro.
Palavras-chave: Macunaíma. Modernismo. Makunaimî. Literatura Indígena.
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Por Renata Aparecida Felinto dos Santos
RESUMO
A investigação acerca da participação de artistas pretos e pretas na Semana de Arte Moderna de 1922, ou nos seus desdobramentos, tem se amplificado no ano em que se completa o centenário do evento. Contudo, ainda há uma carência de estudos sobre o assunto, portanto, buscamos rememorar, de forma breve, artistas que contribuíram para a construção de uma visualidade fundamentada em princípios históricos, sociais e estéticos negro-africanos durante o século XX, apesar do contexto de intensas tensões étnico-raciais no Brasil, ainda que esse fato seja negado em prol da fantasia do mito da democracia racial. Também focamos a atualidade no campo das artes visuais a partir da escrita de outras narrativas históricas, uma vez que se avulta o número de artistas da diáspora africana no Brasil, que têm apresentado uma vigorosa produção que, cem anos depois, nos desafia a encarar novas abordagens sobre a história das artes visuais no país.
Palavras-chave: Narrativas. Artes Visuais. Afro-Diápora. Arte Contemporânea.
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Artigos
Por Mariana Villaça
RESUMO
Este artigo apresenta algumas características dos estudos sobre políticas culturais na América Latina, explorando as hipóteses que envolvem o conceito, a importância da abordagem desse tema no campo da História e alguns exemplos de expressões que, em diferentes momentos do século XX, tensionaram e interferiram nas políticas culturais governamentais, no México, no Uruguai e em Cuba. Ao abordarmos essas experiências, destacamos a relação das políticas culturais de determinadas instituições com as políticas culturais governamentais e os projetos políticos vigentes; seu impacto no meio artístico e intelectual, inclusive em âmbito internacional, e os debates que suscitaram sobre o papel político da arte e do intelectual na América Latina.
Palavras-chave: Políticas Culturais. Muralismo Mexicano. Casa de las Américas. Marcha. Literatura Latino-Americana.
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Por Maria Carolina Vasconcelos-Oliveira
RESUMO
A partir do ponto de vista de uma pesquisadora que também é realizadora circense, este artigo discute o circo que vem sendo reivindicado como contemporâneo, buscando refletir sobre quais práticas sociais, poéticas e políticos ancoram esse tipo de classificação. Propondo uma reflexão mais geral, com base em análise de literatura, o artigo reflete sobre o caráter escorregadio da própria definição de circo, para depois trazer informações sobre alguns movimentos ou modos de fazer que a literatura nomeia na história do circo moderno (clássico, novo e contemporâneo). Por fim, é proposto um conjunto de perguntas que funcionam tanto como dimensões analíticas como disparadoras de processos artístico-pedagógicos, e que ajudam a compreender a diversidade de circos e circos contemporâneos possíveis.
Palavras-chave: Circo Contemporâneo. Artes Circenses. Arte Contemporânea.
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Por Cecília Mello
RESUMO
O Leste Asiático constitui um dos principais polos de criatividade e de produção industrial do cinema mundial e contém em si múltiplas histórias e cartografias. Este artigo vai procurar identificar alguns dos principais momentos e características desta cinematografia, que compreende os cinemas chineses (China Continental, Hong Kong e Taiwan), o cinema japonês e o cinema coreano. O enfoque busca traçar um mapa destas cinematografias a partir de uma abordagem policêntrica, democrática e inclusiva, inspirada no entendimento do cinema mundial como caracterizado por picos de criação em países e épocas diversas (NAGIB, 2006). O artigo aborda o primeiro cinema no Japão, a obra de Mizoguchi e Ozu como matriciais para o cinema do Leste Asiático, as duas “eras de ouro” do cinema chinês nos anos 1930 e 1940, o cinema do gênero wuxia em Hong Kong e Taiwan nos anos 1960, o “novo cinema taiwanês” e o cinema da Quinta e Sexta gerações da China continental, nos anos 1980 e 1990, e finalmente o cinema sul-coreano a partir dos anos 1990. Essa cronologia traça um dos mapas possíveis dentro do atlas do cinema do Leste Asiático, partindo de algumas de suas proeminências históricas, mas também, inevitavelmente, de escolhas e afetos pessoais.
Palavras-chave: Cinema do Leste Asiático. História do Cinema. Cinema Mundial.
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Gestão Cultural
Por Bruna Hitos Pereira, Sandra Leibovici, Nilson Hashizumi
RESUMO
Em mais de quatro décadas desde os anos 1970, a cidade de São Paulo promoveu diversas iniciativas para que fosse possível oferecer atividades de lazer, práticas esportivas, atividades físicas, culturais e de convivência à sua população. O impulso aconteceu a partir de estudos de cientistas sociais que reconheceram a necessidade do lazer, além do seu aspecto funcional — descanso e preparação para o trabalho produtivo. Como resultado, por iniciativa da gestão pública, programas, leis e posturas municipais se multiplicaram, diante da escassez de recursos para a construção de espaços públicos que pudessem acolher este perfil de atividades. Nesta perspectiva, este trabalho traça um recorte a partir de vários programas lançados entre os anos de 1976 e 2019, na promoção de ocupação de ruas, avenidas e praças para a prática de lazer e convivência social, para compreender os aspectos-chave que podem permitir a constituição de conhecimentos para a compreensão e a possível multiplicação de ações em todos os 96 distritos da cidade de São Paulo. Os programas avaliados foram: “Ruas de Lazer”, “Ruas 24 horas”, “Ruas Abertas” e “Rua
da Gente”, iniciativas estas que, uma vez comparadas, permitem formar uma visão clara sobre os elementos que podem ser aplicados e os cuidados específicos que vão garantir maior chance de êxito na mobilização da população paulistana.
Palavras-chave: Lazer. Atividades Físicas, Esportivas, Culturais e de Convivência. Rua de Lazer. Ruas 24 Horas. Ruas Abertas. Rua da Gente. Direito à Cidade.
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Por Mateus Sartori Barbosa
RESUMO
A presente pesquisa tem por objetivo analisar os caminhos adotados, os desafios encontrados e as metodologias utilizadas na implementação dos Planos Municipais de Cultura de três municípios paulistas: Mogi das Cruzes, São Vicente e São Caetano do Sul. A pesquisa busca ainda investigar as dificuldades encontradas antes da aprovação dos planos culturais e responder às seguintes questões: quais foram os impactos gerados na gestão cultural local? O que levou os municípios estudados a terem seus planos decenais para o setor cultural? Foram desenvolvidos devido ao incentivo do Ministério da Cultura ou havia por parte dos munícipes e agentes culturais esse anseio? A sociedade civil se apoderou desse processo e passou a utilizar o plano aprovado como um instrumento norteador das políticas públicas culturais municipais? O trabalho apresenta ainda algumas reflexões sobre os direitos culturais, a relação entre a cultura e a cidade, traz informações sobre o Plano Nacional de Cultura e contextualiza e fundamenta os Planos Municipais de Cultura dos municípios por meio de entrevistas com os gestores culturais e pessoas que participaram do processo de elaboração.
Palavras-chave: Plano Municipal de Cultura. Plano Nacional de Cultura. Sistema Nacional de Cultura. Política Cultural. Gestão Cultural.
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Por David da Silva Júnior, Denilson de Jesus Silva, Lydia Arruda e Marleth Reis
RESUMO
A crise de financiamento do setor cultural brasileiro foi agravada pela crise econômica e sanitária do novo coronavírus. A míngua de recursos financeiros impõe novos desafios. Este trabalho busca em espaços culturais autoorganizados da cidade de São Paulo boas práticas que ajudem a superá-los.
Palavras-chave: Política Cultural. Espaços Culturais Auto-Organizados. Financiamento. Economia Criativa.
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Entrevista
Centro de Pesquisa e Formação: Você publicou um livro há dez anos que desmistificou a Semana naqueles aspectos que vieram à tona em 2022 com ares de novidade. A semana que não terminou é um livro de um jornalista sem pretensões, como você comentou várias vezes, e que, no entanto, conseguiu, como nenhuma outra publicação com esse caráter, ter boa aceitação no meio acadêmico, sobretudo dentre os pesquisadores que trabalham com a Semana. A que você atribui essa fórmula de sucesso?
Marcos Augusto Gonçalves: Olha, antes de mais nada, obrigado pelo considerável sucesso. O livro teve como objetivo central ser uma reportagem histórica que procurasse reconstituir a Semana. Então para isso eu contei com uma pesquisa já relativamente avançada do meio acadêmico, de uma série de críticos, professores, que se dedicaram ao longo dos anos a estudar a Semana de Arte Moderna de São Paulo. Isso já foi um certo avanço para o trabalho, já partir do patamar de um assunto relativamente pesquisado. O que era uma vantagem de um lado, mas uma desvantagem por outro, também, porque corria o risco de o livro ficar chovendo no molhado, digamos assim, de não apresentar novidades. Então foi um desafio retomar esse tema, de certa forma bastante explorado, de uma maneira que fosse atraente e que pudesse levar ao leitor, aos interessados, algum tipo de novidade, não só do ponto de vista factual de alguma descoberta. O que eu me coloquei como desafio foi tentar apresentar uma compreensão daquele processo com uma revisão histórica de alguns pontos de vista que se tornaram hegemônicos durante esse período, mas que fosse capaz de dar ao leitor uma visão mais global do evento, especialmente dos seus antecedentes, seus personagens principais e um pouco do que veio depois. Isso, no livro, realmente é uma parte menos importante, acho que o fundamental era conseguir montar uma reportagem histórica que apresentasse os principais personagens e que mostrasse o pano de fundo do processo cultural, histórico e o contexto em que se deu a articulação dessa Semana de Arte Moderna de São Paulo. Procurei também usar uma linguagem relativamente acessível, uma linguagem jornalística. O livro tem essa cogitação, mas alguma coisa que fosse legível, que não ficasse entrando em disputas acadêmicas, que eu acho que poderiam ser de interesse, mas também poderiam ser um fator que afugentasse, digamos assim, a leitura mais fluente. Acho que o livro entra nessas questões acadêmicas também porque se põe em discussões mais conceituais, mas tem como primado esse relato jornalístico, histórico.
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Resenhas
Por Luiz Carlos Jackson
Resenha do livro: SILVA, Maurício Trindade da. Mário de Andrade, epicentro: sociabilidade e correspondência no Grupo dos Cinco. São Paulo: Edições Sesc, 2022.
O livro de Mauricio Trindade, Mário de Andrade, epicentro: sociabilidade e correspondência no Grupo dos Cinco, toma como objeto os agentes centrais do modernismo paulista. Focalizando sua análise no chamado Grupo dos Cinco e, em especial, na figura de Mário de Andrade, o olhar do autor reconstitui as disposições sociais desses agentes que, com protagonismos distintos, qualificaram o movimento cultural proeminente de São Paulo no início do século XX. O Grupo dos Cinco, formado por Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, inclui as personagens centrais do modernismo no passo da indeterminação típica à juventude, prenhes de veleidades de largo horizonte — literárias e artísticas, sobretudo — em início de carreira na vida cultural e pública. Fincando o prisma da análise em Mário de Andrade e partindo de uma pesquisa robusta sobre a sua gigantesca correspondência, o pesquisador percorre as trocas missivistas entre o escritor de Pauliceia Desvairada e os demais integrantes do grupo. Ancorado na centralidade de Mário de Andrade, o enfoque escolhido revela as feições que caracterizaram as relações de interdependência entre as lideranças intelectuais do modernismo paulista, o que permite divisar as constrições e as disputas em que esses jovens estavam imersos.
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Por Alexandre Filordi de Carvalho
Resenha do livro: STEINBERG, Sylvie (org.). Uma história das sexualidades. 1. ed. Trad. Mariana Echalar. São Paulo: Edições Sesc, 2021.
Horizontes políticos que pedem passagem na história das sexualidades
Antes mesmo de sua volumosa História da sexualidade, subdividida em quatro volumes, Michel Foucault (2001) delineou uma concepção cuja consequência foi extensa e permanente para as abordagens históricas subsequentes: “a sexualidade, no Ocidente, não é o que se cala, não é o que se obrigado a calar, mas é o que se é obrigado a revelar” (p. 213).
O desvelo de nossa sexualidade sempre nos circunscreveu a um jogo de verdade em que, entre o dito e o não dito, as insistentes formas de se dar visibilidade aos circuitos dos gozos, dos prazeres e dos usos dos corpos, com seus rituais, extraíram do que se revelava a única condição de suas possibilidades. Entretanto, “o que se é obrigado a revelar” pode ser anunciado de outra maneira, diferentemente de formas cujos sensos e consensos pintam com tons decadentes as mesmas maneiras de perspectivar o que não se obriga a calar.
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Poesia
Narrativas Visuais
Por Ed Viggiani
Cidade insaciável. Sombras vivas e passageiras são as personagens anônimas do dia a dia.
O que era para ser um não-lugar pode se tornar o lugar das principais referências do histórico de vida.
O tempo, muitas vezes, é responsabilizado pela derrocada da memória, entretanto, o perdido só se dá pelo esquecido.
A fotografia transforma o tempo em lembranças das inúmeras faces da cidade, se aproxima da solidão e reconhece a impessoalidade do ser urbano. Para cada um, em cada lugar, o olhar é outro.
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