
Revista do Centro de Pesquisa e Formação n.9 – Dossiê: Mercados de Arte: Transformações Contemporâneas
SESC – SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO
Administração Regional no Estado de São Paulo
PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL
Abram Szajman
DIRETOR DO DEPARTAMENTO REGIONAL
Danilo Santos de Miranda
SUPERINTENDENTES
TÉCNICO-SOCIAL Joel Naimayer Padula
COMUNICAÇÃO SOCIAL Ivan Giannini
ADMINISTRAÇÃO Luiz Deoclécio Massaro Galina
ASSESSORIA TÉCNICA E DE PLANEJAMENTO Sérgio José Battistelli
GERENTES
CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO Andréa de Araújo Nogueira
ARTES GRÁFICAS Hélcio Magalhães
REVISTA DO CENTRO DE PESQUISA E FORMAÇÃO
EDITOR Marcos Toyansk
ORGANIZADOR Gustavo Torrezan
REVISÃO Sérgio Molina
ILUSTRAÇÃO DE CAPA Deyson Gilbert
PROJETO GRÁFICO Denis Tchepelentyky
DIAGRAMAÇÃO Gabriela Gil e Ricardo J. Souza
EQUIPE SESC
Rafael Peixoto e Rosana Elisa Catelli
Por Danilo Santos de Miranda, Diretor do Sesc São Paulo
As artes visuais e seus mercados estão em constante transformação. Acompanhando as dinâmicas econômicas e culturais globais, a valorização das obras e dos artistas contemporâneos – e a correlata extensão dos mercados de arte – derivam da articulação de sistemas complexos, que envolvem múltiplas instâncias: da produção artística às instituições culturais, da crítica aos veículos de comunicação e da curadoria às redes nacionais e internacionais de galerias.
Ainda fortemente hierarquizado e oligopolístico, o quadro geral do mercado de arte resulta das ações e forças de um reduzido número de atores, os quais definem os valores da arte contemporânea e estruturam as redes por onde fluem as ideias e a materialidade da arte. Num cenário em que os agentes implicados na produção artística nacional buscam manter e ampliar os mecanismos de fomento local, ao mesmo tempo que procuram consolidar a inserção internacional da arte brasileira, o esforço em refletir sobre o mercado da arte possibilita desvelar dimensões estruturais e estruturantes da economia da cultura.
Tais dimensões revelam-se estratégicas para a formulação de políticas públicas, bem como para a gestão cultural. Como instituição atuante no universo artístico-cultural, o Sesc São Paulo participa da valorização simbólica das artes e da cultura, além de desempenhar importante papel como propulsor econômico, abrindo espaço para diversas expressões artísticas e para os diferentes gostos e públicos a elas associados.
Nesse sentido, reunimos pesquisadores, professores e artistas que apresentam aguçados pensamentos em seus textos integrantes do dossiê “Mercados de arte: transformações contemporâneas”. Em “Mercado de arte global, sistema desigual”, Ana Letícia Fialho analisa informações atuais sobre a escala e as condições com que o sistema da arte contemporânea brasileira se internacionaliza, ou participa da cena global, por meio de iniciativas públicas e privadas.
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Dossiê: Mercados de Arte: Transformações Contemporâneas
Por Ana Letícia Fialho
RESUMO
No contexto de um mercado globalizado e desigual, em que medida e sob que condições o sistema da arte contemporânea brasileiro, suas diferentes instâncias e agentes, se internacionalizaram e passaram a participar da cena internacional? Neste artigo trataremos especificamente da internacionalização do mercado de arte primário, que se destacou na última década pelo protagonismo que conquistou no funcionamento do sistema das artes no território nacional e por uma crescente inserção no plano internacional. Analisaremos o contexto e as determinantes desse processo; as políticas públicas e o ambiente normativo e tributário que incidem sobre o sistema das artes visuais e impactam sua internacionalização; os dados quantitativos existentes sobre o mercado que evidenciam tal internacionalização e, por fim, um de seus desdobramentos mais recentes: a abertura de filiais de galerias brasileiras no exterior.
Palavras-chave: Mercado de Arte Contemporânea. Arte Contemporânea. Sistema das Artes Visuais. Politicas Culturais de Internacionalização. Marcos Legais das Artes Visuais.
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Por Mirtes Marins de Oliveira
RESUMO
O presente artigo aponta para a construção de categorias fundamentais no campo da arte, tais como a própria definição de arte, de artista e, por consequência de outros agentes e suas relações. Independente das abordagens na elaboração do desenho do campo artístico, trabalha-se com a hipótese que a exposição de obras, ao longo do tempo e em diferentes contextos, tem um papel fundamental no enunciado institucional que busca afirmar as categorias em disputa, participando, portanto, de forma ativa das disputas de poder. Nesse sentido, também é apresentado um breve relato sobre a constituição do campo curatorial que caracterizaria o agente responsável pela elaboração de exposições.
Palavras-chave: Design Expositivo. Histórias das Exposições. Curadoria. Campo artístico.
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Por Guillermina Bustos e Jorge Sepúlveda T.
RESUMO
O artigo a seguir estabelece as bases conceituais e distinções relevantes que nos permitem compreender as especificidades da economia e do mercado de arte contemporânea na América Latina e sua relação com o campo do conhecimento como um sistema econômico, político e ideológico. Propomos que a instalação da institucionalidade e sua crescente complexidade estão diretamente relacionadas aos ciclos e contraciclos econômicos. Com base em sua análise conseguimos descrever: o funcionamento do sistema da arte em termos econômicos estruturais, a complexidade da produção de valor na arte e a relação com vários tipos de mercado.
Palavras-chave: Economia. Mercado. Finanças. Arte Contemporânea. América Latina.
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Por Ana Paula Cavalcanti Simioni
RESUMO
O artigo discute a presença feminina no mercado internacional de arte, em especial analisando o caso das artistas brasileiras, a partir dos dados disponibilizados pelo Artprice (provenientes de leilões internacionais). Se até 2015 o caso brasileiro parecia se configurar como uma exceção num sistema internacional fortemente generificado, os dados mais recentes apontam uma baixa representatividade geral do país no mercado internacional. Estaríamos diante de uma “exclusão democrática”? A mundialização do sistema artístico não assinala, necessariamente, uma maior equidade entre os artistas do ponto de vista de seu gênero e/ou de suas origens.
Palavras- chave: Mercado Internacional de Arte. Artistas Brasileiros. Mulheres Artistas. ArtPrice. Gênero.
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Por Bianca Andrade Tinoco
RESUMO
Em abril de 2019, durante a 15ª edição da SP-Arte, a organização comprou pelo valor de R$ 20 mil, e doou para a Pinacoteca do Estado de São Paulo, a performance Atoritoleituralogosh, de Cristiano Lenhardt. A obra, uma das seis selecionadas pelo curador Marcos Gallon para a Seção Performance da SP-Arte, foi a segunda performance vendida durante a realização da feira, desde 2005, e também a segunda incorporada ao acervo da Pinacoteca, um museu com aproximadamente 4 mil obras. Este artigo, com base em relatórios e pesquisas sobre o mercado de arte contemporânea, trata das repercussões da compra dessa obra e sua doação para a reputação da SP-Arte, o colecionamento de performance no país e a preservação de trabalhos do gênero por meio da doação para um acervo público.
Palavras-chave: Mercado de Arte Contemporânea. Mercado de Arte no Brasil. Performance. Coleções de Arte. SP-Arte.
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Por Maria de Fátima Morethy Cout
RESUMO
Este texto relaciona-se a um curso de curta duração que ministrei no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP, em janeiro de 2019, e deriva de pesquisas que empreendo há vários anos sobre arte de vanguarda e crítica de arte no Brasil do século XX. Escolhi tratar o tema de modo fragmentado, dividindo-o em três tópicos distintos. Centrando-me na análise de textos de época e nas discussões em torno da eficácia da arte de vanguarda e de poéticas experimentais em um país periférico como o Brasil, pretendo evidenciar as tenso~es políticas e sociais que marcaram o debate arti´stico-cultural do peri´odo (1950–1970).
Palavras-chave: Arte de Vanguarda. Crítica de Arte. Neoconcretismo. Nova Figuração Brasileira. Arte Conceitual.
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Por Henrique Grimaldi Figueredo
RESUMO
A arte e seus mercados passaram por uma profunda remodelação ao longo das últimas três décadas. Fenômenos como a emergência de um capitalismo corporativo, a formação de uma cultura mundializada e a transferência progressiva de investimentos da esfera pública para a iniciativa privada são alguns dos fatores responsáveis por tais transformações. A partir das sátiras elaboradas por Pablo Helguera em sua série Artoons (2006–2016), localizaremos e discutiremos práticas correntes no mercado de arte contemporânea, tendo como premissa alguns dos debates mais atualizados da sociologia da arte.
Palavras-chave: Mercado de Arte. Colecionismo. Artoons. Pablo Helguera.
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Por Luiz Eduardo de Vasconcelos Moreira e Daniel Kupermann
RESUMO
Pretendemos, neste artigo, esboçar uma contribuição psicanalítica sobre o valor da obra de arte. Para tanto, seguimos o seguinte percurso: apresentamos dois momentos da obra freudiana sobre o valor do tratamento psicanalítico; em seguida, conceituamos o que é pulsão e o que é investimento pulsional. Por fim, apresentamos a sublimação como destino pulsional possível. Abordamos como a arte pode ser compreendia desses três pontos de vista, apostando em que essas reflexões sobre a arte a partir da psicanálise revelam a natureza do valor da própria psicanálise.
Palavras-chave: Psicanálise. Arte. Valor. Dinheiro. Metapsicologia.
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Artigos
Por Valmir de Souza
RESUMO
Este artigo tece comentários indicativos acerca de algumas concepções de cultura e políticas públicas de cultura no Brasil a partir de uma amostragem de textos e documentos produzidos por intelectuais e artistas que atuaram em gestões culturais, portanto escritos por agentes de órgãos públicos. Os autores propuseram e desenvolveram projetos culturais no território brasileiro, ampliando o conceito de cultura e buscando transformar as práticas públicas de cultura.
Palavras-chave: Cultura. Discurso. Gestão. Palavra. Política Cultural.
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Por Luis S. Krausz
RESUMO
Os judeus levantinos e norte-africanos, que em grande parte eram os herdeiros de uma história de cosmopolitismo e de refinamento cultural, vinculados tanto à cultura árabe quanto à cultura francesa, chegaram ao Estado de Israel a partir de 1948 como um grupo de destituídos e, no novo país, tornaram-se inteiramente dependentes de instituições de Estado, que estavam determinadas a moldá-los culturalmente à sua própria imagem. Assimilação à nova cultura, negação e renúncia da identidade anterior e revoltas infrutíferas foram formas de reação encontradas para lidar com esta circunstância crítica. Os judeus de origem norte-africana e asiática foram tratados pelo establishment cultural e ideológico israelense como uma minoria estranha aos valores fundamentais do Estado e, como tais, destinados a uma situação às margens da sociedade, considerada como uma sociedade ocidental, europeia e moderna. Neste artigo, discute-se a absorção dos imigrantes judeus oriundos do mundo islâmico, assim como a criação de uma identidade cultural alternativa no seio da sociedade israelense.
Palavras-chave: Judeus orientais. Imigração. Sionismo. Cultura árabe-israelense.
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Por José Geraldo Vinci de Moraes
RESUMO
No começo do século XX a cidade de São Paulo acompanhou pelos jornais um rumoroso caso de “crime de paixão”. Este tipo de delito começava a se tornar comum na cidade que se transformava muito rapidamente. O fato inusitado é que ele envolveu dois conhecidos músicos populares à época. A partir deste episódio é possível captar aspectos aparentemente dispersos que se associavam de diversas maneiras no cenário urbano paulistano. Assim, crimes e imprensa se conectavam ao moderno circuito de práticas e difusão musicais, estimulando as profundas mudanças que ocorriam na cidade na direção da formação de um novo panorama cultural.
Palavras-chave: Música Popular. Crime. Cultura Urbana. São Paulo – 1905
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Gestão Cultural
Por Bruno Corrente, Carolina Câmara e Elisa Ximenes
RESUMO
Este trabalho aborda as práticas de preservação de acervos digitais que foram digitalizados ou são nato digitais, pois entendemos que a efemeridade destes acervos os torna muito mais frágeis que os acervos em papel ou em filme. Além disso, a falta de uma política de acervo, manutenção de equipe, parametrização para a digitalização e um plano de ação para a migração dos conteúdos digitais pode acelerar o processo de perda desses acervos. Partindo da busca por diagnósticos sobre como instituições culturais em São Paulo se estruturam para sobreviver a mudanças políticas que implicam a descontinuidade de seus trabalhos, pondo em risco seus acervos. Considerando que a política de precarização de aparelhos públicos tem como objetivo maior criar uma imagem de ineficiência desses aparelhos para sua futura privatização a preços baixos e que estas mudanças políticas, na maior parte das vezes, visam a reescritura da história, a queima de arquivos, a destruição de obras e o desaparecimento de conteúdos online são casos corriqueiros.
Palavras-chave: Acervo. Política de Acervo. Preservação. Arquivo Digital. Patrimônio.
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Por Alessandra Gonçalves da Silva
RESUMO
Este trabalho propõe uma reflexão sobre as áreas verdes urbanas, paisagismo e as relações humanas que permeiam estes campos.Por meio de conversas com um grupo específico de funcionários do Sesc São Paulo, uma amostra de viveiristas do Sesc Interlagos, pretendo trazer à tona a visão dessas pessoas sobre paisagismo, bem-estar em meio natural e a importância que elas dão ao trabalho que realizam. Captar deste grupo como se dá sua atual função diante de sua jornada de vida. Essas informações serão colhidas através da transcrição da história oral e comparadas aos conceitos apresentados no início das discussões. Por fim, farei uma análise das conversas no intento de lançar luz sobre esses excelentes profissionais que compartilham diariamente com nosso público o amor pela natureza, e como essa relação com os ambientes naturais é essencial para a existência humana e nossa qualidade de vida.
Palavras-chave: Paisagismo. Bem-Estar. Natureza. Serviço Social do Comércio.
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Por Gisela Colaço Geraldi
RESUMO
Este artigo apresenta uma experiência cultural e voluntária de mediação para fins de remição de pena de prisão pela leitura. O projeto “Travessia” é uma iniciativa de professores e alunos da Universidade de São Paulo, que semanalmente realizam encontros na Penitenciária Feminina da Capital, em São Paulo, propondo-se a garantir um direito por meio da leitura compartilhada e da bibliodiversidade literária. A partir dessa experiência, busco elementos de sustentabilidade e replicabilidade dessa ação como política pública de livro, leitura e cultura no sistema prisional.
Palavras-chave: Bibliodiversidade. Literatura. Mediação Cultural. Prisão. Direitos Humanos.
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Entrevista
Para esta edição da Revista do Centro de Pesquisa e Formação, tivemos a oportunidade de conversar com Pedro Barbosa e Luiz Augusto Teixeira de Freitas, colecionadores de arte contemporânea. Os colecionadores falaram sobre mercado de arte, suas coleções e sobre o papel de suas ações nas políticas culturais do sistema das artes visuais.
CPF: Vocês podem contar um pouco sobre o contato inicial com as artes visuais e como nasceu seu interesse por se tornarem colecionadores?
Pedro Barbosa: No meu caso, foi por causa da minha prima, Raquel Arnaud, que é uma dealer, e por influência da minha irmã, que abandonou a ciência para se dedicar às artes visuais em uma conjunção entre ciência, arte e educação infantil. Esse negócio da coleção é o tempo que vai criar, vem muitos anos depois. A coleção começa a se formar, eu diria, na metade dos anos 2000 e toma corpo mesmo a partir de 2010. Vendo o trabalho que o Luiz Augusto fez, chegou uma hora em que eu precisei dessa ajuda que ele tinha procurado no início. Eu me senti fraco para poder dar passos mais arrojados, e aí vim procurar uma pessoa para trabalhar comigo e peguei muitas dicas, coisas que ele fez e acertou, coisas que ele disse que errou. Aí eu coloquei um tempero próprio e segui.
Luiz Augusto Teixeira de Freitas: Eu sempre gostei de artes, desde a minha adolescência, mas nunca imaginei que fosse colecionar arte. Quando comecei a trabalhar e a ter alguma disponibilidade financeira, comecei a comprar algumas obras. Não entendia, nunca estudei arte, mas comecei a comprar algumas obras em leilões, achei que era um bom lugar, porque naquela época nas galerias era muito difícil o acesso e ter noção do que era bom e o que não era. Cheguei então à conclusão que se quisesse fazer alguma coisa com sentido era necessário aprender. Resolvi procurar alguém que pudesse me orientar, e ao mesmo tempo, por meio dessa pessoa, aprender um pouco de arte contemporânea. Acabei por encontrar um curador aqui no Brasil, embora tivesse tentado primeiro em Portugal, onde moro. Depois de algumas conversas Adriano Pedrosa colocou algumas condições e acabamos por chegar a um acordo de colaboração. Comecei a comprar obras com um critério, de forma bastante organizada, o que na época não era muito usual. Muitas pessoas consideravam que isso tornava a coleção de certa forma impessoal, mas não entendo que tenha sido este o caso. Com certeza, o fato da coleção ter tido desde o princípio alguns projetos de apoio ao sistema da arte,museus, instituições acabou por dar a ela um caráter institucional mas isso acabou por ser fundamental para dar uma grande credibilidade à coleção. Com isso tive desde o começo um acesso privilegiado às obras importantes dos artistas que me interessavam o que seria impossível para um colecionador tradicional.
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Resenha
Por Antonio José B. de Menezes Jr.
Resenha do livro: HARRISON-HALL, Jessica. China: uma história em objetos. Tradução de Érico Assis. São Paulo: Edições Sesc, 2018.
A obra de Jessica Harrison-Hall, chefe da seção chinesa do British Museum, intitulada China: uma história em objetos oferece um amplo e rico panorama da produção artística e cultural chinesa ao longo de cinco mil anos. O livro está organizado em seis capítulos, nos quais a autora delimita períodos históricos representativos dentro da complexa historiografia chinesa, apresentando as diversas artes e técnicas desenvolvidas pelos chineses. Seguindo essa cronologia simplificada, vamos percorrer os capítulos dando mais alguns breves aportes.
No capítulo 1, intitulado “Os primórdios da China (5000–221 a.C.)”, a autora abarca um extenso período de tempo, desde as culturas neolíticas até a unificação do império em 221 a.C. Na origem da civilização chinesa, concorrem a narrativa mitológica, preservada nos antigos anais históricos sobre as primeiras dinastias, e o registro arqueológico, resultado de intensas pesquisas realizadas desde as primeiras décadas do século XX. Interessante que, em alguns casos, a narrativa mitológica e o registro arqueológico coincidem de forma admirável.
No campo do registro arqueológico, destacam-se as culturas neolíticas de Yangshao (5000–3000 a.C.) e Longshan (2600–1900 a.C.), a primeira caracterizada por uma cerâmica rústica de cor vermelha e temas geométricos (lembrando a nossa cerâmica marajoara) e a segunda, por uma cerâmica refinada e muito leve, de cor preta. A passagem de Yangshao para Longshan, culturas localizadas em larga medida no mesmo território junto ao Rio Amarelo, denota uma acentuada evolução técnica e estética, que irá se refletir também na produção de objetos de jade e, posteriormente, nas grandes peças rituais de bronze das primeiras dinastias chinesas. Ainda neste tópico, vale destacar as recentes escavações em Sanxingdui, que revelaram misteriosas máscaras de ouro de grandes proporções (ver ilustração 6, p. 19).
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Ficção
Por Ricardo Basbaum
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Narrativas Visuais
Por Deyson Gilbert
Nesta edição da Revista do Centro de Pesquisa e Formação, a sessão “Narrativas Visuais” apresenta a série Photophobia, do Artista Deyson Gilbert, criada especialmente para esta publicação. As pesquisas produzidas pelo artista apresentam pontos de tensão do imaginário social coletivo soldando pensamentos e especulações a respeito de temas específicos da economia da imagem dos séculos XX e XXI.
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