
Revista do Centro de Pesquisa e Formação – Edição Especial: Turismo e Relações de Trabalho
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães
EQUIPE SESC
Flavia Roberta Cortez Lombardo Costa, Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZAÇÃO Fernanda Vargas e Sabrina Paixão
REVISÃO Ipsis Litteris AEL
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Elisa Carareto
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Leila Schöntag
TRADUÇÃO Sérgio Molina
Aos leitores
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
Ao longo de seus 75 anos de trajetória, o Sesc desenvolveu uma concepção expandida de educação, na qual experiências variadas engendram especulações teóricas e vice-versa. A Revista do Centro de Pesquisa e Formação tem funcionado, nos últimos anos, como importante plataforma para esses trânsitos.
A publicação da edição especial “Turismo e relações de trabalho: panoramas e desafios” insere-se nessa perspectiva, tendo se construído a partir das reflexões realizadas durante a 4ª edição do ciclo de debates e encontros denominado Ética no Turismo (2019). Naquela oportunidade, pesquisadores, trabalhadores e público refletiram acerca de uma leitura desse contexto no Brasil e no mundo, buscando compreender em que condições estão imersos os trabalhadores do setor.
À crescente importância do tema, somou-se um aspecto crucial – a crise sanitária causada pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) –, o que reforçou a necessidade de se compreender o contexto dessa atividade como parte fundamental do exercício da imaginação de outros presentes, bem como de futuros possíveis.
Ao colocar em debate o trabalho no turismo, o Sesc pretende ampliar a discussão sobre um assunto cuja complexidade torna-se cada vez mais evidente. Subjaz a esse empenho a convicção de que discutir a atividade turística no presente adquire uma importância que ultrapassa as fronteiras desse campo, ajudando as pessoas a refletir sobre o próprio exercício da cidadania na contemporaneidade.
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Artigos
Por Angela Teberga
RESUMO
Este artigo tem o objetivo de analisar os impactos econômicos ime- diatos aos trabalhadores do turismo. Por impactos econômicos imediatos, compreende-se especialmente a perda de ocupações formais (demissões) e informais no setor turístico ao longo do ano de 2020. Como objetivo se- cundário, tem-se a proposta de estudar os efeitos diretos à saúde desses trabalhadores gerados pela pandemia da COVID-19. Utilizam-se dados do CAGED/Ministério da Economia, da PNAD Contínua/IBGE e da PNAD COVID19/IBGE, além do Sistema de Informações sobre o Mercado de Trabalho no Setor Turismo/IPEA.
Palavras-chave: Trabalhadores do turismo; COVID-19; Desemprego; Informalidade.
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Por Marcio Pochmann
RESUMO
O presente artigo trata da complexa questão do turismo. Tem como li- nha de raciocínio a breve e geral reflexão sobre o turismo como atividade econômica e setor gerador de trabalho e renda. Dessa forma busca ofere- cer análise a respeito da situação do turismo no Brasil. Espera-se, assim, poder contribuir no debate importante acerca do potencial econômico do turismo e suas oportunidades de renda e trabalho decente aos brasileiros.
Palavras-chave: Trabalho. Política. Sociedade.
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Por Diomira Maria C. P. Faria
RESUMO
O debate sobre o desenvolvimento econômico regional e o turismo possui um ponto em comum: a presença do território como elemento de análise. Em geral, a concentração de empresas turísticas em um território é o resultado da presença de recursos naturais ou culturais, que, uma vez transformados em produtos turísticos, ficam disponíveis para uma prática, uma experiência valorizada socialmente. Pretende-se, neste artigo, entender a relação do desenvolvimento econômico com o turismo, a partir de um olhar sobre o lugar onde se passa a atividade turística. Selecionou-se o arcabouço teórico do desenvolvimento regional e urbano e apresenta-se um estudo de caso. De uma perspectiva econômica, os mais beneficiados por um processo de crescimento turístico em municípios economicamente frágeis são as grandes cidades que possuem uma estrutura econômica diversificada e serviços diferenciados. São os lugares centrais fazendo “sombra” em sua periferia.
Palavras-chave: Desenvolvimento Regional. Turismo. Território. Cidades. Lugar Central.
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Por Rita de Cássia Ariza da Cruz
RESUMO
O mundo do trabalho vem historicamente passando por profundas transformações, que atingem trabalhadores de todos os setores da economia. Em se tratando do setor serviços, destaca-se, de acordo com diferentes autores, o aumento da terceirização e da subcontratação, a “uberização”, a “pejotização”, a diminuição no papel dos sindicatos e a proletarização do trabalhador. Partindo de tais pressupostos, o objetivo do presente texto é fundamentar uma reflexão crítica sobre o trabalho no turismo na contemporaneidade, considerando a tensão dialética entre o movimento geral das mudanças em curso e as particularidades que caracterizam o setor, composto por um amálgama de atividades relacionadas ao setor serviços. Ensaia-se, complementarmente, uma abordagem centrada no caso brasileiro com um foco em aspectos regulatórios.
Palavras-chave: Turismo. Regulação do Trabalho. Precarização. Brasil.
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Por Paulo Fernando Meliani
RESUMO
Reconhecido por sua importância econômica e aclamado como gerador de empregos, o turismo traz consigo a contradição entre a importância e a precariedade do trabalho em sua economia. Informalidade, baixos salários, grandes cargas horárias e desvalorização do trabalho feminino, caracterizam a força de trabalho ocupada no Brasil. No contexto contemporâneo de flexibilização das relações de trabalho, medidas empresariais de controle social do trabalho associadas a fatores próprios da vinculação espacial do turismo, bem como à introdução de modelos de negócios baseados em tecnologia, reforçam a precariedade do trabalho no setor.
Palavras-chave: Turismo. Trabalho. Emprego. Brasil.
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Por Daniela Moreno Alarcón
RESUMO
Este artigo trata da urgência em melhorar as numerosas alianças existentes entre o setor de turismo e a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. A primeira parte aborda a importância do Enfoque Baseado nos Direitos Humanos (EBDH) para consolidar os direitos humanos em cada um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A segunda parte indaga a importância do enfoque de gênero na Agenda 2030, a fim de explorar seu caráter transformador. A terceira parte trata do setor do turismo na Agenda 2030. Em seguida a análise concentra-se no trabalho turístico com enfoque de gênero, tomado como um bom exemplo de implementação da Agenda 2030, levando em conta o EBDH e longe da lógica do turismo sustentável. Para concluir, sugere-se que a chave para abordar corretamente o trabalho digno sensível ao gênero não é ater-se ao disposto no ODS 5 (igualdade de gênero), mas incorporar o enfoque de gênero de forma transversal no ODS 8 (crescimento econômico sustentável e trabalho digno).
Palavras-chave: Agenda 2030. Transversalização de Gênero. Trabalho Turístico. ODS 5. ODS 8.
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Por Kerley dos Santos Alves
RESUMO
Este artigo tem como objetivo compreender a percepção dos trabalhadores do Turismo sobre o sofrimento psíquico e sua relação com o processo de trabalho. A pesquisa segue a abordagem metodológica qualitativa, utilizando-se de dados primários coletados em três grupos focais com trabalhadores de categorias distintas: guias de turismo, agentes de viagem e trabalhadores dos meios de hospedagem. Os grupos possibilitaram captar as percepções dos trabalhadores, a respeito de suas vidas dentro e fora do trabalho. O setor do turismo, especificamente, além de remunerar precariamente seus trabalhadores, não lhes proporciona a qualidade desejável de vida, tanto dentro quanto fora do trabalho. Pelo contrário, as longas jornadas de trabalho, com acentuado desgaste físico e mental, têm impactos nocivos sobre sua saúde. Nos grupos focais, verificou-se certa resistência em falar abertamente sobre o tema saúde mental, pois a expressão estigmatiza e remete à perspectiva negativa: sintomas, episódios de violência, incapacidade, as quais perpetuam os estereótipos. Por isso, talvez, alguns participantes tenham preferido justificar seu mal-estar laboral pela via da auto-responsabilização. A busca da saúde mental dos profissionais do setor exigiria maior organização interna da categoria, uma vez que as atuais políticas de gestão das organizações atuam justamente para impedir o fortalecimento dos coletivos de trabalho.
Palavras-chave: Turismo. Trabalho. Saúde Mental. Sofrimento Psíquico. Trabalhadores.
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Por Maíra Fontenele Santana
RESUMO
Este artigo busca apresentar a relação do artesanato com espaços turísticos e os desdobramentos em relação à cultura material e o mercado. Apresenta conceitos de artesanato, além de um breve panorama das características do artesanato brasileiro, e sua representação na cultura material, bem como sua associação ao território. Os autores Albino (2017), Ribeiro (1983) e Canclini (2019) são alguns referenciados na discussão do turismo como uma oportunidade de mercado para o artesão. Em seguida, apresenta casos positivos de interação entre turismo e artesanato em diversos aspectos, tais como, o artesanato como atrativo turístico, artesanato como fonte de divulgação do território, destinos turísticos e seus elementos iconográficos como inspiração para o artesanato. Os exemplos partem de iniciativas do poder público, da sociedade civil e dos próprios artesãos.
Palavras-chave: Artesanato. Território. Turismo. Cultura Material.
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Por Rodrigo Meira Martoni
O estudo trata das tentativas (frustradas) de regulamentação da profissão de turismólogo. Com base em pesquisa documental e bibliográfica mediada pela realidade concreta, o objetivo é demonstrar que a inexistência de uma categoria profissional fragiliza não somente os egressos de cursos superiores de bacharelado em turismo, mas os próprios cursos, bem como propicia importante parcela de contribuição à situação de precariedade que caracteriza a quase totalidade das ocupações em Atividades Características do Turismo (ACTs). A análise é referenciada por uma breve explicação acerca das relações necessariamente conflituosas entre capital e trabalho, situando o modus operandi da forma de sociabilidade hegemônica (capitalista) como pressuposto básico para as averiguações que se pretendem circunstanciadas. A partir desse eixo norteador, demonstra-se que o capital somente pode aumentar os seus patamares de acumula- ção via ferramentas objetivas de subtração da classe-que-vive-do-trabalho (ANTUNES, 2009) e, também, subjetivas, de que são exemplos as ideologias da cidadania burguesa e do empreendedorismo. Enfatiza-se que tais ideologias atuam no sentido de culpabilizar os indivíduos por problemas que, de fato, advém da formação social atual e do Estado neoliberal. Diante da natureza exploratória do capital, evidenciamos que, se não há enfrentamentos com corpo social sólido, seus processos reprodutivos seguirão a passos largos no sentido da ampliação da alienação e da precariedade em nome do mais-valor, da lucratividade, da competitividade, da especulação, do domínio e do rentismo.
PALAVRAS-CHAVE: Turismo. Turismólogo. Regulamentação. Capital. Empreendedorismo.
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