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De costa a costa... Jazz é do que o povo gosta

Nate Wooley | Foto: Peter Gannushkin
Nate Wooley | Foto: Peter Gannushkin

Se você tem que perguntar o que é jazz, nunca vai saber.
Louis Armstrong

Para Louis Armstrong, o jazz era muito mais do que um estilo musical. Na citação acima, o músico nascido em Nova Orleans, define e, ao mesmo, tempo hesita em classificar a música que produzia. O lendário trompetista nos propõe um enigma: jamais saberíamos o que é jazz, caso perguntássemos; ainda assim, nos deu, em termos práticos e teóricos, a chave para decifrar o pulsante ritmo que marcou de forma contundente o século XX e lhe valeu o status de uma das expressões culturais mais revolucionárias da história.

É preciso reconhecer: poucas tradições musicais têm o seu alcance; poucos estilos cruzaram tantas fronteiras, geográficas e conceituais, criando ao longo do tempo uma profunda relação com a diversidade e a inventividade. Capaz de abrigar figuras e personalidades tão distintas quanto Thelonious Monk e Tom Jobim, a sonoridade jazzística sobreviveu ao teste pelas suas constantes transformações e readaptações, abrangendo elementos variados em sua lógica, que vão de Standards a complexos experimentalismos.

É justamente com a proposta de mostrar a heterogeneidade e a capacidade criativa deste gênero, que o Sesc Pompeia abre, no próximo dia 6 de agosto, a quarta edição do Jazz na Fábrica. Este ano, o festival procura apresentar as transformações e as misturas possíveis dentro do estilo, estimulando diálogos que ressoam pelo tempo e pelo espaço. Sem pretensões didáticas e sem a pecha de uma perspectiva histórica, a programação abrange o jazz pelo ponto de vista mais contemporâneo, ou seja, a partir de suas constantes e permanentes reinvenções. Em foco, as múltiplas facetas desenvolvidas no sentido de aproximar as tradições étnicas, experimentalismos, vanguardas e os diversos segmentos da música popular.

Na programação, mais de 20 grupos e solistas de diferentes correntes jazzísticas,  nomes internacionais representativos como os pianistas Randy Weston (EUA) e Hiromi Uehara (JAP); o multi-instrumentista de Chicago, Anthony Braxton; o projeto de H.Prizm e Wadada Leo Smith (EUA); os noruegueses do Jaga Jazzist; o colombiano Antonio Arnedo; o trompetista norte-americano Nate Wooley, o camaronês Manu Dibango, o trombonista Fred Wesley (EUA) e o francês Stéphane Belmondo; além de artistas brasileiros como Felipe Salles, Jazz Brothers, Meretrio e Bocato. 

"A edição deste ano procura olhar para as extremidades do jazz e para esta capacidade de se reinventar, que parece inesgotável; de se alimentar de elementos muito variados como a riqueza musical de culturas muito distintas, a música pop em toda a sua diversidade (a soul music, o rock, o blues, o hip hop, o samba etc), a música de concerto, as vanguardas, as misturas; conservando, no entanto, uma forte identidade e, ao mesmo tempo, um estranhamento constante. Algo difícil de definir, mas possível de exemplificar em duas frases: 'Ah, isto é jazz!' e 'Nossa, isto é jazz?'”, afirma Thiago Freire, coordenador de programação do Sesc Pompeia.

A programação tenta engendrar todos esses aspectos, tanto no que diz respeito ao estilo quanto em abordagens. Para tanto, o desenho da programação prevê quatro diferentes eixos e, consequentemente, artistas que se identificam ou perpassam essas linguagens: o jazz Clássico, os Hibridismos populares (soul, fusion, R&B, rock, funk, hip hop), os Experimentalismos (free jazz, vanguardas e improvisação livre) e as Etnicidades (aproximação com as tradições étnicas). Há também uma programação gratuita que ocorre de 17 a 31 de agosto, sempre aos domingos, com shows ao ar livre realizados no Deck da unidade.

O festival tem abertura em 6 de agosto, com show de Randy Weston, e se estende até 31 do mesmo mês. A venda de ingressos começa dia 31 de julho pela internet e 1º de agosto em todas as unidades da rede Sesc. Confira a programação completa em sescsp.org.br/pompeia

 

Sobre o Jazz na Fábrica
Realizado pela primeira vez em 2011, tornou-se referência entre as programações voltadas ao gênero e às suas diversas vertentes no calendário paulistano. Ao longo de suas edições, trouxe aos palcos da Choperia e do Teatro da unidade Pompeia, nomes importantes e representativos da cena internacional (McCoy Tyner, Cassandra Wilson, Dee Bridgewater, Cedar Walton, David Murray, Christian Scott, Archie Shepp, etc.) e da música brasileira identificada com o jazz (Raul de Souza, Leny Andrade, César Camargo Mariano, Eliane Elias, João Donato, Cyro Batista, Airto Moreira, Letieres Leite, etc.), além de nomes que têm despontado nos últimos anos no cenário mundial (Avishai Cohen, Ibrahim Maalouf e Richard Bona). 

*No título, "From coast to coast… jazz is the thing folks dig”, no original, é um trecho da música Now you has Jazz, composta em 1956 por Louis Armstrong e Cole Porter. 

 

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o que: Jazz na Fábrica 2014
quando:

06 a 31/ago

onde:

Sesc Pompeia

valores: Os valores variam entre R$12 e R$ 60,00

 

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